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"A Bíblia Através dos Séculos" Antonio Gilberto


A Bíblia Através dos Séculos 



A história e formação do Livro dos livros

   Antonio Gilberto


Índice

 

1.  Considerações preliminares

 

2.  A Bíblia como livro

 

3.  A Bíblia como a Palavra de Deus

 

4.  O Cânon da Bíblia e sua evolução histórica

 

5.  A preservação e a tradução da Bíblia

 

6.  A seqüência da história bíblica

 

7.  Cronologia bíblica

 

8.  Geografia bíblica

 

9. Vida e costumes dos povos bíblicos

 

10. Dificuldades da Bíblia

 

  

Apresentação

 

A Casa Publicadora das Assembléias de Deus tem a grata satisfação de apresentar aos seus milhares de leitores mais uma obra do pastor Antônio Gilberto, intitulada A Bíblia através dos séculos. Trata-se, sem dúvida alguma, de um livro que interessa ao estudante das Sagradas Escri­turas, pois descreve, em linguagem simples, particularida­de do autor, assuntos por demais sugestivos, tais como 0 Cânon da Bíblia e sua evolução; A preservação e a tradu­ção da Bíblia; A seqüência da História Bíblica; Cronologia Bíblica; Geografia Bíblica; Vida e Costumes dos Povos Bíblicos; Dificuldades da Bíblia, etc.

Conforme o próprio autor declara, este compêndio é um estudo introdutório do Livro Santo, para melhor com­preensão do leitor. Temos a certeza de que todos os que ad­quirirem a presente obra, por certo agradecerão a Deus pelo privilégio de possuírem um manual que os ajudará a entender melhor o Livro dos livros.

 

Diretoria de Publicações

 

 

1

Considerações preliminares

 

I. INTRODUÇÃO BÍBLICA OU BIBLIOLOGIA

O nosso assunto é o estudo introdutório e auxiliar das Sagradas Escrituras, para sua melhor compreensão por parte do leitor. É também chamado Isagoge nos cursos su­periores de teologia. Este estudo auxilia grandemente a compreensão dos fatos da Bíblia. Um ponto saliente nele é a história da Bíblia mostrando como chegou ela até nós. A necessidade desse estudo é que, sendo a Bíblia um livro di­vino, veio a nós por canais humanos, tornando-se, assim, divino-humana, como também o é a Palavra Viva - Cristo -, que se tornou também divino-humano (Jo 1.1; Ap 19.13).

Pela Bíblia, Deus fala em linguagem humana, para que o homem possa entendê-lo. Por essa razão, a Bíblia faz alusão a tudo que é terreno e humano. Ela menciona paí­ses, montanhas, rios, desertos, mares, climas, solos, estra­das, plantas, produtos, minérios, comércio, dinheiro, línguas, raças, usos, costumes, culturas, etc. Isto é, Deus, para fazer-se compreender, vestiu a Bíblia da nossa lin­guagem, bem como do nosso modo de pensar. Se Deus usasse sua linguagem, ninguém o entenderia. Ele, para re­velar-se ao homem, adaptou a Bíblia ao modo humano de perceber as coisas. Destarte, o autor da Bíblia é Deus, mas os escritores foram homens. Na linguagem figurada dos Salmos e das diversas outras partes da Bíblia, Deus mes­mo é descrito e age como se fosse homem. A Bíblia chega a esse ponto para que o homem compreenda melhor o que Deus lhe quer dizer. Isto também explica muitas dificulda­des e aparentes contradições do texto bíblico.

 

II. O ÂMBITO DESTE ASSUNTO

A Bibliologia estuda a Bíblia sob os seguintes pontos de vista:

1.  Observações gerais sobre sua leitura e estudo.

2.  Sua estrutura, considerando sua divisão, classificação dos livros, capítulos, versículos, particularidades e tema central.

3.  A Bíblia considerada como o Livro Divino, isto é, como a Palavra escrita de Deus.

4.  O Cânon sagrado: sua formação e transmissão até nós.

5.  A preservação e tradução do texto da Bíblia. Isto aborda as línguas originais e os manuscritos bíblicos.

6.  Inclui ainda elementos de história geral da Bíblia, inclu­sive o Período Interbíblico ou Intertestamentário, e de auxílios externos no estudo da Bíblia: geografia bíblica, usos e costumes antigos orientais, sistemas de medidas, pesos e moedas; cronologia bíblica geral, história das na­ções antigas contemporâneas; estudos das personagens e dos livros da Bíblia, e das dificuldades bíblicas.

 

III. A RAZÃO DA NECESSIDADE DAS ESCRITURAS

Deus se tem revelado através dos tempos por meio de suas obras, isto é, da criação (SI 19.1-6; Rm 1.20). Porém, na Palavra de Deus temos uma revelação especial e muito maior. É dupla esta revelação: a) na Bíblia, que é a PALA­VRA DE DEUS ESCRITA, e b) em Cristo, que é PALA­VRA DE DEUS VIVA (Jo 1.1). Esta dupla revelação é es­pecial, porque tornou-se necessária devido à queda do ho­mem. 10

 

 

IV. A NECESSIDADE DO ESTUDO DAS ESCRITURAS

Isto está implícito em Salmo 119.130; Isaías 34.16; 2 Ti­móteo 2.15; 1 Pedro 3.15, e nos conduz a dois pontos de suma importância: a) porque devemos estudar a Bíblia, e b) como devemos estudar a Bíblia.

Estudar é mais que ler; é aplicar a mente a um assunto, de modo sistemático e constante.

1. Porque devemos estudar a Bíblia

a.  Ela é o único manual do crente na vida cristã e no trabalho do Senhor. O crente foi salvo para servir ao Se­nhor (Ef 2.10; 1 Pe 2.9). Sendo a Bíblia o livro texto do cristão, é importante que ele a maneje bem, para o fiel de­sempenho de sua missão (2 Tm 2.15). Um bom profissional sabe empregar com eficiência as ferramentas de seu ofício. Essa eficiência não é automática: vem pelo estudo e práti­ca. Assim deve ser o crente com relação ao seu manual - a Bíblia. Entre as promessas de Deus nesse sentido, temos uma muito maravilhosa em Isaías 55.11. Deus declara aí que sua Palavra não voltará vazia. Portanto, quando al­guém toma tempo para estudar com propósito a Palavra de Deus, o efeito será glorioso quanto à edificação espiri­tual e ao engrandecimento do reino de Deus.

b.  Ela alimenta nossas almas (Jr 15.16; Mt 4.4; 1 Pe 2.2). Não há dúvida de que o estudo da Palavra de Deus traz nutrição e crescimento espiritual. Ela é tão indispen­sável à alma, como o pão ao corpo. Nas passagens acima, ela é comparada ao alimento, porém, este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo. O texto de 1 Pedro 2.2 fala do intenso apetite dos recém-nascidos; assim deve ser o nosso desejo pela Palavra. Bom apetite pela Bíblia é si­nal de saúde espiritual.

Como está o seu apetite pela Bíblia, leitor?

c.  Ela é o instrumento que o Espírito Santo usa (Ef 6.17). Se em nós houver abundância da Palavra de Deus. o Espírito Santo terá o instrumento com que operar. É preci­so, pois. meditar nela (Js 1.8; SI 1.2). Ê preciso deixar que ela domine todas as esferas da nossa vida. nossos pensa­mentos, nosso coração e, assim, molde todo o nosso viver diário. Em suma: precisamos ficar saturados da Palavra de Deus.

Um requisito primordial para Deus responder às nossas orações é estarmos saturados da sua Palavra (Jo 15.7). Aqui está, em parte, a razão de muitas orações não serem respondidas: desinteresse pela Palavra de Deus. (Leia o texto outra vez.) Pelo menos três fatos estão implícitos aqui: a) Na oração precisamos apoiar nossa fé nas promes­sas de Deus, e essas promessas estão na Bíblia, b) Por sua vez, a Palavra de Deus produz fé em nós (Rm 10.17). c) De­vemos fazer nossas petições segundo a vontade de Deus (1 Jo 5.14), e um dos meios de saber-se a vontade de Deus é através da sua Palavra.

Na vida cristã, e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos lembrará o texto bíblico preciso, se de antemão o conhecermos (Jo 14.26). - É possível o leitor ser lembrado de algo que não sabe? Pense se é possível! Portanto, o Espírito Santo quer não somente encher o crente, mas também encontrar nele o instrumento com que operar     a Palavra de Deus.

Ter o Espírito e não conhecer a Palavra, conduz ao fa­natismo. Pessoas assim querem usar o Espírito em vez de Ele usá-las. Conhecer a Palavra e não ter o Espírito conduz ao formalismo. Estes dois extremos são igualmente perigo­sos.

d. Ela enriquece espiritualmente a vida do cristão (SI 119.72). Essas riquezas vêm pela revelação do Espírito, primeiramente (Ef 1.17). O leitor que procurar entender a Bíblia somente através do intelecto, muito cedo desistirá do seu intento. Só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus (1 Co 2.10). Um renomado expositor cristão afirma que há 32.000 promessas na Bíblia toda! Pensai que fonte de riqueza há ali! Entre as riquezas derivadas da Bíblia es­tá a formação do caráter ideal, bem como a moldagem da vida cristã como um todo. É a-Bíblia a melhor diretriz de conduta humana; a melhor formadora do caráter. Os princípios que modelam nossa vida devem proceder dela.

A falta de uma correta e pronta orientação espiritual dentro da Palavra de Deus. especialmente quanto a novos convertidos, tem resultado em inúmeras vidas desequilibradas, doentes pelo resto da existência. Essas, só um milagre de Deus pode reajustá-las. Pessoas assim, ferem-se a si mesmas e aos que as rodeiam.

A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Tudo que Deus tem para o homem e requer do homem, e tudo que o homem precisa saber espiritualmente da parte de Deus quanto à sua redenção, conduta cristã e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Deus não tem outra revela­ção escrita além da Bíblia. Tudo o que o homem tem a fa­zer é tomar o Livro e apropriar-se dele pela fé. O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo, e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo. O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo, e prati­car a Bíblia para ser santo.

2. Como devemos estudar a Bíblia

a.  Leia a Bíblia conhecendo seu autor. Isto é de supre­ma importância, é a melhor maneira de estudar a Bíblia. Ela é o único livro cujo autor está sempre presente quando é lida. O autor de um livro é a pessoa que melhor pode ex­plicá-lo. A Bíblia é um livro fácil e ao mesmo tempo difícil; simples e ao mesmo tempo complexo. Não basta apenas ler suas palavras e analisar suas declarações. Tudo isso é indispensável, mas não basta. É preciso conhecer e amar o Autor do Livro. Conhecendo o Autor, a compreensão será mais fácil.

Façamos como Maria, que aprendia aos pés do Mestre (Lc 10.39). Esse é ainda o melhor lugar para o aluno!

b.  Leia a Bíblia diariamente (Dt 17.19). Esta regra é excelente. Presume-se que 90fr dos crentes não lêem a Bíblia diariamente: não é de admirar haver tantos crentes frios nas igrejas. Não somente frios mas anãos, raquíticos, mundanos, carnais, indiferentes. Sem crescimento espiri­tual, Deus não nos pode revelar suas verdades profundas (Mc 4.33; Jo 16.12; Hb 5.12). É de admirar haver pessoas na igreja que acham tempo para ler, ouvir e ver tudo, me­nos a Palavra de Deus. Motivo: Comem tanto outras coisas que perdem o apetite pelas coisas de Deus! É justo ler boas coisas, mas, é imprescindível tomar mais tempo com as Escrituras. É também de estarrecer o fato de que muitos líderes de igrejas não levam seus liderados a lerem a Bíblia. Não basta assistir aos cultos, ouvir sermões e teste­munhos, assistir a estudos bíblicos, ler boas obras de lite­ratura cristã: é preciso a leitura bíblica individual, pes­soal. Há crentes que só comem espiritualmente quando lhes dão comida na boca: é a colher do pastor, do professor da Escola Dominical, etc. Se ninguém lhes der comida eles morrerão de inanição.

 

c.  Ler a Bíblia com a melhor atitude mental e espiri­tual. Isto é de capital importância para o êxito no estudo bíblico. A atitude correta é a seguinte: a) Estudar a Bíblia como a Palavra de Deus, e não como uma obra literária qualquer, b) Estudar a Bíblia com o coração, em atitude devocional, e não apenas com o intelecto. As riquezas da Bíblia são para os humildes que temem ao Senhor (Tg 1.21). Quanto maior for a nossa comunhão com Deus, mais humildes seremos. Os galhos mais carregados de frutos são os que mais abaixam! É preciso ler a Bíblia crendo, sem duvidar, em tudo que ela ensina, inclusive no campo sobrenatural. A dúvida ou descrença, cega o leitor (Lc 24.25).


d.  Leia a Bíblia com oração, devagar, meditando. As­sim fizeram os servos de Deus no passado: Davi (SI 119.12,18); Daniel (Dn 9.21-23). O caminho ainda é o mes­mo. Na presença do Senhor em oração, as coisas incom­preensíveis são esclarecidas (SI 73.16,17). A meditação na Palavra aprofunda a sua compreensão. Muitos lêem a Bíblia somente para estabelecerem recordes de leitura. Ao ler a Bíblia, aplique-a primeiro a si próprio, irmão, senão não haverá virtude nenhuma.

e.  Leia a Bíblia toda. Há uma riqueza insondável nisso! É a única maneira de conhecermos a verdade completa dos assuntos nela contidos, visto que a revelação de Deus que nela temos é progressiva. - Como o leitor pensa compreen­der um livro que ainda não leu do princípio ao fim? Mesmo lendo a Bíblia toda, não a entendemos completamente. Ela, sendo a Palavra de Deus, é infinita. Nem mesmo a mente de um gênio poderia interpretá-la sem erros. Não há no mundo ninguém que esgote a Bíblia. Todos somos sem­pre alunos (Dt 29.29; Rm 11.33,34; 1 Co 13.12). Portanto, na Bíblia há dificuldades, mas o problema é do lado huma­no. O Espírito Santo, que conhece as profundezas de Deus, pode ir revelando o conhecimento da verdade, à medida que buscamos a face de Deus e andamos mais perto dele. Amém.

 

QUESTIONÁRIO

1.  Que é Bibliologia ou Introdução Bíblica?

2.  Que linguagem e modo de pensar usa Deus em sua Pala­vra?

3.  Mencione alguns dos assuntos estudados em Bibliolo­gia.

4.  Por que tornou-se necessário a revelação especial de Deus pela Bíblia?

5.  Cite dois motivos por que devemos estudar a Bíblia, se­gundo o estudo apresentado.

6.  Cite três maneiras como devemos estudar a Bíblia.

7.  Qual a maneira de conhecermos a verdade completa sobre determinado assunto bíblico?

8.  Por que não podemos entender a Bíblia toda?

 

  

 

2

Á Bíblia como livro

 

I. OS LIVROS ANTIGOS

A Bíblia é um livro antigo. Os livros antigos tinham a forma de rolos (Jr 36.2). Eram feitos de papiro ou pergami-nho. O papiro é uma planta aquática que cresce junto a rios, lagos e banhados, no Oriente Próximo, cuja entrecas-ca servia para escrever. Essa planta existe ainda hoje no Sudão, na Galiléia Superior e no vale de Sarom. As tiras extraídas do papiro eram coladas umas às outras até for­marem um rolo de qualquer extensão. Este material gráfi­co primitivo é mencionado muitas vezes na Bíblia, exem­plos: Êxodo 2.3; Jó 8.11; Isaías 18.2. Em certas versões da Bíblia, o papiro é mencionado como junco; de fato, é um tipo de junco de grandes proporções. De papiro, deriva-se a nossa palavra papel. Seu uso na escrita vem de 3.000 a.C.

Pergaminho é pele de animais, cortida e polida, utiliza­da na escrita. É material gráfico melhor que o papiro. Seu uso é mais recente que o do papiro. Vem dos primórdios da Era Cristã, apesar de já ser conhecido antes. É também mencionado na Bíblia, como em 2 Timóteo 4.13.

A Bíblia foi originalmente escrita em forma de rolo, sendo cada livro um rolo. Assim, vemos, que, a princípio, os livros sagrados não estavam unidos uns aos outros como os temos agora em nossas Bíblias. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no Século II, pelos chineses, bem como a do prelo, de tipos móveis, inventada em 1450, pelo alemão Gutemberg. Até então era tudo manuscrito pelos escribas de modo laborioso, lento e oneroso. Quanto a este aspecto da difusão de sua Palavra, Deus tem abençoa­do maravilhosamente, de modo que hoje milhões de exem­plares das Escrituras são impressos com rapidez e facilida­de em muitos pontos do globo. Também, graças aos pro­gressos alcançados no campo das invenções e da tecnolo­gia, podemos hoje transportar com toda comodidade um exemplar da Bíblia, coisa impossível nos tempos primiti­vos. Ainda hoje, devido aos ritos tradicionais, os rolos sa­grados das Escrituras hebraicas continuam em uso nas si­nagogas judaicas.

 

II. O VOCÁBULO "BÍBLIA"

Este vocábulo não se acha no texto das Sagradas Escri­turas. Consta apenas na capa. - Donde, pois, nos vem? -Vem do grego, a língua original do Novo Testamento. É derivado do nome que os gregos davam à folha, de papiro preparada para a escrita - "biblos". Um rolo de papiro de tamanho pequeno era chamado "biblion" e vários destes eram uma "bíblia". Portanto, literalmente, a palavra bíblia quer dizer "coleção de livros pequenos". Com a in­venção do papel, desapareceram os rolos, e a palavra biblos deu origem a "livro", como se vê em biblioteca, bibliografia, bibliófilo, etc. É consenso geral entre os dou­tos no assunto que o nome Bíblia foi primeiramente aplica­do às Sagradas Escrituras por João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, no Século IV.

E porque as Escrituras formam uma unidade perfeita, a palavra Bíblia, sendo um plural, como acabamos de ver, passou a ser singular, significando o LIVRO, isto é, o Livro dos livros; O Livro por excelência. Como Livro divino, a definição canônica da Bíblia é "A revelação de Deus à hu­manidade".

Os nomes mais comuns que a Bíblia dá a si mesma, isto é, os seus nomes canônicos, são:

• Escrituras (Mt 21.42) 18

• Sagradas Escrituras (Rm 1.2)

• Livro do Senhor (Is 34.16)

• A Palavra de Deus (Mc 7.13; Hb 4.12)

• Os Oráculos de Deus (Rm 3.2)

 

III. A ESTRUTURA DA BÍBLIA

Estudaremos neste ponto a estrutura ou composição da Bíblia, isto é, a sua divisão em partes principais e seus li­vros quanto à classificação por assuntos, divisão em capí­tulos e versículos e, certas particularidades indispensáveis.

A Bíblia divide-se em duas partes principais: ANTIGO e NOVO TESTAMENTO, tendo ao todo 66 livros: sendo 39 no AT e 27 no NT. Estes 66 livros foram escritos num período de 16 séculos e tiveram cerca de 40 escritores. Aqui está um dos milagres da Bíblia. Esses escritores pertence­ram às mais variadas profissões e atividades, viveram e es­creveram em países, regiões e continentes distantes uns dos outros, em épocas e condições diversas, entretanto, seus escritos formam uma harmonia perfeita. Isto prova que um só os dirigia no registro da revelação divina: Deus.

A palavra testamento vem do termo grego "diatheke", e significa: a) Aliança ou concerto, e b) Testamento, isto é, um documento contendo a última vontade de alguém quanto à distribuição de seus bens, após sua morte. Esta é a palavra empregada no Novo Testamento, como por exemplo em Lucas 22.20. No Antigo Testamento, a pala­vra usada é "berith" que significa apenas concerto. O du­plo sentido do termo grego nos mostra que a morte do tes-tador (Cristo) ratificou ou selou a Nova Aliança, garantin-do-nos toda a herança com Cristo (Rm 8.17; Hb 9.15-17).

O título Antigo Testamento foi primeiramente aplica­do aos 39 livros das Escrituras hebraicas, por Tertuliano, e Orígenes.

Na primeira divisão principal da Bíblia, temos o Anti­go Concerto (também chamado pacto, aliança), que veio pela Lei, feito no Sinai e, selado com sangue de animais (Êx 24.3-8; Hb 9.19,20). Na segunda divisão principal (o NT), temos o Novo Concerto, que veio pelo Senhor Jesus Cristo, feito no Calvário e selado com o seu próprio sangue (Lc 22.20; Hb 9.11-15). É pois um concerto superior.

Nas Bíblias de edição da Igreja Romana, o total de li­vros é 73. Os 7 livros a mais, são chamados apócrifos. Além dos livros apócrifos, as referidas Bíblias têm mais 4 acrés­cimos a livros canônicos. Trataremos disto no capítulo que estudará o cânon das Escrituras.

1. O Antigo Testamento

Tem 39 livros, e foi escrito originalmente em hebraico, com exceção de pequenos trechos que o foram em aramai-co. O aramaico foi a língua que Israel trouxe do seu exílio babilônico. Há também algumas palavras persas. Seus 39 livros estão classificados em 4 grupos, conforme os assun­tos a que pertencem: LEI, HISTÓRIA, POESIA, PROFE­CIA. O grupo ou classe poesia também é conhecido por de-vocional.

Vejamos os livros por cada grupo.

a.  LEI. São 5 livros: Gênesis a Deuteronômio. São co-mumente chamados o Pentateuco. Esses livros tratam da origem de todas as coisas, da Lei, e do estabelecimento da nação israelita.

b.  HISTÓRIA. São 12 livros: de Josué a.Ester. Ocu­pam-se da história de Israel nos seus vários períodos: a) Teocracia, sob os juizes, b) Monarquia, sob Saul, Davi e Salomão, c) Divisão do reino e cativeiro, contendo o relato dos reinos de Judá e Israel, este levado em cativeiro para a Assíria, e aquele para Babilônia, d) Pós-cativeiro, sob Zo-robabel, Esdras e Neemias, em conjunto com os profetas contemporâneos.

c. POESIA. São 5 livros: de Jó a Cantares de Salomão. São chamados poéticos, não porque sejam cheios de ima­ginação e fantasia, mas devido ao gênero do seu conteúdo. São também chamados devocionais.

d.  PROFECIA. São 17 livros: de Isaías a Malaquias. Estão subdivididos em:

• Profetas Maiores: Isaías a Daniel (5 livros).

• Profetas Menores: Oséias a Malaquias (12 livros). Os nomes maiores e menores não se referem ao mérito ou notoriedade do profeta mais ao tamanho dos livros e à extensão do respectivo ministério profético.

A classificação dos livros do AT, por assunto, vem da versão Septuaginta, através da Vulgata, e não leva em conta a ordem cronológica dos livros, o que, para o leitor menos avisado, dá lugar a não pouca confusão, quando procura agrupar os assuntos cronologicamente. Na Bíblia hebraica (que é o nosso AT), a divisão dos livros é bem di­ferente.

Nas Bíblias de edição católico-romana, os livros de 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis são chamados 1,2,3 e 4 Reis, respecti­vamente. 1 e 2 Crônicas são chamados 1 e 2 Paralipôme-nos. Esdras e Neemias são chamados 1 e 2 Esdras. Tam­bém, nas edições católicas de Matos Soares e Figueiredo, o Salmo 9 corresponde em Almeida aos Salmos 9 e 10. O de número 10 é o nosso 11. Isso vai assim até os Salmos 146 a 147, que nas nossas Bíblias são o de número 147. Deste mo­do, os três salmos finais são idênticos em qualquer das ver­sões acima mencionadas. Essas diferenças de numeração em nada afetam o texto em si, e não poderia ser doutra for­ma, sendo a Bíblia o Livro do Senhor!

2. O Novo Testamento

Tem 27 livros. Foi escrito em grego; não no grego clássi­co dos eruditos, mas no do povo comum, chamado Koiné. Seus 27 livros também estão classificados em 4 grupos, conforme o assunto a que pertencem: BIOGRAFIA, HIS­TÓRIA, EPÍSTOLAS, PROFECIA. O terceiro grupo é também chamado DOUTRINA.

a.   BIOGRAFIA. São os 4 Evangelhos. Descrevem a vida terrena do Senhor Jesus e seu glorioso ministério. Os três primeiros são chamados Sinópticos, devido a certo pa­ralelismo que têm entre si. Os Evangelhos são os livros mais importantes da Bíblia. Todos os que os precedem tra­tam da preparação para a manifestação de Jesus Cristo, e os que se lhes seguem são explicações da doutrina de Cris­to.

b,  HISTORIA. É o livro de Atos dos Apóstolos. Registra a história da igreja primitiva, seu viver, a propagação do

Evangelho; tudo através do Espírito Santo, conforme Je­sus prometera.

c.  EPÍSTOLAS. São 21 as epístolas ou cartas. Vão de Romanos a Judas. Contêm a doutrina da Igreja.

• 9 são dirigidas a igrejas (Romanos a 2 Tessalonicen-ses)

• 4 são dirigidas a indivíduos (1 Timóteo a Filemom)

• 1 é dirigida aos hebreus cristãos

• 7 são dirigidas a todos os cristãos, indistintamente (Tiago a Judas)

As últimas sete são também chamadas universais, ca­tólicas ou gerais, apesar de duas delas (2 e 3 João) serem dirigidas a pessoas.

d.  PROFECIA. É o livro de Apocalipse ou Revelação. Trata da volta pessoal do Senhor Jesus à Terra e das coisas que precederão esse glorioso evento. Nesse livro vemos o Senhor Jesus vindo com seus santos para: a) destruir o po­der gentílico mundial sob o reinado da Besta; b) livrar Is­rael, que estará no centro da Grande Tribulação; c) julgar as nações; e d) estabelecer o seu reino milenar.

Oh! como desejamos que Ele venha!

Os livros do Novo Testamento também não estão situa­dos em ordem cronológica, pelas mesmas razões expostas ao tratarmos do Antigo Testamento.

 

IV. O TEMA CENTRAL DA BÍBLIA

Jesus é o tema central da Bíblia. Ele mesmo no-lo de­clara em Lucas 24.44 e João 5.39. (Ler também Atos 3.18; 10.43; Apocalipse 22.16). Se olharmos de perto, veremos que, em tipos, figuras, símbolos e profecias, Ele ocupa o lu­gar central das Escrituras, isto além da sua manifestação como está registrada em todo o Novo Testamento.

Em Gênesis, Jesus é o descendente da mulher (Gn 3.15).

Em Êxodo, é o Cordeiro Pascoal.

Em Levítico, é o Sacrifício Expiatório.

Em Números, é a Rocha Ferida.

Em Deuteronômio, é o Profeta.

Em Josué, é o Capitão dos Exércitos do Senhor.

Em Juizes, é o Libertador.

Em Rute, é o Parente Divino.

Em Reis e Crônicas, é o Rei Prometido.

Em Ester, é o Advogado.

Em Jó, é o nosso Redentor.

Nos Salmos, é o nosso socorro e alegria.

Em Provérbios, é a Sabedoria de Deus.

Em Cantares de Salomão, é o nosso Amado.

Em Eclesiastes, é o Alvo Verdadeiro^

Nos Profetas, é o Messias Prometido.

Nos Evangelhos, é o Salvador do Mundo.

Nos Atos, é o Cristo Ressurgido.

Nas Epístolas, é a Cabeça da Igreja.

No Apocalipse, é o Alfa e o ômega; é o Cristo que volta para reinar.

Tomando o Senhor Jesus como o centro da Bíblia, po­demos resumir os 66 livros em cinco palavras referentes a Ele, assim: PREPARAÇÃO - Todo o AT, pois trata da preparação para o advento de Cristo. MANIFESTAÇÃO - Os Evangelhos, que tratam da mani­festação de Cristo. PROPAGAÇÃO - O Livro de Atos, que trata da propaga­ção de Cristo. EXPLANAÇÃO - As Epístolas, que são a explanação da doutrina de Cristo. CONSUMAÇÃO - O Livro de Apocalipse, que trata da consumação de todas as coisas preditas, através de Cristo. (Dr. Cl. Scofield).

Portanto, as Escrituras sem Jesus seriam como a Física sem a matéria ou a Matemática sem os números.

 

V. ALGUNS FATOS E PARTICULARIDADES DA BÍ­BLIA

Antes, a Bíblia não era dividida em capítulos e versícu­los. A divisão em capítulos foi feita no ano de 1250, pelo cardeal Hugo de Saint Cher, abade dominicano e estudio­so das Escrituras. A divisão em versículos foi feita de duas vezes. O AT em 1445, pelo Rabi Nathan; o NT em 1551, por Robert Stevens, um impressor de Paris. Stevens publicou a primeira Bíblia (Vulgata Latina) dividida em capí­tulos e versículos em 1555. O AT tem 929 capítulos e 23.214 versículos. O NT tem 260 capítulos e 7.959 versículos. A Bíblia toda tem 1.189 capítulos e 31.173 versículos. O nú­mero de palavras e letras depende do idioma e da versão. O maior capítulo é o Salmo 119, e o menor o Salmo 117. O maior versículo está em Ester 8.9; o menor, em Êxodo 20.30. (Isso, nas versões portuguesas e com exceção da cha­mada "Tradução Brasileira", onde o menor é Lucas 20.30). Em certas línguas, o menor é João 11.35. Os livros de Ester e Cantares não contêm a palavra Deus, porém a presença de Deus é evidente nos fatos neles desenrolados, mormente em Ester. Há na Bíblia 8.000 menções de Deus sob vários nomes divinos, e 177 menções do Diabo, sob seus vários no­mes.

A vinda do Senhor é referida direta e indiretamente 1.845 vezes, sendo 1.527 no AT e 318 no NT. - Não é esse um assunto para séria meditação? O Salmo 119 tem em hebraico 22 seções de 8 versículos cada uma. O número 22 corresponde ao número de letras do alfabeto hebraico. Cada uma das 22 seções inicia com uma letra desse alfabe­to, e, dentro, de cada seção, todos os versículos começam com a letra da respectiva seção. Caso semelhante há no li­vro de Lamentações de Jeremias. Ali, em hebraico, os capítulos 1,2,4, têm 22 versículos cada um, compreenden­do as 22 letras do alfabeto, de álefe a tau. Porém o capítulo 3 tem 66 versículos, levando cada três deles, a mesma letra do alfabeto.

Há outros casos assim na estrutura da Bíblia. Isso ja­mais poderia ser obra do acaso. A frase "não temas" ocorre 365 vezes em toda a Bíblia, o que dá uma para cada dia do ano! O capítulo 19 de 2 Reis é idêntico ao 37 de Isaías. O AT encerra citando a palavra "maldição"; o NT encerra citando a expressão: "a graça do Nosso Senhor Jesus Cris­to." A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo após a invenção do prelo; isso deu-se em 1452, em Mogúncia, Ale­manha. Os números 3 e 7 predominam admiravelmente em toda a Bíblia. O nome de Jesus consta do primeiro e do último versículos do NT. As traduções da Bíblia (toda ou em parte) até 1984, atingiram a 1796 línguas e dialetos. 24

Restam ainda cerca de 1.000 línguas em que ela precisa ser traduzida.

- Que está o irmão fazendo para difundir a Bíblia - o li­vro que o salvou?

 

VI. ALGUMAS OBSERVAÇÕES ÚTEIS E PRÁTICAS NO MANUSEIO E ESTUDO DA BÍBLIA

1.  Apontamentos individuais

Habitue-se a tomar notas de suas meditações na Pala­vra de Deus. A memória falha com o tempo. Distribua seus apontamentos por assuntos previamente escolhidos e des­tacados uns dos outros. Use, para isso, um livro de folhas soltas (livro de argola) com projeções e índice. Se não hou­ver organização nos apontamentos, eles pouco servirão.

2.  Aprenda a ler e escrever referências bíblicas

O sistema mais simples e rápido para escrever referên­cias bíblicas é o adotado pela Sociedade Bíblica do Brasil: duas letras sem ponto abreviativo para cada livro da Bíblia. Entre capítulo e versículo põe-se apenas um ponto. No índice das Bíblias editadas pela SBB pode-se ver a lista dos livros assim abreviados.

Exemplos de referências por esse sistema:

1  Jo 2.4 (1 João capítulo 2, versículo 4) Jó 2.4 (Jó capítulo 2, versículo 4)

1 Pe 5.5 (1 Pedro capítulo 5, versículo 5) Fp 1.29 (Filipenses capítulo 1, versículo 29) Fm v. 14 (Filemom, versículo 14)

3.  Diferença entre texto, contexto, referência, inferência

a.  Texto são as palavras contidas numa passagem.

b.  Contexto é a parte que fica antes e depois do texto que estamos lendo. O contexto pode ser imediato ou remo­to.

c.  Referência é a conexão direta sobre determinado as­sunto. Além de indicar o livro, capítulo e versículo, a refe­rência pode levar outras indicações como:

-   "a", indicando a parte inicial do versículo: (Rm 11.17a).

-   "b", indicando a parte final do versículo: (Rm 11.17b).

-  "ss", indicando os versículos que se seguem até o fim ou não do capítulo: (Rm 11.17ss).

-  "qv", significando que veja. Recomendação para não deixar de ler o texto indicado. Vem da expressão latina quod vide = que veja.

- "cf", significando compare, confirme, confronte. Vem do latim confere.

- "i.e.", significando isto é. Vem do latim id est. As re­ferências também podem ser verbais e reais. As primeiras são um paralelismo de palavras; as segundas, de assuntos ou idéias.

 

d. Inferência é uma conexão indireta entre assuntos. É uma ilação ou dedução.

4.  Siglas das diferentes versões em vernáculo

O uso dessas siglas poupa tempo e trabalho.

-  ARC = Almeida Revisada e Corrigida. É a Bíblia de Almeida antiga, impressa pela Imprensa Bíblica Brasilei­ra.

- ARA = Almeida Revisada e Atualizada. É a Bíblia de Almeida revisada e publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, completa, a partir de 1958.

-  FIG as Antônio Pereira de Figueiredo. Atualmente é impressa pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, Londres.

-  SOARES = Matos Soares. Versão popular dos católi­cos brasileiros.

-  RHODEN as Huberto Rhoden. Versão particular des­se ex-padre brasileiro.

-  CBSP = Centro Bíblico de São Paulo. Edição católica popular da Bíblia, São Paulo.

-  TRAD. BRÁS. Tradução Brasileira, 1917

5.  O tempo antes e depois de Cristo

É indicado pelas letras:

- a.C. = antes de Cristo, isto é, antes do nascimento de Cristo.

- d.C. = depois de Cristo, isto é, o tempo depois do nas­cimento de Cristo. Também aparece em algumas obras, "AD", que vem da expressão latina: "Anno Domini", ou seja, ano do Senhor, em alusão ao nascimento de Cristo.

6.  Manuseio do volume sagrado

Obtenha completo domínio do manuseio da Bíblia, a fim de encontrar com rapidez qualquer referência bíblica, Jesus fazia assim. Em Lucas 4.17 diz que Ele "achou o lu­gar onde estava escrito". Ora, naquele tempo, isso era muito mais difícil do que hoje com o progresso da indústria gráfica. 7. Abreviaturas bíblicas.

As abreviaturas dos livros consistem de duas letras sem ponto abreviativo. Procure memorizá-las de vez.

 

ANTIGO TESTAMENTO

LIVRO

 

 

LIVRO

 

Gênesis

Gn

 

Eclesiastes

Ec

Êxodo

Êx

 

Cantares

Ct

Levítico

Lv

 

Isaias

Is

Números

Nm

 

Jeremias

Jr

Deuteronômio

Dt

 

Lamentações de Jeremias

Lm

Josué

Js

 

Ezequial

Ez

Juizes

Jz

 

Daniel

Dn

Rute

Rt

 

Oséias

Os

1 Samuel

1 Sm

 

Joel

Jl

2 Samuel

2 Sm

 

Amós

Am

1 Reis

1 Rs

 

Obadias

Ob

2 Reis

2 Rs

 

Jonas

Jn

1 Crônicas

1 Cr

 

Miquéis

Mq

2 Crônicas

2 Cr

 

Naum

Na

Esdras

Ed

 

Habacuque

Hc

Neemias

Ne

 

Sofonias

Sf

Ester

Et

 

Ageu

Ag

 

Zacarias

Zc

Salmos

Sl

 

Malaquias

Ml

Provérbios

Pv

 

 

 

 

 

NOVO TESTAMENTO

LIVRO

 

 

LIVRO

 

Mateus

Mt

 

Atos

At

Marcos

Mc

 

Romanos

Rm

Lucas

Lc

 

1 Coríntios

1 Co

João

Jo

 

2 Coríntios

2 Co

Gálatas

Gl

 

Hebreus

Hb

Efésios

Ef

 

Tiago

Tg

Filipenses

Fp

 

1 Pedro

1 Pe

Colossenses

Cl

 

2 Pedro

2 Pe

1 Tessalonicenses

1 Ts

 

1 João

1 Jo

2 Tessalonicenses

2 Ts

 

2 João

2 Jo

1 Timóteo

1 Tm

 

3 João

3 Jo

2 Timóteo

2 Tm

 

Judas

Jd

Tito

Tt

 

Apocalipse

Ap

Filemom

Fm

 

 

 

 

 

QUESTIONÁRIO

1.  Que forma tinha um livro antigo?

2. De que materiais eram feitos esses livros?

3.  Que era papiro? Cite-o na Bíblia.

4.  Que era pergaminho? Cite-o na Bíblia.

5. Desde quando foi usado o papiro? e o pergaminho?

6.  Quando foi inventado o prelo? e o papel?

7.  Que nome davam os gregos à folha de papiro já prepa­rada para a escrita?

8.  Dê a origem do nome "Bíblia", e o que significa, literal­mente.

9.  Por que, sendo "Bíblia" um plural, passou a ser singu­lar?

10.  Dê a definição canônica de Bíblia.

11.  Quem primeiro aplicou o nome "Bíblia" às Sagradas Escrituras?

12.  Quais os nomes ou títulos mais comuns que a Bíblia dá a si mesma?

13. Quantas partes principais tem a Bíblia? Cite-as.

14.  Quantos livros tem toda a Bíblia? e só o AT? e só o NT?

15.  Quanto tempo levou a Bíblia para ser escrita?

16.  Cerca de quantos escritores teve ela?

17.  Dê o duplo sentido da palavra testamento como usada no NT e que significado tem para o cristão.

18.  Quem primeiro aplicou o título Antigo Testamento aos 39 livros da Bíblia hebraica?

19.  Dê o total de livros das Bíblias de edição católico-romana.

20.  Como são chamados esses livros a mais nas Bíblias de edição da Igreja Romana?

21.  Quantos acréscimos a livros canônicos têm as Bíblias de edição romana?

22.  Dê o assunto dos quatro grupos de livros do AT, idem do NT.

23.  Quantos livros tem a LEI? Cite-os.

24.  Que outro nome tem o conjunto de livros da LEI?

25.  Quantos são os livros históricos? Cite-os.

26.  Quantos são os livros chamados poéticos? Cite-os.

27.  Por que são chamados poéticos?

28.  Quais são as principais línguas originais da Bíblia?

29.  Que outro nome têm os livros poéticos?

30.  Quantos livros tem o grupo PROFECIA no AT?

31.  Quantos e quais são os livros dos Profetas Maiores? e os dos Menores?

32.  A que se referem as palavras "maiores" e "menores" com referência aos profetas?

33.  Como são chamados nas Bíblias editadas pela Igreja Romana os livros 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crôni­cas, Esdras e Neemias?

34.  Quantos e quais são os livros da seção Biografia, no NT?

35.  Que nome têm os três primeiros Evangelhos? Por quê?

36.  Quantos livros tem a divisão História no NT?

37.  A divisão Epístolas, quantos livros tem? Cite-os.

38.  Qual o livro da divisão Profecia, no NT?

39.  Cite referências mostrando Cristo como tema central da Bíblia.

40.  Resuma os 66 livros da Bíblia nas cinco palavras estu­dadas neste capítulo.

41.  Estude e domine os pontos V e VI deste capítulo.

42.  Cite, de memória, os nomes dos 66 livros canônicos e aprenda suas abreviaturas.

 

 

3

A Bíblia como o Palavra de Deus

 

Em resumo, notam-se na Bíblia duas coisas: o Livro e a Mensagem. No capítulo anterior, estudamos a Bíblia como livro; agora a estudaremos como a palavra ou mensagem de Deus. O estudo da Bíblia tem por finalidade precípua o conhecimento de Deus. Isso é visto desde o primeiro versí­culo dela, do qual se nota que tudo tem o seu centro em Deus. Portanto, a causa motivante de ensinar a Bíblia aos outros deve ser a de levá-los a conhecer a Deus. Se chegar­mos a conhecer o Livro e falharmos em conhecer a Deus, erramos no nosso propósito, e também o propósito de Deus por meio do seu Livro seria baldado.

Que as Escrituras são de origem divina é assunto resol­vido. Deus, na sua palavra, é testemunha concernente-mente a si mesmo. Quem tem o Espírito de Deus deposita toda a confiança nela como a Palavra de Deus, sem exigir provas nem argumentos. Portanto, sob o ponto de vista le­gal, a Bíblia não pode estar sujeita a provas e argumentos. Apresentamos algumas provas da Bíblia como a Palavra de Deus, não para crermos que ela é divina, mas porque cremos que ela é divina. É satisfação para nós, crentes na Bíblia, podermos apresentar evidências externas daquilo que cremos internamente, no coração.

O presente século é caracterizado por ceticismo, racio-nalismo, materialismo e outros "ismos" sem conta. A Bíblia, em meio a tais sistemas, sempre sofre grandes ameaças. Até há pouco tempo, a luta do Diabo visava des­truir o próprio Livro, mas vendo que não conseguia isso, mudou de tática e agora procura perverter a mensagem do Livro. Seitas e doutrinas falsas proliferam por toda parte coadjuvadas pelo fanatismo e ignorância prevalecentes em muitos lugares. Nossa crença na Bíblia deve ser convicta, sólida e fundamental; não deve ser jamais um eco ou refle­xo dos outros. Se alguém lhe perguntar, leitor: "Por que você crê que a Bíblia é a Palavra de Deus?" - saberá você responder adequadamente? Muitos crentes têm sua crença na Bíblia desde a infância, através dos pais, etc, mas nun­ca fizeram um estudo profundo e acurado para verificarem a realidade da origem divina da Bíblia. Apresentamos ago­ra algumas provas da origem divina da Bíblia, as quais evi­denciam esse Livro como a Palavra de Deus.

 

I. A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA (1ª prova)

O que diferencia a Bíblia de todos os demais livros do mundo é a sua inspiração divina (Jó 32.8; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21). É devido à inspiração divina que ela é chamada a Palavra de Deus. (Ver 2 Timóteo 3.16 no original.) - Que vem a ser "inspiração divina"? - Para melhor compreen­são, vejamos primeiro o que é inspiração. No sentido fisio­lógico, é a inspiração do ar para dentro dos pulmões. É pela inspiração do ar que temos fôlego para falar. Daí o di­tado "Falar é fôlego". Quando estamos falando, o ar é ex­pelido dos pulmões: é o que chamamos de expiração. Pois bem, Deus, para falar a sua Palavra através dos escritores da Bíblia, inspirou neles o seu Espírito! Portanto, inspira­ção divina é a influência sobrenatural do Espírito Santo como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura de erro.

A própria Bíblia reivindica a si a inspiração de Deus, pois a expressão "Assim diz o Senhor", como carimbo de autenticidade divina, ocorre mais de 2.600 vezes nos seus 66 livros; isso além de outras expressões equivalentes. Foi o Espírito de Deus quem falou através dos escritores. (Ver 2 Crônicas 20.14; 24.20; Ezequiel 11.5). Deus mesmo dá tes­temunho da sua Palavra. (Ver Salmo 78.1; Isaías 51.15,16; Zacarias 7.9,12). Os escritores, por sua vez, evidenciam ter inspiração divina. (Ver 2 Reis 17.13; Neemias 9.30; Mateus 2.15; Atos 1.16; 3.21; 1 Coríntios 2.13; 14.37; Hebreus 1.1; 2 Pedro 3.2.)

Teorias falsas da inspiração da Bíblia

Quanto à inspiração da Bíblia, há várias teorias falsas, que o estudante não deve ignorar. Umas são muito antigas, outras bem recentes, e ainda outras estão surgindo por aí afora. Nalgumas delas, para maior confusão, a verdade vem junto com o erro, e muitos se deixam enganar. Veja­mos as principais teorias falsas da inspiração da Bíblia.

a. A teoria da inspiração natural, humana, ensina que a Bíblia foi escrita por homens dotados de gênio e força inte­lectual especiais, como Milton, Sócrates, Shekespeare, Camões, Rui, e inúmeros outros. Isto nega o sobrenatural. É um erro fatal de conseqüências imprevisíveis para a fé. Os escritores da Bíblia reivindicam que era Deus quem fa­lava através deles (2 Sm 23.2 com At 1.16; Jr 1.9 com Ed 1.1; Ez 3.16,17; At 28.25, etc.)

b.  A teoria da inspiração divina comum ensina que a inspiração dos escritores da Bíblia é a mesma que hoje nos vem quando oramos, pregamos, cantamos, ensinamos, an­damos em comunhão com Deus, etc. Isto é errado, porque a inspiração comum que o Espírito nos concede: a) Admite gradação, isto é, o Espírito Santo pode conceder maior co­nhecimento e percepção espiritual ao crente, à medida que este ore, se consagre e procure a santificação, ao passo que a inspiração dos escritores na Bíblia não admite graus. O escritor era ou não era inspirado, b) A inspiração comum pode ser permanente (1 Jo 2.27), ao passo que a dos escri­tores da Bíblia era temporária. Centenas de vezes encon­tramos esta expressão dos profetas: "E veio a mim a pala­vra do Senhor", indicando o momento em que Deus os to­mava para transmitir a sua mensagem.

c.  A teoria da inspiração parcial ensina que algumas partes da Bíblia são inspiradas, outras não; que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas apenas contém a Palavra de Deus. - Se esta teoria fosse verdadeira, estaríamos em grande confusão, por que quem poderia dizer quais as par­tes inspiradas e quais as não-inspiradas? A própria Bíblia refuta isso em 2 Timóteo 3.16 (ARA). Também em Marcos 7.13, o Senhor aplicou o termo "A Palavra de Deus" a todo o Antigo Testamento. (Quanto ao Novo Testamento, ver João 16.12 e Apocalipse 22.18,19.)

d.  A teoria do ditado verbal ensina a inspiração da Bíblia só quanto às palavras, não deixando lugar para a atividade e estilo do escritor, o que é patente em cada li­vro. Lucas, por exemplo, fez cuidadosa investigação de fa­tos conhecidos (Lc 1.4). Esta falsa teoria faz dos escritores verdadeiras máquinas, que escreveram sem qualquer no­ção de mente e raciocínio. Deus não falou pelos escritores como quem fala através de um alto-falante. Deus usou as faculdades mentais deles.

e.  A teoria da inspiração das idéias ensina que Deus inspirou as idéias da Bíblia, mas não as suas palavras. Es­tas ficaram a cargo dos escritores. - Ora, o que é a palavra na definição mais sumária, senão "a expressão do pensa­mento"? Tente o leitor agora mesmo formar uma idéia sem palavras... Impossível! Uma idéia ou pensamento inspira­do só pode ser expresso por palavras inspiradas. Ninguém há que possa separar a palavra da idéia. A inspiração da Bíblia não foi somente "pensada"; foi também "falada". (Ver a palavra "falar" em 1 Coríntios 2.13; Hebreus 1.1; 2 Pedro 1.21.) Isto é, as palavras foram também inspiradas (Ap 22.19). Dum modo muito maravilhoso, vemos a inspi­ração das palavras da Bíblia, não só no emprego da pala­vra exata, mas também na ordem em que elas são empre­gadas; no original, é claro. Apenas três exemplos: Jó 37.9 e 38.19 (a palavra precisa); 1 Coríntios 6.11 (ordem das pala­vras no seu emprego).

A teoria correta da inspiração da Bíblia é a chamada Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal. Ela ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram quais máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espíri­to de Deus que os capacitava. Afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, po­rém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles escreveram foi a Palavra de Deus. Explicar como Deus agiu no homem, isso é difícil! Se, no ser huma­no, o entrosamento do espírito com o corpo é um mistério inexplicável para os mais sábios, imagine-se o entrosamen­to do Espírito de Deus com o espírito do homem! Ao acei­tarmos Jesus como Salvador, aceitamos também a Palavra escrita como a revelação de Deus. Se o aceitamos, aceita­mos também a sua Palavra. A inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento. Depois disso, nem os mesmos escritores, nem qualquer servo de Deus pode ser chamado inspirado no mesmo sentido.

Diferença entre "revelação" e "inspiração" (no tocante à Bíblia)

Revelação é a ação de Deus pela qual Ele dá a conhecer ao escritor coisas desconhecidas, o que o homem, por si só, não podia saber. Exemplos: Daniel 12.8; 1 Pedro 1.10,11. (Quanto à inspiração, já foi dada a sua definição no início deste capítulo.) A inspiração nem sempre implica em reve­lação. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, mas nem toda ela foi dada por revelação. Lucas, por exemplo, foi inspira­do a examinar trabalhos já conhecidos e escrever o Evan­gelho que traz o seu nome. (Ver Lucas 1.1-4). O mesmo se deu com Moisés, que foi inspirado a registrar o que presen­ciara, como relata o Pentateuco.

Exemplos de partes da Bíblia que foram dadas por re­velações:

a.  Os primeiros capítulos de Gênesis. Como escreveria Moisés sobre um assunto anterior a si mesmo? Se não foi revelação, deve ter lançado mão de escritores existentes. Há uma antiga tradição hebraica que declara isto.

b.  José interpretando os sonhos de Faraó (Gn 40.8; 41.15,16,38,39).

c.  Daniel declarando ao rei Nabucodonosor o sonho que este havia esquecido, e em seguida interpretando-o (Dn 2.2-7,19,28-30).

d.  Os escritos do apóstolo Paulo. Ora, Paulo não andou com o Senhor Jesus. Ele creu por volta do ano 35 d.C, po­rém, em suas epístolas, conduz-nos a profundezas de ensino doutrinário sobre a Igreja, inclusive no que tange à es-catologia. Assuntos de primeira grandeza sobre a regenera­ção, justificação, paracletologia, ressurreição, glorificação, etc, são abordados por ele. - Como teve Paulo conheci­mento de tudo isso? Ele mesmo no-lo diz em Gálatas 1.11,12 e Efésios 3.3-7: por revelação! Nos seus escritos, há passagens onde essa revelação é bem patente, como em 1 Coríntios 11.23-26, onde ele diz: "Porque eu recebi do Se­nhor o que também vos ensinei..." Por sua vez, o capítulo 15 de 1 Coríntios, também por ele escrito, é a passagem mais profunda e completa da Bíblia sobre a ressurreição. Diferença entre declarações da Bíblia e registro de de­clarações

A Bíblia não mente, mas registra mentiras que outros proferiram. Nesses casos, não é a mentira do registro que foi inspirada, e sim o registro da mentira. A Bíblia registra que o insensato diz no seu coração "Não há Deus" (SI 14.1). Esta declaração "Não há Deus" não foi inspirada, mas inspirado foi o seu registro pelo escritor. Outro exem­plo marcante é o do caso da morte do rei Saul. Este morreu lançando-se sobre sua própria espada (1 Sm 31.4); no en­tanto, o amalequita que trouxe a notícia de sua morte, mentiu, dizendo que fora ele quem matara Saul (2 Sm 1.6-10). Ora, o que se deu aí foi apenas o registro da declaração do amalequita, mas não significa que a Bíblia minta. Há muitos desses casos que os inimigos da Bíblia aproveitam para desfazer dos santos escritos. A Bíblia registra, inclusi­ve, declarações de Satanás. Suas declarações não foram inspiradas por Deus, e sim o registro delas. Sansão mentiu mais de uma vez a Dalila; a Bíblia não abona isso, apenas registra o fato (Jz cap. 16). Durante a leitura bíblica, é pre­ciso verificar: quem está falando, para quem está falando, para que tempo está falando, e em que sentido está falan­do.

 

II. A PERFEITA HARMONIA E UNIDADE DA BÍBLIA (2ª prova)

A existência da Bíblia até os nossos dias só pode ser ex­plicada como um milagre. Há nela 66 livros, escritos por cerca de 40 escritores, cobrindo um período de 16 séculos. Esses homens, na maior parte dos casos, não se conhece­ram. Viveram em lugares distantes de três continentes, es­crevendo em duas línguas principais. Devido a estas cir­cunstâncias, em muitos casos, os autores nada sabiam sobre o que já havia sido escrito. Muitas vezes um escritor iniciava um assunto e, séculos depois, um outro completa­va-o, com tanta riqueza de detalhes, que somente um livro vindo de Deus podia ser assim. Uma obra humana, em tais circunstâncias, seria uma babel indecifrável!

Consideremos alguns pormenores dessa harmonia.

a.  Os escritores foram homens de todas as atividades da vida humana, daí a diversidade de estilos encontrados na Bíblia. Moisés foi príncipe e legislador, além de general. Josué foi um grande comandante. Davi e Salomão, reis e poetas. Isaías, estadista e profeta. Daniel, chefe de estado. Pedro, Tiago e João, pescadores. Zacarias e Jeremias, sa­cerdotes e profetas. Amos era homem do campo: cuidava de gado. Mateus, funcionário público. Paulo, teólogo e eru­dito, e assim por diante. Apesar de toda essa diversidade, quando examinamos os escritos desses homens, sob tantos estilos diferentes, verificamos que eles se completam, tra­tando de um só assunto! O produto da pena de cada um deles não gerou muitos livros, mas um só livro, poderoso e coerente!

b. As condições. Não houve uniformidade de condições na composição dos livros da Bíblia. Uns foram escritos na cidade, outros no campo, no palácio, em ilhas, em prisões e no deserto. Moisés escreveu o Pentateuco nas solitárias pa­ragens do deserto. Jeremias, nas trevas e sujidade da mas-morra. Davi, nas verdes colinas dos campos. Paulo escre­veu muitas de suas epístolas nas prisões. João, no exílio, na ilha de Patmos. Apesar de tantas diferentes condições, a mensagem da Bíblia é sempre única. O pensamento de Deus corre uniforme e progressivo através dela, como um rio que, brotando de sua nascente, vai engrossando e au­mentando suas águas até tornar-se caudaloso. A mensa­gem da Bíblia tem essa continuidade maravilhosa!

c.  Circunstâncias. As circunstâncias em que os 66 livros foram escritos também são as mais diversas. Davi, por exemplo, escreveu certas partes de seus trabalhos no calor das batalhas; Salomão, na calma da paz... Há profetas que escreveram em meio a profunda tristeza, ao passo que Jo­sué escreveu durante a alegria da vitória. Apesar da plura­lidade de condições, a Bíblia apresenta um só sistema de doutrinas, uma só mensagem de amor, um só meio de sal­vação. De Gênesis a Apocalipse há uma só revelação, um só pensamento, um só propósito.

d. A razão dessa harmonia e unidade. Se a Bíblia fosse um livro puramente humano, sua composição seria inex­plicável. Suponhamos que 40 dos melhores escritores atuais, providos de todo o necessário, fossem isolados uns dos outros, em situações diferentes, cada um com a missão de escrever uma obra sua. Se no final reuníssemos todas as obras, jamais teríamos um conjunto uniforme. Seria a pior miscelânea imaginável! - Concorda o leitor? Pois bem, imagine isto acontecendo nos antigos tempos em que a ve­lha Bíblia foi escrita... A confusão seria muito maior! Não havia meios de comunicação, nem facilidades materiais, mas dificuldades de toda a sorte. IMAGINE O QUE SE­RIA A BÍBLIA SE NÃO FOSSE A MÃO DE DEUS!

Não há na Bíblia contradição doutrinária, histórica ou científica. Uma coisa maravilhosa é que esta unidade não jaz apenas na superfície; quanto mais profundo for o estu­do, tanto mais ela aparecerá. Há, é certo, na Bíblia, apa­rentes contradições. Seus inimigos sustentam haver erros nela em grande quantidade. Mas o que acontece é que es­tando alguém com uma trave no olho (Mt 7.3-5), sua visão fica deformada. Um espírito farisaico, cepticista e orgulho­so, sempre achará falhas na Bíblia, geralmente porque já se dirige a ela com idéias preconcebidas e falsas.

Há uma história interessante de uma senhora que esta­va falando das roupas amarelas que sua vizinha punha a secar no varal, porém, na semana seguinte, lavando ela sua vidraça e olhando para fora, disse - a vizinha mudou muito; suas roupas estão alvas agora... Mas eram suas vi­draças que estavam sujas! A diferença estava aí.

Se alguma falha for encontrada na Bíblia, será sempre do lado humano, como tradução mal feita, grafia inexata, interpretação forçada, má compreensão de quem estuda, falsa aplicação aos sentidos do texto, etc. Portanto, quan­do encontrarmos na Bíblia um trecho discrepante, NÃO PENSEMOS LOGO QUE É ERRO! Saibamos refletir como Agostinho, que disse: "Num caso desses, deve haver erro do copista, tradução mal feita do original, ou então -sou eu mesmo que não consigo entender..."

Quanto à unidade física da Bíblia, ninguém sabe ao certo como os 66 livros se encontraram e se agruparam num só volume. Isto foi obra de Deus! Sabemos que os es­critores não escreveram os 66 livros de uma vez, nem em um só lugar, nem com o objetivo de reuni-los num só volu­me, mas em intervalos, durante 16 séculos, e, em lugares que vão da Babilônia a Roma!

Finalizando o estudo desta prova da Bíblia como Pala­vra de Deus, reiteramos que a perfeita harmonia desse li­vro é, para a mente humilde e sincera, uma prova incon­testável da sua origem divina. É uma prova de que uma ú-nica mente via tudo e guiava os escritores.

Suponhamos que, na cidade onde moramos, um edifí­cio fosse ser construído com pedras a serem preparadas em várias partes do Brasil. Chegadas as pedras, ao serem colo­cadas, encaixavam-se perfeitamente na construção, satis­fazendo todos os detalhes e requisitos da planta. - Que di­ria o leitor se tal fato acontecesse? - Que apenas um arqui­teto dirigira os operários nas diversas pedreiras, dando mi­nuciosas instruções a cada um deles. É o caso da Bíblia - O Templo da verdade de Deus. As "pedras" foram prepara­das em tempos e lugares remotos, mas ao serem postas juntas, combinaram-se perfeitamente, porque atrás de cada elemento humano estava em operação a mente infini­ta de Deus!

 

III. A APROVAÇÃO DA BÍBLIA POR JESUS (3ª Prova)

Inúmeras pessoas sabem quem é Jesus; crêem que Ele fez milagres; crêem em sua ressurreição e ascenção, mas... não crêem na Bíblia! Essas pessoas precisam conhecer a atitude e a posição de Jesus quanto à Bíblia. Ele leu-a (Lc 4.16-20); ensinou-a (Lc 24.27); chamou-a "A Palavra de Deus" (Mc 7.13); e cumpriu-a (Lc 24.44).

A última referência citada (Lc 24.44) é muito maravi­lhosa, porque aí Jesus põe sua aprovação em todas as Es­crituras do Antigo Testamento, pois Lei, Salmos e Profetas eram as três divisões da Bíblia nos dias do Novo Testa­mento.

Jesus também afirmou que as Escrituras são a verdade (Jo 17.17). Viveu e procedeu de conformidade com elas (Lc 18.31). Declarou que o escritor Davi falou pelo Espírito Santo (Mc 12.35,36). No deserto, ao derrotar o grande ini­migo, fê-lo com a Palavra de Deus (Dt 6.13,16; 8.3).

Nota - O título "Sagradas Escrituras" ou "Escrituras" pode vir no plural ou singular, porém sempre com letra maiúscula. Exemplos no plural: Mateus 21.42; Lucas 24.32; João 5.39. No singular: João 7.38,42; 19.36,37; 20.9; Atos 8.32. No singular e com minúscula refere-se a uma passagem particular: Marcos 12.10; Lucas 4.21; Atos 1.16 -(todas no ARC: a ARA põe tudo em maiúsculas). "Sagra­das Escrituras", ou "A Sagrada Escritura", é o nome sa­grado da revelação divina, assim como "Testamento" é o seu nome de compromisso, e "Bíblia", seu nome como li­vro.

O leitor poderá dizer: - "Tratamos do Antigo Testa­mento, e, do Novo?" - Bem, quanto ao Novo Testamento, em João 14.26, o Senhor Jesus, antecipadamente, pôs o selo de sua aprovação divina ao declarar: "O Espírito San­to... vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito". Assim sendo, o que os apósto­los ensinaram e escreveram não foi a recordação deles mes­mos, mas, a do Espírito Santo. No mesmo Evangelho, capítulo 16.13,14, o Senhor disse ainda que o Espírito San­to os guiaria em "toda a verdade"; portanto, no NT temos a essência da revelação divina. No versículo 12 do citado capítulo, Jesus mostrou que seu ensino aqui foi parcial, de­vido à fraqueza dos discípulos, mas ao mesmo tempo de­clarou que o ensino deles, sob a ação do Espírito Santo, se­ria completo e abrangeria toda a esfera da verdade divina.

Diante de tudo que acabamos de dizer, quem aceita a autoridade de Cristo, aceita também as Escrituras como de origem divina, tendo em vista o testemunho que delas dá o Senhor Jesus. - Quem pode apresentar argumentos? 40

 

IV. O TESTEMUNHO DO ESPIRITO SANTO DEN­TRO DO CRENTE, QUANTO À BÍBLIA (4ª prova)

Em cada pessoa que aceita Jesus como Salvador, o Espírito Santo põe em sua alma a certeza quanto à autori­dade da Bíblia. É uma coisa automática. Não é preciso ninguém ensinar isso. Quem de fato aceita Jesus, aceita também a Bíblia como a Palavra de Deus, sem argumen­tar. Em João 7.17, o Senhor Jesus mostra como podemos ter dentro de nós o testemunho do Espírito Santo quanto à autoria divina da Bíblia: "Se alguém quiser fazer a vonta­de de Deus..." Assim como o Espírito Santo testifica que nós, os crentes, somos filhos de Deus (Rm 8.16), testifica-nos também que a Bíblia é a mensagem de Deus para nós mesmos. Esse testemunho do Espírito Santo no interior do crente, no tocante às Escrituras, é superior a todos os argu­mentos humanos! É aqui que labora em erro a Igreja Ro­mana, ao afirmar que, para se crer na origem divina da Bíblia é preciso decisão da referida igreja, como se a verda­de de Deus dependesse da opinião de homens, como bem o disse o teólogo e reformador Calvino.

 

V. O CUMPRIMENTO FIEL DAS PROFECIAS DA BÍBLIA (5ª prova)

O Antigo Testamento é um livro de profecias (Mt 11.13). O Novo Testamento, em grande parte, também o é. Referimo-nos aqui, evidentemente às profecias no sentido preditivo. Há, no Antigo Testamento, duas classes dessas profecias: as literais, e as expressas por tipos e símbolos. Destas há inúmeras no Tabernáculo (Hb 10.1). Muitas profecias da Bíblia já se cumpriram no passado, em senti­do parcial ou total; muitas outras cumprem-se em nossos dias, e muitas outras ainda se cumprirão no futuro. As pro­fecias sobre o Messias, proferidas séculos antes de seu nas­cimento, cumpriram-se literalmente e com toda a precisão quanto a tempo, local e outros detalhes. Por exemplo: Gê­nesis 49.10; Salmo 22; Isaías 7.14; 53 (todo); Daniel 9.24-. 26; Miquéias 5.2; Zacarias 9.9 etc. Outro ponto saliente nas profecias bíblicas é o referente à nação israelita. A Bíblia prediz sua dispersão, seu retorno, sua restauração e seu progresso material e espiritual. Exemplos: Levítico 26.14,32,33; Deuteronômio 4.25-27; 28.15,64; Isaías 60.9; 61.6; 66.8; Jeremias 23.3; 30.3; Ezequiel 11.17; 36; 37.

Em Ezequiel 37, está uma das mais claras profecias sobre o despertamento nacional e espiritual do povo israe­lita. O cumprimento dessas profecias está em marcha pe­rante nossos olhos. Há inúmeros outros casos de famosas profecias bíblicas. Ciro, o monarca persa, Deus chamou-o pelo nome através do profeta Isaías, 150 anos antes do seu nascimento! (Is 44.28). Josias, rei de Judá, também foi chamado pelo nome 300 anos antes do seu nascimento. (Ver 1 Reis 13.2 com 2 Reis 23.15-18.) Os últimos quatro impérios mundiais - Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, são admiravelmente descritos muitos anos antes de eles surgi­rem no horizonte do cenário mundial. (Ver Daniel capítulo 2 e 7). Também, com uma precisão incrível, a história de toda a raça humana é descrita em forma profética (isto é, a história no sentido natural), em Gênesis 9.25-27.

O cumprimento contínuo das profecias da Bíblia é uma prova de sua origem divina. O que Deus disse sucederá (Jr 1.12). Graças a Deus por tão sublime e glorioso Livro!

 

VI. A INFLUÊNCIA BENÉFICA DA BÍBLIA NAS PES­SOAS E NAÇÕES (6? prova)

O mundo hoje é melhor devido à influência da Bíblia. Mesmo os próprios inimigos da Bíblia admitem que ne­nhum livro em toda história da humanidade teve tamanha influência para o bem; eles reconhecem o seu efeito sadio na civilização. Milhões de pessoas antes de conhecerem, amarem e obedecerem a este Livro, eram escravos do peca­do, dos vícios, da idolatria, do medo, das superstições, da feitiçaria. Eram mundanas, vaidosas, iracundas, descon­fiadas, etc. Mas, depois que abraçaram este Livro, foram por ele transformadas em criaturas salvas, alegres, liber­tas, felizes, santificadas. Abandonaram todo o mal em que antes viviam e tornaram-se boas pessoas para a família, para a sociedade e para a pátria. Mostrem-me, se for possí­vel, outro livro com o poder de influenciar e transformar beneficamente, não só indivíduos, mas regiões e nações in­teiras, conduzindo-os a Deus!

Disse o grande comentador devocional da Bíblia, Dr. F. B. Meyer: "O melhor argumento em favor da Bíblia é o ca­ráter que ela forma".

Vejamos um pouco da condição moral de alguns povos sem a Bíblia:

a.  Os gregos. Dentre os povos antigos, os gregos foram os mais cultos e doutos nas letras. Seus filósofos e literatos foram os maiores de todos os tempos. No entanto, a grande cultura grega e seus livros sem conta, nunca detiveram a onda de licenciosidade, impureza e idolatria que sempre prevaleceu no mundo grego. Em Corinto, por exemplo, ha­via, no templo de Vênus, mil mulheres devotas que tra­ziam ao seu tesouro os lucros de sua impureza. Sócrates fa­zia da moral o assunto único da sua filosofia, e mesmo as­sim, recomendava a adivinhação, e ele próprio se entrega­va à fornicação. Platão, o grande discípulo de Sócrates, en­sinava que mentir era coisa honrosa. A sabedoria deles e seus milhares de livros não os conduziu à salvação desses e outros males. Estes dois, Platão e Sócrates, foram homos­sexuais ativos, como relata o historiador romano Suetônio.

b.  Os romanos foram os mais famosos como legislado­res, guerreiros, oradores e poetas. Sua legislação, em parte, era boa, porque em parte veio de Moisés (o maior legisla­dor). Muitas das leis brasileiras vêm das leis portuguesas, que, por sua vez, vieram das romanas, hauridas, como já dissemos, do Pentateuco. No entanto, o padrão dos costu­mes e da moral, foi dos mais baixos em Roma, como bem registra a História. Mesmo entre as famílias abastadas, ci­vilizadas e regularmente constituídas, as descobertas ar­queológicas, gravuras e descrições revelam fatos que o re­cato proíbe enumerar. Cícero, o maior orador romano, um espécime de excelência dentre os romanos, defende a forni­cação, e a recomenda, e, por fim, pratica o suicídio. Catão, o Censor, tido como o mais perfeito modelo de virtude, foi réu da prostituição e embriaguez; advogou, e, mais tarde, praticou o suicídio.

Júlio César tinha encontros amorosos com o rei Nico-medes da Bitínia. O imperador Calígula (37-41 d.C.) viveu amasiado com sua irmã Drusila (Suetônio). Nero, o fami­gerado imperador romano, viveu com sua irmã Agripina. Viveu depois amasiado com dois eunucos; o primeiro cha­mado Sporus, e o segundo Doríphorus (Suetônio). Messali-na, a imperatriz, esposa de Cláudio, imperador de 41-54 d.C. foi extremamente depravada (Juvenal).

Se isto era assim entre a classe alta, o que não aconte­cia na classe baixa?

É somente a Bíblia que nos faz ser diferentes desses po­vos. Sem ela, nós nos tornaríamos semelhantes a eles. O nosso mundo orgulha-se hoje de ter atingido os píncaros do saber e de haver produzido os mais importantes e melhores livros, entretanto a onda de pecado e mal avassala a hu­manidade como um rolo compressor. Comparemos tudo isso com o caráter, a formação, a personalidade ideal dos verdadeiros seguidores da Bíblia!

Todo homem que vive a Bíblia, pautando sua vida pe­los seus santos ensinos, também ama a Deus e vive para Ele. Por outro lado, todos os que se opõem à Bíblia e rejei­tam sua autoria divina, vivem para si mesmos; são obsti­nados, cruéis, desumanos, instáveis, prepotentes; ímpios, acima de tudo. Em suma, quanto mais o homem crê em Deus, mais aproxima-se da Bíblia. É como disse certa se­nhora crente a um moço, nos Estados Unidos: "Este livro te guardará do pecado, ou o pecado te guardará deste li­vro!"

Quanto à educação, não há filosofia educacional segura se não for alicerçada sobre os ensinos fundamentais da Bíblia. A educação moderna reconhece que a formação do caráter é a suprema finalidade de seu trabalho, mas, isto não irá muito longe, a menos que se reconheça que a única base do verdadeiro caráter é a Bíblia. Fé na Bíblia é a maior força de qualquer moço ou moça na prossecução da vida e da carreira educacional. A mocidade precisa saber disso. A tragédia é que, professores aos milhares em todo o mundo, saturados e narcortizados por falsa dialética e filo­sofia vil, desencaminham os jovens, desde a mais tenra idade. Saiba-se, portanto, que a Bíblia é o livro mais ma­ravilhoso do mundo, e que seus ensinos tão simples e ao mesmo tempo profundos, servirão de guia para a sua vida mais feliz e mais bem sucedida, sendo sempre a base segu­ra e única para encontrarmos o nosso Criador na eternida­de.

Considerando tudo que acabamos de dizer quanto à in­fluência poderosa da Bíblia e seu poder transformador, evidenciado tanto nos indivíduos como em nações inteiras, perguntamos: - Donde vem tal livro, senão de Deus?

 

VII. A BÍBLIA É SEMPRE NOVA E INESGOTÁVEL (7ª prova)

O tempo não afeta a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e ao mesmo tempo o mais moderno. Em mais de 20 séculos o homem não pôde melhorá-la... Se a Bíblia fosse de origem humana, é claro que em dois milênios, ela de há muito estaria desatualizada. Uma vez que o homem mo­derno se jacta de tanto saber, era de esperar que já tivesse produzido uma Bíblia melhor! Realmente isto é uma evi­dência da Bíblia como a Palavra de Deus! Tendo em vista o vasto progresso alcançado pelo homem, especialmente nos dois últimos séculos, só podemos dizer que, se ele não produziu um livro melhor, para substituir a Bíblia, é por­que não pôde. Muitos também reclamam por não ser estri­tamente científica a linguagem da Bíblia. Ora, a Bíblia trata primeiramente da redenção da humanidade. Além disso, termos científicos mudam ou ficam para trás, à me­dida que a ciência avança. Sempre temos termos novos na Ciência.

A Bíblia nunca se torna um livro antigo, apesar de ser cheio de antigüidades. Ela é tão hodierna como o dia de amanhã. Sua mensagem milenar tanto satisfaz a criança como o ancião encanecido. A Bíblia pode ser lida vezes sem conta sem se poder encontrar suas profundezas e sem que o leitor perca por ela o interesse. - Acontece isso com os demais livros?! Quem já se cansou de ler Salmo 23; João 3.16; Romanos 12; 1 Coríntios 12? É que cada vez que le­mos essas passagens (para não falar nas demais), descobri­mos coisas que nunca tínhamos visto antes. Depois de qua­se 2.000 anos de escrito o último livro da Bíblia, a impressão que se tem é que a tinta do original está ainda secan­do...

Até o fim dos tempos o velho e precioso Livro continua­rá a ser a resposta às indagações da humanidade a respeito de Deus e do homem. Nos seus milhares de anos de leitura, a Bíblia nunca foi esgotada por ninguém.

 

VIII.  A BÍBLIA É FAMILIAR A CADA POVO OU INDI­VÍDUO EM QUALQUER LUGAR (8ª prova)

Através do mundo inteiro, qualquer crente, ao ler a Bíblia, recebe sua mensagem como se esta fora escrita di­retamente para ele. Nenhum crente tem a Bíblia como li­vro alheio, estrangeiro, como acontece aos demais livros traduzidos. Todas as raças consideram a Bíblia como pos­sessão sua. Por exemplo, ao lermos "O Peregrino" sabemos que ele é inglês; ao lermos "Em Seus passos que Faria Je­sus?" sabemos que é norte-americano, porque seus autores são oriundos desses países. - É assim com a Bíblia? - Não! Nós a recebemos como "nossa". Isso acontece em qualquer país onde ela chega. Ninguém tem a Bíblia como livro "dos outros". Isto prova que ela procede de Deus - o Pai de to­dos!

- Qual a pessoa que, ao ler o Salmo 23, acha que ele foi escrito para os judeus? Aos que vivemos no Brasil, a im­pressão que temos é que ele foi escrito diretamente para nós. A mesma coisa dirão os irmãos dos demais países. A mensagem da Bíblia é a mesma em todas as línguas. Nisto vemos que ela é diferente de todos os demais livros do mundo. Se fosse produto humano, não se ajustaria às línguas de todas as nações. Nenhum outro livro pode igua­lar-se à Bíblia nessa parte. É mais uma prova da sua ori­gem divina.

 

IX.   A SUPERIORIDADE DA BÍBLIA EM RELAÇÃO AOS DEMAIS LIVROS, QUANTO À COMPOSIÇÃO (9ª prova)

É muito interessante comparar nalguns pontos os ensi­nos da Bíblia com os de Zoroastro, Buda, Confúcio, Sócrates, Sólon, Marco Aurélio e muitos outros autores pagãos. Os ensinos da Bíblia superam os desses homens em todos os pontos imagináveis. Só dois pontos vamos destacar des­sa superioridade.

a. A Bíblia contém mais verdades que todos os demais livros juntos. Ajuntem, se possível, todos os melhores pen­samentos de toda a literatura antiga e moderna; retirem o imprestável; ponham toda a verdade escolhida num volu­me, e verão que este jamais substituirá a Bíblia! Entretan­to, a Bíblia não é um volume grande. Pode ser conduzida no bolso do paletó. Todavia, há mais verdades neste pe­queno livro do que em todos os outros que o homem produ­ziu em todos os séculos. - Como se pode explicar isso? - Há somente uma resposta racional e judiciosa: este livro não veio do homem: veio de Deus!

b. A Bíblia só contém verdade. Se há mentiras, não são dela; apenas nela foram registradas. Ao passo que os de­mais livros contêm verdade misturada com mentira ou er­ro. Reconhecemos que há jóias preciosas nos livros dos ho­mens, mas, é como disse certa vez Joseph Cook: "São jóias retiradas da lama!" Qualquer verdade encontrada em tra­balhos humanos, seja do ponto de vista moral ou espiri­tual, acha-se em essência no velho Livro. Comparemos al­guns dos melhores ensinos desses famosos homens, espe­cialmente dos decantados filósofos, com os da Bíblia. De fato, seus ensinos contêm jóias de real valor, mas, estas, quer saibam eles quer não, são jóias roubadas, e do Livro que eles ridicularizam!

Poderíamos incluir aqui também a superioridade da Bíblia quanto aos demais livros, no que tange à sua preser­vação em meio a tantos ataques, em todos os tempos.

 

X. A IMPARCIALIDADE DA BÍBLIA (10ª prova)

Se a Bíblia fosse um livro originado do homem, ela não poria a descoberto as faltas e falhas dele. Os homens ja­mais teriam produzido um livro como a Bíblia, que só dá toda a glória a Deus e mostra a fraqueza do homem (Jó 14; 17.1; 27; SI 50.21,22; 51.5; 1 Co 1.19-25). A Bíblia tanto diz que Davi era um homem segundo o coração de Deus (At 13.22), como também revela seus pecados, como vemos nos livros de Reis, Crônicas e Salmos. É também o caso da embriaguez de Noé, da dissimulação de Abraão, de Ló, da idolatria e luxúria de Salomão. Nada disto está escrito para nossa imitação, mas para nossa admoestação e para provar a imparcialidade da Bíblia. É ela o único livro as­sim.

Só a Bíblia ensina que o homem está em condições físi­cas, mentais e morais decadentes e que, se deixado só, de­cairá cada vez mais. Os livros humanos ensinam o oposto. Dizem que há no homem uma "Força residente" que cons­tantemente procura elevá-lo. Este ensinamento é agradá­vel ao homem, porque o homem adora crer que se está de­senvolvendo às suas custas, apesar dos milhares de sepul­turas que são acrescentadas diariamente aos cemitérios. O homem jamais escreveria um livro como a Bíblia, que põe em relevo as suas fraquezas e defeitos.

 

Conclusão sobre a origem da Bíblia

Deus é o único que pode ter sido o autor da Bíblia, por­que:

a)  Homens ímpios jamais iriam produzir um livro que sempre os está condenando.

b)  Homens justos e piedosos jamais cometeriam o cri­me de escreverem um livro e depois fazerem o mundo crer que esse livro é obra de Deus.

c) Os judeus - guardiães da Bíblia, jamais poderiam ser os autores dela, pois ela sempre condena suas transgres­sões, pondo seus defeitos a descoberto. Também se eles ti­vessem podido mexer nela, teriam apagado todos esses males, idolatrias e rebeliões contra Deus, nela registrados.

 

QUESTIONÁRIO

1.  Quais as duas coisas que, em resumo, notam-se na Bíblia?

2. Qual a finalidade precípua do estudo da Bíblia?

3.  Qual deve ser a causa motivante do ensino da Bíblia aos outros?

4. Se as provas que apresentamos da Bíblia como a Pala­vra de Deus não são para crermos que ela é divina, por que as apresentamos então?

5. O que acontece à Bíblia em meio aos "ismos" sem con­ta, prevalecentes em nossos dias?

6. Quais as duas táticas apresentadas, usadas pelo Diabo contra as Sagradas Escrituras?

7. Como deve ser a nossa crença na Bíblia? e como não deve ser?

8. Que diferencia a Bíblia de todos os demais livros do mundo? Cite uma referência bíblica.

9. Por que é a Bíblia chamada "A Palavra de Deus"?

10. Como diz literalmente o original em 2 Timóteo 3.16: "Toda a Escritura é inspirada por Deus"?

11. Que é "inspiração" no sentido fisiológico?

12. Dê a definição de "inspiração divina"

13. Que revela a expressão "Assim diz o Senhor", tão co­mum através da Bíblia?

14. Mencione as 5 teorias falsas, estudadas, da inspiração da Bíblia.

15. Dê a súmula de cada uma das 5 teorias falsas apresen­tadas.

16. Como é conhecida a teoria correta da inspiração da Bíblia? Descreva essa teoria.

17. Cessou ou continua a "inspiração plenária"? Se cessou, quando ocorreu isso?

18. Mostre a diferença entre "revelação" e "inspiração" no tocante à Bíblia.

19. Mostre a diferença entre declarações da própria Bíblia e registros de declarações de ou trem.

20. Considerando a prova da perfeita harmonia e unidade da Bíblia, teça considerações sobre:

a)  os seus escritores,

b)  as condições em que escreveram,

c)  as circunstâncias em que escreveram,

d)  a razão da harmonia e unidade das Escrituras.

21. Se falhas forem encontradas na Bíblia, donde proce­dem? Mencione algumas dessas possíveis falhas.

22. Quanto à prova da "Aprovação da Bíblia por Jesus", mencione três atitudes ou posições dele sobre a Bíblia.

23. Qual a referência bíblica de Lucas, onde Jesus põe sua autenticação divina em todo o Antigo Testamento?

24. Qual a passagem de João onde Jesus, antecipadamen­te, aprovou todo o Novo Testamento?

25. A que é superior o testemunho do Espírito Santo no crente, no tocante à Bíblia como a Palavra de Deus?

26. Quais as duas classes de profecias preditivas? Cite pelo menos 4 casos.

27. Qual a influência da Bíblia naqueles que a aceitam? Cite exemplos entre os povos que a desconhecem, mes­mo os mais adiantados como foram os gregos, romanos e babilônicos.

28. Mostre como o tempo não afeta a Bíblia.

29. Quanto ao tempo, qual a impressão que se tem ao ler a Bíblia?

30. Dê a súmula da prova que apresenta a Bíblia como fa­miliar a cada povo ou indivíduo que a aceita, em qual­quer lugar.

31. Dê a súmula da superioridade da Bíblia em relação a todos os demais livros, nos dois pontos apresentados.

32. Descreva como se manifesta a imparcialidade da Bíblia como prova de sua origem divina, isto é, como a Palavra de Deus.

 

 

 

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O Cânon da Bíblia e sua evolução histórica

 

Cânon ou Escrituras canônicas é a coleção completa dos livros divinamente inspirados, que constituem a Bíblia.

Cânon é palavra grega, e significa, literalmente, "vara reta de medir", assim como uma régua de carpinteiro. No Antigo Testamento, o termo aparece no original em passa­gens como Ezequiel 40.5: "Vi um muro exterior que rodea­va toda a casa e, na mão do homem, uma cana de medir, de seis côvados, cada um dos quais tinha um côvado e um palmo; ele mediu a largura do edifício, uma cana, e a altu­ra, uma cana."

No sentido religioso, cânon não significa aquilo que me­de, mas aquilo que serve de norma, regra. Com este senti­do, a palavra cânon aparece no original em vários lugares do Novo Testamento:

"E a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus" (Gl 6.16).

"Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos de­marcou e que se estende até vós" (2 Co 10.13).

"Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios, e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação" (2 Co 10.15).

"Todavia, andemos de acordo com o que já alcança­mos" (Fp 3.16).

A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou re­gra de fé e prática. Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferençá-los dos apócrifos. O emprego do ter­mo cânon foi primeiramente aplicado aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C.)

 

I. O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

Na época patriarcal, a revelação divina era transmitida escrita e oralmente. A escrita já era conhecida na Palestina séculos antes de Moisés; a Arqueologia tem provado isto, inclusive tem encontrado inúmeras inscrições, placas, si-netes e documentos antediluvianos. O Cânon do Antigo Testamento, como o temos atualmente, ficou completo desde o tempo de Esdras, após 445 a.C. Entre os judeus, tem ele três divisões, as quais Jesus citou em Lucas 24.44 -LEI, PROFETAS, ESCRITOS. A divisão dos livros no câ­non hebraico é diferente da nossa. Consiste em .24 livros em vez dos nossos 39, isto porque são considerados um só livro, cada grupo dos seguintes:

-Os dois de Samuel.......................................................   1

-Os dois de Reis............................................................   1

-Os dois de Crônicas.....................................................   1

-Os dois de Esdras e Neemias.......................................   1

-Os doze Profetas Menores...........................................   1

-Os demais livros do Antigo Testamento....................    19

                                              Total..........24

 

A disposição ou ordem dos livros no cânon hebraico é também diferente da nossa. Damos a seguir essa disposi­ção dentro da tríplice divisão do cânon, já mencionada (Lei, Profetas, Escritos). 1. LEI__________5 livros________Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. 52

 

2. PROFETAS _ 8 livros________Divididos em:

Primeiros Profetas: Jo­sué, Juizes, Samuel, Reis.

Ültimos Profetas: Isaías, Jeremias, Eze-quiel e os doze Profetas Menores.

 

3.  ESCRITOS _ 11 livros________Divididos em:

Livros Poéticos: Sal­mos, Provérbios, Jó. Os Cinco Rolos: Can-tares, Rute, Lamenta­ções, Eclesiastes, Es­ter.

Livros Históricos: Da­niel, Esdras-Neemias, Crônicas.

 

Os Cinco Rolos eram assim chamados por serem sepa­rados, lidos anualmente em festas distintas:

- CANTARES, na Páscoa, em alusão ao Êxodo.

- RUTE, no Pentecoste, na celebração da colheita, em seu início.

- ESTER, na festa do Purim, comemorando o livra­mento de Israel da mão do mau Hamã.

- ECLESIASTES, na Festa dos Tabernáculos - festa de gratidão pela colheita.

- LAMENTAÇÕES, no mês de Abibe, relembrando a destruição de Jerusalém pelos babilônicos.

No cânon hebraico também os livros não estão em or­dem cronológica. Os judeus não se preocupavam com um sistema cronológico. Também pode haver nisto um plano divino.

A nossa divisão em 39 livros vem da Septuaginta, atra­vés da Vulgata Latina. A Septuaginta foi a primeira tradu­ção das Escrituras, feita do hebraico para o grego, cerca de 285 a.C. Também a ordem dos livros por assuntos, nas nos­sas Bíblias, vem dessa famosa tradução.

Nas palavras de Jesus, em Lucas 24.44, Ele chamou "Salmos" à última divisão do cânon hebraico, certamente porque esse livro era o primeiro dessa divisão (ver a página anterior). Segundo a nossa divisão, o Antigo Testamento começa com Gênesis e termina em Malaquias, porém, se­gundo a divisão do cânon hebraico, o primeiro livro é Gê­nesis e o último é Crônicas. Isto é visto claramente nas pa­lavras de Jesus em Mateus 23.35 - o caso de Abel está em Gênesis e o do filho de Baraquias está em Crônicas.

A Formação do Cânon do Antigo Testamento

O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espa­ço de mais de mil anos (+ - 1046 anos) - de Moisés a Es­dras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em cena em 445 a.C. Esdras não foi o último escritor na formação do cânon do Antigo Testamento; os últimos foram Neemias e Mala­quias, porém, de acordo com os escritos históricos, foi ele que, na qualidade de escriba e sacerdote, reuniu os rolos canônicos, ficando também o cânon encerrado em seu tem­po.

A chamada Alta Crítica tem feito uma devastação com seu modernismo e suas contradições no que concerne à for­mação, fontes de autenticidade do cânon, especialmente o do Antigo Testamento, mutilando quase todos os seus li­vros. Em resumo, a Alta Crítica é a discussão das datas e da autoria dos livros. Ela estuda a Bíblia do lado de fora, externamente, baseada apenas em fontes do conhecimento humano. Por sua vez, a Crítica Textual, também conheci­da por Baixa Crítica, estuda o texto bíblico, e este somen­te, e, ao lado da Arqueologia, vem alcançando um progres­so valioso, posto à disposição do estudante das Escrituras. Por exemplo, a teoria de que a escrita era desconhecida nos dias de Moisés já foi destruída. E de ano para ano aumen­tam os achados nas terras bíblicas, evidenciando e com­provando as narrativas e fatos do Antigo Testamento. Me­diante tais provas irrefutáveis, os homens estão tendo mais respeito pelo Livro Sagrado! Toda a Bíblia vem sendo con­firmada pela pá do arqueólogo e pelos eruditos em antigüi­dades bíblicas. Coisas que pareciam as mais incríveis são hoje aceitas por todos, sem objeções. O estudante das Es­crituras deve estar prevenido contra a Alta Crítica.

A formação do cânon foi gradual. Houve, originalmen­te, a transmissão oral, como se vê em Jó 15.18. Jó é tido como o livro mais antigo da Bíblia. Daremos em seguida a seqüência da formação gradual do cânon do Antigo Testa­mento. Convém ter em mente aqui que toda cronologia bíblica é apenas aproximada. Já no Novo Testamento, há precisão de muitos casos. Essa cronologia vai sendo atuali­zada à medida em que os estudos avançam e a Arqueologia fornece informes oficiais:

1.  Moisés, cerca de 1491 a.C, começou a escrever o Pentateuco, concluindo-o por volta de 1451 a.C. (Números 33.2). Mais textos relacionados com Moisés e sua escrita do Pentateuco: Êxodo 17.14; 24.4,7; 34.27. As partes do Pentateuco anteriores a Moisés, como o relato da Criação, todo o livro de Gênesis e parte de Êxodo, ele escreveu, ou lançando mão de fontes existentes (ver 2.4; 5.1), ou por re­velação divina. Gênesis 26.5 dá a entender que nesse tem­po já havia "mandamentos, preceitos e estatutos" escritos. Há, é certo, passagens do Pentateuco que foram acrescen­tadas posteriormente, como: Êxodo 11.3; 16.35; Deutero-nômio 34.1-12.

2. Josué, sucessor de Moisés (1443 a.C), escreveu uma obra que colocou perante o Senhor (Js 24.26).

3.  Samuel (1095 a.C), o último juiz e também profeta do Senhor, escreveu, pondo seus escritos perante o Senhor (1 Sm 10.25). Certamente "perante o Senhor" significa que seus escritos foram depositados na Arca do Concerto com os demais escritos sagrados lá depositados (Êx 25.21; Hb 9.4).

4. Isaías (770 a.C.) fala do "livro do Senhor" (Is 34.16), e "palavras do livro" (Is 29.18). São referências às Escritu­ras na sua formação.

5.  Em 726 a.C, os Salmos já eram cantados (2 Cr 29.30). O fato aí registrado teve lugar nesse tempo.

6.  Jeremias, cuja chamada deu-se em 626 a.C, regis­trou a revelação divina (Jr 30.1,2). Tal livro foi queimado pelo mau rei Jeoaquim, em 607 a.C, porém Deus ordenou que Jeremias preparasse novo rolo, o que foi feito mediante seu amanuense Baruque (Jr 36.1,2,28,32; 45.1).

7.  No tempo do rei Josias (621 a.C), Hilquias achou o "Livro da Lei" (2 Rs 22.8-10).

8.   Daniel (553 a.C.) refere-se aos "livros" (Dn 9.2). Eram os rolos sagrados das Escrituras de então.

9.  Zacarias (520 a.C.) declara que os profetas que o pre­cederam falaram da parte do Espírito Santo (7.12). Não há aqui referência direta a escritos, mas há inferência. Zaca­rias foi o penúltimo profeta do Antigo Testamento, isto é, profeta literário.

10.  Neemias, nos seus dias (445 a.C), achou o livro das genealogias dos judeus que já haviam regressado do exílio (7.5); certamente havia outros livros.

11.  Nos dias de Ester, o Livro Sagrado estava sendo es­crito (Et 9.32).

12.  Esdras, contemporâneo de Neemias, foi hábil escri-ba da lei de Moisés, e leu o livro do Senhor para os judeus já estabelecidos na Palestina, de regresso do cativeiro babilônico (Ne 8.1-5). Conforme 2 Macabeus e outros escritos judaicos, Esdras presidiu a chamada Grande Sinagoga, que selecionou e preservou os rolos sagrados, determinan­do, dessa maneira, o cânon das Escrituras do Antigo Tes­tamento. (Ver Esdras 7.10,14.) Essa Grande Sinagoga era um conselho composto de 120 membros que se diz ter sido organizado por Neemias, cerca de 410 a.C, sob a presidên­cia de Esdras. Foi essa entidade que reorganizou a vida re­ligiosa nacional dos repatriados e, mais tarde, deu origem ao Sinédrio, cerca de 275 a.C. A Esdras é atribuída a trípli­ce divisão do cânon, já estudada. Foi nesse tempo, isto é, no tempo de Esdras, que os samaritanos foram expulsos da comunidade judaica (Ne 13) levando consigo o Pentateu-co, que é até hoje a Bíblia dos samaritanos. Isto prova que o Pentateuco era escrito canônico.

13.  Encontramos profeta citando outro profeta, do que se infere haver mensagem escrita. (Comparar Miquéias 4.1-3 com Isaías 2.2-4.)

14.  Filo, escritor de Alexandria (30 a.C. - 50 d.C) pos­suía todo o cânon do Antigo Testamento. Em seus escritos ele cita quase todo o Antigo Testamento.

15. Josefo, o historiador judeu (37-100 d.C), contempo­râneo de Paulo, diz, escrevendo aos judeus, no livro "Con­tra Appion": "Nós temos apenas 22 livros, contando a his­tória de todo o tempo; livros em que nós cremos, ou segun­do geralmente se diz, livros aceitos como divinos. Desde os dias de Artaxerxes ninguém se aventurou a acrescentar, ti­rar ou alterar uma única sílaba. Faz parte de cada judeu, desde que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus". Josefo foi homem culto e judeu ortodoxo de li­nhagem sacerdotal. Foi governador da Galiléia e coman­dante militar nas guerras contra Roma. Presenciou a que­da de Jerusalém. Foi levado a Roma onde se dedicou a es­critos literários.

Ora, o Artaxerxes que ele menciona é o chamado Longí-mano, que reinou de 465-424 a.C. Isso coincide com o tem­po de Esdras e confirma as declarações de outras peças da literatura judaica que ensinam ter Esdras presidido a Grande Sinagoga que selecionou e preservou os rolos sagra­dos para a posterioridade. Josefo conta os livros do Antigo Testamento como 22 porque considera Juizes e Rute como 1 (um) livro; Jeremias e Lamentações também. Isto, para coincidir com o número de letras do alfabeto hebraico: 22.

16. Nos dias do Senhor Jesus, esse livro chamava-se Es­crituras (Mt 26.54; Lc 24.27,45; Jo 5.39), com as suas três conhecidas divisões: Lei, Profetas, Salmos (Lc 24.44). Era também chamado "A Palavra de Deus" (Mc 7.13; Jo 10.34,35). Note bem este título aplicado pelo próprio Se­nhor Jesus! Outro fato notável é a citação feita por Jesus em Mateus 23.35 que autentica todo o Antigo Testamento!

17.   Os escritores do Novo Testamento reconhecem como canônicos os livros do Antigo Testamento, pois este é a miúdo citado naquele, havendo cerca de 300 referências diretas e indiretas. Os escritores do Novo Testamento refe­rem-se ao cânon do Antigo Testamento como sendo orácu­los divinos. (Compare Romanos 3.2; 2 Timóteo 3.16; Hebreus 5.12).

Cremos que, começando por Moisés, à proporção que os livros iam sendo escritos, eram postos no tabernáculo, jun­to ao grupo de livros sagrados. Esdras, como já dissemos, após a volta do cativeiro, reuniu os diversos livros e os colocou em ordem, como coleção completa. Destes originais eram feitas cópias para as sinagogas largamente dissemi­nadas.

Data do reconhecimento e fixação do cânon do Antigo Testamento

Em 90 d.C. Em Jâmnia, perto da moderna Jope, em Is­rael, os rabinos, num concilio sob a presidência de Joha-nan Ben Zakai, reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testamento. Houve muitos debates acerca da aprovação de certos livros, especialmente dos "Escritos". Note-se po­rém que o trabalho desse concilio foi apenas ratificar aqui­lo que já era aceito por todos os judeus através de séculos. Jâmnia, após a destruição de Jerusalém (70 d.C.) tornou-se a sede do Sinédrio - o supremo tribunal dos judeus. Livros desaparecidos, citados no texto do Antigo Testa­mento

É digno de nota que a Bíblia faz referência a livros até agora desaparecidos. (Veja Números 21.14; Josué 10.13 com 2 Samuel 1.18; 1 Reis 11.41; 1 Crônicas 27.24; 29.29; 2 Crônicas 9.29; 12.15; 13.22; 26.22; 33.19.) São casos cujo segredo só Deus conhece. Talvez um dia eles venham à luz como o MSS de Qümram, Mar Morto, em 1947.

 

II. O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

Como no Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os livros que compõem o câ­non do Novo Testamento. Sua formação levou apenas duas gerações: quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do Novo Testamento estavam escritos. O que demorou foi o reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado e escrúpulo das igrejas de então, que exigiam provas conclu­dentes da inspiração divina de cada um desses livros. Ou­tra coisa que motivou a demora na canonização foi o surgi­mento de escritos heréticos e espúrios com pretensão de autoridade apostólica. Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento, fato idêntico ao acontecido nos tempos do encerramento do cânon do Antigo Testamento.

A ordem dos 27 livros do Novo Testamento, como te­mos atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em conta a seqüência cronológica. 58

Livros desaparecidos, citados no Novo Testamento. Há também livros mencionados no Novo Testamento até ago­ra desaparecidos (1 Co 5.9; Cl 4.16).

a.  Ás Epístolas de Paulo. Foram os primeiros escritos do Novo Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Fo­ram escritas entre 52 e 67 d.C. Pela ordem cronológica, o primeiro livro do Novo Testamento é 1 Tessalonicenses, escrito em 52 d.C. 2 Timóteo foi escrita em 67 d.C, pouco antes do martírio do apóstolo Paulo em Roma. Esses livros foram também os primeiros aceitos como canônicos. Pedro chama os escritos de Paulo de "Escrituras" - título aplica­do somente à Palavra inspirada de Deus! (2 Pe 3.15,16).

b.  Os Atos dos Apóstolos. Escrito em 63 d.C, no fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em Roma (At 28.30).

c.  Os Evangelhos. Estes, a princípio, foram propagados oralmente. Não havia perigo de enganos e esquecimento porque era o Espírito Santo quem lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26). Os Sinóticos foram escritos entre 60 a 65 d.C. Marcos, em 65. Em 1 Timóteo 5.18, Paulo, escre­vendo em 65 d.C, cita Mateus 10.10. João foi escrito em 85. Entre Lucas e João foram escritas quase todas as epís­tolas. Note-se que Paulo chama Mateus e Lucas de "Escri­turas" ao citá-los em 1 Timóteo 5.18; o original dessa cita­ção está em Mateus 10.10 e Lucas 10.7.

d. As Epístolas, de Hebreus a Judas, foram escritas en­tre 68 e 90 d.C. Quanto à autoria de Hebreus, só Deus sabe de fato. Agostinho (354-430 d.C), bispo de Hipona, África do Norte, afirma que seu autor é Paulo. As igrejas orientais atribuíram-na a Paulo, mas as ocidentais, até o IV século recusaram-se a admitir isto. A opinião ainda hoje é a favor de Paulo. Orígenes (185-254) - o homem mais ilustre da igreja antiga, e, anterior a Agostinho - afirma: "Quem a escreveu só Deus sabe com certeza".

e.  O Apocalipse. Escrito em 96 d.C, durante o reinado do imperador Domiciano.

Muitos livros antes de serem finalmente reconhecidos como canônicos foram duramente debatidos. Houve muita relutância quanto às epístolas de Pedro, João e Judas bem como quanto ao Apocalipse. Tudo isto tão-somente revela o cuidado da Igreja e também a responsabilidade que en­volvia a canonização. Antes do ano 400 d.C, todos os livros estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de Alexan­dria, publicou uma lista dos 27 livros canônicos, os mes­mos que hoje possuímos; essa lista foi aceita pelo Concilio de Hipona (África) em 393.

 

 

Data do reconhecimento e fixação do cânon do Novo

Testamento

Isso ocorreu no III Concilio de Cartago, em 397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento. Como se vê, houve um ama­durecimento de 400 anos.

A necessidade da mensagem escrita do Novo Testa­mento

A mensagem da Nova Aliança precisava ter forma es­crita como a da Antiga. Após a ascensão do Senhor Jesus, os apóstolos pregaram por toda parte sem haver nada es­crito. Sua Bíblia era o Antigo Testamento. Com o correr do tempo, o grupo de apóstolos diminuiu. O Evangelho espa­lhou-se. Surgiu a necessidade de reduzi-lo à forma escrita, para ser transmitido às gerações futuras. Era o plano de Deus em marcha. Muitas igrejas e indivíduos pediam ex­plicações acerca de casos difíceis surgidos por perturba­ções, falsas doutrinas, problemas internos, etc. (Ver 1 Coríntios 1.11; 5.1; 7.1.)

Os judeus cumpriram sua missão de transmitir ao mundo os oráculos divinos (Rm 3.2). A Igreja também cumpriu sua parte, transmitindo as palavras e ensinos do Senhor Jesus, bem como as que Ele, pelo Espírito Santo inspirou aos escritores sacros. Ele mesmo disse: "Tenho muito que vos dizer... mas o Espírito de verdade... dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir" (Jo 16.12,13).

Dão testemunho da existência de livros do Novo Testa­mento, em seu tempo, os seguintes cristãos primitivos, cu­jas vidas coincidiram com a dos apóstolos ou com os discí­pulos destes:

Clemente de Roma, na sua carta aos Coríntios, em 95 d.C. cita vários livros do Novo Testamento.

Policarpo, na sua carta aos Filipenses, cerca de 110 d.C, cita diversas epístolas de Paulo.

Inácio, por volta de 110, cita grande número de livros em seus escritos.

Justino Mártir, nascido no ano da morte de João, escre­vendo em 140 d.C, cita diversos livros do Novo Testamen­to.

Irineu (130-200 d.C), cita a maioria dos livros do Novo Testamento, chamando-os "Escrituras".

Orígenes (185-254 d.C), homem erudito, piedoso e via­jado, dedicou sua vida ao estudo das Escrituras. Em seu tempo, os 27 livros já estavam completos; ele os aceitou, embora com dúvida sobre alguns (Hebreus, Tiago, 2 Pe­dro, 2 e 3 João).

 

III. DATAS E PERÍODOS SOBRE O CÂNON EM GE­RAL

O Antigo Testamento foi escrito no espaço de mais ou menos 1.046 anos; de 1491 a 445 a.C, isto é, de Moisés a Esdras. A data 445 é apenas um ponto geral de referência cronológica quanto ao encerramento do cânon do Antigo Testamento. Se entrarmos em detalhes sobre o último li­vro do Antigo Testamento em ordem cronológica - Mala-quias, teremos uma variação de espaço de tempo como ve­remos a seguir. O Pentateuco, como já vimos, foi iniciado cerca de 1491 a.C. Malaquias, o último livro do Antigo Testamento por ordem cronológica, foi escrito após 445, no final do governo de Neemias e do sacerdócio de Esdras. Ora, isto foi a partir de 432, quando Neemias regressou a Jerusalém, procedente da Pérsia, para onde tinha ido em 434, a fim de renovar sua licença (Ne 13.6). É a partir des­se ano que Malaquias entra em cena. Quando ele escreveu, talvez Neemias não estivesse mais na Palestina, porque não o menciona em seu livro, como fazem Ageu e Zacarias, profetas seus antecessores, os quais mencionam Zorobabel e Josué, respectivamente, governador e sacerdote dos repa­triados. (Ver Zacarias capítulos 3 e 4 e Ageu 1.1.)

Malaquias não menciona nominalmente Neemias, ape­nas menciona o "Governador" (Ml 1.9). O próprio livro de Malaquias apresenta outras evidências internas que o co­locam de 432 em diante, como passamos a mostrar:

a.  Em Malaquias 2.10-16, vê-se que os casamentos ilíci­tos que Esdras corrigira antes de Neemias, em 516 (Ed 9 e 10), estavam ocorrendo outra vez. Isto coincide com o esta­do descrito em Neemias 13, acontecido em 432.

b.  Em Malaquias 3.6-12, havia pobreza no tesouro do templo. Situação idêntica à de Neemias 13, reinante em 432.

c. As referências de Malaquias 1.13; 2.17; 3.14, indicam que o culto levítico já havia sido restaurado há bastante tempo. Essa restauração temo-la ampliada em Neemias 12.44 ss.

Portanto, Malaquias deve ter sido escrito cerca de 432 a.C. Repetimos o que dissemos há pouco: a data 445 é ape­nas um ponto geral de referência quanto ao encerramento do cânon do Antigo Testamento. Foi esse o ano em que Es­dras iniciou seu grande ministério entre os repatriados de Israel. Se descermos a detalhes quanto ao livro de Mala­quias, partiremos de 432. Malaquias é o último livro do Antigo Testamento, quanto à ordem cronológica. Quanto à disposição dos livros no corpo do cânon hebraico, o último livro é 2 Crônicas, como já mostramos.

O Novo Testamento foi completado em menos de 100 anos, pois seu último livro, o Apocalipse, foi escrito cerca de 96 d.C. Isto é, dá um total de 1.142 anos para a forma­ção de ambos os Testamentos (1.046 + 96). (Leve-se em conta que a cronologia bíblica é sempre aproximada, pois os povos orientais não tinham um sistema fixo de compu­tação de datas.)

Quando se fala do espaço total de tempo, que vai da es­crita do Pentateuco ao Apocalipse, é preciso intercalar os 400 anos do Período Interbíblico ocorrido entre os Testa­mentos, o que dará um total de 1.542 anos (1.046 + 96 + 400). Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no espaço de 16 séculos. Este é o período no qual o cânon foi completado. Noutras palavras: o cânon abrange na História um total de 1542 anos, porém foi escrito em 1.142 anos, aproximada­mente.

 

IV. OS LIVROS APÓCRIFOS

Nas Bíblias de edição da Igreja Romana, o total de li­vros é 73, porque essa igreja, desde o Concilio de Trento, em 1546, incluiu no cânon do Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4 acréscimos ou apêndices a livros canô-nicos, acrescentando, assim, ao todo, 11 escritos apócrifos.

A palavra "apócrifo" significa, literalmente, "escondi­do", "oculto", isto em referência a livros que tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No sentido religioso, o termo significa "não genuíno", "espúrio", desde sua apli­cação por Jerônimo. Os apócrifos foram escritos entre Ma-laquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testa­mento, numa época em que cessara por completo a revela­ção divina; isto basta para tirar-lhes qualquer pretensão de canonicidade. Josefo rejeitou-os totalmente. Nunca fo­ram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram reco­nhecidos pela igreja primitiva.

Jerônimo, Agostinho, Atanásio, Júlio Africano e outros homens de valor dos primitivos cristãos, opuseram-se a eles na qualidade de livros inspirados. Apareceram a pri­meira vez na Septuaginta, a tradução do Antigo Testa­mento feita do hebraico para o grego. Quando a Bíblia foi traduzida para o latim, em 170 d.C, seu Antigo Testamen­to foi traduzido do grego da Septuaginta e não do hebraico. Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, no início do Século V (405 d.C), incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da Antiga Versão Latina, de 170, porque isso lhe foi ordenado, mas recomendou que esses livros não pode­riam servir como base doutrinária.

São 14 os escritos apócrifos: 10 livros e 4 acréscimos a livros. Antes do Concilio de Trento, a Igreja Romana acei­tava todo, mas depois passou a aceitar apenas 11: 7 livros e os 4 acréscimos. A Igreja Ortodoxa Grega mantém os 14 até hoje.

 

Os 7 livros apócrifos constantes das Bíblias de edição católico-romana são:

1)  TOBIAS (Após o livro canônico de Esdras)

2)  JUDITE (após o livro de Tobias)

3)  SABEDORIA DE SALOMÃO (após o livro canônico

4)  ECLESIÁSTICO (após o livro de Sabedoria)

5)  BARUQUE (após o livro canônico de Jeremias)

6)  1 MACABEU

7)  2 MACABEU (ambos, após o livro canônico de Ma-laquias)

Os 4 acréscimos ou apêndices são:

1)  ESTER (a Ester, 10.4 - 16.24)

2)  CÂNTICO DOS TRÊS SANTOS FILHOS (a Da­niel, 3.24-90)

3)  HISTÓRIA DE SUZANA (a Daniel, cap. 13) e

4)  BEL E O DRAGÃO (a Daniel, cap. 14)

Como já foi dito, dos 14 apócrifos, a Igreja Romana aceita 11 e rejeita 3, isto, após 1546 d.C. Os livros rejeita­dos são:

1) 3 ESDRAS

2) 4 ESDRAS E

3) A ORAÇÃO DE MANASSES

Os livros apócrifos de 3 e 4 Esdras são assim chamados porque nas Bíblias de edição católico-romana o livro de ESDRAS é chamado 1 ESDRAS; o de NEEMIAS, de 2 ESDRAS.

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 18 de abril de 1546, para combater o movimento da Reforma Protestan­te, então recente. Nessa época, os protestantes combatiam violentamente as novas doutrinas romanistas: do Purgató­rio, da oração pelos mortos, da salvação mediante obras, etc. A Igreja Romana via nos apócrifos bases para essas doutrinas, e, apelou para eles, aprovando-os como canôni-cos.

Houve prós e contras dentro da própria Igreja de Roma. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no cle­ro. Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O cardeal Pallavaci-ni, em sua "História Eclesiástica", declara que em pleno concilio, 40 bispos, dos 49 presentes, travaram luta corpo­ral, agarrados às barbas e batinas uns dos outros... Foi nes­se ambiente "espiritual" que os apócrifos foram aprova­dos! A primeira edição da Bíblia romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do Papa Clemente VIII.

Os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o Antigo e Novo Testamen­to; não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário e histórico. Isto continuou até 1629. A famo­sa versão inglesa de King James,de 1611, ainda os conser­vou. Após 1629, os evangélicos os omitiram de vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre o povo simples que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.

A aprovação dos apócrifos pela Igreja Romana foi uma intromissão dos católicos em assuntos judaicos, porque, quanto ao cânon do Antigo Testamento, o direito é dos ju­deus e não de outros. Além disso, o cânon do Antigo Testa­mento estava completo e fixado há muitos séculos.

Entre os católicos corre a versão de que as Bíblias de edição protestante são falsas. Quem, contudo, comparar a Bíblia editada pelos evangélicos com a editada pelos cató­licos há de concordar em que as duas são iguais, exceto na linguagem e estilo, que são peculiares a cada tradução. O que alegam contra a nossa Bíblia é que lhe faltam livros e partes de outros, mas essa falta é de livros e de parte de li­vros apócrifos, como mencionamos.

 

OUTROS LIVROS APÓCRIFOS

Há ainda outros escritos espúrios relacionados tanto com o Antigo como com o Novo Testamento. São chama­dos pseudo-epigráficos. Os do Antigo Testamento perten­cem à última parte do período interbíblico. Todos os livros dessa classe apresentam-se como tendo sido escritos por santos de ambos os Testamentos, daí seu título: pseudo-epigráficos. São na maioria, de natureza Apocalíptica. Nunca foram reconhecidos por nenhuma igreja.

Os principais do Antigo Testamento chegam a 26.

 

 

Os referentes ao período do Novo Testamento também nunca foram reconhecidos por ninguém como tendo cano-nicidade. São cheios de histórias ridículas e até indignas de Cristo e seus apóstolos. Essas histórias são muito explo­radas pela gente simplória e crédula. Desse período há de tudo: evangelhos, epístolas, apocalipse, etc.

Os principais somam 24.

Os que estudam a Bíblia devem estar acautelados do seguinte, concernente aos livros canônicos e apócrifos em geral:

• Aos nossos 39 livros canônicos do Antigo Testamento, os católicos os chamam de protocanônicos.

• Os 7 livros, que chamamos de apócrifos, os católicos os chamam de deuterocanônicos.

• Os livros que chamamos de pseudo-epigráficos, eles os chamam de apócrifos.

 

QUESTIONÁRIO

1. Defina a palavra cânon nos sentidos literal e religioso.

2.  Em que parte de Gálatas aparece a palavra cânon, no original?

3.  Por que se diz dos livros da Bíblia que são canônicos?

4.  Dê as três divisões do cânon hebraico, bem como a refe­rência que as menciona no Novo Testamento.

5. Desde quando ficou completo o cânon do Antigo Testa­mento?

6. Descreva por que, no cânon hebraico, os nossos 39 li­vros resumem-se em 24.

7. De onde vem a nossa divisão do Antigo Testamento em 39 livros?

8. Por que Mateus 23.35 mostra que Gênesis era o primei­ro livro do Antigo Testamento, e Crônicas o último?

9. Dê o espaço de tempo em que se formou o cânon do An­tigo Testamento.

10.  Mencione as datas aproximadas de início e do término da formação do cânon do Antigo Testamento.

11.  Explique a diferença entre Alta Crítica e Baixa Crítica.

12. Dê o nome do homem de Deus que reuniu, selecionou e preservou os rolos sagrados, determinando, destarte, o cânon do Antigo Testamento.

13.  Dê os dois nomes pelos quais era conhecido o Antigo Testamento nos dias de Jesus.

14.  Quando e onde os rabinos reconheceram e fixaram o câ­non do Antigo Testamento, ratificando, assim, aquilo que já vinha sendo aceito durante séculos?

15.  Dê as datas gerais de escrita dos 4 Evangelhos, dos Atos, das Epístolas e do Apocalipse.

16.  Cite o concilio e o ano em que foi reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento.

17.  Por que era necessário ter o Novo Testamento em for­ma escrita?

18.  Que fizeram os escritores cristãos primitivos no tocante à existência dos livros do Novo Testamento, ao escreve­rem suas obras?

19.  Em que espaço de tempo foi formado o cânon do Novo Testamento?

20.  Quanto tempo levou para serem escritos os 66 livros ca-nônicos, isto é, o cânon geral?

21.  Quanto tempo medeia entre Gênesis e Apocalipse (re-ferentemente a serem escritos os livros)?

22.  Quantos livros contêm as Bíblias de edição católico-romanas?

23.  Dê os sentidos literal e religioso do termo "apócrifo".

24.  Cite os 7 livros apócrifos e os 4 acréscimos a livros canô-nicos.

25.  Cite o ano, bem como o concilio, em que os católico-romanos aprovaram os apócrifos.

26.  Como são designados entre os católicos os livros canônicos, os apócrifos e os pseudo-epigráficos?

Nota: Dê respostas o mais completas possível. Escreva as respostas para melhor fixar o aprendizado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5

A preservação e aq tradução da Bíblia

 

Este capítulo abrange os seguintes pontos: línguas ori­ginais da Bíblia; os manuscritos mais importantes; as pri­meiras e principais versões e traduções; certas particulari­dades do texto bíblico. Em todos esses fatos podemos ver a mão poderosa de Deus agindo para que este Livro chegasse às nossas mãos, para nossa felicidade eterna.

 

I. AS LÍNGUAS ORIGINAIS DA BÍBLIA

O hebraico e o aramaico para o Antigo Testamento, e o grego para o Novo Testamento, são as línguas originais da Bíblia.

a. O hebraico. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, o idioma oficial da nação israelita, exceto algu­mas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram es­critas em aramaico. A mais extensa é em Daniel, que vai de 2.4 a 7.28.

O hebraico faz parte das línguas semíticas, que eram faladas na Ásia (mediterrânea), exceto em bem poucas re­giões. As línguas semíticas formavam um ramo dividido em grupos, sendo o hebraico integrante do grupo cananeu. Este compreendia o litoral oriental do Mediterrâneo, in­cluindo a Síria, a Palestina e o território que constitui hoje

a Jordânia. Integrava também o grupo cananeu de línguas, o ugarítico, o fenício e o moabítico. O fenício tem muita se­melhança com o hebraico. 0 primitivo alfabeto hebraico é oriundo do fenício, segundo a opinião dos versados na ma­téria. Tudo leva a crer que Abraão encontrou este idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo da Caldéia. Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia, falava aramaico; ao passo que Jacó, recém-chegado de Canaã, falava o hebraico.

A língua hebraica é chamada no AT "Língua de Ca­naã" (Is 19.18) e "língua judaica" ou "judaico" (2 Rs 18.26,28; Is 36.13). Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico lê-se da direita para a esquerda. O alfabeto compõe-se de 22 letras, todas consoantes. Há si­nais vocálicos, sim, mas não podemos chamá-los de letras.

Sabe-se agora que a forma primitiva dos caracteres hebraicos estava em uso na Palestina 1.800 anos antes de Cristo. Exemplos mais recentes das letras hebraicas há no Calendário de Gézer (950-920 a.C), na Pedra Moabita (850 a.C); na inscrição de Siloé (702 a.C); nas moedas do tempo dos irmãos Macabeus (175-100 a.C), e nalguns fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto, a partir de 1947. Esta forma primitiva do hebraico passou por modificações com o correr do tempo. Após o exílio, teve início a chamada "escrita quadrada", que, por fim, foi pe­los massoretas convertida na atual forma do alfabeto hebraico - uma forma quadrada modificada.

A escrita hebraica dos tempos antigos só empregava consoantes sem qualquer sinal de vocalização. Os sons vo­cálicos eram supridos pelo leitor durante a leitura, o que dava origem a constantes enganos, uma vez que havia pa­lavras com as mesmas consoantes, mas com acepções dife­rentes. Quer dizer, a pronúncia exata dependia da habili­dade do leitor, levando em conta o contexto e a tradição. É por causa disso que se perdeu a pronúncia de muitas pala­vras bíblicas.

Após o século VI, os eruditos judeus residentes em Ti-beríades, passaram a colocar na escrita sinais vocálicos, perpetuando, assim, a pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos colocados em cima, em baixo e dentro das consoantes. Os autores desse sistema de vocalização chama­vam-se massoretas - palavra derivada de "massorah", que quer dizer tradição, isto porque os massoretas, por meio desse sistema, fixaram a pronúncia tradicional do hebrai­co. Qualquer texto bíblico posterior ao século VI é chama­do "massorético", porque contém sinais vocálicos. Os mais famosos eruditos massoretas foram os judeus Moses ben Asher; e seus filhos Arão e Naftali, que viveram e trabalha­ram em Tiberíades, na Galiléia.

Além do texto massorético, há outro texto hebraico das Escrituras, o do Pentateuco Samaritano, que emprega, os antigos caracteres hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto, dois tipos de textos que temos em hebraico: o Massorético e o Pentateuco Samaritano.

b. O Aramaico é um idioma semítico falado desde 2.000 a.C, em Arã ou Síria, que é a mesma região. {Arã é hebreu; Síria é grego.) Nas Escrituras, o território da Síria não é o mesmo de hoje, o que acontece também com outras terras bíblicas. O primitivo território estendia-se das mon­tanhas do Líbano até além do Eufrates, incluindo Babilô­nia, Mesopotâmia Superior (conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã - Gn 25.20), e outros distritos. Era ainda falado numa grande área da Arábia Pétrea.

Os trechos escritos em aramaico são:

o Esdras 4.8 a 6.18; 7.12-26.

o Daniel 2.4 a 7.28.

o Jeremias 10.11.

A influência do aramaico foi profunda sobre o hebraico, começando no cativeiro do reino de Israel, em 722 a.C. na Assíria, e continuando através do cativeiro do reino de Ju-dá, em 587, em Babilônia. Em 536, quando Israel começou a regressar do exílio, falava o aramaico como língua verná­cula. É por essa razão que, no tempo de Esdras, as Escritu­ras, ao serem lidas em hebraico, em público, era preciso in­terpretá-las, para compreenderem o seu significado (Ne 8.5,8).

No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se a língua po­pular dos judeus e nações vizinhas; estas foram influencia­das pelo aramaico devido às transações comerciais dos ara-meus na Ásia Menor e litoral do Mediterrâneo. Em 1.000 a.C, o aramaico já era língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das rotas comerciais do Oriente. O aramaico é também chamado "siríaco", no Norte (2 Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e também "caldaico", no Sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo alfabeto que o hebraico, diferia nos sons e na estrutura de certas partes gramaticais. Do mesmo modo que o hebraico, não tinha vogais; a partir de 800 d.C, é que os sinais vocálicos lhe fo­ram introduzidos. É muito parecido com o hebraico.

O aramaico foi a língua do Senhor Jesus, seus discípu­los e da igreja primitiva, em Jerusalém. Em Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o jota (aramaico io­de), Ele tinha em mente o alfabeto aramaico, pois somente neste é que se verifica isto. (A letra iode originou o nosso i). Nos dias de Jesus, o aramaico já se modificara um pouco na Palestina, resultando no "aramaico palestinense", como o chamam os eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da palavra aramaica "abba", por Jesus, é outra evi­dência de que Ele falava aquela língua. Que Ele também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16-20, uma vez que os rolos sagrados eram escritos em hebraico..

O hebraico foi de fato absorvido pelo aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do culto divino no templo e nas sinagogas, dos rolos sagrados, e dos rabinos e erudi­tos. Havia escolas de rabinos, inicialmente em Jerusalém, e, depois da queda da cidade, em Tiberíades. Havia esco­las semelhantes noutros centros judaicos. As conquistas á-rabes e a propagação do islamismo em largas áreas da Á-sia, África e Europa, reduziu e por fim destruiu a influên­cia do aramaico. Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, começou a ressurgir. Para que se cumprissem as profecias referentes a Israel, era necessário que a língua re­vivesse e assumisse a posição que hoje desfruta na família das nações modernas.

O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a população de 4.000 habitantes.

Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como uma língua, este passou a chamar-se hebraico, conforme se vê em Lucas 23.38; João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14; 72

Apocalipse 9.11. Portanto, quando o NT menciona o hebraico, trata-se, na realidade, do aramaico. Marcos, es­crevendo para os romanos, põe em aramaico 5.41 e 15.34 do seu livro; já Mateus, que escreveu para os judeus, escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).

O AT contém, além do hebraico e aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata" (Ed 2.63 FIG) e "sátrapa" (Dn 3.2).

c. O Grego. Esta é a língua em que foi originalmente es­crito o Novo Testamento. A única dúvida paira sobre o li­vro de Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escri­to em aramaico. O grego faz parte do grupo das línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos dórico e ático. Os dóri-cos e os áticos foram duas das principais tribos que povoa­ram a Grécia. É língua de expressão muito precisa, e, das línguas bíblicas, é a que mais se conhece, devido a ser mais próxima da nossa.

O grego do Novo Testamento não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua, dos co­merciantes, dos estudantes, que todos podiam entender: era o "Koiné". Este dialeto formou-se a partir das conquis­tas de Alexandre, em 336 a.C. Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto espaço de 13 anos, alterou o curso da história do mundo. A Grécia tornou-se um império mun­dial, e toda a terra conhecida recebeu influência da língua grega. Deus preparou, deste modo, um veículo lingüístico para disseminar as novas do Evangelho até os confins do mundo, no tempo oportuno.

Até no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia tradu­zida do hebraico para o grego - a chamada Septuaginta, cerca de 285 a.C. Nos dias de Jesus, os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista que a Septuaginta em grego era popular entre os judeus. Nos pri-mórdios do cristianismo, o Evangelho pregado ou escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isso! Ele não enviaria o seu Filho ao mun­do enquanto este não estivesse preparado, e esse preparo incluía uma língua conhecida por todos. (Ver Marcos 1.15 e Gálatas 4.4.)

A língua grega tem 24 letras; a primeira é alfa e a últi­ma ômega. Quando, em Apocalipse 1.8, Jesus diz que é o Alfa e o ômega, está afirmando que é o primeiro e o últi­mo. Os gregos receberam seu alfabeto através dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.

Ninguém vá supor que por não conhecer essas línguas originais das Escrituras, não compreenderá a revelação di­vina. Sim, o conhecimento e a compreensão dos originais auxiliará muito, mas não é o essencial. Na Bíblia, como já dissemos, vêem-se duas coisas principais: o texto e a men­sagem. O principal é a mensagem contida no texto. É espe­cialmente a mensagem que o Espírito Santo vitaliza, reve­la e maneja como sua espada (Ef 6.17).

 

II. OS MANUSCRITOS DA BÍBLIA

A história da Bíblia e como chegou até nós, é encontra­da em seus manuscritos. Manuscritos são rolos ou livros da antiga literatura, escritos à mão. O texto da Bíblia foi pre­servado e transmitido mediante os seus manuscritos. Nos tratados sobre a Bíblia, a palavra manuscritos é sempre in­dicada pela abreviatura MS, no plural MSS ou MSs. Há, em nossos dias, cerca de 4.000 MSS da Bíblia, preparados entre os séculos II e XV.

a. Material gráfico dos MSS bíblicos.

Há dois materiais principais: papiro e pergaminho. (Consulte o Cap. II da presente matéria.) O linho era usa­do também, mas não tanto como os dois citados. O centro da indústria de papiro era o Egito, onde teve início o seu emprego, cerca de 3.000 a.C. O papiro é um tipo de junco de grandes proporções. Tem caule tríquetro de 3 a 5 metros de altura, com 5 a 7 centímetros de diâmetro, tendo sua fronde em forma de guarda-chuva. As dimensões da folha de papiro preparada para a escrita eram normalmente 30 cm a 3 m de comprimento por 30 cm de largura. Essas fo­lhas eram formadas por tiras cortadas da planta, sobrepos­tas cruzadas, coladas, prensadas e depois polidas. Eram escritas de um lado, apenas. Tinham cor amarelada. À fo­lha do papiro assim preparada, os gregos chamavam biblos.

Pergaminho é a pele de animais curtida e preparada para a escrita; seu uso generalizado vem dos primórdios do cristianismo, mas já era conhecido em tempos remotos, pois já é mencionado em Isaías 34.4. O pergaminho prepa­rado de modo especial chamava-se velo. Este tornou-se co­mum a partir do século IV. É mais durável. Foi muito usa­do nos códices. Tudo indica que o vocábulo pergaminho derivou seu nome da cidade de Pérgamo, capital de um ri­quíssimo reino que ocupou grande parte da Ásia Menor, sendo Eumenes II (197-159 d.C), seu maior rei. Esse rei projetou formar para si uma biblioteca maior que a de Ale­xandria, Egito. O rei do Egito, por inveja, proibiu a expor­tação do papiro, obrigando Eumenes a recorrer a outro ma­terial gráfico. Tal fato motivou o surgimento de um novo método de preparar peles, muito aperfeiçoado, que resul­tou no pergaminho. Vindo o domínio romano, Pérgamo veio a ser a primeira capital da província da Ásia, situada ao oeste da Ásia Menor; sua segunda capital foi Éfeso. O Novo Testamento menciona esse material gráfico em 2 Ti­móteo 4.13 e Apocalipse 6.14.

Outros materiais foram usados para a escrita nos tem­pos antigos, mas de menor importância, como:

•  Linho. Tem sido encontrado nas descobertas arqueo­lógicas.

•  Ostraco, fragmento de cerâmica. É mencionado em Jó 38.14; Ezequiel 4.1. Foi muito usado em Babilônia.

•  Madeira.

•  Pedra (Êx 24.12; Js 8.30-32).

•  Tábuas recobertas de cera (Is 8.1; Lc 1.63).

Um exemplo do emprego desses materiais é o livro es­crito em pedra, conhecido como Código Hamurabi. Trata-se de um rei de Babilônia coevo de Abraão. É identificado pelos cientistas como o Anrafel de Gênesis 14.1. É um códi­go de leis descoberto em Susa, em 1902, lindamente traba­lhado em pedra, com 2 m de altura. Esse livro é testemu­nha de que aquele tempo o homem atingira uma capacida­de literária notável. O código trata do culto nos templos (pagãos, é claro), administração da justiça e leis em geral. Vimos esse código no Museu do Louvre, Paris.

A tinta usada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma substância líquida semelhante a goma arábica. (Ver Jeremias 36.18; Ezequiel 9.2; 2 Coríntios 3.3; 2 João 12; 3 João 13.) 0 carvão é um elemento que se con­serva admiravelmente através dos séculos, não sendo afe­tado por substâncias químicas. Para a escrita em papiro ou pergaminho, usavam penas de aves, pincéis finos e um tipo de caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para a cera usavam um estilete de metal (Is 30.8).

Cuidado redobrado havia com a escrita dos livros sa­grados. Devemos ser sumamente agradecidos aos judeus por seu cuidado extremo na preparação e preservação dos manuscritos do Antigo Testamento. Aqui estão algumas regras que eles exigiam de cada escriba. O pergaminho ti­nha de ser preparado de peles de animais limpos, prepara­do somente por judeus, sendo as folhas unidas por fios fei­tos de peles de animais limpos. A tinta era especialmente preparada. O escriba não podia escrever uma só palavra de memória. Tinha de pronunciar bem alto cada palavra an­tes de escrevê-la. Tinha de limpar a pena com muita reve­rência antes de escrever o nome de Deus. As letras e pala­vras eram contadas. Um erro numa folha, inutilizava-a. Três erros numa folha, inutilizavam todo o rolo.

b.  O formato dos MSS

Quanto ao formato, os MSS podem ser códices ou rolos.

Códice é um MS em formato de livro, feito de pergami­nho. As folhas têm normalmente 65 cm de altura por 55 de largura. Este tipo de MS começou a ser usado no Século II. O rolo podia ser de papiro ou pergaminho. Era preso a dois cabos de madeira, para facilitar o manuseio durante a lei­tura. Era enrolado da direita para a esquerda. Sua exten­são dependia da escrita a ser feita. Portanto, antigamente não era fácil conduzir pessoalmente os 66 livros como faze­mos hoje

c.  A caligrafia dos MSS.

Há dois tipos de caligrafia ou forma gráfica nos MSS bíblicos, o que os divide em unciais e cursivos. Uncial é o MS de letras maiúsculas e sem separação entre as pala­vras. Cursivo é o de letras minúsculas, tendo espaço entre as palavras. Tal diferença na forma gráfica deu-se no século X. Palimpsesto é um MS reescrito, isto é, a escrita pri­mitiva era raspada e novo texto escrito por cima. Isso ocor­ria devido ao alto preço do pergaminho. Inutilizava-se as­sim uma escrita para se usar o mesmo material. Os manus­critos originais também não tinham sinais de pontuação. Estes foram introduzidos na arte de escrever em época re­cente. É claro, pois, que a pontuação moderna não é inspi­rada, e por isso não dá, às vezes, sentido às palavras do ori­ginal.

d. MSS originais da Bíblia. MSS originais saídos das mãos dos escritores não há nenhum conhecido. É provável que se houvesse algum, os homens o adorassem mais do que ao seu divino Autor. Lembremos a adoração da ser­pente de metal pelos israelitas (2 Rs 18.4) e da cruz de Cristo e da virgem Maria, pelos católico-romanos; e o caso de João querer adorar o mensageiro celestial (Ap 22.8,9).

A falta de MSS originais provém do seguinte:

1)  O costume dos judeus de enterrar todos os MSS es­tragados pelo uso ou qualquer outra coisa; isto para evitar mutilação ou interpolação espúria.

2)  Os reis idolatras e ímpios de Israel podem ter des­truído muitos, ou contribuído para isso. (Veja o episódio de Jeremias 36.20-26.)

3)  O monstro Antíoco Epifânio, rei da Síria (175-164 a.C), dominou sobre a Palestina durante seu reinado. Foi extremamente cruel, sádico; tinha prazer em aplicar tortu­ras. Decidiu exterminar a religião judaica. Assolou Jerusa­lém em 168, profanou o templo e destruiu todas as cópias que achou das Sagradas Escrituras.

4)  Nos dias do feroz imperador Diocleciano (284-305 d.C), os perseguidores dos cristãos destruíram quantas có­pias acharam das Escrituras. Durante dez anos, Dioclecia­no mandou vasculhar o Império para destruir todos os es­critos sagrados. Ele chegou a julgar que tivesse destruído tudo, pois mandou cunhar uma moeda comemorando tal "vitória".

A literatura judaica diz que a missão da Grande Sina­goga, presidida por Esdras, foi reunir e preservar os MSS originais do AT, e que os MSS de que se serviram os setenta, foram esses preservados pela Grande Sinagoga, que en­cerrou o cânon do AT.

e.  MSS existentes mais antigos e mais importantes

1) MSS do AT em hebraico.

Até a descoberta dos MSS do mar Morto, em 1947, os mais antigos MSS do AT hebraico eram:

Códice dos primeiros e últimos profetas. Está na Si­nagoga Caraíta, do Cairo. Foi escrito em Tiberíades, em 895 d.C, por Moses Ben Asher, erudito judeu de renome. (Caraítas são os judeus que rejeitam a doutrina ortodoxa dos rabinos e reclamam liberdade na interpretação da Bíblia.) Contém os primeiros profetas, segundo a organiza­ção do cânon hebraico do AT: Josué, Juizes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. Contém também os últimos profetas: Isaías, Je­remias, Ezequiel, e os Doze.

Códice do Pentateuco. Escrito cerca de 900 d.C, está no Museu Britânico, sob número 4445. Foi escrito por um filho de Moses Ben Asher: Arão.

Códice Petrogradiano. Escrito em 916 d.C. Contém apenas os últimos Profetas. Veio da Criméia. Está na biblioteca de Leningrado (a antiga Petrogrado), donde o nome.

Códice Aleppo. Contém todo o texto do Antigo Testa­mento. Copiado por Shelomo Ben Bayaa. Seus sinais vocá-licos foram colocados por Moses Ben Asher, cerca de 930 d.C. Foi contrabandeado em anos recentes da Síria para Israel. Será utilizado como base da nova Bíblia Hebraica, em preparo pela Universidade Hebraica, de Jerusalém.

Códice 19 A. Está na biblioteca de Leningrado (Rús­sia). Data: 1008 d.C. O original foi escrito por Moses Ben Asher, cerca de 1000 d.C. Foi copiado no ano 1008, no Cai­ro, por Samuel Ben Jacob. Quando a Rússia o adquiriu, o comunismo ainda não dominava ali. Este é o mais antigo MS completo do AT em hebraico. (Isto é, mais antigo da­tado.)

O rolo de Isaías, mar Morto, 1947. Nos rolos desco­bertos, nas proximidades do mar Morto, em 1947, foi en­contrado um MS de Isaías, em hebraico, do ano 100 a.C, isto é, 1.000 anos mais velho que o mais antigo MS até en­tão existente. Uma vez que o texto de tal rolo concorda com o das nossas Bíblias atuais, temos nisso uma prova singular da autenticidade das Escrituras, considerando-se que esse rolo de Isaías tem agora mais de 2.000 anos de existência!

2) MSS do Antigo e Novo Testamento em grego.

É digno de nota que os MSS mais antigos da Bíblia es­tão em grego. Esses manuscritos não são originais, são có­pias. Os originais saídos das mãos dos escritores, perde­ram-se. Pela ordem cronológica, vamos citar os mais anti­gos MSS existentes da Bíblia em grego:

Códice Vaticano ou "B". Pertence à biblioteca do Vaticano. Data: 325 d.C. O AT é cópia da Septuaginta. Contém os apócrifos em separado. Essa biblioteca foi fun­dada em 1488, e no seu primeiro catálogo, publicado em 1475, aparece esse MS. Ê uncial.

• O Códice Sinaítico ou "Álefe". Pertence ao Museu Britânico. Data: 340 d.C. Foi descoberto pelo erudito cris­tão Tischendorf, em 1844, no Mosteiro de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai. A história de sua aquisição é mui­to impressionante. Foi o Czar da Rússia que o adquiriu, em 1899. O Governo inglês comprou-o dos russos, em 1933, por 100.000 libras esterlinas, equivalentes então a 510.000 dó­lares. Um dos livros mais caros do mundo. É uncial.

Códice Alexandrino ou "A". Pertence ao Museu Bri­tânico. Data: 425 d.C. Tem este nome porque foi escrito em Alexandria e também pertenceu à sua biblioteca. Em 1621, foi levado a Constantinopla por Cirilo Lúcar, patriar­ca de Alexandria. Em 1624, Cirilo presenteou-o ao rei Tia­go I da Inglaterra, o mesmo rei que autorizou a famosa ver­são inglesa de 1611. Em 1757, o rei Jorge II doou a bibliote­ca da família real à nação, e assim o famoso MS chegou ao Museu Britânico. É um MS uncial.

O Códice Efráemi ou "C". Pertence ao Museu do Louvre, Paris. Data: 345 d.C. É um palimpsesto. Ao ser restaurada a primeira escrita, constatou-se serem ambos os Testamentos incompletos. O doutor Tischendorf publi­cou-o em 1845. É bilingüe: grego e latim.

Códice Bezae ou "D". Pertence à biblioteca da Uni­versidade de Cambridge, Inglaterra. Data: Século VI. Con­tém os Evangelhos, Atos e parte das Epístolas.

•  O Códice Claromontanus ou "D2". Pertence ao Mu­seu do Louvre, Paris. Data: Século VI. Contém as epístolas paulinas. Estes três últimos são também unciais.

f. As Bíblias impressas mais antigas.

1)  0 Antigo Testamento Impresso em Hebraico.

• O primeiro texto impresso em hebraico do AT foi publicado em 1488, em Soncino, Itália. Contém os sinais vocálicos.

• O segundo texto mais antigo impresso em hebraico do AT é o constante da Bíblia chamada "Complutensiana Poliglota", preparada pelo cardeal Ximenes, de Cisneros, na Universidade de Alcalá, próximo a Madri, Espanha. Foi impressa em 1514 - 1517, mas somente distribuída em 1522. A Poliglota traz além do AT em hebraico, o NT em grego, a Septuaginta em latim, e a Vulgata, em latim (AT e NT). Abrange seis volumes.

• A primeira Bíblia Rabínica. Foi preparada por Felix Pratensis e publicada por Daniel Bomberg, em Veneza, em 1516-1517.

• O texto preparado por Jacob Ben Chayin e impresso por Daniel Bomberg em Veneza, em 1524-1525, tornou-se um texto padrão para estudo. Foi a segunda Bíblia Rabíni­ca impressa.

• O texto de Amsterdam, publicado entre 1661-1667. É uma combinação dos textos de Chayim e o de Ximenes.

• 0 texto de Van der Hooght, publicado em 1705. É uma revisão do texto de Amsterdam.

• O texto de Kennicott, editado em 1776-1780. Este texto segue o de Van der Hooght de 1705.

• O texto de Letteris, publicado em 1852. É uma revi­são do texto de Van der Hooght. Este é o texto padrão ado­tado em nossos dias pelas Sociedades Bíblicas em todo o mundo.

• O texto de Rudolph Kittel, de 1906, originado do tex­to de Chayim. A terceira edição de Kittel, em 1937, aban­donou o texto de Chayim, publicando o do MSS 19A.

2)  O Novo Testamento impresso em grego

• O primeiro texto impresso em grego do NT é o da "Complutensiana Poliglota", de que já falamos quando nos ocupamos do texto impresso em hebraico.

• O texto de Erasmo (teólogo holandês), publicado e distribuído em 1516. Este foi o primeiro texto impresso dis­tribuído, do Novo Testamento. A poliglota do Cardeal Xi-menes só veio a público em 1522, mas fora impressa em 1514-1517.

• O texto de Robert Stephanus, publicado em 1546, em Paris. É baseado no de Erasmo e na Poliglota.

• O texto de Theodoro Beza, publicado em 1565 e 1664. Base: Stephanus.

• 0 texto dos irmãos Elzevirs, holandeses, de 1624-1678. Base: Stephanus e Beza. É conhecido como o "Tex-tus Receptus" devido a uma expressão que contém no pre­fácio.

• 0 texto de Westcott e Hort, dois eminentes eruditos ingleses. Data: 1881-1882. Suplantou o "Textus Recep­tus".

• Há, por fim, os mais recentes textos impressos do NT em grego, que são os de Herman Von Soden, Scrivener, e Eberhard Nestle. Este último é muito utilizado no preparo de versões modernas.

g. Os MSS do mar Morto.

Num dia de verão, em 1947, o pastor beduíno árabe, Muhammad ad Dib, da tribo dos Taa'mireh, que se acam­pa entre Belém e o mar Morto, saiu a procura de uma cabra desgarrada nas ravinas rochosas da costa noroeste do referido mar, e encontrou um inestimável tesouro bíbli­co. Estava o pastor junto à encosta rochosa do uádi Qüm-ram. Ao atirar uma pedra numa das cavernas ouviu um barulho de cacos se quebrando. Entrou na caverna e en­controu uma preciosa coleção de MSS bíblicos: 12 rolos de pergaminho e fragmentos de outros. Um dos rolos era um MS de Isaías do ano 100 a.C, isto é, mil anos mais antigo que os exemplares até então conhecidos. Os rolos estão es­critos em papiro e pergaminho e envolvidos em panos de li-nho. Outras cavernas foram vasculhadas e novos MSS fo­ram encontrados.

Novas luzes estão surgindo na interpretação de passa­gens difíceis do AT. Exemplos: em Êxodo 1.5, o total de pessoas é 75, concordando assim com Atos 7.14. (O hebrai­co não tem algarismos para os números e sim letras; daí, para um erro não custa muito...) Em Isaías 49.12, o novo MS de Isaías diz "Siene" e não "Sinin". Ora, Siene era uma importante cidade fronteiriça do Egito, às margens do Nilo, junto à Etiópia. É hoje a moderna Assuam, com sua extraordinária represa. Ezequiel 29.10 e 30.6 referem-se a essa cidade; a versão ARC grafa "Sevené". Muitos eruditos pensavam até agora que o termo "Sinin" de Isaías 49.12 fosse uma alusão à China. É muito confortante saber que os textos desses MSS encontrados concordam com os das nossas Bíblias.

Pesquisas revelam que os MSS do mar Morto foram es­condidos pelos essênios - seita ascética judaica - durante a segunda revolução dos judeus contra os romanos em 132-135 d.C. Os responsáveis por um grande mosteiro agora descoberto, ao verem aproximar-se as tropas romanas, es­conderam ali sua biblioteca! Nas 267 cavernas examina­das, foram encontrados fragmentos de 332 obras, ao todo. Encontraram, inclusive, cartas do líder dessa revolta: Bar Kochba, em perfeito estado, estando sua assinatura bem nítida. Nos MSS encontrados há trechos de todos os livros do AT, exceto Ester.

h. Cálculo da data de um MS Calcula-se a data de um MS:

1) Pela forma das letras. Cada forma representa uma é-poca, tanto no grego como no hebraico.

2)  Pelo modo como estão escritas as palavras no texto. Se ligadas ou separadas. Isto também indica época.

3)  Pelas letras iniciais de títulos, parágrafos, etc. Se adornadas ou singelas. Isto também indica o tempo.

4)  Pelo carbono-14. Este é um método científico e revo­lucionário. Trata-se do seguinte: Todo ser vivo absorve C-14. Cada 5.600 anos o C-14 perde metade de sua radioativi­dade primitiva. Assim cen

5) Pelo Raio-X. Este tipo de raio também ajuda a de­terminar a idade de objetos antigos, por meio da fotografia e certas reações.

 

III. A TRADUÇÃO DA BÍBLIA.

Era preciso a tradução da Bíblia para dar cumprimento às palavras do Senhor Jesus após ressuscitar: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15). Ora, o mundo está dividido em nações, tribos e povos, cada qual com suas línguas. Hoje, quando vemos as Escrituras traduzidas em mais de 1.700 línguas, sabemos que Aquele que comissionou os discípulos para tão grande obra, prove­ria também os meios para a sua realização.

a. Versões semíticas.

1) O Pentateuco Samaritano.

Não é propriamente uma versão. É o texto hebraico do Pentateuco, escrito nos velhos caracteres hebraicos ou em samaritano. O samaritano é um dialeto oriundo do hebrai­co antigo, surgido com a mistura do povo assírio trazido para Samaria por Sargão II, por ocasião do cativeiro das 10 tribos. É uma mistura do hebraico antigo com o assírio. Dele existem muitas cópias. É a Bíblia da seita dos sama-ritanos, que teve início com a expulsão de Manasses de Je­rusalém (Ne 13.23-30), e a conseqüente construção de um templo rival no monte Gerizim. Isso marcou o início da contínua separação, pela qual "os judeus não se comuni­cam com os samaritanos" (Jo 4.9). Em 1616, Pietro Delia Valle trouxe para a Europa o primeiro exemplar do Penta­teuco Samaritano, comprando-o em Damasco, da mão de um samaritano. Os MSS existentes estão escritos em sa­maritano. Em Nablus (a antiga Siquém) os samaritanos exibem antigos MSS do Pentateuco Samaritano na sina­goga que lá se encontra. Há um desses manuscritos que eles afirmam ter sido escrito por um bisneto de Moisés, no 13? ano após a conquista de Canaã, por Josué, o que sabe­mos ser mera conjectura, sem fundamento.

2) Os Targuns.

São paráfrases ou explicações, em aramaico do AT. A palavra significa "interpretações". Quando os judeus re­gressaram do exílio, tinham perdido o uso do hebraico. Era preciso que tivessem as Escrituras em hebraico, mas tam­bém era preciso que alguém lhes transmitisse o real signifi­cado do texto. Nesse tempo, a leitura em público, das Es­crituras, era seguida de explicação pelo leitor, para que o povo pudesse entender (Ne 8.8.) Os Targuns eram a princí­pio resumidos e simples, mas pouco a pouco tornaram-se aperfeiçoados e, finalmente foram reduzidos a escrita. Os principais Targuns são:

• O da Lei, feito por Ónquelos, amigo de Gamaliel, do Século II d.C.

Os dos Profetas e Livros Históricos, feitos por Jonathan Ben Uziel, que diz ter sido discípulo de Hilel, de é-poca posterior. (Não confundam os Targuns com o Talmu-de; este é o conjunto de tradições judaicas e explicações orais do AT reduzidas a escrita no Século II d.C.)

b. Versões gregas.

1) A Septuaginta.

É comumente designada por "LXX". O nome vem do latim "Septuaginta", que quer dizer "70". Aristeas, escri­tor da corte de Ptolomeu Filadelfo, que reinou de 285-246 a.C, escrevendo a seu irmão Filócrates, conta que o referi­do monarca, por proposta de seu bibliotecário, Demétrio de Falero, solicitou ao sumo sacerdote judaico, Eleazar, que lhe enviasse doutores versados nas Sagradas Escritu­ras para preparar-lhe uma versão delas, em grego. Ele muito ouvia falar das Escrituras e queria uma versão de­las, para enriquecer sua vasta biblioteca, em Alexandria. O sumo sacerdote escolheu 72 eruditos (6 de cada tribo) e enviou-os a Alexandria, os quais completaram a versão em 72 dias. Josefo registra o fato com detalhes que o espaço não nos permite registrar. De 72 derivou-se o nome "Sep­tuaginta."

A tradução foi feita na ilha de Faros, situada no porto da cidade. Essa Bíblia teve a mais ampla difusão entre as nações, especialmente naquelas onde estavam os judeus da dispersão oriunda do cativeiro. Os magos que visitaram o menino Jesus, sem dúvida, conheciam esta Bíblia no Oriente. Foi a Septuaginta um dos meios que Deus usou na preparação dos povos e nações para o advento do Evange­lho que seria proclamado por Jesus e seus discípulos, ao chegar a "plenitude dos tempos" (Gl 4.4). Ela, por onde quer que ia, disseminava as profecias que apontavam para o Messias. A língua grega foi outro veículo usado por Deus. Ela serviu para levar o Evangelho ao mundo de então.

Foi a Septuaginta a primeira tradução completa do AT, do original hebraico. Foi também ela que situou e di­vidiu os livros por assuntos como os temos hoje: Lei, Histó­ria, Poesia, Profecia. Não há um só exemplar original da Versão dos Setenta; somente cópias, a mais antiga das quais data de 325 d.C. (É o MS Vaticano, estudado noutra parte deste capítulo.) A carta de Aristeas é tida por espú­ria por modernos estudiosos; sustentam estes que a Versão Septuaginta foi preparada aos poucos; que o Pentateuco foi traduzido em 250 a.C, e em seguida, os demais livros; terminando a versão em 150 a.C. Seja como for, é ela a mais antiga tradução da Bíblia hebraica. Os outros gran­des MSS da LXX são os já estudados códices: Vaticano, Sinaítico e Alexandrino. A Septuaginta é usada ainda hoje na Igreja Grega. Sua primeira aparição impressa é a cons­tante da Complutensiana Poliglota publicada em Alcalá, província de Madri, em 1514-1517, e distribuída em 1522 pelo Cardeal Ximenes.

2)  A versão de Áqüila, natural de Sínope, cidade do Ponto. É uma tradução puramente literal. Contém só o AT. Foi feita em 138 d.C, no reinado de Adriano. Existe em fragmentos.

3)  A versão de Teodocião, natural de Éfeso, coevo de Justino Mártir, que o menciona em seus escritos. Foi feita em 160 d.C, no tempo do Imperador Cômodo. Não é mais que uma revisão dos LXX. Contém só o AT. Teodocião era ebionita.

4) A versão de Símaco, feita em 218. Só do AT. Símaco era também ebionita. Existe em fragmentos.

5)  A Héxapla, de Orígenes. Não é propriamente uma versão; é obra compendiada. Devido a falhas na tradução da Septuaginta, Orígenes, grande erudito da igreja primitiva, compôs, em Cesaréia, a sua Héxapla, ou versão de 6 colunas, em 228 d.C. As seis colunas estão dispostas da di­reita para a esquerda, assim:

1ª O texto hebraico

2ª O texto grego traduzido do hebraico

3ª A versão de Áqüila

4ª A versão de Símaco

5ª A Septuaginta

6ª A versão de Teodocião

Jerônimo consultou essa obra no Século IV. É também citada por Euzébio, que dela copiou o texto dos LXX e também correções e edições de outros tradutores que Orí-genes incluíra. Admite-se que a famosa Héxapla perdeu-se no saque dos sarracenos contra Cesaréia, em 653 d.C. Se ela tivesse chegado até nós, teríamos hoje três traduções gregas para comparar com a dos Setenta. Dela só se conhe­ce citações. O texto dos Setenta, da Héxapla, foi publicado em 1714 por Montfaucon. Euzébio, bispo de Cesaréia (263-340) o copiara.

c. Versões siríacas.

A partir de agora, entra nas versões o NT. Poucos anos após a fundação da Igreja havia igrejas espalhadas em re­giões remotas como Ásia Menor, Roma, Antioquia, etc, isso devido ao zelo inflamado pelo Espírito Santo nos cren­tes de então. Eles percorriam as estradas acima e abaixo contando a história de Jesus. A disseminação das Escritu­ras era por meio de cópias manuscritas. Os apóstolos de Je­sus ainda viviam quando as primeiras versões siríacas fo­ram feitas.

1) A Peshito. Significa simples. Foi feita diretamente do hebraico, pela Igreja Siríaca de Edessa, no Nordeste da Mesopotâmia, no século II. Abrange pela primeira vez o NT, com exceção de poucos livros. E ainda hoje a Bíblia do remanescente da Igreja Siríaca. Começou a ser feita quan­do ainda viviam os apóstolos, isto é, no século I, e foi con­cluída entre 150 a 200 d.C. Deu origem a outras versões, como seja, a árabe, a pérsica e a armênia. Esta versão ser­viu às igrejas do Oriente.

2) A versão Filoxênia. Traduzida por Filoxeno, em 508, bispo de Hierápolis na Ásia Menor. Compreende só o Novo Testamento.

d. Versões latinas.

O latim era a língua falada pelos romanos. Foi língua importantíssima, especialmente considerando-se que o úl­timo império mundial foi o romano. O latim foi implanta­do à medida que o império romano realizava suas conquis­tas. João, em seu Evangelho, diz-nos que o título posto sobre a cruz de Jesus estava escrito também em latim (Jo 19.20). Foram as seguintes as versões latinas:

1) A Antiga Versão Latina. É também chamada Versão Africana do Norte. Foi feita na África do Norte, possivel­mente em Cartago. Abrange ambos os Testamentos. Ser­viu às igrejas do Ocidente. Seu AT foi traduzido não do texto hebraico e sim do texto grego da Septuaginta. Foi concluída em 170 d.C. Era bem conhecida por Tertuliano, falecido em 220, e de Agostinho. Teve várias revisões. Dela restam uns 40 MSS.

2)  A ítala. Também conhecida por Vetus ítala (em la­tim). É mais propriamente uma revisão da Antiga Versão Latina. Foi preparada na Itália, na segunda metade do Sé­culo II. Abrange ambos os Testamentos.

3)  A Revisão de Jerônimo. É uma revisão da Antiga Versão Latina, feita por Jerônimo em 382-387 d.C. Jerôni­mo foi encarregado disso por Dâmaso, bispo de Roma. Nesse trabalho Jerônimo utilizou a Héxapla de Orígenes. Foi nesse tempo que a Septuaginta começou a cair em de­suso.

4)  A Vulgata. É uma nova versão da Bíblia por Jerôni­mo. O AT foi traduzido diretamente do hebraico, e do NT revisto. Em assuntos bíblicos, foi Jerônimo o homem mais sábio do seu tempo. Era também dotado de grande pieda­de e valor moral. Para realizar esta obra, ele instalou-se num mosteiro, em Belém. Baseou-se na Héxapla de Oríge­nes. A versão foi feita em 387-405 d.C. Tinha Jerônimo 60 anos quando iniciou a tarefa. Já antes, em Belém, fizera a revisão da Antiga Versão Latina.

A Vulgata foi a Bíblia da Igreja do Ocidente na Idade Média. Foi também ela o primeiro livro impresso após a invenção do prelo, saindo à luz em 1452, em Mogúncia, Alemanha. Devido à popularidade e difusão que teve, foi, no tempo de Gregório o Grande (604 d.C), denominada "Vulgata", do latim "vulgos" = povo, isto é, versão do po­vo, popular, corrente. Por mil anos a Vulgata foi a Bíblia de quase toda a Europa. Foi ela também a base de inúme­ras traduções para outras línguas. Foi decretada como a Bíblia oficial da Igreja Romana no Concilio de Trento, 4? Sessão, em 8 de abril de 1546; decreto este somente cum­prido em 1592 com a publicação de nova edição da Vulgata pelo Papa Clemente VIII. Jerônimo nasceu em 342 e fale­ceu em Belém, em 420.

e.  Outras versões orientais. Entre estas podemos mencionar:

1) As versões egípcias ou cópticas. São 3 as de primeira ordem. Foram feitas até o ano 500 d.C.

2) A Etíope, feita em 330, abrangendo ambos os Testa­mentos, com base na LXX.

3)  A Gótica, feita em 350, de ambos os Testamentos também, com base na LXX.

4)  A Armênia, feita no Século V. Base: os LXX.

5)  A Georgina, feita no Século V. Preparada por meio de cópias da versão Armênia.

6)  A Eslavônica, feita no Século IX. Base: os LXX. É ainda hoje usada pelos eslavos orientais e meridionais. Ambos os Testamentos. Foi preparada por dois irmãos missionários tessalonicenses à Bulgária e Morávia: Cirilo e Metódio.

Além destas versões orientais, há ainda as versões ára­bes, mas, de pouca importância para a crítica textual.

f.  Versões européias.

Após um intervalo de 300 anos, começaram no Século XII as traduções nas línguas da Europa, tais como o fran­cês (1487), o italiano (1432), o alemão (1534), o sueco (1541), o dinamarquês (1550), o holandês (1560), o espa­nhol (1602), o finlandês (1642), o português (1681), etc. Hoje em dia a Bíblia está traduzida não só em todas as principais línguas da Europa, como também em todas as principais do mundo.

Em muitos dos países acima mencionados, houve tra­dução das Escrituras em datas bem anteriores, mas em porções e com diminuta circulação. A base da maioria das traduções que acabamos de mencionar foi a Vulgata.

Das versões européias, vamos destacar apenas três, de­vido à sua importância, que são:

1) Versões inglesas. Foi a Bíblia que formou a mentali­dade do povo inglês e firmou a seriedade nacional. O povo inglês tem alta veneração pela Bíblia. Ela é tida e conside­rada como o sustentáculo daquele povo. Quando certo im­perador chinês perguntou à rainha Victória: - "Que fez a vossa nação tornar-se tão importante em todos os senti­dos?" Tomando uma Bíblia em suas mãos, respondeu a rainha: - "Este Livro, senhor".

A Inglaterra foi a primeira nação a ter a Bíblia em sua própria língua. Até então, as Escrituras estavam encerra­das em latim, desde muitos séculos; língua essa já desco­nhecida do povo em geral. Pequenas porções da Bíblia fo­ram traduzidas para o inglês a partir do Século VIII. Beda, falecido em 735, traduziu os quatro Evangelhos. Outras porções foram traduzidas até 1300 d.C.

Houve 13 principais versões em inglês, abrangendo a Inglaterra e os Estados Unidos, feitas entre 1380 e 1978. A primeira, de 1380, foi feita por John Wycliffe. Este foi um grande erudito e estudioso das Escrituras. Decidiu tradu­zir toda a Bíblia para a língua inglesa. O NT foi concluído em 1380. Até que ponto Wycliffe traduziu o AT é incerto, pois morreu em 1380, antes de completar a tarefa. Depois de morto, seu túmulo foi aberto por ordem do Papa; seu es­queleto foi queimado e as cinzas lançadas ao rio Swift. Seus auxiliares concluíram o trabalho após sua morte. É tradução da Vulgata. Tanto Wycliffe como seus auxiliares enfrentaram tenaz oposição. O prelo ainda não existia, e um escriba levava muitos meses para copiar uma Bíblia. Os exemplares eram caríssimos. Foi publicada em 1388 por Purvey, já com revisões. Purvey era o assistente de Wyclif­fe.

Pela ordem, o segundo tradutor inglês foi Tyndale. Es­tudou em Cambridge e Oxford. Conhecia a fundo o grego e demais línguas bíblicas. A Bíblia do Tyndale foi a primeira versão inglesa feita dos idiomas originais. Foi também a primeira Bíblia impressa em inglês. Tyndale enfrentou tal perseguição na Inglaterra, que foi obrigado a seguir para a Europa continental para poder continuar seu trabalho. Publicou ele o NT em Worms, Alemanha, em 1525. Devido à perseguição, os exemplares tiveram de entrar na Ingla­terra como contrabando. Lá, quando descobertos, eram queimados. Tyndale foi morto antes de concluir a tradução do AT. Foi estrangulado e depois queimado, em 6 de ou­tubro de 1536, pelos católico-romanos de Antuérpia. A in­fluência do seu monumental trabalho continua até hoje, porque a famosa Versão Autorizada, hoje em uso, é prati­camente uma revisão da de Tyndale.

As quatro principais versões recentes inglesas são:

a)  A Versão Autorizada ou Versão do Rei Tiago. Seis meses após Tiago subir ao trono da Inglaterra (1603) presi­diu uma conferência religiosa em Hampton, já em 1604. A conferência tinha por fim considerar as queixas dos purita­nos contra os anglicanos. Dessa conferência resultou a no­meação de 54 teólogos para prepararem uma nova versão da Bíblia (mas só 41 tomaram parte na obra). Foi publica­da em 1611. Continua até hoje sendo a Bíblia favorita dos povos de fala inglesa. Há 3 séculos vem ela mantendo o primeiro lugar entre as demais versões em inglês.

b) A Versão Revisada (English Reuised Version). Feita por um grupo de sábios ingleses e norte-americanos. O Novo Testamento foi publicado em 1881 e o AT em 1885. Tem grande vantagem sobre as Bíblias anteriores. É uma revisão da Versão Autorizada. No seu preparo foram utili­zados MSS a que os teólogos da Versão Autorizada não ti­veram acesso. Nela tomaram parte homens famosos como Sayce, Driver, Angus, Lightfoot, Westcott e outros douto­res da Bíblia.

c)  A Versão Revisada Americana (American Standard Version). Esta versão é o texto preferido pelos membros norte-americanos do Comitê que preparou a Versão Revi­sada de 1881-1885. Foi publicada em 1900 (NT) e 1901 (AT).

d)  A Versão Padrão Revisada (Revised Standard Ver­sion).^ mais uma nova versão do que revisão. Foi preparada nos Estados Unidos. Os primeiros passos para essa grande obra foram dados em 1929 quando foi nomeado o corpo de teólogos tradutores e mestres de reconhecida competência. Alguns deles foram Goodspeed, Moffat, Millar Burrows, Abright. Novos textos originais foram consultados. O NT foi publicado em 1946 e o AT em 1952. Há prós e contras quanto a esta versão. Não teve a popula­ridade que era de se esperar. As quatro versões mais recen­tes são: New English Bible (1970); Good News Bible (1976); Jerusalém Bible (1966), e New International (1978). Esta última é considerada a versão mais fiel publi­cada até hoje em língua inglesa.

2)  Versão alemã. Lutero preparou-a traduzindo dos ori­ginais. Concluiu-a em 1534. Houve antes outra versão deri­vada da Vulgata, de tradução literal, no Século XIV. Lute­ro executou o trabalho em plena Reforma, publicando a versão em 1522. Esta Bíblia foi de inestimável valor para o Movimento da Reforma. Foi tão bem feita que serviu de base para o alemão literário. Na Alemanha, a Bíblia é con­siderada como o começo da literatura alemã.

3)  Versões em português. Como aconteceu em relação a outros idiomas, a Bíblia não foi inicialmente traduzida por inteiro em português. D. Diniz, rei de Portugal (1279-1375), traduziu da Vulgata uma parte do livro de Gênesis. O Rei D. João I (1385-1433) ordenou a tradução dos Evan­gelhos. Esse mesmo rei traduziu os Salmos. Frei Bernardo traduziu o Evangelho de São Mateus no Século XV. Em 1495, a rainha Leonor, casada com D. João II, mandou publicar o livro "Vida de Cristo", uma espécie de harmo­nia dos Evangelhos. Em 1505, a mesma rainha mandou imprimir os Atos e Epístolas Universais.

Agora vejamos as traduções completas.

a) A Versão de Almeida.

João Ferreira d'Almeida foi ministro do Evangelho da Igreja Reformada Holandesa, em Batávia, então capital da ilha de Java, na Oceania. (Batávia é agora a moderna Dja-karta, capital da Indonésia) Java era então domínio holan­dês, conquistada aos portugueses. Almeida traduziu pri­meiro o Novo Testamento, terminando-o em 1670; em 1681 foi ele impresso em Amsterdam, Holanda, isto é, 100 anos antes da primeira edição católica da Bíblia - a de Figueire­do, 1781! Almeida traduziu o Antigo Testamento até Eze-quiel 48.21, quando então faleceu em 1691. Missionários seus amigos completaram a tradução, especialmente Ja-cob Opden Akker. Almeida fez sua tradução do grego e hebraico, línguas que estudou após abraçar o Evangelho. Utilizou também as versões holandesa (de 1637) e a espa­nhola (de Valera, 1602). Seu Antigo Testamento foi publi­cado em 1753, em Amsterdam. A Sociedade Bíblica Britâ­nica e Estrangeira começou a publicar o texto de Almeida em 1809, publicando a Bíblia completa pela primeira vez, em 1819. O texto de Almeida não era muito bom por ele ter deixado Portugal muito cedo e não ter cultura profunda.

O texto de Almeida foi revisado em 1894 e 1925. Em 1951, a Imprensa Bíblica Brasileira (organização batista independente) publicou a "Edição Revista e Corrigida", abreviadamente ARC.

Uma comissão de especialistas brasileiros trabalhando de 1945 a 1955 apresentou recentemente a "Edição Revista e Atualizada" de Almeida (ARA). É uma obra magnífica com linguagem qualificada e de melhor tradução. O NT foi publicado em 1951 e o AT em 1958. A publicação é da So­ciedade Bíblica do Brasil. A comissão revisora compôs-se de 30 elementos dos mais abalizados de várias denomina­ções. Foram membros, figuras como Sinésio Lira, A.C. Gonçalves, Crabtree, R.G. Bratcher, W. C. Taylor. Foi usado o texto grego de Nestle para o NT, e o hebraico de Letteris, para o AT. Fez-se o melhor possível. Há uma co­missão permanente de revisão acompanhando os progres­sos da crítica textual.

Alguns dados pessoais de Almeida. Nasceu em Torre de Tavares, em Portugal, em 1628. Emigrou para a Holanda, e daí seguiu para Java, achando-se aí em 1641. Converteu-se na Igreja Reformada Holandesa em 1642 por meio de um folheto que tratava sobre a "Diferença da Cristandade en­tre a Igreja Reformada e a Igreja Romana". Casou-se em 1651 com a filha de um pastor. Foi ordenado ao santo mi­nistério em 16 de outubro de 1656. Aprendeu grego e hebraico e começou a traduzir o Novo Testamento, tendo como base o "Textus Receptus" dos irmãos Elzevirs, segunda edição de 1633. Faleceu em 6 de agosto de 1691. A Igreja Católica, através do tribunal da Inquisição, quei­mou-o em estátua, em Gôa, antiga possessão portuguesa na índia. A Igreja Romana, nem mesmo agora, no chama­do Ecumenismo, se desculpou de tais coisas...

b)  A Versão de Figueiredo.

O padre Antônio Pereira de Figueiredo, português, le­vou 17 anos no preparo de sua versão. Publicou o NT em 1781 e o AT em 1790. É tradução da Vulgata. Foi um dos maiores latinistas do seu tempo. Desde 1821, a SBBE publica o texto de Figueiredo. O texto atual publicado pela SBBE é superior ao primitivo.

c) A Tradução Brasileira. Começou em 1904, por uma comissão de vultos do evangelismo brasileiro, nomeada pela SBA (Sociedade Bíblica Americana) e SBBE (Socie­dade Bíblica Britânica e Estrangeira). Entre outros, foram membros da comissão: Antônio Trajano, Eduardo Carlos Pereira e Hipólito de Oliveira Campos. O NT foi publicado em 1910 e o AT em 1917. A tradução é mui fiel ao original. Há muita rigidez na tradução. Falta-lhe a beleza de estilo e a segurança vernacular, porque a tradução é literal, e não à base da equivalência dinâmica, como se diz em lingüísti­ca.

d) A Versão de Rhoden. Consta só o NT. Era padre bra­sileiro de Santa Catarina, quando da tradução. Começou o trabalho como estudante, na Alemanha, em 1924-1927, concluindo-o no Brasil. Foi publicada em 1935. Este padre deixou a Igreja Romana. É versão muito usada para estudo comparativo e crítica textual. O texto grego usado foi o de Nestle.

e) A Versão de Matos Soares. Também padre brasilei­ro. Traduziu a Vulgata. Concluiu a tradução em 1932, mas só em 1946 foi publicada. É a Bíblia popular dos católico-romanos brasileiros. A versão carece de fidelidade. Como todo tradutor católico, nota-se em Matos Soares precon­ceitos e tendências, especialmente nos itálicos, que às ve­zes tem texto maior que o próprio original. O Papa é coni­vente nisto, conforme sua carta do Vaticano de 1932.

 

Alguns outros informes sobre a Bíblia em português.

• A Bíblia foi impressa a primeira vez no Brasil, em 1944, pela Imprensa Bíblica Brasileira.

• Entre as Bíblias mais populares do mundo está a em português. As outras são: a Vulgata, a de Lutero, e a Ver­são Autorizada (inglesa).

• Há no Brasil três entidades evangélicas publicadoras e distribuidoras de Bíblias. A primeira é a Imprensa Bíbli­ca Brasileira fundada em 1940. A segunda é a Sociedade Bíblica do Brasil fundada em 10-06-1948, resultante da fu­são das agências da SBA e SBBE que funcionavam no Bra­sil. A terceira é a Sociedade Bíblica Trinitariana, com sede em São Paulo.

• A primeira agência distribuidora de Bíblias no Brasil foi a da SBBE, em 1856; a segunda foi a da SBA, em 1876, ambas na cidade do Rio de Janeiro. Antes disso, vinham Bíblias para o Brasil através de comandantes de navios, que as entregavam a casas comerciais para revenda. A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo é a SBBE funda­da em 1804; a segunda é a SBA, fundada em 1816.

• Na distribuição de Bíblias em todo o mundo, o Brasil ocupa o segundo lugar!

 

IV. PARTICULARIDADES SOBRE O TEXTO BÍBLICO EM GERAL E A SUA TRADUÇÃO

1) As palavras em itálico. Não constam do original. Fo­ram introduzidas na tradução para completar o sentido do texto. Em português, a única versão protestante com itáli­cos é a ARC.

2)  O uso da margem. Muitas Bíblias tem na sua mar­gem em determinados trechos, a tradução literal do hebraico ou do grego. Às vezes, tem uma tradução diferen­te quando o caso é duvidoso. São muito úteis essas notas marginais.

3)  Datas impressas no texto. Muitas Bíblias antigas, em português, bem como noutras línguas, trazem datas impressas no texto. São datas da chamada "Cronologia Aceita" elaborada pelo arcebispo Ussher (anglicano) e in­seridas pela primeira vez no texto bíblico em 1701. Depois de Ussher, surgiram outras cronologias como a de Calmet,

Hales, etc. As investigações modernas e descobertas ar­queológicas têm alterado em muitos pontos a cronologia tradicional. A cronologia é terreno movediço, especialmen­te quanto aos primeiros milênios da História.

4)  O sumário dos capítulos. São preparados pelos edito­res, e nada tem com a inspiração e o texto original. As ex­ceções são algumas frases introdutórias de certos salmos, como o 4, 5, 6, 7, 8, 9, 22, 32, 45, 46, 53, 56, 69, 75, etc. Tais sumários nem sempre correspondem aos capítulos aos quais se referem. Há casos até negativos, como a parábola dos "Dez Talentos", quando não são dez; a "Parábola do Rico e Lázaro", quando não se trata de parábola, e assim por diante.

5)  A divisão do texto bíblico em capítulos e versículos. Não vem do original. A primeira Bíblia que trouxe essa di­visão foi a Vulgata, em 1555. Em muitos casos, a divisão tanto em capítulos como em versículos, quebra o sentido, biparte o texto e altera toda a linha do pensamento. Exem­plo de capítulos: Isaías 53, que devia começar em 52.13; João capítulo 8, devia começar em 7.53; 2 Rs 7 devia come­çar em 2 Rs 6.24; o capítulo 3 de Colossenses devia termi­nar 4.1; o capítulo 10 de Mateus devia começar em 9.35; Atos 5 devia começar em 4.36, etc.

Com a divisão em versículos, acontece a mesma coisa, por exemplo: Efésios 1.5 devia começar com as duas últi­mas palavras de 1.4; 1 Coríntios 2.9,10 devia ser um só versículo; o mesmo devia ocorrer com Jo 5.39,40. Na Epís­tola aos Romanos, bem como em Efésios, há diversos casos desses. Também a divisão em versículos não é a mesma em todas as versões; por exemplo Daniel 3.24-30 da ARC, cor­responde a 3.91-97 em Matos Soares; Lucas 20.30 na ARC, corresponde a Lucas 20.30,31 na "Tradução Brasileira". Marcos 9.49 deve ficar ligado ao versículo 48, e não como está na ARA, tendo a epígrafe entre os dois versículos.

6) A divisão do texto em parágrafos é muito útil para a sua compreensão. O Salmo 2, por exemplo, contém 5 pará­grafos, tendo cada um aplicação diferente (vv 1-3, 4-6, 7-9, 10-12a; 12b). A única versão em português que indica os parágrafos é a ARA, com um tipo negrito cada vez que isso ocorre. Há versões noutras línguas que dão tanta importância a essa divisão, que, para maior comodidade do lei­tor, imprimem o próprio sinal gráfico para parágrafo (mui­to parecido com um "P" invertido).

7) Traduções da Bíblia até 1984. A Bíblia toda ou em parte acha-se traduzida em 1795 línguas e dialetos.

Ainda restam cerca de 1.000 línguas em que ela precisa ser traduzida.

 

QUESTIONÁRIO

1.  Quais as línguas originais da Bíblia? E destas, quais as duas principais?

2.  Que outros nomes tem a língua hebraica, no Antigo Testamento?

3.  De quantas letras compõe-se o alfabeto hebraico?

4.  Que quer dizer "texto massorético"? Por que tomou esse nome?

5.  Em que época foram colocados na escrita hebraica os sinais vocálicos? Qual a principal finalidade disso?

6.  Quais os dois tipos existentes de texto hebraico das Es­crituras do AT?

7.  Que outros nomes tem a língua aramaica? Em que re­gião era falada?

8.  Cite as referências dos textos do AT escritos em ara­maico.

9.  Em que época e em que país aprenderam os judeus o aramaico?

10.  Que nome tomara o aramaico na Palestina nos dias de Jesus, como costumam dizer os eruditos?

11.  Quando o NT faz menção da língua hebraica, trata-se na realidade de que idioma?

12.  Em que tipo de grego foi escrito o Novo Testamento? A partir de quando surgiu tal dialeto?

13.  De quantas letras compõe-se o alfabeto grego?

14.  De que maneira o grego fez parte do preparo do mundo para o advento do Salvador?

15.  Que são manuscritos? Nos tratados bíblicos, quais as suas abreviaturas?

16.  Quais os dois materiais gráficos mais usados nos MSS bíblicos?

17.  Que nome tem o pergaminho preparado de modo espe­cial?

18.  Cite os tipos de MSS quanto ao formato? Descreva cada formato.

19.  Que é um MS uncial? E um cursivo? E um palimpses-to?

20.  Cite algumas razões do desaparecimento dos MSS bíblicos originais.

21.  Qual o MS completo e mais antigo do AT em hebraico?

22.  Quais as três Bíblias completas mais antigas em grego?

23.  Quando surgiu o primeiro texto impresso em hebraico, do AT? E do NT, em grego?

24.  Em que ano foram descobertos os famosos MSS do mar Morto?

25.  Como calculam os eruditos as datas dos MSS?

26.  Em que caracteres está escrito o texto do Pentateuco Samaritano?

27.  Que são Targuns?

28.  Que quer dizer Septuaginta? Por que essa versão to­mou este nome?

29.  Em que época e país foi preparada a Septuaginta?

30.  Que Igreja ainda usa a Septuaginta?

31.  Qual a primeira versão que inclui o Novo Testamento?

32.  Quem traduziu a Vulgata? em que ano e país foi con­cluída tal versão?

33.  Que relação especial tem a Vulgata com a Igreja Roma­na?

34.  Qual a mais estimada versão inglesa? Dê o ano e o nome dessa versão.

35.  Cite uma razão por que a Bíblia de Lutero tornou-se tão importante.

36.  Em que ano foi publicada a Bíblia de Almeida, NT e AT? (primeira vez)

37. Idem, a de Figueiredo?

38.  Quem era Almeida, e onde fez a tradução da Bíblia em português?

39.  Além de Almeida e Figueiredo, quais outras versões fo­ram mencionadas no estudo das traduções em portu­guês.

40.  Qual a primeira Bíblia que apareceu dividida em capí­tulos e versículos?

41.  Cite o número de traduções da Bíblia toda ou em parte, até o presente.

 

Os escribas dedicavam suas vidas ao estudo e transcrição dos textos sagrados

 

 

 

 

6

A seqüência da história bíblica

 

Esboço do Capítulo

 

I. A ÉPOCA PRÉ-ABRAÂMICA

1.  O Período Antediluviano

2. O Período do Dilúvio a Abraão

 

II. A ÉPOCA DE ISRAEL

1.  O Período dos Patriarcas

2.  O Período de Israel no Egito

3.  O Período de Israel no Deserto

4.  O Período da Conquista de Canaã

5.  O Período dos Juizes

6.  O Período da Monarquia

7.  O Período do Reino Dividido

8.  O Período do Cativeiro e Restauração

9.  O Período Interbíblico

a.  A Palestina sob os Persas

b.  A Palestina sob os Gregos

c.  A Palestina sob os Macabeus

d.  A Palestina sob os Romanos

 

III. A ÉPOCA DO CRISTIANISMO

1. O Período da Vida de Cristo

2. O Período da Igreja em Jerusalém

3. O Período da Igreja Missionária

 

Temos neste capítulo um resumo da marcha da histó­ria bíblica, de conformidade com o Antigo e o Novo Testa­mento, tendo em vista apenas o povo de Deus. A história dos demais povos bíblicos, e outros afins, pertence a outro estudo. Por povo de Deus queremos dizer os fiéis de Deus em todos os tempos, compreendendo judeus e gentios.

A necessidade de um estudo como este vem do fato de que os 66 livros do cânon sagrado não aparecem na Bíblia em ordem cronológica, e sim pela ordem dos assuntos, con­forme já mostramos em capítulo anterior. O conhecimento da seqüência histórica da Bíblia habilitará o estudante a orientar-se em qualquer lugar em que se encontre no texto sagrado. A seqüência histórica da Bíblia é como um fio atravessando um todo, situando em seus lugares as coisas, pessoas e fatos registrados; em o nosso caso, nas Escritu­ras.

O fim principal em vista, aqui, não é suprir o leitor de dados cronológicos. A cronologia que apresentamos é ape­nas o indispensável. É oportuno afirmar que toda cronolo­gia antiga é terreno movediço. Pesquisas e descobertas ar­queológicas levadas a efeito nos últimos anos demonstram que é preciso uma revisão total nas datas até agora aceitas, especialmente aquelas dos primeiros milênios da história humana, abarcando as principais e primitivas civilizações como a babilônica, acadiana, egípcia, etc. As evidências arqueológicas conduzem a uma redução nas atuais datas. As atuais e mais credenciadas autoridades nesse campo, declaram, por exemplo, que a primitiva civilização babilô­nica deve recuar para 2.500 a.C. em vez de 3.500, como vem sendo divulgado até agora. Uma tão importante revi­são de datas não pode nem deve ser feita às pressas.

Os principais luminares no assunto afirmam que é pre­ciso esperar mais algum tempo até que se obtenha uma confirmação da exatidão das novas datas que já estão apa­recendo em muitos livros, revistas e outras publicações do 100 gênero. Há historiadores apressados que acham que tudo deve ser mudado agora mesmo, mas, considerando a im­portância do assunto (a seqüência da história bíblica), é preciso reserva e cautela, porque as novas datas modifica­rão quase todo o sistema até agora aceito. Acresce ainda o fato de que muitas das novas datas estão sendo postas em dúvida devido à má tradução de placas, tijolos e demais achados arqueológicos multisseculares.

Devido às circunstâncias acima expostas, preferimos seguir a tradicional "cronologia aceita" com algumas va­riantes novas que já não padecem contestação. As poucas datas que aparecem neste capítulo, poderão estar altera­das noutros livros ora em circulação, mas o melhor é aguardar confirmação definitiva dos fatos, do que apresen­tar uma coisa em dúvida. Muitas das novas datas, quando postas na corrente de dados cronológicos, ou colidem com fatos da mesma época ou alteram a ordem deles.

Obras de renome com novos dados cronológicos estão sendo lançadas na outra América e na Inglaterra. Certa­mente teremos tais obras traduzidas entre nós posterior­mente.

Procuramos tornar este capítulo o mais inteligível possível; reconhecemos, contudo, que, se o leitor tiver um razoável conhecimento prévio de história antiga, isso o ajudará a compreender a seqüência que vai ser apresenta­da. Caso não tenha, aconselhamos a ler o capítulo todo mais uma vez, e consultar obras de vulto no assunto.

Nossas Bíblias com datas impressas vêm de 1701. Tais datas são da "Cronologia Aceita", elaborada pelo arcebis­po Ussher, em 1650, época essa que não se dispunha dos modernos meios, recursos e investigações científicas como as atuais. O sistema de Ussher está obsoleto em grande parte, todavia não pode ser posto de lado até que apareça uma revisão com indiscutível veracidade.

Portanto, as datas que aparecem aqui, ao lado da His­tória não têm a pretensão de precisão. Apenas integram a seqüência histórica, demarcando-a.

Para efeito de estudo, a seqüência histórica do povo de Deus como a temos na Bíblia, contém três grandes épocas, que são:

I. A ÉPOCA PRÊ-ABRAÂMICA. Da criação de Adão à chamada de Abraão. 4000-2000 a.C. Dois mil anos. (Números redondos para facilitar a memorização).

II. A ÉPOCA DE ISRAEL. Da chamada de Abraão ao ad­vento de Cristo. 2000-5 a.C. Dois mil anos.

III. A ÉPOCA DO CRISTIANISMO. Do advento de Cristo à morte do apóstolo João: 5 a.C-100 d.C. Trataremos agora de cada uma destas grandes épocas da História Bíblica, divididas em períodos. Lembremo-nos de que é um resumo que vai ser apresentado. Só os fatos marcantes e salientes aparecem; os pormenores não.

 

I. A ÉPOCA PRÉ-ABRAÀMICA

Esta época abrange dois períodos históricos: 1. O Período Antediluuiano, que vai de Adão ao Dilú­vio; de 4004-2348 a.C. - 1656 anos. É descrito no livro de Gênesis até o capítulo 6 e contém o relato da origem de to­das as coisas. O homem é o ápice da Criação. Feito do pó da terra, e recebendo também o espírito de vida outorgado por Deus. Teve assim duas naturezas: uma terrena para pô-lo em contacto com o material, e outra celestial para comunhão com Deus. A Bíblia declara nos capítulos acima que o homem foi criado, não evoluído através de estágios sucessivos. Adão, ao ser criado, não se comportava como um nenezinho ou como um silvícola, e sim como um ho­mem adulto e de conhecimento e inteligência extraordiná­rios.

A civilização antediluviana foi adiantadíssima em inte­lectualidade, artes e profissões, coisas comprovadas pela Bíblia e a Ciência, especialmente o ramo arqueológico. Adão recebeu a revelação diretamente de Deus. A entrada do pecado na raça humana reduziu profundamente a capa­cidade e a possibilidade do homem em todos os sentidos. Assim sendo, o homem em si mesmo não tem evoluído ou progredido, e sim regredido. O homem só evolui quando volta à sua origem, sua causa primária - DEUS. O homem se embruteceu à medida que se afastou de Deus. Romanos, capítulo 1, conta esta triste história.

O Período Antediluviano ocorreu no Éden e suas proxi­midades, no Oriente. Trata-se da região primitivamente chamada Sinar, depois Suméria e Babilônia. Essa região situa-se exatamente na confluência de três grandes conti­nentes: Europa, Ásia e África. (Veja isto num mapa-múndi ou num planisfério.)

Por quanto tempo Adão viveu no Éden antes de pecar só Deus sabe. Entendemos que seus 130 anos mencionados em Gênesis 5.3 tenham decorrido após a queda. O tempo que ele viveu como solteiro não é revelado. Talvez sua vida antes da queda fosse tão sublime, que não fosse lícito reve­lar seus pormenores à raça posteriormente caída. Talvez não compreendessem, pois a esfera em que vivia antes de pecar não tinha comparação com a nossa. O apóstolo Pau­lo teve revelações divinas que ao mortal não era lícito reve­lar, está escrito.

O vale do Eufrates é, pois, o berço da raça humana. Nessa região, Deus pôs o homem na terra. Daí surgiram e partiram as primitivas civilizações. O Jardim do Éden, de acordo com eminentes autoridades e inferências arqueoló­gicas, ficava em Eridu, 19 km ao sul de Ur, na antiga Si­nar. O Éden foi o cenário do começo da história bíblica. Aí perto viveram também Noé e Abraão. As primeiras civili­zações da região sumeriana como as de Cis, Lagás, Ereque, Ur, Acade (o mesmo que Sipar), Calné (o mesmo que Ni-pur), Larsa, Fará, ficavam todas em torno de Eridu. (Veja isso num mapa das terras bíblicas primitivas.) Eram cida-des-reinos. Foram povos altamente adiantados. Algumas de suas cidades constam de Gênesis 10.10-12. Todo o capí­tulo 10 de Gênesis é altamente importante para o estudo dessas civilizações primitivas.

Fará é o local tradicional da residência de Noé. Após a queda de Adão, Deus mesmo mostrou-lhe como aproxi­mar-se dele para com Ele ter comunhão e adoração. Adão viu que um animal foi morto para que sua pele cobrisse a sua nudez e a de Eva, por causa da sua transgressão. Cer­tamente ele ensinou a seus filhos o caminho da comunhão com Deus através dos sacrifícios. Abel fez o mesmo. Noé também. Os demais de vida piedosa que se seguiram, sem dúvida, agiram do mesmo modo. Esses sacrifícios de animais inocentes: a) Testemunhavam que "o salário do pe­cado é a morte" (Rm 6.23). b) Ensinavam a sublime dou­trina da substituição, tão bem explicada na Epístola aos Romanos, c) Apontavam para o Senhor Jesus Cristo, "o Cordeiro morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8). Como homens de Deus, salientam-se neste período his­tórico: Abel, Sete, Noé e Enoque. A longevidade extraordi­nária registrada nesse tempo tem sua explicação em fato­res como: a) As conseqüências físicas e espirituais do peca­do, que resultam em enfermidades e morte na raça huma­na, tinham apenas começado o seu curso, b) A maldição lançada sobre a terra devido à queda do homem, também, tinha apenas iniciado seus efeitos, c) As condições climaté-ricas eram outras, d) A capacidade da terra na produção de alimentos era também superior, e) A longevidade tam­bém seria necessária para o povoamento da terra, f) Temos ainda a considerar a misericórdia de Deus para com a raça humana incipiente.

No Milênio, quando as condições de vida e o meio am­biente serão maravilhosos, devido à influência pessoal de Cristo, a vida humana será outra vez prolongada.

2. Do Dilúvio a Abraão. De 2348-1921 - 427 anos. O Di­lúvio ocorreu provavelmente em 2348 a.C. Muitas cidades antediluvianas foram reconstruídas como a arqueologia tem provado. A arca de Noé repousou num dos montes da cordilheira do Ararate, perto das cabeceiras do Eufrates. (Veja isso num mapa.) Mas Noé, após o Dilúvio, retornou à sua primitiva terra - Sinar, mais tarde chamada Babilô­nia (Gn 11.2).

Cerca de 100 anos após o Dilúvio, deu-se a dispersão das raças mediante o juízo divino da confusão das línguas (Gn 11), para obrigar os povos a cumprir o que Deus deter­minara sobre o povoamento da terra (Gn 9.1,7). Ninrode, contrariando o plano divino, constituiu uma federação de cidades-reinos, tornando-se, assim, o fundador do imperia­lismo. Era isso um plano de Satanás para neutralizar a or­dem divina. Coisa idêntica acontecerá durante a Grande Tribulação, quando o Inimigo unificará as nações contra o Senhor Jesus Cristo (Ap 16.14; 19.19). irvi

Na dispersão provocada pelas línguas, os semitas, des­cendentes de Noé, fixaram-se nos vales do Tigre, Eufrates e regiões próximas do Leste da Ásia. Dos semitas, surgiram grandes civilizações como os elamitas, os assírios, os cal-deus, os arameus ou sírios (estes depois mesclaram-se com os poderosos mitânios), os árabes, e os hebreus. A esta al­tura dos fatos, é oportuno observar que antes da dispersão das raças, Noé, tomado de espírito profético, descreveu de antemão o futuro das três grandes raças-troncos originais, isto é, semitas, camitas ejafetitas (Gn 9.25-27). Tal profe­cia vem cumprindo-se admiravelmente através dos sécu­los. Segundo essa profecia, o papel dos semitas seria mais religioso do que secular. ("E habite Ele nas tendas de Sem", v 27). Isto cumpriu-se de modo cabal em Cristo, se­gundo Mateus 1.1 e Hebreus 7.14.

Os camitas (descendentes de Cão) ocuparam a Arábia Meridional, o Leste do Mediterrâneo, o Sul do Eufrates e o Leste da Ásia. Ocuparam também a África. A princípio, os camitas evoluíram muito. Deram origem a povos admirá­veis de que até hoje orgulha-se a História, como: os egíp­cios, os babilônios (primitivos), os turânios (povos da Ásia Central), os sumérios, os mitânios, os hititãs, os amorreus e os indus (primitivos). Os hititas e os amorreus foram dos povos mais poderosos que já existiram. A história dos hiti­tas está sendo desenterrada agora pela pá do arqueólogo. Os não menos importantes fenícios eram também camitas. As primeiras monarquias do Leste da Ásia foram camitas, inclusive o reino da Acádia, na terra de Sinar.

Olhai agora o reverso da História. Os primitivos babilô­nios, camitas, foram subjugados pelos semitas e jafetitãs. Os egípcios foram vencidos pelos hicsos, e depois dura­mente castigados com pragas. Canaã foi conquistada pelos hebreus sob Josué. Os notáveis fenícios, especialmente os de Cartago, foram derrotados pelos romanos jafetitas. To­dos os demais povos originários de Cão foram vencidos ou absorvidos pelos semitas e jafetitas, restando presente­mente em grande escala apenas a África, cujo povo viveu até há pouco no subdesenvolvimento, na escravidão, e for­necendo escravos. Grande parte dos povos da Ásia Orien­tal é originariamente camita. Sofrem de retardo, com exceção do Japão, depois de haver recebido a influência e cultura ocidental. Portanto, o progresso dos jafetitas está na profecia. É interessante notar que a maldição foi profe­rida contra a descendência de Cão, quando ele é que foi o transgressor. Talvez a maldição não tenha caído sobre Cão, por ser ele crente: caiu sobre a sua descendência in­fiel.

Vejamos agora os jafetitas. Conforme a profecia, Jafé seria engrandecido. E assim vem acontecendo através dos séculos. Povoaram eles parte da Ásia, originando as raças arianas e indianas, as quais procederam do Cáucaso; os persas (donde procedem os atuais iranianos e os medos), povoaram o Ocidente, isto é, a Europa, compreendendo os gregos, os celtas, os iberos, os germanos e os russos. De con­formidade com a profecia mencionada inicialmente, de­senvolveram as artes, ciências e a indústria. São atual­mente os detentores da cultura mundial. Os povos ameri­canos descendem deles. Não há região do globo onde os ja­fetitas não dominem ou não influam duma maneira ou de outra. Este ligeiro exemplo é um tesouro de história bíbli­ca, como acabamos de ver. E, como livro de história, a Bíblia não tem comparação. Se não fosse a Bíblia, estaría­mos muito longe dos fatos atuais que são o orgulho da civi­lização moderna.

O capítulo 10 de Gênesis apresenta uma distribuição pormenorizada das raças após o Dilúvio. Ninrode, camita, encabeçou a primeira civilização pós-diluviana. Fundou a cidade-reino de Babel, e em seguida outras mais, mencio­nadas em Gênesis 10.9-12. Uma dessas cidades, Acabe, tornou-se importantíssima. Dela saiu o famoso guerreiro Sargão I, de admiração universal. Os sumérios e os acádios foram os povos mais importantes logo após o Dilúvio. De­pois os acádios suplantaram os sumérios e imperaram em Ur. A família de Abraão, apesar de ser semita, vivia em Ur, que nesse tempo conquistara a liderança do mundo como capital da Suméria. Abraão deve ter nascido em Ur em 1996 a.C. Esse reino dominava do golfo Pérsico ao Me­diterrâneo. Era rei nessa época o famoso Hamurabi, da di­nastia acadiana, identificado como o Anrafel de Gênesis 14.1. Seu célebre código de leis, gravado em pedra, foi encontrado em 1902, em Susa. Ur foi grande centro literário. Depois que Abraão partiu de Ur, Babilônia assumiu a dianteira.

- Como Abraão veio conhecer a Deus em meio a tanta idolatria? (Js 24.2). Está confirmado pela História e pela Arqueologia que a religião dos povos primitivos era mono-teísta (Rm 1.20). Além disso, Sem foi contemporâneo de Abraão durante 150 anos, conforme capítulos 5 e 11 de Gê­nesis, e pode ter-lhe transmitido diretamente a revelação divina. Deus também podia revelar-se diretamente a ele, pois é soberano, inclusive na chamada (Ver Marcos 3.13).

Este período que acabamos de estudar é relatado em Gênesis, capítulos 6-11.

 

II. A ÉPOCA DE ISRAEL

Israel é o centro da história bíblica: A história bíblica de Israel está dividida em 9 períodos.

1. Período Patriarcal, que vai de Abraão a José, e de Canaã ao Egito. Tempo: 1921-1635 a.C. - ano da morte de José. É descrito em Gênesis capítulos 12-50. É com Abraão que começa a história de Israel como povo eleito. É ele o pai da raça hebréia (SI 105.6; Jo 8.56). Em Ur, Deus cha­ma Abraão para fundar uma nação escolhida, para, por meio dela, executar o plano de redenção da raça humana. Abraão segue para Canaã, parando em Harã. Ali encontra os mitânios, povo influente na época, identificado como os arameus.

Abraão era homem de grandes recursos, um estadista relacionado com reis e demais pessoas de grande projeção e influência. Devemos conhecer mais de perto este grande herói da fé. Ninguém vá pensar que ele era uma figura gro­tesca de beduíno, com cajado na mão, saco no ombro, guiando um rebanho de gado, como se vê em muitas gravu­ras. O quadro desenhado na Bíblia é outro bem diferente. O manual de Geofrafia Bíblica de A. Luce, registra que nas escavações de Ur foi descoberto um contrato de venda de camelos com a firma de Abraão. O Patriarca conheceu o que o mundo tinha de grande em seus dias.

Quando Abraão chegou a Canaã, a terra estava ocupa­da por nações excessivamente ímpias, corrompidas e idola­tras. Teria de ser conquistada. Em Gênesis, capítulo 15, Deus revela o plano de tudo a Abraão, e depois, por meio de José, enviado ao Egito, dá cumprimento a esse plano. O Faraó que elevou José deve ter sido Apepi II, da 16? dinas­tia. José chega a ser Primeiro Ministro e chama todos os descendentes de Abraão ao Egito, onde inicia uma fase de grande desenvolvimento às custas daquele país... Os cami­nhos de Deus são maravilhosos! O Egito era então um im­pério universal, governado por uma dinastia de reis semitas, da mesma origem que José - os hicsos. Os israelitas são bem recebidos no Egito, e ocupam o melhor da terra em Gósen. Os hicsos eram tribos asiáticas, notadamente semitas, que dominaram o Egito durante o tempo em que os israelitas permaneceram lá. Após a morte de José, os naturais retomaram o poder, e começou a perseguição con­tra os israelitas. Isso tinha por finalidade retemperar o ca­ráter do povo para as agruras e, ao mesmo tempo, evitar que ele se misturasse com os egípcios. Os líderes espiri­tuais do período patriarcal são Abraão, Isaque, Jacó e José.

2. Israel no Egito. Este período vai da morte de José ao Êxodo, isto é, de 1635-1491. Abrange o tempo da escravi­dão no Egito. Estritamente falando, a estada de Israel no Egito inicia-se com a ida dos irmãos de José para compra­rem mantimento (Gn 42). O período acha-se descrito nos primeiros 12 capítulos do livro de Êxodo. As datas aqui mencionadas estão alteradas, conforme o novo sistema cronológico já aludido. A ciência arqueológica mostra que a cidade de Jerico caiu sob os israelitas em 1440 a.C. Ora, considerando que os israelitas levaram 40 anos no deserto, o êxodo teria ocorrido em 1400 a.C. Muitos eruditos de re­nome dão realmente esta data para o êxodo dos judeus. Entretanto, as mais recentes pesquisas científicas, ainda incompletas, levadas a efeito nas terras bíblicas, levam os arqueólogos a fixar a data do êxodo entre 1300 e 1250 a.C. Outros fixam a data em 1290 a.C. Aguardemos a conclusão dos estudos e pesquisas em processamento, que certamen­te estabelecerão os fatos em bases sólidas. Os cientistas nunca param as pesquisas nesse sentido.

Após a morte de José (1635?), os israelitas ainda tive­ram uns 60 anos de bonança antes de começar a escravi­dão. Esse tempo jaz entre os vv 7 e 8 do capítulo 1 do livro de Êxodo. O rei que não conhecia José (Êx 1.8) é apontado por todos os orientalistas como sendo Amósis I, da 18ª di­nastia, príncipe tebano. Daí ao êxodo (1491) há quase 100 anos - tempo que durou a escravidão, o tempo de aflição. Quanto ao tempo total de permanência de Israel no Egito segundo Êxodo 12.40,41, é discutido no capítulo "Cronolo­gia". Ao findar a escravidão, a nação estava pronta para a conquista de Canaã.

No momento preciso, Deus tirou seu povo do Egito por meio de Moisés, homem que Ele mesmo preparara no de­serto, nos 40 anos que antecedem o êxodo. Dos seus 120 anos, 40 foram vividos no palácio de Faraó (exceto os anos que viveu com seus pais antes de ser entregue à filha de Faraó). Durante estes primeiros 40 anos, ele recebeu ins­trução universitária (At 7.22). Os outros 40 anos foram passados no deserto, onde Deus se revelou a ele, e o prepa­rou para os 40 anos finais, nos quais seria o condutor do seu povo. Foi um dos maiores homens da História. Um israeli­ta preparado na corte mais adiantada do mundo de então. Ele tanto soube viver no palácio, como no deserto, o que muito nos ensina.

3. Israel no Deserto. Este período vai do êxodo ao últi­mo acampamento de Israel em Sitim, nas planícies de Moabe (Nm 22.1; 33.48,49; Js 2.1). Tempo: 1491-1451-40 anos. É descrito nos livros de Êxodo a Deuteronômio. O Egito, estava agora sendo governado pelo seu próprio povo. Os hicsos foram expulsos, como já declaramos, por Amósis I. É consenso quase geral entre os doutos na matéria que o Faraó da opressão dos israelitas foi TOTMÉS III (1501-1447 a.O), casado com sua meio-irmã, a rainha Hatchep-sute, filha de Totmés I. Esta rainha foi a primeira grande mulher da História. Totmés III foi um dos maiores reis do Egito. Seu túmulo está em Tebas e sua múmia no museu do Cairo. Há também outro número de sábios que apon­tam o Faraó da opressão como sendo Ramsés II, outro dos mais famosos Faraós do Egito, o qual sucedeu a Totmés

 

III. Se foi Ramsés II, então a princesa que salvou o pequeno Moisés foi Termútis, a esposa de Ramsés e filha de Seti I.

Quanto ao Faraó do êxodo, o maior peso de conclusões recai sobre AMENOTEPE II (1447-1420). Outro também muito referido é o Faraó MERNEPTA II, filho de Ramsés II.

Este terceiro período da época de Israel tem lugar no deserto, entre a terra de Gósen, no Baixo Egito e o país de Canaã. A rota seguida foi através do Sul e do Leste da península do Sinai e dos reinos de Edom, Moabe e Seom, na terra dos amorreus ou amoritas, reinos situados ao sul e a leste de Canaã. (Veja o mapa correspondente.)

Neste período, Israel torna-se um estado. A Lei foi pro­mulgada, expressando o caráter santo de Deus, e regulan­do o culto religioso e o governo nacional. Os sacrifícios de animais, já observados desde o albor da história, são ceri-moniosamente instituídos, apontando sempre para Cristo como a perfeita expiação do pecado. O tabernáculo é le­vantado e consagrado, e seus oficiais - os sacerdotes - tam­bém. O tabernáculo gravitava em torno da arca santa que representava a presença de Jeová (Êx 25.22). A Lei veio 430 anos após Abraão, em 1921 a.C. (Gl 3.17).

A Lei, como pacto com Israel, foi abolida (2 Co 3.14). Dela permanecem os princípios morais que são eternos, e são repetidos no NT. O sábado, por exemplo, como dia fixo de descanso, pertencia ao antigo pacto (Éx 31.15-17) e não vem repetido em o Novo Testamento.

A razão de aparecerem na Lei menções de atos indecen­tes é devido às práticas imorais e demoníacas das nações que seriam vizinhas de Israel. Eram medidas preventivas da parte de Deus. Tenhamos isto em mente, pois a Palavra de Deus é pura (SI 119.140). A arqueologia está desenter­rando coisas dos povos cananeus daqueles dias que nos fa­zem corar de vergonha, e também ficar horrorizados, como seja, a prostituição religiosa compulsória, e prática do in­cesto e os sacrifícios de criancinhas.

Após a morte dos primogênitos egípcios, tanto Faraó como o povo em geral estavam dispostos a deixar os israeli­tas saírem do Egito. E saíram mesmo, levando grandes ri­quezas, conforme a promessa de Deus a Abraão em Gênesis 15.14. Verifique o cumprimento disso em Êxodo 3.21,22; 11.2,3; 12.35,36; Salmo 105.37. Que cena: os egíp­cios enterrando seus primogênitos e os israelitas saindo ri­cos!

O ponto de partida foi Ramessés, que, além de ser cida­de, era também uma região (Êx 12.37).

Não era do plano de Deus que Israel peregrinasse qua­renta anos no deserto. Este tempo todo decorrido foi para que morressem os murmuradores que tentaram ao Senhor (Nm caps. 13; 14). Por ocasião das passagens acima, Deus declarou que todos os israelitas de 20 anos para cima, mor­reriam no deserto: não entrariam na Terra da Promessa (Nm 32.8-15). Trinta e oito anos estiveram dando voltas...

Ora, Israel, três meses após sair do Egito, acha-se no Sinai (Êx 19.1). Aí permaneceram 11 meses, atingindo, as­sim, o segundo ano de viagem (Nm 10.11). Partiram do Si­nai, e, após Tabera (Nm 11.3), Quibrote-Hataavá (Nm 11.34,35), chegaram a Cades, no Deserto de Para, no mes­mo ano - o segundo (Nm 13.26). Tabera foi o local onde o povo provocou a ira do Senhor (Dt 9.22). O "Povo misto" que saíra do Egito acompanhando os israelitas (Êx 12.38), começou a chorar pedindo "carne" (Nm 11.4-9). Aquele povo misto representa hoje os membros da igreja não-convertidos. São apenas "acompanhantes". Esses foram uma fonte de perturbação para Israel durante toda a jorna­da. Hoje eles dão o mesmo trabalho nas igrejas. São car­nais, mundanos, desobedientes, recalcitrantes. Por baixo da capa de cristão, abrigam uma natureza tipicamente "egípcia".

Trinta e oito anos depois de Cades, Israel chega ao mes­mo local! (Nm 20.1; Dt 2.14). Trinta e oito anos peregri­nando, porém, dando voltas, sem fazer progresso! O leitor tem tido experiências assim? (Cades tem também outros nomes como: Cades-Barnéia, Para, Sin, Ritma. (Ver Nú­meros 33 e outras passagens correlatas.)

Durante 38 anos, Israel, em vez de caminhar para Ca-naã, estava caminhando para morrer (Nm 14.26-35; 32.11-15). É uma infelicidade o pecado de murmuração ou male-dicência. Murmurar é falar mal às escondidas (Nm 14.27). Este foi o grande pecado de Israel no deserto (1 Co 10.10).

Murmuração e maledicência são uma mesma coisa; mexe­rico não (Lv 19.16); este é levar e trazer fatos, com inten­ções malévolas, mesmo que sejam verídicos.

Os grandes líderes espirituais nacionais deste período são, do lado civil: Moisés e Josué. Do lado religioso: Arão e Eleazar.

O período termina com a morte de Moisés e com Israel acampado nas campinas de Moabe, a leste do Jordão, e ao norte do mar Morto (Nm 33.49).

Moisés, antes de morrer, conquistou a região a leste do Jordão, do mar Morto ao monte Hermom (Dt 3.8), distri-buindo-a da seguinte maneira: o reino amorita, governado por Seon, com sua capital em Hesbom, Moisés deu a parte Sul a Rúben, e a parte Norte - a região chamada Gileade -a Gade. O reino de Basã, ao norte, governado por Ogue, com a capital em Astarote, Moisés o deu à metade da tribo de Manasses, bem perto de Gileade.

4. A conquista de Canaã. Tempo: 1451-1444 - 7 anos. É descrito no livro de Josué. Este é o primeiro período de Is­rael em sua própria terra.

Agora, já sob o comando de Josué, Israel cruza o rio Jordão e acampa-se em Gilgal, junto a esse rio. Gilgal ficou sendo a base de operações de Israel durante toda a con­quista. Esta teve três fases: Sul, Centro e Norte.

Mais ou menos na metade da conquista, o tabernáculo é armado em Silo (Js 18.1), e aí fica a arca até o tempo dos Juizes. A conquista não foi bem sucedida porque os israeli­tas não destruíram totalmente os povos vizinhos, como lhes tinha sido ordenado. Por causa desta fraqueza e com­placência, tornaram-se impotentes para conquistar toda a terra prometida. A terra tinha sido prometida, mas era preciso ser conquistada palmo a palmo. O mesmo acontece hoje. A "terra prometida" é a obra a ser feita, bem como as bênçãos prometidas. Tem você, leitor, conquistado toda a "terra prometida"? (1 Co 3.22).

Deus, reiteradas vezes, os avisara acerca desses povos pagãos, que deveriam destruí-los. (Ler Levítico 18; 20.1-23; Números 33.50-55; Deuteronômio 7.1-5; 18.9-14 para saber o porquê da ordem divina tão aparentemente estra­nha e tão criticada pelos inimigos da verdade.) A prostituicão, a idolatria e o espiritismo eram pecados entranhados nos povos cananeus.

Enquanto Israel obedeceu, conquistou, mas quando tergiversou, tornou-se impotente. As divindades idolátri-cas que os arqueólogos continuam desenterrando represen­tam uma moral baixíssima. Apresentam aspectos alta­mente indecentes. - Será de estranhar que Deus ordenasse o extermínio desse tumor purulento - os povos cananeus, vizinhos de Israel? Os arqueólogos e demais cientistas que se defrontam em primeira mão com os fatos imorais, desu­manos e satânicos, ficam admirados porque Deus não os destruíra há mais tempo; porque os suportara tanto tem­po. Toda a terra de Canaã era uma Sodoma. O mesmo fato está ocorrendo perante os nossos olhos no mundo hodierno.

Ora, por meio de Israel, Deus estava estabelecendo uma nação sua, preparando, assim, o caminho para a vin­da de Cristo, o qual, milênios depois veio dessa nação. A destruição dos cananeus visava preservar Israel da idola­tria e de práticas vergonhosas que trariam sua ruína. Tam­bém Deus queria implantar o princípio bíblico de que há um só Deus, santo, justo e poderoso. (Predominava o poli-teísmo entre os cananeus.)

A tragédia é que a conquista não foi total, e isto resul­tou em duros castigos e sofrimentos para Israel (Ler Juizes 1.27-36; 2.1-5). Uma síntese do resultado desta falha de Is­rael está em Juizes 3.1-6. Muita terra ficou para ser con­quistada (Js 13.1). Muitos crentes sabem que há "territó­rio" em si que não está em poder do Senhor, e isto lhes traz sérios embaraços, empecilhos e problemas. (Ler todo o capítulo 23 de Josué.)

O livro de Josué vai até o ano da sua morte: 1425 a.C, cobrindo, assim, um período de 23 anos.

5. Os Juizes. Tempo: 1425-1095 a.C. - mais de 300 anos (Jz 11.26). Este período vai da morte de Josué ao fim do governo de Samuel. Livros do período: Juizes, Rute e 1 Sa­muel capítulos 1-9. Foi um tempo de apostasia em Israel. A fotografia daquele povo está em Juizes 2.10b. Israel não resistiu aos influxos dos cultos e costumes cananeus. Por toda parte havia um novo deus e um novo culto. Os hebreus precisavam estar em estreito contato com Deus para se manterem acima das influências nocivas ao seu re­dor, o que não aconteceu. Isto deve preocupar nossa aten­ção hoje em dia, pois o mesmo fato procura ter lugar atual­mente nas igrejas. Enquanto Israel andou com Deus, sujei­tou seus inimigos. Quando misturou-se com eles, perdeu a força: ficou estacionário, impotente.

O centro religioso nacional ficou nesse tempo em Silo. Temos então o governo dos juizes. Essa forma de governo diz-se que era teocrática, isto é, Deus era o governante di­reto da nação, porém, o povo não levava Deus muito a sé­rio. Era obstinado e ingrato (SI 106, todo). Samuel, o últi­mo juiz, foi também sacerdote e profeta (1 Sm 3.20; At 3.24). Outros profetas deste período: dois anônimos (Jz 6.8-10 e 1 Sm 2.27-36) e Débora, mulher (Jz 4.4.)

O Período dos Juizes foi marcado por anarquia, guerra civil, idolatria, invasões estrangeiras e opressões. O livro de Juizes termina afirmando laconicamente que "cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos" (Jz 21.25). O maior líder espiritual do período foi Samuel, que era juiz, sacer­dote e profeta (1 Sm 3.20; 7.9,15).

6. Monarquia. Tempo: 1095-975 a.C. - 120 anos. Este período abrange os reinados de Saul, Davi e Salomão. Li­vros: 1 Samuel 9 a 1 Reis 12. Também 1 Crônicas 10 a 2 Crônicas 10. É o período áureo e esplendo roso de Israel. Saul teve como capital a cidade de Gibeá (1 Sm 10.26). Davi, no seu reinado, conquistou Jerusalém das mãos dos jebuseus e fê-la sua capital (2 Sm 5.6-10). A primeira capi­tal de Davi foi Hebrom (2 Sm 5.4,5). Deus fez aliança com Davi, declarando-lhe que jamais lhe faltaria descendente sobre o trono de Israel (2 Sm 7.16), o que se cumpriu no Se­nhor Jesus Cristo. Jesus é descendente de Davi (Mt 1.1).

O templo de Deus é construído no reinado de Salomão. Edifício imponente e magnificente. Sua planta Deus mes­mo a revelou a Davi (1 Cr 28.19). Assim acontecera com o tabernáculo no tempo de Moisés (Êx 25.9). Conforme a descrição bíblica, o valor do templo é calculado moderna­mente pelos estudiosos da Bíblia em mais de 2 bilhões de dólares. Era voltado para o Oriente. Foi construído por 30 mil israelitas e 150 mil cananeus - estrangeiros que habita­vam na Palestina (1 Rs 5.13; 2 Cr 2.17,18; 8.7,8). Sua construção levou sete anos (1 Rs 6.38). O material do templo era preparado distante do local da construção e era coloca­do na obra sem se ouvir qualquer barulho de ferramenta (1 Rs 6.7). Tudo isso tem profunda aplicação espiritual. O majestoso edifício foi inaugurado em 1044 a.C.

Foi nesse período que a nação teve sua maior área geo­gráfica devido às conquistas de Davi e Salomão; este che­gou a dominar do Eufrates a Gaza (1 Rs 4.24). Mesmo as­sim ainda não foi abrangida a área total prometida por Deus a Abraão, a qual ainda terá cumprimento pleno (Gn 15.18). O período de tempo do êxodo dos israelitas (sua saí­da do Egito) a Salomão é de 480 anos (1 Rs 6.1).

Profetas deste período (todos não-literários, isto é, suas profecias não foram escritas):

• Um grupo, inclusive Saul (1 Sm 10.10)

• Gade (1 Sm 22.5)

• Nata (2 Sm 7.2). Este, juntamente com Gade eram também capelães da corte

• Aías (1 Rs 11.29)

7. O Reino Dividido. Tempo: 975-606 a.C - mais de 300 anos. Este período vai da divisão do reino aos cativeiros dos reinos do Norte e do Sul. Livros: 1 Reis capítulos 12-22; 2 Reis (todo), e 2 Crônicas capítulos 10-36.

Salomão governou bem, no princípio, sendo humilde e piedoso. Ao envelhecer, tornou-se idolatra e teve inúmeras mulheres, sendo muitas dos povos pagãos. Por isso Deus trouxe a divisão do reino. O profeta Aías proferiu isso em 1 Reis 11.29-31. Em 935, morreu Salomão. O novo rei é Ro-boão, seu filho. Este rei provocou a divisão já predita por Aías, e retardada por Deus em consideração a Davi (1 Rs 11,12).

A divisão do Norte chamou-se Israel. É nas profecias também chamado Efraim e Samaria. Teve 10 tribos. Seu primeiro rei foi Jeroboão I. A religião oficial foi o culto do bezerro. Jeroboão importou tal religião do Egito, onde esti-vera homiziado por razões políticas. Afundou no baalismo - culto indecente e desumano a Baal e sua consorte - Asto-rete. Os profetas Elias e Eliseu, auxiliados pelo rei Jeú, co­mandaram a batalha contra esse culto idolatra. A deca­dência espiritual desceu a ponto de praticarem espiritismo e sacrificarem crianças aos deuses pagãos, num ritual satâ­nico, conforme vai descrito em 2 Reis capítulo 17.

A capital do reino foi Samaria, isto a partir do rei Onri. Antes, serviram como capital Siquém, Penuel e Tirza. Em 734 o reino começou a ser levado em cativeiro para a Assí­ria (2 Rs 15.29). Nessa ocasião, o rei assírio Tiglate-Pileser III (conhecido também como Pul) levou em cativeiro as partes Norte e Leste do referido reino. É o chamado cati­veiro galileu. Em 721 a.C, outro imperador assírio - Sar-gão II, completou o cativeiro do reino de Israel, levando o restante dos seus habitantes para a Assíria (2 Rs 17.6). Sargão é o rei citado em 2 Reis 17.6 e Isaías 20.1. A Assíria enviou povos de seus domínios, inclusive de Babilônia, para repovoar as cidades de Samaria (2 Rs 17.24; Ed 4.2,10). Isso deu origem à religião mista dos samaritanos (2 Rs 17.29-41), que se prolonga até os tempos do Novo Testa­mento (Jo 4.9).

A Assíria foi império mundial por 300 anos (885-607 a.C). Ocupava o vale do Tigre, ao norte de Babilônia, en­quanto Babilônia mesma ocupava o vale ao sul, abarcando o Tigre e o Eufrates. Os assírios foram grandes guerreiros. Praticavam muito a pirataria, fazendo incursões noutras terras. Tornaram-se famosos nisso. Era um povo cruel. Seus prisioneiros eles esfolavam vivos, ou então cortavam-lhes mãos, pés, nariz, orelhas; vazavam-lhes os olhos, ar­rancavam-lhes a língua, e praticavam outras atrocidades. Sua capital era a grande Nínive. Jonas, profeta do reino do Norte, tomado de sentimento patriótico, recusou pregar a mensagem de arrependimento aos ninivitas, e só o fez compelido por Deus. Assim, o Império Assírio destruiu o Reino do Norte.

O reino de Israel, do qual estamos falando, durou cerca de 250 anos. Teve 19 reis, sendo Oséias o último. Todos adoraram o bezerro. O pior deles foi Acabe. O melhor foi Jorão. Este quebrou a estátua de Baal, mas adorou o be­zerro levantado por Jeroboão. Nenhum dos 19 reis procu­rou levar o povo ao encontro de Deus.

A partir desta época, a cronologia bíblica é mais preci­sa. As Olimpíadas Gregas, iniciadas em 776 a.C, e realiza­das cada quatro anos são um guia razoável para o cálculo de datas. Outra fonte de valor de que lançam mão os dou­tos no assunto são os anais de Roma, cidade-estado funda­da em 753 a.C.

Profetas do Reino do Norte. Pela ordem cronológica.

Não-literários:

• Os dois anônimos mencionados em 1 Rs 13

• Elias (1 Rs 18.1,22)

• Um outro anônimo (1 Rs 20.13)

• Micaías (1 Rs 22.8)

• Eliseu (2 Rs caps. 2-7)

• Obede (2 Cr 28.9) Profetas literários:

• Jonas, com mensagem especial para Nínive

• Oséias

• Amos. Este foi profeta de Judá, mas com mensagem para Israel

• Miquéias. Caso idêntico ao de Amos

A Assíria, além de destruir o reino do Norte, invadiu Judá em 713 (2 Rs 18.14-16) e capturou todo Judá menos Jerusalém, em 701 (2 Rs 19). Nessa ocasião o anjo do Se­nhor feriu 185 mil assírios. Em ambos os casos, o rei envol­vido foi Senaqueribe.

A Assíria foi vencida por Babilônia em 607 a.C.

O reino do Sul chamou-se Judá. Teve duas tribos: Judá e Benjamim. Muitos de Efraim, Manasses e Simeão tam­bém se uniram a Judá (2 Cr 15.9; 34.1,3,6). Simeão ficava ao sul de Judá, sem meios de comunicação com as tribos do norte. A capital continuou sendo Jerusalém. Durou pouco mais de 100 anos após o cativeiro do Reino do Norte. Religião oficial: o culto a Deus, entretanto afundou tanto na impiedade, inclusive no baalismo e práticas cananéias, que não houve remédio senão parar no cativeiro babilôni-co. Procedeu pior que o Reino do Norte (Ez 16.46-48). Os profetas bradaram em vão. Teve 20 reis, sendo o último Zedequias. Seus bons reis foram três: Ezequias, Josias e Joás. O pior de todos foi a satânica Atália. A mensagem principal dos profetas era contra a idolatria.

Foi levado em cativeiro para Babilônia em três levas sucessivas, assim:

1)  Em 606 a.C. Nabucodonosor - um dos maiores mo­narcas de todos os tempos, 29 rei do novo império babilôni-co, subjugou Jeoaquim, rei de Judá, que ficou sendo seu servo. Saqueou o templo. Levou cativos os membros da família real, inclusive Daniel (Dn 1.1-3,6). A contagem dos setenta anos de exílio começou nessa data. Jeoaquim, após três anos, rebelou-se contra Babilônia (2 Rs 24.1).

2)  Em 597 a.C. Nabucodonosor volta. Saqueia o tem­plo. Leva o rei Joaquim (filho de Jeoaquim) além de 10.000 outros judeus, entre príncipes oficiais e líderes - a aristo­cracia judaica. Põe Zedequias, irmão de Joaquim, como rei em lugar deste. Nesta leva foi também o profeta Ezequiel. O fato vai descrito em 2 Reis 24.10-17; 2 Crônicas 36.9,10.

3)  Em 587 a. C. O exército de Nabucodonosor sitia a ci­dade de Jerusalém. Após um ano e meio de assédio, isto é, em 586 a.C, a cidade cessa a resistência ao cerco. Os víve-res acabam. A fome apodera-se do povo. A cidade é toma­da de assalto. Zedequias é preso quando se evadia, e leva­do a Ribla em Hamate, onde está Nabucodonosor. Aí seus olhos são vazados e é conduzido à Babilônia. Um mês após este acontecimento (Jr 52.6,12), Jerusalém é incendiada e o templo destruído totalmente por Nebuzaradan; à frente do exército de Nabucodonosor. Os que não foram mortos à espada, foram levados cativos. Um remanescente consti­tuído de gente pobre foi deixado na terra. Gedalias foi no­meado governador sobre eles. Este mesmo remanescente, temendo novo ataque dos babilônios, fugiu para o Egito. O fato está descrito em 2 Reis 25.1-22; Jeremias capítulos 39,52. Segundo este último capítulo, outros cativos segui­ram após esta ocasião, mas, em número reduzido. O núme­ro total de cativos levados a Babilônia ninguém sabe. O re­gistro bíblico é impreciso.

Assim findou aparentemente o reino de Davi. Com o advento de Cristo, este reino reviveu, e terá sua plenitude no Milênio (Lc 1.32,33).

Isaías e Miquéias, profetas contemporâneos do reino de Judá, predisseram este cativeiro cem anos antes de reali­zar-se (Is 39.6; Mq 4.10). Jeremias predisse que a duração do cativeiro seria de 70 anos (Jr 25.11,12).

Profetas de Judá antes do exílio:

Não literários:

• Semaías (2 Cr 12.5)

• Ido (2 Cr 12.15)

• Azarias (2 Cr 15.1)

• Eliézer (2 Cr 20.37)

• Um anônimo (2 Cr 25.15)

• Hulda (mulher - 2 Rs 22.14)

• Profetas anônimos (2 Rs 23.2)

• Urias (Jr 26.20-23)

• Hanani (2 Cr 16.7-10)

• Jaaziel (2 Cr 20.14-18)

O cativeiro durou 70 anos: 606-536 a.C. Livros escritos durante o período e que o descrevem: Jeremias (especial­mente caps. 39ss); Lamentações, Ezequiel, Daniel, Es-dras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias, Malaquias.

Profetas desse tempo:

• Daniel, na corte do Império Babilônico. Era de famí­lia real.

• Ezequiel, no campo, entre os cativos. Sua mensagem é dirigida a todo o Israel. Era sacerdote.

• Jeremias, entre o remanescente deixado na Palesti­na.

O cativeiro curou Israel da idolatria até hoje. Desde en­tão, os judeus poderão ser acusados de outros pecados, mas não de idolatria. O cativeiro trouxe ainda outras bênçãos. As Escrituras começaram a ser estudadas, copiadas e ensi­nadas. Surgiram nesse tempo as sinagogas, pelo fato de os judeus terem ficado privados do seu grandioso templo. Sentiram também a causa do seu infortúnio (SI 137). Es­tas e muitas outras bênçãos, oriundas do cativeiro, levam-nos ao Salmo 119.71, onde vemos que a aflição é um meio de aprendizagem com relação a Deus.

Em Babilônia os judeus aprenderam o aramaico, língua oficial do Império Babilônico e também língua fran­ca do Oriente Próximo. Babilônia dominou o mundo por 70 anos: 606-536 a.C, exatamente o tempo em que os judeus estiveram ali desterrados. Os imperadores babilônios du­rante o exílio de Israel (isto é, durante todo o Império Ba­bilônico) foram:

Nabopolassar (625-604 a.C.). Sacudiu o jugo assírio em 625 e fundou o Novo Império Babilônico. Em 606, com o auxílio dos medos, conquistou e destruiu Nínive, a capi­tal do Império Assírio. Em 605 venceu o Egito na famosa batalha de Carquêmis.

Nabucodonosor (606-561 a.C). O maior governante babilônico. Levou os judeus para o cativeiro e destruiu Je­rusalém. Levou 20 anos para consumar o cativeiro. Poderia ter feito isso de uma vez. É possível que Daniel, que era seu conselheiro, tenha contribuído para retardar a destruição do reino de Judá. Que Daniel influiu na personalidade da­quele monarca é visto no livro do referido profeta. A provi­dência divina é graciosa e maravilhosa: durante todo o ca­tiveiro babilônico, Deus tinha um profeta na corte, que era, ao mesmo tempo, estadista. É também o caso de José assistido por Deus no Egito, e Davi no deserto, ambos no dia da adversidade.

Evil-Merodaque (561-560).

• Neriglissar (559-556).

Labás-Marduque (555-536).

O profeta Daniel conviveu com todos estes imperado­res, inclusive, é claro, Nabucodonosor (Dn 1.21).

Em 536 a.C, a Pérsia subjugou Babilônia e dominou o mundo até a elevação dos gregos em 330. Antes disso, a Pérsia vencera a Média, formando, desde então, um só domínio.

Ao terminar os 70 anos de exílio, Ciro, o primeiro gover­nante persa, proclamou o retorno dos judeus, bem como a restauração do país de Israel, o qual durante o domínio persa chamou-se "Província de Judá" (Ed 5.8). Nos docu­mentos era também mencionado como uma das terras de "Além do Rio" (Ne 2.7,9). A restauração do país levou pouco mais de 100 anos: - 536-432 a\C Nesse período, o templo foi reconstruído e o Antigo Testamento concluído. Esse segundo templo, conforme Josefo - o historiador ju­deu, tinha apenas a metade do tamanho do de Salomão, e não era rico em ouro nem prata, como aquele.

Nos anos da reconstrução, aumentou também o ódio entre judeus e samaritanos, iniciado em 2 Reis 17.24ss.

Ocorreu então o cisma definitivo entre judeus e samarita-nos.

Ester, uma formosa judia, dentre os cativos de Israel, veio a ser rainha da Pérsia, em 478 a.C, ou seja 58 anos após o retorno dos judeus. O livro de Ester situa-se entre os capítulos 7 e 8 do livro de Esdras. Anotem isto os estudan­tes da Bíblia, pois há outros casos similares através do tex­to sagrado.

Ninguém sabe o que teria acontecido aos judeus se Es­ter - uma judia - não tivesse casado com o rei da Pérsia. Aqui, como noutras partes da Bíblia, vemos que, em meio ao necessário castigo, Deus prove alívio e auxílio para que o coração não desespere. É o que diz Davi no Salmo 23.5: "Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos". Deus revela assim sua natureza de amor e ter­nura, "pois não é de bom grado que Ele aflige os homens" (Lm 3.33). Essa jovem judia, sem o saber, cooperou com sua parte para a vinda do Salvador. Seu marido (Assuero) é o Xerxes da História. Teve uma Marinha de 4.000 navios com que atacou os gregos.

Líderes judaicos durante a restauração:

Religiosos: Josué e Esdras.

Civis: Zorobabel e Neemias. Ambos funcionaram como governadores nomeados pela Pérsia.

Profetas do período:

• Ageu e Zacarias, a partir de 520 quando foi reiniciada a construção do templo, que estivera paralisada desde seu início, em 535 a.C.

• Malaquias. Ministrou ao findar o tempo de Esdras e Neemias. Em 433, Neemias voltou à Pérsia, a fim de reno­var sua licença e retornou a Jerusalém em 432 (Ne 13.6). É após esta data que Malaquias entra em cena. Em seu livro, ele não menciona o nome de Neemias. Certamente o gover­nador já era outro quando este profeta escreveu o seu livro. Apenas menciona o "governador". Outras evidências in­ternas do livro mostram que foi escrito após o tempo de Neemias. Malaquias foi o último profeta literário do Anti­go Testamento.

Assim como houve três levas de cativos ao exílio, houve também três levas de repatriados.

Primeira. Em 536, sob Zorobabel e Josué; o primeiro como governador e o segundo como sacerdote. Esta leva deu início à construção do templo, no ano seguinte - 535.

Segunda. Em 457, sob Esdras. Este veio da Pérsia com a missão principal de embelezar o templo, conforme se lê em Esdras 7. Foi ele o fundador do grêmio dos escribas. (Os escribas já funcionavam desde tempos imemoriais). A partir de Esdras, os escribas se organizaram como um cor­po de copistas da Lei. Mais tarde tornaram-se intérpretes da Lei (Mt 23.2). O Talmude começou a formar-se nesse tempo. Entre a 1? e 2? levas de repatriados ocorrem os fatos do livro de Ester (478).

Terceira. Em 445, sob Neemias, homem piedoso e pa­triota. Era copeiro do rei da Pérsia, que nesse tempo era Artaxerxes Longímano (Ne 2.1). A função de copeiro na­queles tempos era de muita confiança. Corresponde hoje à função de ministro. Ele reconstruiu os muros de Jerusa­lém.

Os judeus regressaram falando o aramaico, língua que era falada em toda a Mesopotâmia. Quando as Escrituras eram lidas em hebraico, era preciso fazer a tradução para o aramaico, como se vê em Neemias 8.8.

Entre os repatriados, vieram muitos elementos do ex­tinto Reino do Norte. Lembremo-nos de que parte dos exi­lados daquele reino foi para as cidades da Média (2 Rs 17.6). Ora, a Média e a Pérsia formavam agora um só rei­no, o que tornou praticável a volta de elementos das tribos do Norte. A passagem de 1 Crônicas 9.3, alusiva aos repa­triados, declara que filhos de Efraim e Manasses (tribos de Norte) habitaram em Jerusalém. Em Esdras 10.25, quan­do da solução do problema de casamento de judeus com mulheres hetéias, o Reino do Norte é mencionado como "Israel" também em Esdras 6.17; 8.35 e 10.5 é mencionado "todo o Israel", querendo dizer povos dos dois reinos. Ana, no Novo Testamento, era da tribo de Aser, do antigo Reino do Norte (Lc 2.36). Nos dias de Paulo e Tiago existiam nú­cleos de todas as tribos (At 26.7; Tg 1.1). É importante sa­ber que mesmo antes da deportação de Judá para Babilô­nia, o reino do Sul já tinha elementos de várias tribos do Norte. (Ver 2 Crônicas 15.9 e 30.11.) Certamente os exilados de Judá, quando voltaram à pátria, passaram pelo alto Eufrates (sendo esse o caminho habitual), onde estavam seus irmãos do Norte e conduziram os que resolveram vol­tar à Palestina. O Senhor Jesus fez menção das 12 tribos reunidas no futuro.

• Jeú (2 Cr 19.2).

• Joel

• Amos, com mensagem também para o Reino do Nor­te.

• Isaías e Miquéias. Foram contemporâneos. Ministra­ram logo após o cativeiro do Reino do Norte. Isaías profeti­zou também para o Reino do Norte, pouco antes da depor­tação das dez tribos.

• Sofonias, de família real.

• Naum. Teve mensagens também para Nínive.

• Habacuque e Obadias. Este teve mensagens para Edom. Estes quatro últimos foram contemporâneos.

• Jeremias. Profetizou antes e durante o cativeiro, em Jerusalém. Suas mensagens não têm ordem cronológica. Foi contemporâneo do grupo de profetas que o precedem. Habacuque o ajudava em Jerusalém.

O ministério dos profetas durou uns quatrocentos anos: 800-400 a.C. Havia escolas de profetas em Betei (1 Sm 10.5), em Rama (1 Sm 19.19,20), Jerico (2 Rs 2.5), Gilgal (2 Rs 4.38).

O cativeiro de Judá, em parte, foi fruto da desobediên­cia dos judeus quanto às palavras do Senhor em Isaías 25.1-7, referentes ao Ano Sabático ou Ano de Descanso, quando a terra descansava um ano. O ano sabático ocorria cada sete anos. Ora, durante os quase 500 anos que vão da monarquia ao cativeiro dos judeus, eles não cumpriram o preceito do Senhor. Resultado: Deus mesmo fez a terra re­pousar, mantendo fora seus maus "inquilinos" por 70 anos. Ora, 70 anos é o total de anos sabáticos ocorridos no espaço de 490 anos (Lv 26.14,33-36,43; 2 Cr 36.21). Deus sabe lidar muito bem com pessoas e nações que quebram suas leis, mesmo as civis, como esta que acabamos de men­cionar. As leis divinas quando obedecidas, trazem bên­çãos; quando quebradas, punição. Se esta não vem logo, é pela misericórdia de Deus: "Suas misericórdias não têm fim" (Lm 3.22b).

Outras causas do desterro já foram mencionadas em parágrafos precedentes: impiedade, idolatria, desafio atre­vido a Deus, etc. (2 Cr 7.19,20). Ninguém buscava a Deus entre pequenos e grandes (Jr 5.1,4,5). Até os sacerdotes e levitas que deviam verberar contra o pecado, afundavam também na iniqüidade (Jr 23.11; Lm 4.13; Ez 34 [todo]; Jl caps. 1 e 2; Oséias [todo.] O histórico do ponto de vista di­vino, dos pecados de Israel, está em Jeremias 5; 7.30; Eze-quiel 20.

Reinava em Roma quando Jerusalém foi destruída: Tarquínio Prisco.

8. Período do Cativeiro e Restauração (Lc 22.30). Profe­cias de futura reunião das 12 tribos: Isaías 49.6; Jeremias 3.18; 50.4; Ezequiel 37.21,22; Oséias 1.11; Zacarias 8.13.

Benefícios derivados do cativeiro

• A idolatria foi abolida de vez, como já dissemos.

• A lei de Moisés passou a ser respeitada e levada a sé­rio.

• O estudo da Lei foi difundido e intensificado median­te as sinagogas surgidas.

• Renovação da Esperança Messiânica pelo estudo da Palavra de Deus e avivamento espiritual.

• Projeção do sentimento nacionalista. O cativeiro também os ensinou isto (Salmo 137).

Do exposto, Israel foi criado no Egito, destruído pela Assíria e Babilônia, e restaurado pela Pérsia.

9.  Período Interbíblico. Vai de Malaquias ao advento de Cristo. Tempo: mais de 400 anos; de cerca de 430 ao iní­cio da Era Cristã. Malaquias deve ter ministrado de 432 a 430, quando deve ter sido encerrado o Antigo Testamento. Este período está profeticamente descrito em Daniel 11 a 12.4.

O Período Interbíblico inicia com Israel sob o domínio persa. "Interbíblico" quer dizer "entre a Bíblia"; isto por­que é um período em branco em que não houve revelação divina escrita. Nenhum profeta se levantou nesse período. O domínio persa prosseguiu por mais quase 100 anos. Os persas foram brandos e tolerantes. Os judeus gozavam de considerável liberdade sob eles.

Durante o Período Interbíblico, Israel esteve sempre sob o domínio estrangeiro, exceto entre 167-63 a.C, quan­do os irmãos Macabeus conseguiram uma heróica e san­grenta independência. Continuou em formação o que mais tarde chamar-se-ia o Talmude. Nesse período, surgiram também a Grande Sinagoga, a versão grega das Escrituras hebraicas chamada Septuaginta, os livros apócrifos do An­tigo Testamento e o Sinédrio, que era o supremo tribunal civil e religioso dos judeus.

Durante o Período Interbíblico vamos encontrar a Ju-déia sob três impérios mundiais - o Persa, o Grego, e o Ro­mano, além do intervalo de pouco mais de 100 anos em que ela esteve independente.

a.  A Palestina sob o Império Persa. Após Neemias e Malaquias, toda a Palestina continuou sob os persas por mais quase 100 anos, até 330, quando a Grécia venceu a Pérsia. Judá esteve sob os persas em 536-330 a.C. O centro do Império Persa ficava onde é hoje o Irã. Suas capitais fo­ram primeiramente Babilônia e logo depois Susa, construí­da por Cambises, especialmente para esse fim. Susa é mencionada em Neemias 1.1; Ester 1.2; Daniel 8.2.

A Bíblia menciona o fim do período persa em Neemias 12.22. O "Dario, o Persa" aí mencionado é o Dario Codó-mano, da História: o último rei persa. Reinou em 336-330 a.C. Foi derrotado por Alexandre Magno, da Grécia, em 330, na famosa batalha de Arbela, perto de Nínive. O "Já-dua" aí mencionado, foi o sumo sacerdote que recebeu Ale­xandre em Jerusalém quando ele submeteu a Palestina, em 332, na sua marcha de conquista do Oriente. Como im­pério mundial, os persas dominaram 200 anos.

Nessa ocasião já assomava no horizonte a sombra ameaçadora do que mais tarde viria a ser o maior império do mundo - Roma.

b.  A Palestina sob o domínio grego. Tempo: 330-167 -mais de 150 anos. Em 330, Alexandre, o monarca grego, ti­nha o mundo todo a seus pés, após seis anos de conquistas e doze de reinado. Em 332, como já dissemos, na sua inves­tida para o Oriente, ele submeteu a Palestina, sendo tolerante e benevolente para com os judeus. Com a ampliação do domínio grego, começa a espalhar-se e a predominar a língua grega com sua imensa cultura, preparando, assim, o caminho para o surgimento da Bíblia em grego (a Septua-ginta), e para a vinda do Salvador, o qual encontrou o gre­go predominando em todos os contornos do Mediterrâneo e outras regiões. Tempos após a morte de Alexandre, cada país, além de sua língua, conhecia também o grego. Isso fa­zia parte do preparo para a vinda do Salvador.

Em 323 morre Alexandre, em Babilônia, aos 33 anos de idade. O governo do Império ficara nas mãos de um só ho­mem por pouco tempo. Houve lutas entre os diversos pre­tendentes, e, com elas, as divisões. Finalmente, o vasto im­pério foi dividido entre quatro dos famosos generais de Ale­xandre:

SELEUCO I, NICÁTOR, ficou com a Síria, Ásia Me­nor e Babilônia. Capital: Antioquia da Síria. A dinastia de reis gregos, da qual foi fundador, teve 18 reis até o ano 65 a.C, quando a Síria foi convertida em província romana.

PTOLOMEU I, SÓTER I, PTOLOMEU LAGOS (a-parece na História com esses nomes) ficou com o Egito. Capital: Alexandria, que fora fundada por Alexandre, em 332. Fundou a dinastia dos Ptolomeus, os reis gregos do Egito. Houve 15 Ptolomeus até o ano 30 a.C, quando o Egito foi convertido em província romana. Cleópatra VII (famosa na história), foi rainha co-regente, em 52-30 a.C.

•  CASSANDRO ficou com a Macedônia e a Grécia. Capitais: Pela e Atenas. Não teve dinastia, como os dois mencionados.

LISÍMACO ficou com a Trácia. Não teve dinastia.

Resumo Histórico da Palestina sob o Domínio Grego

• Sob a Grécia propriamente dita, isto é, sob Alexan­dre: 332-323 - 9 anos.

• Sob a Síria e Egito, alternadamente: 323-301. Na di­visão do império de Alexandre, a Palestina ficou inicial­mente sob a Síria (323-320). Em seguida sob o Egito (320-314). E assim passou de uma a outra mão, por várias vezes até o ano 301 a.C, quando o Egito e a Síria fizeram de seu território campo de batalha, onde mediam forças.

• Sob o Egito só: 301-198. Um dos reis deste período foi Ptolomeu II, Filadelfo que reinou de 285-247 a.C. Foi ele que providenciou a tradução em grego das Escrituras Sa­gradas. Construiu também o célebre farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do Mundo Antigo, na Ilha de Fa-ros, de onde vem a palavra "farol". Esta fase foi de pro­gresso para os judeus, que tinham boa recepção no Egito. Os apócrifos do Antigo Testamento começaram a surgir nesse tempo. Todos eles foram escritos entre 270-50 a.C.

• Sob a Síria só: 198-167. Um dos reis deste período foi o monstro Antíoco Epifânio, que reinou de 175-167 a.C. Este homem decidiu exterminar o povo judeu e sua reli­gião. É comparável a Herodes, Nero, Hitler e outros da mesma estirpe. Proibiu o culto a Deus. Recorreu a todo tipo de tortura para forçar os judeus a renunciarem sua crença em Deus. Isto deu lugar à revolta dos irmãos Maca-beus.

Durante a época dos Ptolomeus e Selêucidas, a língua grega foi implantada na Palestina. O poder civil passou a ser exercido pelo sumo sacerdote, que exercia também o poder religioso. Sua divisão política nesse tempo constava de 5 províncias ou distritos: JUDÉIA, GALILÉIA, TRACONITES, PERÉIA.

Surgiram também na fase acima as seguintes seitas re­ligiosas:

a)  Os Fariseus. (Em hebreu: "separados"). Inicialmen­te, primavam pela pureza religiosa. Seu objetivo era con­servar viva e ativa a fé em Jeová. Depois, tornaram-se se­cos, ritualistas e hipócritas, como Jesus os classificou. Eram nacionalistas.

b)  Os Saduceus. (Em hebreu: "justos"). Eram os aris­tocratas da época, adeptos do que chamamos hoje raciona-lismo (At 5.17; 23.8). Eram helenistas, isto é, partidários dos gregos, dos seus sistemas, etc.

c)  Os Essênios eram uma ordem monástica, verdadeira irmandade. Praticavam o ascetismo. Viviam nas vizinhan­ças do mar Morto. A raiz, da qual deriva a palavra "essê-nio", significa "piedoso". Pareciam uma seita oriental com mistura de judaísmo. Até hoje não está plenamente esclarecida a origem dos essênios.

c. A Palestina independente sob os Macabeus: 167-63 a.C. O nome "Macabeu" vem de Judas, que tinha este no­me. Como declaramos acima, a partir de 198, a Palestina passou ao controle da Síria. Os primeiros 30 anos foram to­leráveis, mas, em 175 a.C, subiu ao trono da Síria um ho­mem excessivamente mau - Antíoco Epifânio, também co­nhecido como Antíoco IV. Foi violentamente rancoroso para com os judeus. Resolveu exterminar este povo e sua religião. Em 168 ele arrasou Jerusalém, profanou o templo, erigiu nele um altar a Júpiter e imolou uma porca no altar dos holocaustos. Decretou pena de morte para quem prati­casse a circuncisão e adorasse a Deus. Destruiu quantas cópias encontrou das Escrituras. Quem fosse encontrado lendo a Bíblia era morto também. Cumpriram-se as profe­cias de Daniel 8.13, mas, de modo parcial, pois o pleno cumprimento é ainda futuro, conforme Mateus 24.15.

Antíoco recalcado pelos insucessos contra o Egito, vin­ga-se nos judeus. No seu assalto a Jerusalém, mata jovens, velhos, mulheres e crianças, chegando a 80.000 o número de mortos. Levou 40 mil cativos e vendeu outro tanto como escravos. Os dois anos seguintes foram de desolação e hu­milhação. Em seguida começaram novas atrocidades. Chega da Síria um exército de mais de 20.000 homens, e, num sábado quando o povo em obediência à Lei adorava a Deus, o exército de Antíoco, comandado por Apolônio, lan­çou-se sobre os indefesos judeus e houve então um dos maiores massacres da História, Jerusalém foi incendiada. Antíoco decretou como religião oficial dos judeus o paga­nismo grego, obrigando-os a observá-la.

O início da revolta dos Macabeus, 167 a.C.

Ardia no peito dos judeus o sentimento de revolta. A perseguição religiosa atingia agora todo o país. O senti­mento patriótico toma conta do povo. Falta apenas um líder para dar o grito de revolta. Todos estavam em torno de um mesmo ideal - independência. O velho sacerdote Matatias, que vivia em Modim (entre Jope e Jerusalém), foi o herói que deu o brado de guerra e desfraldou a bandei­ra da revolta. Tinha ele cinco filhos, todos valorosos: JOÃO, SIMÃO, JUDAS, ELEAZAR, JÔNATAS. Eram fariseus verdadeiros. O velho sacerdote dirigiu a luta com muita bravura, obtendo sempre vitórias. Morreu no mes­mo ano da revolta: 167.

Trataremos agora dos cinco irmãos Macabeus, indivi­dualmente. A Palestina experimentou independência sob eles por 100 anos.

JUDAS. 166-161. Ao falecer o velho pai, Judas assu­miu a direção da luta. A vitória continuou com os judeus. Ainda em 167, Judas retomou Jerusalém e começou a re­parar o templo. As batalhas continuaram. Os judeus saíam sempre vitoriosos. Em 25 do mês de Quisleu (nosso de­zembro) de 165 a.C, Judas rededicou o templo com uma grande festa denominada "Festa da Dedicação", a qual continuou sendo comemorada pelas gerações através dos tempos. O Senhor Jesus esteve presente a uma dessas fes­tas (Jo 10.22,23). Judas fez aliança com Roma, o que mais tarde foi muito útil para os judeus. Antíoco morreu em 164, mas a Síria continuou lutando. Judas prosseguiu dan­do combate aos sírios. Foi um guerreiro de admirável gênio militar. Morreu em combate em 161.

ELEAZAR. Morreu em combate antes de 161 a.C.

• JÔNATAS. 161-142. Foi também guerreiro notável, conduzindo o exército de vitória em vitória. Morreu numa traição urdida por um pretenso amigo seu, um general sírio, em 142. Foi ele o primeiro judeu a exercer as funções de rei e sacerdote a um só tempo.

JOÃO. Morreu antes de Jônatas.

SIMÃO. 142-134. É o último Macabeu sobrevivente. Morreu à traição em 134. Consolida a vitória e é feito por seus compatriotas governador e sumo sacerdote. A Síria continuou atacando.

Agora, os governantes que se seguem são também des­cendentes dos Macabeus.

• JOÃO HIRCANO. 134-104. Era filho de Simão. Hir-cano cercou e destruiu a cidade de Samaria, arrasando o templo dos samaritanos, construído sobre o monte Geri-zim, por permissão de Alexandre, o Grande, quando impe­rador. Isso ocorreu no ano 128 a.C. Os idumeus, que habi­tavam ao sul da Palestina, também atormentavam cons­tantemente os judeus. Hircano os conquistou e fê-los acei­tar a religião judaica. Isto não os transformou em verdadeiros judeus, como veremos mais adiante. No ano 109 é mencionado o Sinédrio. Hircano morre em 104. Nesse tem­po a divisão política da Palestina era: JUDÉIA, SAMA­RIA, GALILEIA, IDUMÉIA, PERÉIA.

• ARISTÚBULO I. 104-103. Era filho de João Hircano I. Morreu em 103. No seu breve governo, conquistou a Itu-réia e outras regiões a leste do Jordão. Enfermidade foi a causa de sua morte. Ele usurpara o trono à sua mãe, a quem Hircano deixara no governo.

ALEXANDRE JANEU. 103-76. Era irmão de Aristó-bulo I. Obteve várias conquistas visando alargar as frontei-jas da Palestina. Cometeu vários desmandos. Houve tu­multos internos, verdadeira guerra civil, devido aos des­mandos de Janeu.

• ALEXANDRA. 76-67. Fora esposa de Aristóbulo I. Após a morte deste, casou com Alexandre Janeu. Morto Alexandre, ela ascendeu ao trono. Seu reino foi pacífico e próspero.

• ARISTÚBULO II. 67-63 a.C. Foi o último rei do período independente. Era filho de Alexandre Janeu. Ti­nha um irmão chamado Hircano II, mais velho que ele. Alexandra, ao morrer, deixou a coroa a seu filho mais ve­lho: Hircano II. Todavia, Aristóbulo II, sendo mais novo, usurpou o poder pelas armas. Hircano deixou o governo pacificamente.

À esta altura, entra em cena o aventureiro ANTÍPA-TER, governador militar da Iduméia, constituído por Ale­xandre Janeu. Antípater não era judeu, e sim idumeu. Lembremo-nos de que a Iduméia fora subjugada por Hir­cano I. Antípater instigou Hircano II a vingar-se de seu ir­mão Aristóbulo II. Resultado: Hircano foi a Nabatéia, na Arábia, e junto ao rei Aretas obteve um exército para lutar contra Aristóbulo. Irrompe a guerra civil. O exército roma­no encontra-se em operações em Damasco, conquistando nações. Tanto Aristóbulo como Hircano enviam emissários ao exército romano. Pompeu, o general romano, intervém. Corria o ano 63 a.C. Captura a cidade de Jerusalém e en­trega o poder a Hircano II. (Recordemo-nos de que Judas Macabeu fizera aliança com Roma.) Mesmo assim, Antípater continuou instigando e orientando Hircano II para o prosseguimento da luta.

Portanto, a partir de 63 a.C, a Palestina passa ao domínio romano, fazendo parte da província romana da Síria, ficando a sede da província neste último país.

d. A Palestina sob o domínio romano: 63 a.C, em dian­te

Como já vimos na letra "c", Roma ocupou a Palestina em 63 a.C. Nesse ano Pompeu arrebatou o poder das mãos de Aristóbulo II e entregou-o a Hircano II, que fora despo­jado por Aristóbulo. Este e seus dois filhos (Alexandre I e Antígono II) foram levados cativos a Roma. Tempos de­pois, pai e filho (Aristóbulo II e Alexandre I) foram mortos em circunstâncias e ocasiões diferentes, sobrevivendo ape­nas Antígono II. Alexandre I deixara dois filhos: Aristóbulo III e Mariana, a qual mais tarde foi esposa da fera chama­da Herodes o Grande, filho de Antípater, o idumeu pertur­bador, de que estamos falando.

Veremos agora a lista dos governantes da Palestim du­rante o período romano, partindo do ano 63 a.C. até o iní­cio da Era Cristã.

HIRCANO II. 63-40 a.C. Já falamos desse homem na letra "c". Hircano começou a governar a Palestina por de­legação de Pompeu, o general romano. Em 47 a.C, César nomeia Hircano II etnarca da Judéia. Todavia, Hircano era um rei apenas titular; quem de fato o dirigia em tudo era o idumeu Antípater. Ainda em 47 a.C, César nomeia Antípater como Procurador Geral da Judéia, isto é, encar­regado do fisco, como reconhecimento aos seus serviços, pois Antípater auxiliara César na campanha deste contra o Egito, fornecendo tropas a Pompeu, o general de César. César nomeia também Herodes, filho de Antípater, Gover­nador da Galiléia. Após a morte de César, em 44 a.C, Antípater morre envenenado por um cortesão de Hircano II.

Herodes governava a Galiléia, mas se imiscuía em toda a vida do país, urdindo intrigas e perfídias com a conivên­cia do próprio pai que era Procurador Geral da Judéia. Vendo Herodes o antagonismo dos judeus devido ao seu modo de proceder arbitrário, abusivo e ditatorial, procura abrandá-los, noivando com Mariana, neta de Hircano II. (Era filha de Alexandre I; irmã de Aristóbulo III). Herodes já era casado com uma filha do rei Aretas, de Nabatéia. Ele, com isso, visava galgar a todo custo o trono de toda a

• ANTÍGONO II. 40-37 a.C. Por volta do ano 40, a Síria rebelou-se contra o domínio romano, auxiliada pelos poderosos partos. Em seguida, partos e sírios atacaram e saquearam a Palestina. Antígono buscava vingar a morte de seu pai Aristóbulo II e seu irmão Alexandre II, como já descrevemos. Com a ajuda dos partos e sírios ele marcha sobre Jerusalém. Herodes, governador da Galiléia, mas que se intrometia na vida de todo o país, foge para Roma. Antígono apodera-se de Jerusalém, destrona Hircano II e governa de 40-37 a.C. Hircano é levado cativo pelos partos. Tempos depois volta. Herodes chega a Roma. Perante o Senado e os triúnviros consegue ser nomeado rei da Judéia no mesmo ano - 40 a.C. O exército romano ataca os invaso­res de Jerusalém, partos e sírios. Herodes regressa à Pales­tina, procura ganhar o favor dos judeus e casa-se com Ma­riana, como já fizemos menção. Herodes, auxiliado pelas tropas romanas que acabavam de vencer os partos, sitia Jerusalém. Os soldados romanos tomam a cidade de assal­to e fazem grande matança. Antígono é destronado e en­viado a Roma, onde é morto por instigação de Herodes. As­sim, Herodes apodera-se do trono da Palestina.

HERODES O GRANDE. 37-4 a.C. Herodes, como já vimos, governava a Galiléia, mas sua ambição era o trono do país todo, o que conseguiu mediante esperteza e astú-cia. Diz Watson mui sabiamente: "Herodes era idumeu por nascimento, judeu por profissão, romano por necessi­dade, e grego por cultura". Praticou o paganismo grego. Uma vez no trono, mandou matar todos os partidários de Antígono e os membros do Sinédrio. Em certos detalhes, foi um segundo Epifânio. Do seu casamento com Mariana, nasceram dois filhos: Alexandre II e Aristóbulo IV. Temen­do conspiração do remanescente hasmoneano, Herodes, tendo já ocasionado a morte de Antígono, mandou matar o sumo sacerdote Aristóbulo III, irmão de Mariana. Matou também o velho Hircano II, tio de Mariana.

A esta altura, Herodes ganha o favor de Otávio. (Otá­vio é o César mencionado em Lc 2.1, que reinou de 31 a.C. a 14 d.C.) Otávio dirigia-se para a campanha do Egito, quando Herodes foi encontrá-lo em Ptolemaida, levando suprimentos para suas tropas. Otávio derrotara Antônio em Ácio (31 a.C), e este fugira para o Egito com Cleópatra VII, sua amante.

A Palestina estava agora dividida em 6 distritos: JU-DÉIA, SAMARIA, IDUMÉIA, GALILÉIA, PERÉIA, ITU-REIA. Herodes continuou a molestar os judeus. Dando ou­vido a denúncias falsas, manda matar sua esposa favorita, Mariana, em 20 a.C. Este foi um crime aterrador. Teve ao todo 10 esposas. Também mandou matar a mãe de Maria­na: Alexandra. Matou certa vez 10 zelotes. Outra vez man­dou matar 45 judeus porque quebraram uma asa de uma á-guia de prata do seu palácio. Matou muitos outros. Foi grande administrador. Reconstruiu Jerusalém, seus muros e edifícios. Construiu palácios, inclusive o Forte Antônia, na área Noroeste do templo.

O ódio dos judeus aumentava contra Herodes. Para evitar que os judeus apelassem para César, prometeu-lhes um novo templo, o qual foi iniciado em 19 a.C. e concluído em 64 d.C. Foi o templo conhecido pelo Senhor Jesus.

Toda a Palestina beneficiou-se com a administração herodiana. Reconstruiu a cidade de Samaria com o nome de Sebasta (palavra grega equivalente a augusta, em alu­são a César). Procurava ele assim relevar seus crimes. Te­mendo sempre conspiração contra o trono, mantinha uma prisão de torturas. Era desconfiado de todos e extrema­mente ciumento. Não se sabe quantos morreram naquela prisão. Seus dois filhos - Alexandre II e Aristóbulo IV estu­daram em Roma. Temendo conspiração dos dois, mandou matá-los. Morreram assim, os últimos descendentes dos Macabeus. Tinha Herodes, pela força, imposto a paz. Es­tava agora muito velho. O remorso o persegue.

Chega o ano 5 a.C. - o ano do nascimento do Senhor Je­sus. Desde 10 anos antes, há paz na Palestina. No mesmo ano 5 a.C. é descoberta uma conspiração por parte de seu irmão Féroras e seu filho Antípater, filho de Dóris, outra esposa. Féroras é morto. Enquanto corre o processo para a morte de Antípater, chegam a Jerusalém uns magos vindo do Oriente, e perguntando: "Onde está aquele que é nasci­do rei dos judeus?" (Mt 2.1,2). Herodes, que como já vi­mos, vivia atormentado pelo fantasma da conspiração, so­freu grande perturbação (Mt 2.3). Fingidamente, desejou adorar o recém-nascido, que era o Messias prometido nas profecias do Antigo Testamento. Deus via o seu plano ma­ligno e guiou os magos a regressarem por outro caminho. Herodes, vendo seus planos desfeitos, ordena matança dos inocentes de Belém. Matar já era coisa natural para ele. Deus então conduz José, Maria e o menino ao Egito, cum-prindo-se, assim, as profecias (Os 11.1).

No ano seguinte - 4 a.C. - morre Herodes de terrível en­fermidade em Jerico. Determina grande massacre para o dia da sua morte, para que haja muito pranto. Felizmente tal plano não foi cumprido.

Apesar de suas crueldades, Herodes contribuiu para o bem noutros sentidos. Todos o reconhecem como grande administrador. Possuía muita tenacidade. Liquidou com o banditismo no país, isso desde quando governou a Galiléia. Nesse particular, ele entrava em choque com o Sinédrio, porque não dependia do processo formal daquela corte para matar bandidos. Proscreveu os hasmoneus. Estes, após o último macabeu (Simão), enveredaram pelo cami­nho das intrigas, vinganças, lutas políticas, deixando em segundo plano o ideal de liberdade e independência do jugo estrangeiro. Se tais coisas prevalecessem, seriam um estorvo à vinda e ministério do Senhor Jesus Cristo.

Breve nota sobre o Império Romano

A cidade-reino de Roma foi fundada em 753 a.C, na re­gião do Lácio, Itália, donde o vocábulo "latim". Em 509 passou de reino a república, tendo assim nova forma de go­verno, e, necessariamente, novos cargos e funções tais quais aparecem através do Novo Testamento. Dois séculos antes de Jesus nascer, Roma iniciou sua fase de suprema­cia sobre os diversos povos de então. Assim submeteu a Itália (266 a.C), Espanha e Portugal (201 a.C), Mesopo-tâmia (195), Macedônia e Grécia (168), Cartago, na África (146), Ásia Menor (133), Inglaterra (54, invasão; 42, conquista) Síria (64, mas a penetração começou em 190 a.C). Norte e Centro da Europa (58-50) etc.

Em 31 a.C, surge o Império. Otávio é o primeiro impe­rador universal. Era sobrinho de Júlio César, que fora um grande general, conquistador e por último ditador de 46-44 a.C. Em 44 foi Júlio assassinado em pleno Senado Roma­no, por seu filho adotivo Júnio Bruto. Otávio reinou de 31 a.C. a 14 d.C. O Senhor Jesus nasceu quando ele dominava o mundo todo. Ele podia de fato determinar que "todo o mundo" fosse recenseado (Lc 2.1). Otávio aparece no texto bíblico como "César Augusto". "César" era o nome de família. "Augusto" foi-lhe conferido pelo Senado; eqüivale a "sublime". Seu nome completo era CAIO JÚLIO CÉ­SAR OTÁVIO. Ele concluiu as conquistas do Império. Pa­cificou o mundo pelas armas. Manteve exércitos por toda parte.

O latim era a língua da metrópole e das tropas roma­nas. O grego era falado nos meios culturais do império. O aramaico era a língua materna da liturgia. O império abre grandes estradas para uso de suas legiões e intercâmbio em geral. As estradas logo depois seriam utilizadas pelos pre-goeiros do Evangelho. Dez anos antes de Jesus nascer, as portas do templo de Jano são fechadas, indicando paz. Quando Jesus nasceu, portanto, reinava paz em todo o mundo. Chegara a plenitude dos tempos, conforme diz a Escritura em Gálatas 4.4. É a "Pax Romana" da História.

Nas condições acima descritas, estando tudo preparado por Deus, nasce em Belém o Messias prometido.

Breve Nota sobre os judeus até os nossos dias

Após a morte de Herodes o Grande, no ano 750 AUC ou 4 a.C, seu reino foi dividido entre três de seus filhos, as­sim.

HERODES ARQUELAU governou a Judéia, a Sa-maria e a Iduméia. É citado em Mateus 2.22.

HERODES ANTIPAS governou a Peréia e a Gali-léia. A Peréia desse tempo não era todo o território a leste do Jordão. É citado em Lucas 3.1. Mandou decapitar João Batista. Escarneceu de Jesus na sua Paixão (Lc 23.6-12).

HERODES FELIPE II governou a Ituréia, que in­cluía os territórios de Traconites, Gaulanites e Auranites.

É citado em Lucas 3.1. [Felipe I não teve reino. É citado em Mateus 14.3. Foi o primeiro marido de Herodias, que o abandonou para casar com seu cunhado, Herodes Antipas (Mt 14.3).]

Arquelau foi deposto em 6 d.C. e daí até o ano 41 d.C. sua região (Judéia, Samaria e Iduméia) passou a ser gover­nada por oficiais romanos chamados procuradores, nomea­dos diretamente pelo Imperador romano. Durante o minis­tério e Paixão do Senhor Jesus, era procurador da região que fora governada por Arquelau, Pôncio Pilatos, de 2 a 36 d.C.

Herodes Antipas governou a Galiléia e a Peréia até o ano 39 d.C. Depois, seu território passou ao governo de He­rodes Agripa I, mencionado em Atos 12. Era neto de Hero­des o Grande.

Herodes Felipe II governou a Ituréia até o ano 34. De­pois, seu território passou para Herodes Agripa I.

De 41-44 d.C. toda a Palestina teve como rei Herodes Agripa I. Sua morte horrível aparece em Atos 12.

De 44-46, os distritos da Judéia, Samaria e Iduméia passaram a ter novamente procuradores romanos. A má administração destes e o espírito de revolta dos judeus, no-tadamente dos zelotes, foram conduzindo a nação a uma revolta generalizada. Os outros distritos foram governados por Herodes Agripa II, filho do anterior. Agripa II é men­cionado em Atos 25.

De 66-70 d.C. teve lugar a revolta contra os romanos e a guerra que se seguiu. O César de então era Nero, que esco­lheu seu mais hábil general para sufocar a rebelião. Em 66, quando começou a insurreição, o legado romano da Síria -Céstio Galo - atacou Jerusalém com 40.000 soldados, mas o ataque foi tão violentamente repelido que Galo teve de retirar-se para Cesaréia, perdendo 6.000 homens.

No dia da Páscoa do ano 70 d.C, Tito surge com seu exército de 50.000 homens diante dos muros de Jerusalém. Após cinco meses de assédio, os muros foram derribados, o templo incendiado e a cidade assolada. Mais de 1.000.000 foram mortos, além de 95.000 levados cativos. Foi a queda final do judaísmo. O exército romano recolheu-se a Cesa­réia.

Em 132-135 d.C, houve outra revolta dos judeus contra os romanos. Desta vez o Estado Judaico foi destruído pela raiz. O líder da revolta foi Bar Cocheba. Foi homem de grande coragem e capacidade militar. Na revolta, ele apo­derou-se da cidade e tentou reconstruir o templo. A revolta foi sufocada pelo exército romano. O número de judeus mortos subiu a 580.000. O país ficou arrasado. Os judeus foram expulsos da Palestina e proibidos de entrar em Jeru­salém, sob pena de morte. A cidade teve seu nome muda­do. Erigiu-se um templo a Júpiter no local do antigo tem­plo dos judeus.

A rebelião sob o comando de Bar Cocheba foi a última tentativa heróica dos judeus, até os tempos modernos, para reconquistarem a independência nacional. Desde essa época (135 d.C.) até 1948, os judeus não tiveram pá­tria. Andaram errantes por toda parte da terra. Todos po­diam mandar na Palestina, menos os judeus. Em 14 de maio de 1948, renasceu o Estado de Israel, segundo as pro­messas das escrituras e pela iminência da volta de Jesus, e o retorno dos judeus em escala sempre crescente começou. Assim, o passado de Israel é assunto mui impressionante, mas seu futuro é mais comovente ainda. As ruínas de Jeru­salém não permanecerão para sempre. Israel restaurado, com seu templo e sua cidade de Jerusalém, com suas rou­pagens formosas (Is 52.1), deve ser a nossa meditação constante. O nosso maior anelo deve ser o dia quando Cris­to puser seus pés reluzentes sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4), quando todo o Israel dirá "Bendito o que vem em nome do Senhor!" (Mt 23.39).

É oportuno acrescentar que três civilizações achavam-se na Palestina nos tempos do Novo Testamento: a) A Gre­ga, representando a cultura e o saber; b) A Romana, repre­sentando a lei e o poder; c) A Judaica, representando a re­ligião e a justiça.

 

III. A ÉPOCA DO CRISTIANISMO

É a história da Igreja propriamente dita. Constitui ma­téria à parte; por isso não é estudada aqui. Citamo-la ape­nas como parte da estrutura do capítulo em estudo. A Época do Cristianismo começa com o nascimento do Senhor Jesus, no ano 5 a.C. (correspondente mais ou menos ao 749 AUC), e estende-se paralelamente ao texto bíblico até os últimos dias de João o apóstolo. (Cerca de 100 d.C. e, fora dele [do texto bíblico] até os tempos atuais.)

Nenhum crente deveria ignorar os lances impressio­nantes e portentosos desta maravilhosa história. É im­possível entender as condições atuais de toda a cristanda-de sem conhecer a história da Igreja.

A Época do Cristianismo nos dias do Novo Testamento tem três períodos:

1.  O Período da Vida de Cristo. (Visto nos Evangelhos.)

2.  O Período da Igreja em Jerusalém. (Visto em Atos até o cap. 12.)

3.  O Período da Igreja Missionária. (Visto em Atos, cap. 13 em diante, e Epístolas.)

Após os dias do Novo Testamento. A Época do Cristia­nismo pode ser estudada dentro dos quatro períodos da história secular:

1.  O Período Romano, até a queda de Roma (476 d.C.)

2.  O Período Medieval, da queda de Roma, ao fim do império Romano do Oriente (476-1453 d.C.)

3.  O Período Moderno, do fim do Império Romano do Oriente à Revolução Francesa (1453-1789 d.C.)

4.  O Período Contemporâneo, de 1789 aos nossos dias. Com seus títulos descritivos, veja abaixo os capítulos mais importantes da História Bíblica do povo de Deus:

 

I. ÉPOCA PRÊ-ABRAÂMICA

1. Período Antediluuiano

Gn 1 A Criação em Geral

Gn 2 A Criação do Homem

2.  Período do Dilúvio a Abraão

Gn 6-8 O Dilúvio

Gn 9 O Pacto com Noé

 

II. ÉPOCA DE ISRAEL 1. Período Patriarcal

Gn 12 A Chamada de Abraão e Fundação da Nação Israelita

Gn 19 A Destruição de Sodoma e Gomorra

Gn 21 O Nascimento de Isaque

Gn 29,30 O Nascimento dos Doze Patriarcas

Gn 41 José - Vice-rei do Egito

Gn 46 A Emigração de Israel para o Egito

2. Período de Israel no Egito

Êx 2 O Nascimento de Moisés Êx 3 A Chamada de Moisés

3. Período de Israel no Deserto

Êx 12 A Instituição da Páscoa e o Início da Peregri­nação

Êx 14 A Passagem Pelo mar Vermelho

Êx 17 A Rocha Ferida

Êx 20 Os Dez Mandamentos

Êx 25 A Construção do Tabernáculo

Êx 28 A Escolha de Arão

Lv 1-5 A Instituição dos Cinco Grandes Sacrifícios

Lv 23 A Instituição das Sete Festas Religiosas

Nm 3 A Escolha da Tribo de Levi

Nm 11 O Reinicio da Peregrinação

Nm 13,14 Espias e Murmuradores

Nm 21 A Serpente de Metal

Nm 33 Os Acampamentos de Israel

Dt 31 Josué Sucede a Moisés

Dt 34 A Morte de Moisés

4. Período da Conquista de Canaã

Js 3 A Passagem do Rio Jordão Js 6 Destruição de Jerico

Js 10 Sol e Lua Parados

Js 11 Josué Vence Vários Reis

Js 12-21 Divisão de Canaã Pelas Tribos

5. Período dos Juizes

Jz 1 Novas Conquistas Pelas Tribos

Jz 13-16 A Atuação de Sansão

Rt 1-4 O Casamento de Boaz com

Rute 1 Sm 1 O Nascimento de Samuel

6. Período da Monarquia

1 Sm 10 Saul - Primeiro Rei de Israel

1 Sm 16 Davi Ungido Rei

1 Sm 17 Davi Mata o Gigante

2 Sm 5 Davi Constituído Rei de Todo Israel

2 Sm 8 A Expansão do Reino de Israel

1 Cr 23-26 O Serviço dos Levitas

1 Rs 2 Salomão Rei de Israel

1 Rs 4 A Extensão do Reino de Salomão

1 Rs 6-8 A Construção do Templo

7. Período do Reino Dividido

1 Rs 12 A Divisão do Reino

1  Rs 17,18 O Ministério de Elias

2  Rs 2 O Ministério de Eliseu

2 Rs 18 O Avivamento sob Ezequias

2 Rs 20 O Milagre do Recuo do Tempo

2 Rs 22 O Avivamento sob Josias

2 Cr 17-20 O Reinado de Josafá

Zc 7.7 O Ministério dos Profetas (Jl - Ml)

8. Período do Cativeiro e Restauração

2 Rs 25; Jr 52 Destruição de Jerusalém

Ed 1 O Retorno dos Judeus

Ed 3 A Reconstrução do Templo

Ne 3 A Reconstrução dos Muros de Jerusalém

Ne 8,9 O Avivamento sob Esdras

Et 8,9 O Livramento dos Judeus

Dn 2 Os Quatro Últimos Impérios Mundiais

Dn 3 Os Três Jovens Salvos na Fornalha

Dn 6 Daniel Na Cova dos Leões

Dn 7-12 O Futuro da Nação Israelita

9. Período Interbíblico (Dn 8.11)

 

III. ÉPOCA DO CRISTIANISMO

1. Período da Vida de Cristo

Mt 1; Lc 2 O Nascimento de Jesus

Mt 3 O Ministério de João Batista

Mt 4.23; Lc 4.14-19; Jo 21.25; At 10.38 - Ministério de Jesus

Mt 27,28 A Morte e Ressurreição de Jesus

Mt 28.18-20; Mc 16.15-18; At 1.8 - A Comissão de Jesus à Igreja

Lc 24.50,51; At 1.9-11 - A Ascensão de Jesus

2. Período da Igreja em Jerusalém

At 2.1-13 O Batismo com o Espírito Santo

At 2.14-47 A Conversão dos Judeus

At 8 A Conversão de Samaritanos

At 10 A Conversão de Gentios 3. Período da Igreja Missionária

At 13 Missões

At 15 O Primeiro Concilio da Igreja

At 16 O Evangelho na Europa

At 28 O Evangelho em Roma

2 Pe 3.15 Epístolas escritas

Rm 15.19,24,28 O Evangelho no Mundo Conhecido

Ap 1.9,10; 4.1,2 - A Visão do Futuro da Igreja

 

QUESTIONÁRIO

1.  Em que ordem aparecem na Bíblia os 66 livros do câ-non sagrado?

2.  Qual a principal vantagem do estudo da seqüência da História Bíblica?

3.  As novas evidências arqueológicas afetarão grande par­te das datas até agora adotadas. Em que consistirá a alteração?

4.  As datas impressas em certas edições da Bíblia, vem de que ano?

5.  Defina a chamada "Cronologia Aceita"

6.  Quais as duas naturezas de que Adão foi dotado por Deus?

7.  Como se comportava e agia Adão após sua criação por Deus?

8.  Dê os nomes bíblicos da região onde se situa o Éden.

9.  Que região da terra a Bíblia apresenta como berço da raça humana?

10.  Cite os 3 pontos descritivos sobre os primitivos sacrifí­cios de animais inocentes, isto é, as três lições que ensi­navam.

11.  Dê as seis razões apresentadas da extraordinária longe­vidade dos antediluvianos.

12.  Em que região da terra deu-se a confusão das línguas?

13.  Que região do globo os semitas povoaram?

14.  Que região do globo os camitas povoaram?

15.  Que região do globo os jafetitas povoaram?

16.  Que prediz a profecia de Noé (Gn 9.25-27) quanto ao futuro das três raças-troncos oriundas dele?

17.  Que capítulo na Bíblia apresenta um resumo da distri­buição das raças após o dilúvio?

18.  Como Abraão pôde ter conhecimento de Deus em meio a tanta idolatria?

19.  Com que personagem começa a história de Israel como povo eleito de Deus?

20.  Qual foi o supremo propósito de Deus na chamada de Abraão?

21.  Socialmente, que homem foi Abraão?

22.  Descreva o estado moral dos povos que ocupavam Ca-naã quando Abraão ali chegou?

23.  Quem eram os hicsos - dominantes no Egito quando para ali imigraram os israelitas?

24.  Quanto tempo durou a escravidão (e sua conseqüente aflição) dos israelitas no Egito?

25.  Descreva os três períodos, de 40 anos cada um, da vida de Moisés.

26.  Quais os faraós apontados pelos orientalistas como os da opressão aos israelitas, no Egito?

27.  Quais os faraós apontados como os do êxodo dos israeli­tas?

28.  Cite três fatos de alta relevância nacional e espiritual quanto a Israel durante seu período no deserto.

29.  Por que discorre a Lei sobre atos indecentes e imorais?

30.  Qual o principal pecado que fez Israel vagar cerca de 40 anos no deserto?

31.  Cite os líderes nacionais e espirituais durante o período de Israel no deserto.

32.  Quais os primeiros territórios conquistados e ocupados pelos israelitas antes de cruzarem o Jordão?

33.  Dê o nome da fase de operação durante a conquista de Canaã.

34.  Onde permaneceu o tabernáculo durante a conquista de Canaã?

35.  Por que os israelitas não conseguiram efetuar a con­quista total de Canaã?

36. Por que Deus ordenou a destruição das nações circun-vizinhas de Israel?

37.  O período dos Juizes levou quanto tempo?

38.  Onde se estabeleceu o centro religioso nacional de Is­rael no período dos Juizes?

39.  Cite o principal líder espiritual do período dos Juizes.

40.  Quem definitivamente conquistou Jerusalém das mãos dos jebuseus?

41.  Dê a extensão da área geográfica da nação israelita nos dias de Salomão.

42.  O que de fato deu ongem à religião mista dos samarita-nos? Cite referências bíblicas em 2 Reis.

43.  Quanto tempo durou e quantos reis teve o reino de Is­rael, isto é, o reino do Norte?

44.  Idem, referente ao reino de Judá, isto é, o reino do Sul?

45.  Quanto ao cativeiro de Judá, cite as datas de suas três levas de exilados.

46.  Dê a duração e ocasião do ministério dos profetas como um todo?

47.  Dê o nome do profeta:

-  Entre os exilados em Babilônia.

-  Entre o ramanescente deixado na Palestina.

-  Na corte do império babilônico durante o exílio.

48.  Dê o período e a ocasião da restauração do país de Is­rael, após o cativeiro.

49.  Quanto ao retorno do cativeiro, dê as datas das três le­vas de repatriados.

50.  Cite referências do Novo Testamento mostrando que naqueles dias havia núcleos de todas as tribos de Israel.

51.  Além do Sinédrio e dos livros apócrifos, cite outros fa­tos relevantes ocorridos durante o Período Interbíblico.

52.  Cite as seitas religiosas surgidas durante o Período In­terbíblico.

53.  Que fato principal provocou a revolta dos Macabeus contra a Síria?

54.  Que evento da revolta dos Macabeus originou a festa mencionada em João 10.22?

55.  Em que ano o Império Romano apossou-se da Palesti­na?

56.  Como procedeu Herodes o Grande para ocupar o trono da Palestina?

57.  Dê a referência bíblica e o nome completo do César que reinava em Roma quando o Salvador nasceu.

58.  Considerando os tempos do Novo Testamento, cite as três civilizações em curso, e o que representavam na Palestina.

 

 

 

 

Cristo nasceu quan­do César Augusto dominava o mundo, inclusive a cidade de Jerusalém

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7

Cronologia bíblica

 

Teremos neste capítulo um resumo da cronologia dos períodos bíblicos, bem como dos livros da Bíblia. Incluire­mos alguns fatos relevantes da história universal contem­porânea.

 

I. INTRODUÇÃO À CRONOLOGIA BÍBLICA

A cronologia bíblica é quase toda incerta; aliás, toda a cronologia antiga é incerta. As datas eram contadas to­mando-se por base eventos importantes, e isso dentro de cada povo. Não havia, é óbvio, uma base geral.

Quanto à Bíblia, seus escritores não tinham preocupa­ção com datas; apenas registravam os fatos. As datas, quando mencionadas, têm base, como acima ficou dito: em eventos particulares.

As descobertas arqueológicas e o estudo mourejante de dedicados eruditos no assunto vêm melhorando e precisan­do a cronologia em geral, inclusive a bíblica.

As datas que aparecem nas margens de certas edições da Bíblia não pertencem ao texto original. Foram calcula­das principalmente pelo arcebispo Ussher (1580-1656), em 1650. É conhecida por "Cronologia Aceita". Essas datas foram inseridas na Bíblia pela primeira vez em 1701. De certos tempos para cá a cronologia de Ussher vem enfren­tando severa crítica, Há divergências e opiniões contrárias a muitas de suas datas, isso em face do progresso do estudo de assuntos orientais através das pesquisas e descobertas arqueológicas.

É preciso considerar que o registro de números, datas e tempos constantes das Escrituras foram inseridos de acor­do com as necessidades e a praxe de então. A Bíblia não é um tratado de história, nem de geografia, nem de astrono­mia ou de outros ramos quaisquer da ciência, apesar de ha­ver nela alusões a tudo isso. Ela é, acima de tudo, a revela­ção de Deus ao homem para que este possa ir a Deus.

 

II. DIFICULDADES NO ESTUDO DA CRONOLOGIA BÍBLICA

1.  Dificuldades nas fontes de dados

Tratando-se do texto bíblico, temos dados para a cro­nologia de três diferentes fontes, mas todos discrepantes: o Texto Mossorético, escrito em hebraico atual; a Septua-ginta, escrita em grego, e o Pentateuco Samaritano, escrito em caracteres samaritanos.

2.  Dificuldades nas eras

As eras atuais entraram em uso há pouco tempo em comparação com a extensão da história bíblica. A Era Assíria (O Cânon Epônimo) vem de 893 a.C; a Babilônica (Era de Nabopolassar), 747; a Grega, de 776 (data da pri­meira Olimpíada - jogos que eram realizados cada quatro anos); a Romana, de 753 a.C. - data da fundação de Roma; a Selêucida, de 312 a.C. - data da ocupação de Babilônia por Seleuco Nicátor; a Maometana, de 622 d.C. - data em que Maomé fugiu de Meca. Essa pluralidade de eras choca o leitor moderno que só tenha noções do nosso calendário.

3.  Dificuldades no texto bíblico

Há, especialmente nos períodos: dos juizes, do reino di­vidido, e dos profetas, muitos períodos coincidentes em parte, reinos associados, intervalos de anarquia, frações de anos tomadas por anos inteiros, partes tomadas pelo todo, e arredondamento de números. Há vários casos quanto a este último item. Exemplos: Êxodo 12.37 com Números

1.46 e 11.21; Gênesis 15.13 com Gálatas 3.17. Outro caso interessante é o do rei Jotão. Em 2 Reis 15.33 se diz que ele reinou 16 anos, entretanto, no versículo 30 é mencionado seu 20y ano de reinado!

Quanto ao caso do rei Jotão ter reinado 16 anos e ser mencionado seu 20? ano de reinado, ele pode ter reinado com seu pai, que era leproso, talvez em seus últimos anos de vida. Esse rei leproso - Azarias - (2 Rs 15.5,7), é tam­bém chamado Uzias (2 Cr 26.23).

 

III. CASOS A CONSIDERAR NO ESTUDO DA CRONO­LOGIA BÍBLICA

1.  A relação entre séculos e anos

Aqui, muitos se enganam no cálculo de anos. Por exem­plo: no Século I de uma era estão os anos 1 a 100, no Século II, 101 a 200, e não 100 a 200, como pode parecer à primeira vista. Exemplo mais completo:

Século I.....................................................anos 1 a 100

Século II............................................... anos 101 a 200

Século III.............................................. anos 201 a 300

Século XX........................................ anos 1901 a 2000

 

2.  A era antes de Cristo (Era a.C.)

A contagem do tempo antes de Cristo é regressiva, isto é, parte de Cristo para a criação (4004 a.C), e não ao con­trário. Partindo da criação para Cristo, os anos diminuem até chegarmos ao ano 1 a.C, porém, partindo de Cristo para a criação adâmica, os anos aumentam até chegarmos ao ano 4004, ano esse tido como a da criação, ou melhor, da recriação.

3.  O erro do nosso calendário - o calendário atual

O uso do calendário é tão antigo quanto a própria hu­manidade. Há calendários diversos. Nestas concisas e in­completas notas reportamo-nos unicamente ao calendário cristão, do qual, o calendário atual é continuação.

Em 526 a.C, o imperador romano do Oriente, Justi-niano I, decidiu organizar um calendário original, encarre­gando da tarefa o abade Dionysius Exiguus, o qual, em seus cálculos, cometeu um erro, fixando o ano 1 d.C. com um atraso de 5 anos. Daí dizer-se que Cristo nasceu 5 anos antes da Era Cristã, o que é um absurdo, se não houver ex­plicação. Nossos livros apenas declaram a existência do er­ro, mas não o explicam.

As datas atuais estão, portanto, atrasadas de 5 anos. Para termos datas mais ou menos exatas é preciso acres­centar-lhes 5 anos.

É também oportuno dizer que o calendário atual cha­ma-se Gregoriano, porque em 1582 o papa Gregório XIII alterou o calendário de Dionysius, subtraindo 10 dias (de­terminou que o dia 5 de outubro passasse a ser 15 do mes­mo mês), a fim de corrigir a diferença advinda do acúmulo de certos minutos a partir de 46 a.C., quando César refor­mou o calendário de então.

4. O tempo e suas divisões

a. O dia natural. Isto é, o período em que há luz; entre os judeus e romanos era dividido em 12 horas (Jo 11.9), isto nos dias do Novo Testamento. A Hora Primeira era às 6 da manhã; a Hora Sexta às 12 horas de hoje. (Algumas refe­rências: Mt 20.6; Jo 4.6; At 10.3,9). A Terceira, a Sexta e a Nona Hora eram dedicadas a oração e adoração (At 3.1; 10.3,9). Antes da Hora Terceira, os judeus não comiam nem bebiam (At 2.15). Nos tempos do Antigo Testamento o dia era simplesmente dividido em 3 períodos: manhã, das 6 às 10; o calor do dia, das 10 às 14 horas, e o frescor do dia, das 14 às 18 horas. O dia civil era contado de um pôr-do-sol a outro (Lv 23.32). Entre os romanos, o dia ia de uma meia-noite a outra, isto é, o dia civil.

João, em seu Evangelho, emprega o calendário romano; os demais evangelistas usam o judaico. João escreveu de Éfeso, que, sendo território romano, empregava o citado calendário. Por isso ele cita as horas de modo diferente. Por exemplo, Marcos, usando o calendário judaico, declara (Mc 15.33) que, estando Jesus na cruz, vieram trevas sobre a terra, na Hora Sexta (meio-dia). João, por sua vez, afir­ma que o julgamento de Jesus terminou na Hora Sexta, (Jo 19.14) o que é uma discrepância! Porém, no calendário romano, usado por João, a Hora Primeira do dia era à meia-noite, sendo 6 da manhã a Hora Sexta, a hora em que terminou o julgamento de Jesus:

A noite, nos tempos do Antigo Testamento, estava divi­dida em três vigílias, de 4 horas cada uma. A primeira, das 6 às 10; a da meia-noite, das 10 às 2 da manhã; a da ma­nhã, das 2 às 6 da manhã (Êx 14.24; Jz 7.19; Lm 2.19). No NT, a noite tinha 4 vigílias de 3 horas cada uma, conforme o sistema dos romanos. A primeira chamava-se tarde e ia das 6 às 9; a segunda, meia-noite, das 9 às 12; a terceira, cantar do galo, das 12 às 3 da madrugada; a quarta, ma­nhã, das 3 às 6 da manhã (Mc 6.48; 13.35; Lc 12.38).

Nosso sistema sexagesimal (horas divididas em 60 mi­nutos, e estes em 60 segundos) vem dos sumários. Não era seguido entre os israelitas.

b.  A semana. Em hebraico o termo traduzido "sema­na" significa simplesmente sete, sem indicar dias ou anos. Nossa palavra semana vem do latim "septimana" que lite­ralmente significa setenário, isto é, que contém sete. Os dias da semana entre os hebreus não tinham nomes e sim números, exceto o sexto que se chamava parasceue (Lc 23.54), e o sétimo que se chamava sábado (em heb. "shab-bath", cessação, descanso).

c.  Os meses. Eram lunares, devido à observação das fa­ses da lua. Tinham 29 a 30 dias, alternadamente. Antes do cativeiro babilônico, os meses eram designados por núme­ros, exceto o primeiro que se chamava Abibe (espiga de tri­go). Após o retorno do exílio, passou a chamar-se Nisã, pa­lavra assíria para princípio, abertura (Êx 12.2; 13.4). Após o cativeiro, todos os meses passaram a ter nomes de origem babilônica e cananéia:

 

MÊS

NOME

APROXIMAÇÃO ATUAL

Abibe ou Nisã

Abril

Zife ou Liar

Maio

Sivã

Junho

Tamuz

Julho

Abe

Agosto

Elul

Setembro

Etanim ou Tísri

Outubro

Bul ou Marquesvã

Novembro

Quisleu

Dezembro

10º

Tebete

Janeiro

11º

Sebate

Fevereiro

12º

Adar

Março

 

Sendo o ano lunar, retrocedia em dias, causando desen­contro das estações agrícolas, uma vez que estas são oca­sionadas pelo ciclo solar. Para harmonizar isto, cada três anos intercalava-se um mês adicional chamado Veadar (is­to é, segundo Adar), ficando esse ano com 13 meses. Isto forçou os israelitas a adotarem o ano do ciclo solar.

d. Os anos. Tinham 12 meses de 29 e 30 dias, alternada-mente, perfazendo 354 dias. Os judeus tinham dois dife­rentes anos: o sagrado e o civil. O sagrado iniciava-se no mês de Abibe, que corresponde ao fim de março ou princí­pio de abril, na lua cheia, após o equinócio da primavera. O ano civil iniciava-se no sétimo mês do ano sagrado (Tisri ou Etanim), correspondendo ao final de setembro ou princípio de outubro. O início do ano civil era comemorado com a Festa das Trombetas (Lv 23.24,25). Havia também o Ano Sabático cada 7 anos, para descanso do solo; e o Ano do Jubileu, cada 49 anos, para libertação humana em ge­ral. Assim, Deus proveu o controle das riquezas e da escra­vidão.

 

IV. CRONOLOGIA DOS PERÍODOS HISTÓRICOS DA BÍBLIA E HISTÓRIA UNIVERSAL CONTEMPO­RÂNEA

(Períodos, aqui, têm aplicação diferente da do Cap. VI.) 1. Período Antediluuiano: 1656 anos (Gn caps. 2-6) Tempo: de Adão (4004 a.C.) ao Dilúvio (2348 a.C.) Adão criado em 4004 a.C. O Dilúvio ocorreu em 2348 a.C. Nesse período, Babilônia - berço da raça humana - atinge elevado grau de civilização. Primeira dinas­tia de Ur: 2800-2400 a.C. Ur era cidade-reino predo­minante na época, no mundo então conhecido. Era a cidade de Abraão. Foi depois eclipsada pela cida­de de Babilônia. Reinos do Alto e Baixo Egito. Me-nes unifica o Egito: 2900 a.C. Cidades-estados su-merianas.

2. Período do Dilúvio d Dispersão das Raças: 100 anos (Gn caps. 7-11).

Tempo: 2348-2248 a.C.

Nascimento de Abraão: 1996 a.C.

De Adão a Abraão: 2008 anos

Sem (filho de Noé) viveu 98 anos até o Dilúvio, e mais 502 após. Foi um traço de união entre as gerações poste­riores ao Dilúvio.

3. Período dos Patriarcas: 430 anos (Gn cap. 12 a Êx cap. 12)

Tempo: da chamada de Abraão ao Êxodo (1921-1491 a.C.)

Chamada de Abraão: 1921 a.C.

Do Dilúvio à chamada de Abraão: 427 anos (2348-1921 a.C.)

As provações de Jó: cerca de 1845 a.C. Nascimento de José: 1800 a.C.

Imigração de Jacó e sua família para o Egito: cerca de 1706 a.C.

Nascimento de Moisés: 1571 a.C. Permanência de Israel no Egito: cerca de 400 anos. Período da escravidão no Egito: cerca de 100 anos. Egito - 1? império mundial: 1600-1200 (18? e 19? dinas­tias).

Êxodo dos Israelitas: 1491 a.C. Outro cômputo dá 1450 a.C.

4. Período da Jornada no Deserto e Conquista de Canaã: 46 anos (Êx cap. 13 a Js cap. 24).

Tempo: do Êxodo à conquista de Canaã (1491-1445 a.C.)

Peregrinação no deserto: 40 anos (Nm 10.11 com Dt 2.14).

Passagem do Jordão: 1451 a.C.

Conquista de Canaã: 6 anos (1451-1445 a.C.)

Apogeu do Império Hitita: 1400 a.C.

Projeção dos gregos e colonização da Ásia Menor por eles.

5. Período da Teocracia: 345 anos (Jz cap. 1 a 1 Sm cap. 10) (Ver Juizes 11.26.)

Tempo: época dos Juizes até Samuel (1445-1100 a.C.)

Ministério de Samuel: 1100-1053 a.C. - cerca de 47 anos.

Egito: centro de cultura geral.

Projeção da Grécia. Destruição de Tróia: 1184 a.C.

Os navegantes exploradores fenícios chegam a Gibraltar: 1100 a.C.

Até aqui, a cronologia é por demais incerta. A época dos

Juizes é uma das piores. (A partir do período seguinte, a

História já fornece dados mais seguros para cálculos).

6. Período do Reino Unido ou Monarquia: 120 anos (1 Sm cap. 11 a 2 Cr cap. 9).

Tempo: de Saul (1053) a Salomão (933 a.C.)

Saul: 1053-1013, reinado de 40 anos (At 13.21).

Davi: 1013-973, reinado de 40 anos (2 Sm 5.4).

Salomão: 973-933, reinado de 40 anos (1 Rs 11.42).

Assíria - império mundial: 900-607 a.C.

7. Período do Reino Dividido: 347 anos (1 Rs 12 a 2 Cr 36)

Tempo: de Roboão (933) a Zedequias (586 a.C.)

Reino do Norte (Israel) durou mais de 200 anos (933-721 a.C.)

Reino do Sul (Judá) durou mais de 300 anos (933-586 a.C.)

Início do cativeiro do Reino do Norte (Galiléia): 734 a.C.

Cativeiro total do Reino do Norte: 721 a.C.

Início do cativeiro de Judá: 606 a.C. 1ª leva de cativos, inclusive Daniel. (Ver 2 Crônicas 36.6,7 com Daniel 1.1-3.)

Templo saqueado. Jeoaquim subjugado.

Segunda leva de cativos de Judá: 597 a.C. Nesta leva foi o profeta Ezequiel, o rei Jeoaquim e 10.000 homens esco­lhidos (2 Rs 24.14-16). Mais tesouros do templo foram levados.

Terceira leva de cativos: 586 a.C. Desta vez Nabucodo-nosor destruiu Jerusalém e incendiou o templo, levando entre os cativos o rei Zedequias (2 Rs 25.8-12; Jr 52.28-30).

Roma é fundada em 753 a.C.

Os fenícios dão volta à África em 600 a.C.

Faraó Neco II tenta construir um canal ligando o mar Vermelho ao Mediterrâneo utilizando 120.000 homens.

(Fato concretizado no Canal de Suez, no século passa­do.)

A Pérsia esmaga o Egito: 525 a.C.

Projeção dos estados gregos - Atenas e Esparta.

8. Período do Cativeiro e Restauração: 174 anos (2 Cr 36 a Ne 13).

Tempo: da primeira leva de cativos de Judá por Babilô­nia (606 a.C.), ao final do registro da história bíblica (cerca de 430 a.C.)

Cativeiro: 70 anos.

Restauração: 104 anos.

Decreto de Ciro para a volta dos judeus do cativeiro: 536 a.C.

Reconstrução do templo: 536-516 a.C. (20 anos)

Deposição de Vasti: 482 a.C.

Ester, rainha da Pérsia: 478 a.C.

Ageu e Zacarias - profetas da restauração: 520 a.C. em diante

Esdras chega à província de Judá como sacerdote: 457 a.C.

Neemias nomeado governador: 445 a.C. Reedifica os muros e a cidade de Jerusalém, em 444. Volta à Pérsia em 434. Retorna a Jerusalém em 432 a.C. (Ne 13.6).

9. Período Interbíblico: cerca de 400 anos (De Neemias ao início da Era Cristã).

Impérios dominantes: o Persa: 536-330; o Grego: 330-146; O Romano: 146 a.C. a 476 d.C.

 

Resumo geral da cronologia do Antigo Testamento

4004-2400 a.C Mundo   antediluviano................................cerca de 1600 anos

2400-2000 a.C Do Dilúvio a Abraão                                                      400 anos

2000-1800 a.C Patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó...........                      200 anos

1800-1400 a.C Israel no Egito.........                                                         400 anos

1400-1100 a.C Período dos Juizes...                                                       300 anos

1053-933 a.C A Monarquia Israeli­ta (Saul, Davi e Salo­mão) ...         120 anos

933-586    a.C O Reino Dividido.....                                                        350 anos

606-536    a.C O Cativeiro..............                                                         70 anos

536-432    a.C Restauração  da  na ção israelita.............                       100 anos

 

10. Período do Novo Testamento

Nascimento de Jesus: Ano 5 antes do início da atual

Era Cristã.

Tibério associado com Augusto no governo do Império Romano: 11-14 d.C.

Tibério, imperador: 14 d.C.

Ministério de João Batista: 26 ou 27 d.C. Evidências disso:

a) Em Lucas 3.1,o 15º ano de Tibério é contado a partir de seu governo associado com Augusto em 11 d.C. Logo 11 + 15 = 26 d.C.

b)  Em João 2.20, se diz que o templo fora construído em 46 anos. De acordo com a História, a construção teve início em 19 a.C.

Logo: 19 a.C + 27 d.C. = 46 anos.

Batismo de Jesus: 26 ou 27 d.C. (Corrigindo-se o calen­dário: 30-31 d.C.)

Ministério de Jesus: 26-29 d.C. Sua idade 29 d.C + 4 (devido ao erro do calendário) = 33 anos e meses. Fundação da Igreja: 29 d.C. ( + 4 anos devido ao erro do calendário = 33 d.C.)

Conversão de Saul: 32 ou 35 d.C.

Fundação da igreja gentílica de Antioquia: 42 d.C. (At 11.19-26).

Antioquia era a terceira cidade do império, sendo as outras, Roma e Alexandria.

Primeira viagem missionária de Paulo: 47 d.C. (At 13.4-15.4).

Concilio de Jerusalém: 50 d.C. (At 15).

Segunda viagem missionária de Paulo: 50 d.C. (At 15.36-18.22).

Terceira viagem missionária de Paulo: 54-47 d.C. (At 18.23-21.20).

Fundação das igrejas da Ásia Menor e Europa por Pau­lo: 50-63 d.C.

Fim do livro de Atos: 62 d.C.

Viagem de Paulo a Roma, preso: 60 d.C.

Incêndio de Roma, atribuído aos cristãos, por Nero: 64 d.C.

Começa a grande perseguição aos cristãos. Acaba a construção do templo: 64 d.C.

Morte de Pedro: 64/65 d.C.

Início da revolta dos judeus contra os romanos: 66 d.C.

Morte de Paulo: 67 d.C, por Nero.

Destruição de Jerusalém e seu templo pelos romanos: 70 d.C.

Destruição de Pompéia e Herculano 79 d.C. por uma erupção do Vesúvio.

Perseguições  contínuas  aos cristãos e progresso do Evangelho, esvaziando os templos pagãos do Império Romano: 80 d.C. até o fim do Século I.

 

V. CRONOLOGIAS DIVERSAS

1. Cronologia dos livros da Bíblia

Conforme os mais abalizados mestres no assunto em questão, é a seguinte a ordem cronológica dos livros da Bíblia. Quanto aos profetas, o ano mencionado é o do início do ministério de cada um:

 

ANTIGO TESTAMENTO

 

-Jó.........................................................................           1521 a.C.

-Gênesis........................................................ 1521-1500 a. C.

-Êxodo..................................................................            1490a.C.

-Levítico.................................................................          1489a.C.

-Números...............................................................          1451 a.C.

-Deuteronômio......................................................           1451 a.C.

-Josué....................................................................           1424 a.C.

-Juizes...................................................................           1126 a.C.

-Rute......................................................................          1050 a.C.

-1 Samuel...............................................................          1050 a.C.

-2 Samuel...............................................................          1018 a.C.

-1 e 2 Reis..............................................................          1015 a.C.

-Salmos.............................................................     1050-975 a.C.

-Cantares..............................................................           1013a.C.

-1 e 2 Crônicas......................................................          1004a.C.

-Provérbios...........................................................           1000 a.C.

- Eclesiastes..........................................................           975 a.C.

-Joel......................................................................           840 a.C.

-Jonas...................................................................           790 a.C.

-Amos....................................................................           780 a.C.

-Oséias..................................................................           760 a.C.

-Isaías....................................................................          745 a.C.

- Miquéias..............................................................          740 a.C.

- Sofonias...............................................................          639a.C.

-Naum....................................................................          630 a.C.

- Jeremias..............................................................          626a.C.

- Lamentações........................................................          626 a.C.

- Habacuque..........................................................          606 a.C.

- Daniel..................................................................          606 a. C.

-Ezequiel................................................................          592 a.C.

- Obadias..............................................................           586a.C.

-Ageu.....................................................................           520 a.C.

- Zacarias............................................................                        520 a.C.

-Ester....................................................................           509 a.C.

- Esdras.................................................................           457a.C.

- Neemias..............................................................           434 a.C.

- Malaquias............................................................          432a.C.

 

NOVO TESTAMENTO

-1 Tessalonicenses.................................................          51 d.C.

-2 Tessalonicenses.................................................          52 d.C.

-1 Coríntios............................................................          56d.C.

-2 Coríntios............................................................          57d.C.

-Gálatas.................................................................          57d.C.

-Romanos...............................................................          58 d.C.

-Mateus..................................................................          60 d.C.

- Efésios..................................................................         61 d.C.

-Tiago.....................................................................         61 d.C.

- Filipenses..............................................................        62 d.C.

-Colossenses...........................................................         62 d.C.

- Filemom...............................................................         62 d.C.

-Lucas....................................................................          63 d.C.

- Hebreus................................................................         63 d.C.

-Atos dos apóstolos...............................................           63 d.C.

- 1 Timóteo.............................................................          64 d.C.

- 1 Pedro.................................................................         64 d.C.

- Tito.......................................................................         65 d.C.

- Marcos..................................................................        65 d.C.

-2 Pedro..............................................................                         64/5 d.C.

-2 Timóteo.............................................................           67d.C.

-Judas....................................................................          70 d.C.

-João (Evangelho).................................................          85 d.C.

-1 João...................................................................          90d.C.

-2 João...................................................................          90 d.C.

-3 João...................................................................          90 d.C.

-Apocalipse............................................................          96d.C.

 

2.  Patriarcas

Os principais já foram mencionados nos períodos estu­dados. Os cabeças das 12 tribos estão entre os patriarcas (At 7.9). José morreu no Egito. Não houve tribo com esse nome. Seus dois filhos Efraim e Manasses deram nomes a duas tribos e ocuparam os territórios que seriam de Levi (que não teve território, mas, cidades) e José.

3.  Sacerdotes

Ver a lista em 1 Crônicas 6.1-15 e Neemias 12.11,22.

4.  Reis

Os três principais reis de Israel já foram mencionados. O reino do Sul (Judá), teve 19 reis. O primeiro foi Roboão (933-911 a.C), e o último Zedequias (597-586 a.C).

5.  Profetas

Devemos banir do nosso pensamento a idéia popular de que o principal serviço do profeta era predizer. No original, profeta não significa "aquele que prediz", mas "aquele que fala em lugar de outro, por outro". Infelizmente, a ordem dos profetas em nossas Bíblias, não é a cronológica em que eles ministraram, o que origina não pouca confusão, mas, por certo, isto também tem sua vantagem.

Profetas literários em ordem cronológica, quanto ao ca­tiveiro e pós-cativeiro dos judeus. (Profetas literários são os que escreveram suas profecias.)

Profetas antes do cativeiro

Reino de Israel

- Jonas (enviado à Assíria)

- Oséias

- Amos (natural de Judá) Reino de Judá

- Miquéias (natural de Judá)

- Joel

- Isaías

- Miquéias (ministrou aos dois reinos)

- Sofonias

- Naum (profetizou contra a Assíria)

- Jeremias (parte do seu ministério)

- Habacuque

- Obadias (profetizou contra Edom) Profetas durante o cativeiro de Judá

- Jeremias, na Palestina, entre o remanescente deixa­do.

- Ezequiel, em Babilônia, entre os cativos, no campo.

- Daniel, em Babilônia, no palácio real. Profetas do pós-catiueiro

- Ageu

- Zacarias

- Malaquias

6. Cronologia dos impérios mundiais

Houve até hoje 6 impérios de âmbito mundial. Damos abaixo o resumo de cada um deles.

1º) Egito: 1600-1200 a.C. Este império mundial ia da Etiópia ao Eufrates. Nas dinastias XVIII e XIX, Israel es­tava no Egito. Canaã era província egípcia. O Egito foi fundado por Mizraim, filho de Cão, logo após o Dilúvio (Gn 10.6,13). Houve 31 dinastias de reis egípcios, de 3500 a 332 a.C, quando o país foi conquistado por Alexandre. De 332 a 30 a.C, o Egito foi governado pelos reis Ptolomeus (I a XIV), sendo seu último governante a rainha Cleópatra VII (ano 30 a.C.) Daí em diante ele foi província romana até 640 d.C

Algumas dinastias egípcias de maior interesse para o estudante da Bíblia:

IV Dinastia - Construção das famosas pirâmides em Gizé. (2900 - 2750 a.C.)

XII Dinastia - Abraão vai ao Egito (Gn cap. 12) (cerca de 2000 a.C.)

XV-XVII Dinastia - Os Hicsos dominam. José perten­ce a XVI dinastia.

XVIII-XIX Dinastia - O Egito como império mundial. O nascimento de Moisés deu-se na XVIII. O êxodo dos ju­deus deu-se na XIX (1600 - 1200 a.C.)

XXI Dinastia - Época de Davi (1100-950 a.C.)

XXVII-XXXI Dinastia - São as chamadas dinastias pérsicas (525 - 332 a.C.)

2º) Assíria: 900-607 a.C. Levado o Reino do Norte (Is­rael) em cativeiro (734-721 a.C). Os assírios eram muito cruéis. Não poupavam a ninguém. Nínive era a capital. O nome deriva de Nina, um dos nomes da deusa lua de Ur. (Seu nome mais comum era Istar.) A Assíria fez-se à custa de pirataria. Para inspirar terror aos povos vizinhos, eles constumavam fazer montes de caveiras dos seus prisionei­ros. Foi fundada por Assur (Gn 10). Teve reis famosos como Tiglate-Pileser I (1120-1100 a.C), mais ou menos contemporâneo de Samuel. Como império mundial, a Assíria tem mais relação com o Reino do Norte (Israel). Al­guns reis desse império mundial:

- Salmaneser II (885-860 a.C.) Foi o primeiro rei assírio a hostilizar Israel. Acabe fez-lhe frente. Jeú pagou-lhe pe­sado tributo.

Tiglate-Pileser III (747-727 a.C.) Também chamado Pul, na Bíblia. Levou para o cativeiro habitantes do Norte de Israel, em 734.

Salmaneser IV (727-722 a.C.) Sitiou Samaria, mor­rendo no sítio (2 Rs 17.5).

- Sargão II (722-705 a.C.) Consumou o cativeiro do Rei­no de Israel (2 Rs 17.6).

- Senaqueribe (705-681 a.C.) O mais famoso rei assírio. Invadiu Judá, sendo derrotado por um anjo diante de Jeru­salém (2 Rs 19.35).

- Em 607 a.C, assediado pelos citas, medos e babilôni-cos, o feroz e brutal império caiu!

-  Jonas, profeta do reino de Israel, foi enviado como missionário a Nínive, capital da Assíria (!), provavelmente durante o reinado de Adade-Ninari (808-783 a.C.)

3?) Babilônia: (606-536 a.C.) Destruiu Jerusalém e o templo de Salomão. Levou Judá em cativeiro. Foi império mundial durante o tempo em que Israel esteve cativo: 70 anos!

Babilônia foi o berço da raça humana. Aí ficava o É-den. Adão, Noé e Abraão viveram em seu território. Cerca de 2000 a.C. Babilônia foi potência dominadora mundial. Houve em seguida um longo período de declínio, ficando a supremacia com os assírios. Depois de quase dois mil anos, Babilônia ressurgiu como império mundial (606-536 a.C.) Nesta condição, teve 6 reis. Nabucodonosor - o 2? rei - foi o maior deles.

Esse rei levou os judeus ao cativeiro. Daniel foi um dos cativos. A ele afeiçoou-se o rei e fê-lo um dos seus conse­lheiros. A influência de Daniel sobre esse rei, sem dúvida, minorou a condição dos cativos judeus. O último rei de Ba­bilônia foi Belsazar. Ele iniciou o seu reinado associado ao pai, Nabonido. Em Daniel 8.1, o "terceiro ano do reinado de Belsazar" é a partir de seu reino associado com seu pai. Em 5.7,29, assim se compreende o "terceiro no reino": l9 Nabonido; 2? Belsazar; 3? Daniel. Em 5.2,11, Belsazar é chamado "filho de Nabucodonosor", porém, no sentido de descendente (Jr 27.7). (Ver também Romanos 9.10 e 2 Reis 14.3, onde "pai" está no sentido de ancestral.) Daniel ser­viu no palácio com todos os reis babilônicos, a partir de Nabucodonosor. Foi uma testemunha fiel de Deus no palá­cio do império que dominou o mundo: Daniel viveu em Ba­bilônia da elevação à queda do império.

4º) Pérsia: 536-331 a.C. Em 536, Ciro o Grande, venceu Babilônia e decretou a volta dos judeus, os quais novamen­te se organizaram como nação. Lista dos reis persas, dos quais, vários estão mencionados nos livros de Esdras, Nee-mias e Ester:

• Ciro. 538-529 a.C. (Ed 1.1; Is 45.1; Dn 1.21). Deus chamou-o pelo nome 150 anos antes de seu nascimento (Is 45.1). Só Deus pode fazer isto! Ciro conquistou Babilônia em 536 a.C.

Dario o Medo. Também chamado Dario I, e Dario fi­lho de Assuero (Dn 5.31; 6.1,28; 9.1). Esse monarca, foi, por Ciro, constituído rei, interinamente, sobre a Caldéia, enquanto Ciro completava suas conquistas (Dn 9.1). Ciro, ao terminar suas conquistas, ocupou o trono do império (Dn 6.28). O Assuero, pai deste Dario, não é o mesmo men­cionado em Ester 1.1.

• Assuero. 529-522 a.C. (Ed 4.6). É chamado na Histó­ria por Cambises II, filho de Ciro. É ainda conhecido por Xerxes I.

• Artaxerxes I. 522-521 a.C. (Ed 4.7-11). Determinou a suspensão das obras do templo, conforme Esdras 4.21-24. A História chama-o Smeredis.

• Dario II. 521-485 a.C. (Ed 4.5; 5.6; 6.1). É filho de Smeredis. Conhecido na História por Histaspes. É o Dario da Pedra de Behistum, perto de Hamadã. Ordenou a con­clusão do templo. É o famoso Dario da Batalha de Marato­na, Grécia, onde ele foi vencido pelos gregos (490 a.C.) É o pai de Assuero, marido de Ester (Et 1.1).

• Assuero. 485-465 a.C. (Et 1.1). Foi esposo de Ester. A História chama-o Xerxes II. Foi derrotado pela esquadra grega, em Salamina, Chipre, em 480 a.C. "Assuero" cor­responde à palavra grega "Xerxes". Não confundir este com o Assuero de Esdras 4.6. Foi o mais poderoso e o mais rico rei persa.

Artaxerxes II. 465-424 a.C. (Ed 7.1; Ne 2.1; 13.6). Fi­lho do rei anterior. A História chama-o Longímano. Foi en­teado da rainha Ester. Isto explica sua magnanimidade para com os judeus. Certamente a rainha influiu muito na formação de seu caráter. Autorizou seu ministro Neemias a reedificar Jerusalém.

Dario III, o Notus. 424-404 a.C. Não é mencionado na Bíblia.

• Artaxerxes III, o Mnémon. 404-359 a.C. Não é men­cionado na Bíblia.

Artaxerxes IV, o Ocus. 359-338 a.C. Não é menciona­do na Bíblia.

Arses. 338-335 a.C. Não é mencionado na Bíblia.

• Dario IV. 335-331 a.C. Mencionado na Bíblia em Neemias 12.22. A história chama-o Codómano. Vencido por Alexandre o Grande, na batalha de Arbela, Assíria, em 331  a.C. Caiu então o grande império persa.

5?) Grécia: 331-146 a.C. Em 330 Alexandre o Grande, tinha o mundo a seus pés, após seis anos de conquista. Em 332 invadiu a Palestina. Foi tolerante e benevolente para com os judeus. Levou a cultura grega a toda parte. Morreu, em Babilônia, em 323, aos 33 anos de idade. Seu vasto im­pério foi pouco depois dividido entre 4 de seus generais. A Grécia foi o centro da Filosofia, da Literatura, das Ciên­cias e da Arte. Era lugar de encontro das classes cultas do mundo. Quanto à religião, os gregos eram idolatras por ex­celência.

6º) Roma: 146 a.C. - 476 d.C. Em 146 a.C, Roma ven­ceu a Grécia na Batalha de Leucópetra, no istmo de Corin-to. A cidade-reino de Roma foi fundada em 753 a.C, na re­gião do Lácio, e, após conquistar toda a Itália, veio a ser se­nhora do mundo. Passou a república em 509 a.C. Tornou-se império em 31 a.C. Jesus nasceu quando esse poderoso império dominava o mundo conhecido. A Palestina foi por ele conquistada em 63 a.C. Em seus dias, também a Igreja foi fundada. É de grande valor para o estudante da Bíblia o conhecimento da história do Império Romano sob vários aspectos. Nos dias do NT, Roma, a capital, tinha 1.500.000 habitantes, sendo a metade constituída de escravos. Os li­mites do império compreendiam 4.800km de leste a oeste, e 3.200km de norte a sul. População total: 120.000.000 de habitantes. Ia do Atlântico ao Eufrates, e, do mar do Norte ao Deserto Africano.

Dentre os imperadores romanos, mencionaremos ape­nas os 12 Césares. O nome césar significa senhor. É o mes­mo que Kurios (grego); Kaiser (alemão); Czar (russo). O nome César foi herdado do grande general Caio Júlio Cé­sar. Este, integrou o primeiro triunvirato romano em 59 a.C. com Pompeu e Crasso. Depois, César governou sozi­nho como ditador. Foi assassinado em 44 a.C. por Bruto, seu filho adotivo.

 

OS DOZE CÉSARES

1. Augusto (Caio Júlio César Otávio Augusto). 31 a.C. a 14 d.C. (Lc 2.1). "Augusto" foi título conferido pelo Se­nado em 27 a.C, e significa sublime, venerando. No seu reinado Jesus nasceu.

2.  Tibério (Tibério Cláudio Nero). 14-37 d.C. (Lc 3.1). O ministério de Jesus e o começo da Igreja ocorreram em seu reinado. Reinou com Augusto de 11 a 14 d.C. Seu "ano 15" de Lc 3.1 é contado a partir de 11 d.C.

3.  Calígula (Caio Júlio César Germânico Calígula). 37-41 d.C. Não é mencionado na Bíblia. Cometeu os maio­res desvarios.

4.  Cláudio (Tibério Cláudio Druso Nero). 41-54 d.C. (At 11.28). Venceu os britânicos em 4 d.C.

5.  Nero(Nero Cláudio César Augusto Germânico). 54-68 d.C. (At 25.11; 26.32; Fp 4.22; 2 Tm 4.17; 1 Pe 2.17). In­cendiou Roma em 64 d.C, lançando a culpa sobre os cris­tãos. Milhares deles foram queimados vivos ou jogados na arena para serem comidos por animais famintos. Foi um dos maiores monstros da História. Seu prazer era assistir a agonia de morte de suas vítimas. Executou o apóstolo Pau­lo, em 67 d.C.

6.  Galba (Sérvio Sulpício Galba). 68-69 d.C. Não é ci­tado na Bíblia.

7.  Oto (Marcos Sálvio Oto). 69 d.C. Não é mencionado na Bíblia.

8.  Vitélio (Aulo Vitélio). 69 d.C. Não é mencionado na Bíblia. (Os anos 68 e 69 foram de grandes rebeliões inter­nas.)

9.   Vespasiano (Tito Flávio Vespasiano). 69-79 d.C. Não é citado na Bíblia. No seu reinado, Jerusalém foi des­truída no ano 70 d.C, por Tito, seu filho, que então co­mandava os exércitos romanos no Oriente.

10.  Tito (Tito Flávio Sabino Vespasiano). 79-81. Filho de Vespasiano. Não é mencionado na Bíblia.

11.  Domiciano (Tito Flávio Domiciano). 81-96 d.C Fi­lho de Vespasiano. Tremendo perseguidor dos cristãos. No seu reinado, o apóstolo João foi banido para Patmos.

12.  Nerva (Marcos Cócio Nerva). 96-98 d.C

 

QUESTIONÁRIO

1.  Quais os pontos de partida para a contagem do tempo entre os escritores da Bíblia?

2.  Que ramo da ciência vem melhorando e precisando a cronologia bíblica?

3.  Quem calculou as datas que aparecem nas margens de certas edições da Bíblia? Em que ano foram essas datas inseridas na Bíblia?

4.  Cite as três fontes bíblicas de dados cronológicos.

5.  Dê o título e ano inicial das principais eras históricas.

6.  Como resolver as dificuldades cronológicas do próprio texto bíblico, como por exemplo: Êxodo 12.37 com Nú­meros 1.46?

7.  Explique a relação entre séculos e anos quanto ao cál­culo de anos.

8.  A cronologia conta o tempo "a.C." partindo inicial­mente de onde e indo para onde?

9.  O calendário atual tem um erro de quase 5 anos; a mais ou a menos?

10.  Entre os judeus, que hora era a Hora Sexta, como se vê em João 4.6?

11.  Cite o início e o término do dia civil judaico e romano, nos dias de Jesus?

12.  Donde vem o nosso sistema sexagesimal (horas dividi­das em 60 minutos e estes divididos em 60 segundos)?

13.  Quando os meses hebraicos passaram a ter nomes?

14.  Qual a duração em dias do ano hebraico?

15.  Cite os meses em que se iniciavam os anos civil e reli­gioso em Israel.

16. Localize e cite os seguintes períodos ou datas da crono­logia bíblica:

- Chamada de Abraão..................................................

- Êxodo dos israelitas...................................................

- Ministério de Samuel.................................................

- Reinado de Davi.........................................................

-Cativeiro do Reino do Norte.....................................

- Consumação do cativeiro do Reino do Sul...............

- Fundação de Roma....................................................

-Nascimento do Senhor Jesus.....................................

-Ministério do Senhor Jesus.......................................

- Fundação da Igreja....................................................

-Morte do apóstolo Paulo............................................

- Destruição de Jerusalém............................................

17. Dos 12 filhos de Jacó, cite os 2 que não herdaram terri­tório, e quem os sucedeu?

18 Cite pela ordem os 6 impérios mundiais da História. 164

 

 

 

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Geografia bíblica

 

O presente capítulo cuidará do estudo de pontos e as­pectos salientes de Geografia Bíblica. Somente pontos ca­pitais serão focalizados. Parte do assunto já foi apresenta­da nos capítulos VI e VII que acabamos de estudar.

1. Importância da Geografia Bíblica

a. É o palco terreno e humano da revelação divina.

b. Ela dá cor, localiza, situa, fixa e documenta os rela­tos sagrados. Torna os acontecimentos históricos mais vividos e as profecias mais expressivas. O ensi­no torna-se mais objetivo quando podemos situar os locais onde os fatos se desenrolaram.

c. Sob qualquer aspecto, a geografia das nações circun-vizinhas da Palestina fornece muitos esclarecimen­tos a respeito das Santas Escrituras e suas doutrinas. Geografia, História e Arqueologia Bíblica são assun­tos interligados. Sua compreensão muito auxilia o estudante.

d. As nações vêm de Deus, logo o estudo do assunto à luz da Bíblia é profícuo sob todos os pontos de vista (Dt 32.8; At 17.26). Quando Cristo aqui reinar, as nações continuarão, mas muitas serão destruídas. Porém, o certo é que Cristo reinará sobre nações (SI 2.8; 72.11; 138.4; Dn 7.14; Mq 4.3, etc.)

2.  Fontes da matéria (Geografia Bíblica)

a. A Bíblia

A Bíblia faz menção de inúmeros lugares, acidentes geográficos, povos, nações, cidades. É evidente que isto merece um cuidadoso estudo. Há capítulos da Bíblia ocupados quase inteiramente com o assunto (Gn cap. 10; Js caps. 15 e 21; Nm cap. 33; Ez caps. 45-47; Ap caps. 21 e 22 etc.) Somente de cidades da Pa­lestina há menção de cerca de 600.

b. A História Geral é uma grande fonte, quando de boa procedência.

c. A Arqueologia. A Arqueologia bíblica teve seu começo em 1811, com o inglês Claude James Rich.

d. A Cartografia. É ciência antiguíssima. (Ver Ezequiel 4.1.)

3.  O mundo bíblico

O mundo bíblico situa-se no atual Oriente Médio e ter­ras do contorno do mar Mediterrâneo. O berço da raça humana é a Mesopotâmia, isto é, as planícies entre os rios Tigre e Eufrates. Daí partiram as primitivas civili­zações. Após a dispersão das raças (Gn caps. 10 e 11), Sem povoou o sudoeste da Ásia; Cão povoou a África, e Canaã, a península arábica; Jafé, a Europa e parte da Ásia. A divisão da Terra em continentes estaria mencio­nada em Gênesis 10.25b. Limites do Mundo Bíblico

1)  Norte: Da Espanha ao mar Cáspio

2) Leste: Do mar Cáspio ao mar Arábico (Oceano Indi­co)

3)  Sul: Do mar Arábico à Líbia

4)  Oeste: Da Líbia à Espanha Regiões, áreas e países do mundo bíblico

Citaremos apenas 17 países

1) Mesopotâmia. Berço da humanidade. Éden adâmico

• Babilônia (país e capital) Caldéia, Sinear, Súmer. É o Sul da Mesopotâmia.

Assíria. É o Norte da Mesopotâmia. Capital: Níni-ve.

2) Arábia. Capital: Petra. Vai da foz do Nilo ao golfo Pérsico. Peregrinação de Israel. Ofir, a terra do ouro.

3) Pérsia. (Hoje Irã). Capitais: Susa, Persépolis, Parsá-gada, Ecbátana. 0 livro de Ester. Parte do livro de Daniel.

4)  Elam. (Hoje incorporado ao Irã). Capital: Susã (Gn cap. 14.1; At 2.9).

5) Média. Norte do Elam. Capital: Hamadã (entre os gregos Ecbátana).

6) Armênia ou Arará

7) Síria ou Arã. Capital: Damasco. Seu território não é o mesmo da Síria moderna (At 11.26).

8) Fenícia (Hoje Líbano, em parte). Cidades: Tiro e Si-dom. Navegantes famosos. Primitivos exploradores. Fundaram Cartago no Norte da África.

9)  Egito, é o país mais citado da Bíblia, depois da Pa­lestina. Seu nome é em hebraico Mizraim (Gn 10.6). Teve várias capitais nos tempos bíblicos. Seu futuro está predito na profecia bíblica, como por exemplo: Ezequiel 29.15. Situa-se no Norte da África.

10) Etiópia. Ao sul do Egito. Conforme Gênesis 2.13, ha­via outra Etiópia na região norte da Mesopotâmia, a chamada "terra de Cush" (heb). A profecia a respei­to da Etiópia no Salmo 68.31 teve cumprimento a partir de Atos 8.26-39. É um país de base cristã até hoje. A Etiópia da Bíblia compreende modernamen­te a Abissínia e a Somália.

11) Líbia. Extensa região da África do Norte. Simão, que ajudou Jesus a levar a cruz, era natural de Cire-ne - cidade da Líbia (Mt 27.32). Igualmente, no Dia de Pentecoste havia cireneus em Jerusalém (At 2.10).

12) Ásia (At 6.9; 27.2; 1 Pe 1.1; Ap 1.4,11). Não era o que hoje conhecemos como o continente asiático. Era uma província romana situada na parte ocidental da Ásia Menor, tendo Éfeso como sua capital. Toda a região da Ásia e Ásia Menor compreende hoje o terri­tório da Turquia.

13)  Grécia ou Hélade (At 20.2). A Grécia antiga era co­nhecida pelo nome de Acaia (At 18.12), nome deriva­do dos Aqueus - povo primitivo que a habitou.

14) Macedônia (At 19.21). Fica ao norte da Grécia. A an­tiga Macedônia é hoje parte do território de vários países, a saber: Norte da Grécia, Sul da Bulgária, Iu­goslávia, e parte da Turquia. O ministério do apósto­lo Paulo ocorreu na Ásia Menor, Grécia e Macedô­nia, principalmente. A capital da então Macedônia chamava-se Pella.

15) Ilírico (Rm 15.19). Região européia onde Paulo mi­nistrou a Palavra de Deus. É hoje a Albânia e parte da Iugoslávia. A Iugoslávia mesma é a antiga Dal-mácia de 2 Timóteo 4.10

16) Itália (At 27.1; Hb 13.24). País banhado pelo Medi­terrâneo, situado ao sul da Europa. Em Roma sua capital, foi fundado um diminuto reino em 753 a.C., que mais tarde viria a ser senhor absoluto do mundo. Para a Itália, Paulo viajou e pregou o Evangelho, mesmo como prisioneiro.

17)  Espanha (Rm 15.24,28). Paulo manifestou o propósi­to de viajar à Espanha. Segundo os estudiosos da Bíblia, a cidade de Tarsis, mencionada em Jonas 1.3; 4.2, ficava ao sul da Espanha. Era, no tempo de Jonas, o extremo do mundo conhecido do povo co­mum. Foi a Espanha grande perseguidora dos cris­tãos durante a Idade Média, especialmente através dos tribunais da sinistra Inquisição.

Mares do mundo Bíblico

Citaremos por ora apenas cinco deles. Outros serão tra­tados quando abordarmos a Palestina

1) Mar Vermelho (Êx 10.19; 15.4; SI 136.15). Mar origi­nado no Oceano Indico ou mar Arábico. Em sua parte Norte, fica o golfo de Acaba, à direita; e o de Suez, à esquerda. Neste último ocorreu o estupendo milagre da passagem dos israelitas após saírem do Egito, quando o mar fendeu-se (Êx 14.22).

2) Mar Adriático (At 27.27). Parte do mar Mediterrâneo entre a Itália e a Dalmácia. O nome deriva da cidade italiana de Ádria ao norte do referido país. No tempo de Paulo, o referido mar compreendia área maior que a atual, conforme o relato de Atos capítulo 27.

3) Mar Negro. É conhecido na História por Ponto Euxi-no. Situado no Norte da Ásia Menor. Não é citado na Bíblia. (Ponto em grego é mar.)

4) Mar Cáspio. Conhecido como mar Hircano. Situado ao norte da Pérsia. Não é citado na Bíblia.

5) Mar Egeu. Entre a Província da Ásia (na Ásia Me­nor) e Grécia e Macedônia. Aí ficava a pequena Ilha de Patmos, onde o apóstolo João foi exilado (Ap 1.9).

Montanhas do mundo Bíblico

1) Arará. É uma cordilheira (Gn 8.4). Fica na Armênia. Altitude: 5.000 metros. Nessa cordilheira nascem os rios Tigre e Eufrates.

2) Sinai. O mesmo que Fforebe. No Sul da península do Sinai (Êx 19.2ss; SI 106.19). No monte Sinai, Israel recebeu a Lei e teve lugar o pacto entre Deus e seu po­vo. Ali Deus falara antes com Moisés (Êx 3.1ss).

3)  Os Líbanos. São duas cordilheiras ao norte da Palesti­na, não mencionados na Bíblia, mas a denominação vem dos tempos dos gregos, e persiste até o presente. Tem o sentido norte-sul. A do oeste é chamada Líba­no; a do Leste: Antelíbano. Nas encostas desses mon­tes, cresciam os famosos "cedros do Líbano" (1 Rs 5.6; SI 92.12). Esses montes são várias vezes citados nas Escrituras.

4) Hermom. Fica no Sul dos montes Antelíbano, sendo o limite norte da Palestina. Tem outros nomes na Bíblia. Atinge mais de 3.000 metros de altitude. Está sempre coberto de gelo e neve. Pode ser avistado de muito longe devido à sua imponência e alvura (Dt 3.8,9; SI 42.6; 133.3).

5) Seir. Região montanhosa de Edom, ao sul do mar Morto (Gn 14.6; 32.3; 36.8; Js 24.4).

6) Nebo. O mais elevado pico do Monte Pisga, nas mon­tanhas de Abarim (Nm 33.47). Fica a leste da foz do Jordão, na terra de Moabe. Do monte Nebo Moisés avistou a Terra Prometida (Dt 34.1). São dois pontos da mesma serra.

Rios

1) Nilo (Gn 41.1). Foi no seu delta (terra de Gósen) que o povo israelita permaneceu no Egito (Gn 47.6). Foi nas águas deste rio que o pequenino Moisés flutuou (Êx 2.3). É portanto um rio ligado à história do povo esco­lhido.

2)  Tigre (Hb. "Hidéquel"). Corre no Oriente da Mesopo-tâmia. Às suas margens ficava a grande cidade de Nínive. Foi às margens deste rio que um anjo apare­ceu a Daniel (Dn 10.4). Banhava a Assíria.

3)  Eufrates (Gn 2.14; Ap 16.12). É, às vezes, citado sim­plesmente como "o grande rio". Banhava a cidade de Babilônia. O Tigre e o Eufrates se unem no final de seus cursos. O trecho assim percorrido é chamado Chat-el-Arab. Em tempos remotos, desembocavam separados no Golfo Pérsico (Gn 2.14).

Outros três grandes rios ligados aos povos bíblicos mas não mencionados na Bíblia são o Leontes e o Orontes, na Síria, o Tibre na Itália, banhando a cida­de de Roma.

(Outros rios serão mencionados quando tratarmos da Palestina.) Cidades

1)Ur. Na Caldéia ou Sinar (Gn 11.28). Terra de Abraão. Cidade-reino importantíssima. Elevada ci­vilização. Cultura anterior à do Egito.

2) Nínive. (Gn 10.11; Jn 3.1ss). Capital da Assíria, às margens do Tigre. Grande biblioteca do rei Assurba-nipal.

3) Damasco. (Gn 15.2; At 9.1ss; Gl 1.17). Capital da Síria. É a mais antiga cidade do mundo continua­mente habitada.

4) Mênfis. Mesmo que Nofe (Os 9.6). Capital do Antigo Império do Egito. Época das pirâmides. Tempo de Abraão. 15 km ao sul do Cairo. Para aí fugiram parte dos judeus remanescentes, após a destruição de Je­rusalém por Nabucodonosor (Jr 44.1).

5) Babilônia. O mesmo que Babel (Gn 10.10). Capital do império do mesmo nome. Seus jardins suspensos eram uma das sete maravilhas do mundo antigo. Ci­dade ímpia, vaidosa, orgulhosa. Foi no império babi-lônico que os judeus estiveram exilados por 70 anos (Jr 25.11).

6) Harã. (Gn 11.31). Importante cidade ao norte da Mesopotâmia. Ficava no extremo Norte do reino de Mari. Aí habitou Abraão até a morte de Terá, seu pai, quando, então, reiniciou a jornada para Canaã (At 7.4).

7)  Tiro. (2 Sm 6.11; Mt 15.21; At 21.3). Grande porto marítimo da antiga Fenícia. Jesus pregou nessa re­gião (Mc 7.24). Hoje chama-se Sar e pertence ao Líbano. Os tírios foram navegantes e comerciantes famosos.

8) Sidom (Js 19.28; 1 Rs 17.9; Lc 6.17; At 27.3). É mo­dernamente a cidade de Saída, Era também impor­tante cidade da Fenícia. Paulo tinha amigos aí e visi­tou-os quando na viagem para Roma (At 27.3). Per­tence hoje ao Líbano.

9) Atenas (At 17.15; 1 Ts 3.1). Era a capital da Ática -uma das províncias da Grécia. Foi célebre centro de ciência, literatura e artes do mundo antigo. Era no-tadamente idolatra (At 17.16-23).

10) Êfeso (At 18.19; Ef 1.1; Ap 2.1). Era a capital da província da Ásia, na Ásia Menor. Era uma das maiores cidades do Império Romano. Paulo realizou aí um grande trabalho missionário (At 19.8-10).

11)  Roma. Cidade da Itália, capital do Império Romano (At 19.21; Rm 1.7; 2 Tm 1.17). Edificada à margem esquerda do rio Tibre. Foi capital política e cultural do mundo por muitos séculos. Aí escreveu Paulo vá­rias de suas epístolas, quando preso.

A Palestina ou Canaã

Agora nos deteremos para estudar com detalhes o país mais importante da Bíblia: a Palestina ou Canaã, moder­namente chamado Israel (se bem que o território do mo­derno Israel não é exatamente o mesmo dos tempos bíbli­cos). Fatos sobre a Palestina

• Prometida por Deus aos hebreus (Gn 15.18; Êx 23.31 e refs.)

• Centro geográfico do mundo, sob o ponto de vista divino (Ez 5.5).

• Melhor terra do mundo (Ez 20.6).

• Os judeus seriam um povo separado das demais nações (Lv 20.24; Nm 23.9; Dt 33.28; Jr 49.31; Mq 7.14).

• Por que Deus elegeu e chamou a nação israelita? (Gn 3.15; Êx 19.6; Dt 7.6; Rm 3.2; 9.4,5)

Nomes pelos quais é conhecida a Palestina

• Canaã (Gn 13.12)

• Terra dos Amorreus (Js 24.8)

• Terra dos Hebreus (Gn 40.15)

• Terra de Israel (1 Sm 13.19; Mt 2.20)

• Terra de Judá, Judéia (Ne 5.14; Is 26.1; Jr 40.12; Jo 3.22)

• Terra do Senhor (Os 9.3)

• Terra da Promessa (Hb 11.9)

• Palestina (Êx 15.14)

• Terra Santa (Zc 2.12)

• Terra Formosa (Dn 8.9)

• Israel (modernamente) Limites da Palestina

• Sul: Arábia (Cades-Barnéia e Ribeiro El-Arish (o "rio do Egito" em Gênesis 15.18).

• Norte: Síria e Fenícia.

• Oeste: mar Mediterrâneo. Na Bíblia: mar Grande

• Leste: Síria e Arábia.

Superfície comparada: Menor que a do nosso Estado de Alagoas. Alagoas tem 27.731 km2 ao passo que Israel atual tem 20.770 km2. No Antigo Testamento seu comprimento era de 250 km (de Dã a Berseba). Largura: cerca de 88 km. Capital. Teve várias capitais, a saber:

Gilgal (no tempo de Josué)

Silo (no tempo dos Juizes)

Gibeá (no tempo de Saul)

Jerusalém (da época de Davi em diante). Seu primeiro nome foi Salém, depois Jebus, mais tarde Jerusalém.

Mispd (durante o cativeiro babilônico e por pouco tem­po) (Jr 40.8)

Cesaréia (Durante o domínio romano).

Tiberíades. Após a revolta de Bar-Cocheba, em 135 d.C. Detalhes indispensáveis sobre Jerusalém

• Jerusalém foi fundada pelos hititas (Nm 13.29; Ez 16.3). A cidade fica a 21 km a oeste do mar Morto, e 51 km a leste do mar Mediterrâneo. Está edificada sobre um promontório, a 800 m de altitude. A leste da cidade fica o monte das Oliveiras. A oeste e ao sul fica o vale de Hinon (em gr. Gee-na). A cidade nos tempos bíblicos dividia-se em 5 zonas ou bairros.

• Ofel, a sudeste.

• Moriá, a leste.

• Bezeta, ao norte.

• Acra, a noroeste.

• Sião, a sudoeste.

Um vale interno chamado Tiropeon, corre de norte a sul. Muitas de suas portas são mencionadas na Bíblia, mor­mente no livro de Neemias. Outras são citadas no NT, como em João 5.2 e Atos 3.2.

Na distribuição da terra de Canaã, Jerusalém ficou situa­da no território de Benjamim (Js 18.28). Foi conquistada em parte por Judá, mas pertencia de fato a Benjamim (Jz 1.8,21). Sua população tinha povo de Ju­dá e Benjamim (Js 15.63). Não ficava, pois, no território de Judá (Js 15.8).

Saindo do jugo romano, caiu em poder dos árabes em 637 d.C. e, salvo uns 100 anos, durante as Cruzadas, foi sempre cidade muçulmana. Em 1518 os turcos conquistaram-na. Em 1917, os britânicos assumiram o controle quando a Pa­lestina ficou sob o seu mandato por decisão da Liga das Nações. A partir de 1948, passou a ser cidade soberana (o setor novo), porém, na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Is­rael a reconquistou das mãos dos árabes, os quais dela ti­nham se apossado na guerra de 1948. Jerusalém será metrópole mundial durante o Milênio, quando estará vestida do seu prometido esplendor (SI 102.16; Is 2.3; Zc 8.22).

Nesse tempo, Israel estará à testa das nações (Dt 28.1,13; 15.6), e desempenhará afinal o papel que Deus lhe reser­vou, conforme lemos em Êxodo 19.6. Divisão política da Palestina

• No Antigo Testamento, foi a Palestina repartida entre as 12 tribos de Israel.

• No NT, a divisão política já foi apresentada no Cap. VI desta matéria.

 

Mares da Palestina

Mar Mediterrâneo. É na Bíblia chamado mar Grande, e mar Ocidental.

Mar Morto. Aparece sob vários nomes no Antigo Testa­mento, como: mar Salgado, (Gn 14.3); mar de Arabá (Dt 3.17), etc.

Mar da Galiléia. Outros nomes: mar de Quinerete (Nm 34.11), mar de Genesaré (Lc 5.1), e, mar de Tiberíades (Jo 21.1).

Rios da Palestina

Jordão, que corre no sentido norte sul. Nasce no monte Hermon e deságua no mar Morto.

•  Querite. Desemboca no Jordão, margem ocidental. É um "uádi."

Cedrom. Banha Jerusalém, lado leste. É também um "uádi", isto é, rio temporário.

• Jaboque (Gn 32.22; Js 12.2). É afluente do Jordão, mar­gem oriental.

Iarmuque. Afluente do Jordão, margem oriental. Não é citado na Bíblia. Deságua ao sul do mar da Galiléia.

Arnom (Nm 21.13; Js 12.1). Deságua no mar Morto, margem oriental. Era o limite sul da Palestina, frente oriental.

Quisom (1 Rs 18.40). Deságua no mar Mediterrâneo, perto do monte Carmelo.

Montes da Palestina

Tabor, na Galiléia. Altitude: 615 metros. (Jz 4.6). A transfiguração de Jesus (Mt 17.1,2) crê-se tenha ocorrido aí.

Gilboa, em Samaria (1 Sm 31.8; 2 Sm 21.12). Altitude: 543 metros.

Carmelo, em Samaria (1 Rs 18.20). Seu ponto mais alto é 575 metros. Fica no promontório que forma a baía de Acre, onde se localiza a moderna cidade de Haifa.

Ebal e Gerizim (dois montes), em Samaria (Dt 11.29; 27.1-13).

Moriá, em Jerusalém. Ali, Abraão ia sacrificar Isaque (Gn 22.2), e, Salomão construiu o templo de Deus (2 Cr 3.1).

Sido, em Jerusalém, a sudoeste. Altitude: cerca de 800 metros. O local e o termo "Sião" são usados de modo diverso na Bíblia. Na poesia bíblica, por exemplo, significa toda a cidade de Jerusalém, como no Salmo 133.3. O termo é também aplicado em alusão ao Céu (Hb 12.22; Ap 14.1).

Monte das Oliveiras, em Jerusalém (Zc 14.4; Mt 24.3; At 1.12). Aí Jesus orou sob grande agonia, na noite em que foi traído (Lc 22.39,44).

Monte Calvário. (Lc 23.33). Local onde Jesus foi crucifi­cado, e próximo do qual foi sepultado; fica fora dos muros da cidade de Jerusalém na sua parte norte. Era uma eleva­ção à beira de uma estrada. Próximo ao local da crucifica-ção deu-se a ressurreição (Jo 19.41). Aí, em 1885, o General Gordon descobriu um túmulo, cujas pesquisas revelaram nunca ter sido ocupado. Passou à ser tido como o de Cristo.

Clima da Palestina

O tipo de relevo do solo da Palestina resulta numa su­perfície muito variada, com muitas regiões elevadas e mui­tas baixas, originando toda espécie de climas, desde o tro­pical, no Jordão, até o de intenso frio, no Hermom, a 2.815 metros de altitude. A faixa litorânea tem uma temperatu­ra média de 2 graus. No vale do Jordão, a temperatura sobe a 40 graus centígrados. A temperatura média de Jeru­salém é de 22 graus. Em janeiro chega a 4. É devido a essa variedade de climas que a Palestina presta-se a toda espé­cie de cultura. Resumo Histórico da Palestina até o Tempo Presente

1) Conquistada pelos israelitas sob Josué em 1451-1445 a.C.

2)  Governada por juizes: 1445-1100 a.C.

3) Monarquia: 1053-933 a.C.

4)  Reinos divididos de Judá e Israel: 933-606 a.C.

5)  Sob os babilônios: 606-536 a.C.

6)  Sob os persas: 536-331 a.C.

7)  Sob os gregos: 331-167 a.C.

8)  Independente, sob os Macabeus: 167-63 a.C.

9)  Sob os romanos: 63 a.C. - 634 d.C.

10) Sob os árabes: 634-1517 d.C. Período das Cruzadas: 1095-1187. (As Cruzadas foram tentativas do cristia­nismo, para libertar a Palestina das mãos dos muçul­manos árabes.)

11)  Sob os turcos, como Império Otomano: 1517-1914 d.C. Os turcos também são muçulmanos, apenas têm mais influência oriental.

12)  Sob os ingleses (protetorado), por delegação da Liga das Nações: 1922-1948.

13). Em 14.5.1948, foi proclamado o ESTADO DE IS­RAEL, com a estrutura de república democrática. O primeiro governo autônomo judaico em mais de 2.000 anos! De agora em diante cumprir-se-á Amos 9.14,15! Os sete povos cananeus, primitivos habitantes da Palesti­na (Êx 33.2; Dt 7.1; 20.17).

1) Heteus ou Hititas. Um dos três mais poderosos povos do Oriente Médio. Os outros dois foram os egípcios e os mesopotâmios. O núcleo central ficava na Ásia Menor, perto de Ancara. Eram camitas (Gn 10.16).

2)  Girgaseus. Eram camitas (Gn 10.16)

3) Amorreus ou Amoritas. Eram camitas (Gn 10.16). Seu reino ficava em Mari, próximo a Mitâni, região de Ha-rã.

4)  Cananeus. Eram camitas (Gn 10.16).

5) Pereseus ou Fereseus. (Gn 13.7). Não se sabe a origem. Nada têm com os fariseus do Novo Testamento, que eram um grupo religioso.

6) Heveus ou Horeus (Gn 14.6; Dt 2.12,22). São os huma­nos da História. Eram camitas (Gn 10.17).

7) Jebuseus. Eram camitas (Gn 10.16).

Neles cumpriu-se a profecia de Noé em Gênesis 9.25. A localização das doze tribos de Israel na Palestina

Tribos a leste do Jordão: 3 - Manasses (parte), Gade, Rúben.

Tribos litorâneas: 5 - Aser, Manasses, Efraim, Dã (par­te), Judá.

Tribos centrais: 4 - Naftali, Zebulom, Issacar, Benja­mim.

Tribos dos limites Norte, e Sul: 2 - Dã (parte), Simeão.

(Norte e Sul, respectivamente). Outros aspectos da Geografia Bíblica

O estudante da Bíblia pode por si só estudar inúmeros outros pontos e aspectos da geografia bíblica, tanto no An­tigo como no Novo Testamento, uma vez que o assunto não requer maiores investigações no próprio texto bíblico. Exemplos de assuntos:

1. As cidades visitadas por Jesus. Estão mencionadas nos quatro evangelhos.

2. As viagens missionárias do apóstolo Paulo. Através do relato bíblico podemos acompanhar o apóstolo nessas viagens, vendo as cidades onde o grande missionário tra­balhou e estacionou. (At caps. 13 a 28).

3. As sete igrejas da Ásia (província) mencionadas no Apo­calipse. (Caps. 2 e 3 de Apocalipse). O estudante pode facilmente localizar essas cidades num bom mapa bíbli­co do Mundo Bíblico do Novo Testamento.

Há quatro mapas indispensáveis para um estudante de Geografia Bíblica. Esses 4 mapas o estudante deve, não somente saber interpretá-los, mas também reproduzir seus perfis e generalidades, à mão livre. Esses mapas são:

• O mundo Bíblico do Antigo Testamento.

• O mundo Bíblico do Novo Testamento.

• A Palestina do Antigo Testamento.

• A Palestina do Novo Testamento,

 

QUESTIONÁRIO

1.  Cite alguns dados mostrando a importância do estudo da Geografia Bíblica.

2.  Cite algumas fontes de estudo da Geografia Bíblica.

3. Dê os limites do chamado Mundo Bíblico. Mostre isso num mapa.

4. Localize num mapa os seguintes países e regiões do Mundo Bíblico: Mesopotâmia, Armênia, Fenícia, Assí­ria, Síria, Egito, Ásia (província), Macedônia, Acaia, Ilírico, Espanha, Itália.

5.  Localize num mapa (ou mapas), as seguintes cidades: Jerusalém, Nazaré, Jerico, Belém, Cafarnaum, Ur, Mênfis, Damasco, Babilônia, Nínive, Harã, Atenas, Ro­ma, Éfeso, Gaza, Antioquia, Cesaréia, Tiro, Cartago.

6. Localize os montes: Arará, Hermon, Calvário, Nebo, Si­nai, Seir.

7.  Localize os rios: Tigre, Nilo, Jordão, Tibre, Leontes, Ja-boque, Quisom.

8.  Localize os mares: Mediterrâneo, Vermelho, Galiléia, Morto, Egeu, Adriático, Arábico, Negro, Cáspio, Golfo Pérsico.

 

 

 

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Vida e costumes dos povos bíblicos

 

A vida, com seus usos, leis e costumes, difere de povo para povo, isso modernamente. Imagine-se como não estão distantes os costumes antigos orientais tão citados na Bíblia! Esses fatos, quando não compreendidos hoje, são tidos como aberrações. A Bíblia cita inúmeras leis, precei­tos, coisas e costumes do modo de viver oriental, que se o estudante desconhecer suas causas, razões, e modo de ser, não compreenderá muita coisa da revelação divina, já que tais fatos estão entretecidos no corpo do relato bíblico. Quem quer que se ocupe da leitura e estudo do Santo Livro estará sempre se deparando com essa dificuldade.

Vamos destacar alguns casos dos acima mencionados, e estudá-los resumidamente, já que um elementar curso de Introdução Bíblica não comporta o exame demorado da matéria em questão.

1.  Gênesis 24.2; 47.29-31

O juramento com a mão sob a coxa. Significava então submissão, obediência irrestrita. Por isso Deus tocou a coxa de Jacó! (Gn 32.24-32). Realmente, dali para a frente Jacó tornou-se um homem de Deus. Até seu nome foi mudado!

2.  Gênesis 37.34 - Rasgar as vestes

Era demonstração de luto, lamento, tristeza. Há 28 ca­sos na Bíblia. Os sacerdotes não podiam fazer isso (Lv 10.6), mas, o de Mateus 26.5 o fez, sem razão. Esse ato de rasgar as vestes obedecia a uma série de regras.

3. Juizes 5.10 - O cavalgar sobre jumentas brancas Era então costume exclusivo dos reis, juizes e fidalgos. Isso explica a passagem em apreço.

4. Juizes 9.45 - Semeadura de sal

Esse ato significava desolação perpétua sobre o local. Castigo perene.

5.  Rute 3.9 - Pôr a aba da capa sobre alguém Significa a proteção. Aqui tratava-se da lei do levirato, conforme Deuteronômio 25.5-10, portanto nenhuma in­decência havia aqui, como muitos o querem.

6.  Salmo 119.83 - Um odre na fumaça

Odres são vasilhas feitas de peles para o transporte de líquidos. Eram postas sobre a fumaça para ficarem en­durecidas pelo calor e fumaça. Isso também fazia au­mentar de resistência a espessura do couro, através do encolhimento. Fala do estado de alma de Davi.

7. Mateus 1.18 - Maria desposada com José

Na linguagem do Antigo Testamento, o termo significa noivos, conforme vemos em Deuteronômio 20.7; 22.23,24. Naqueles tempos, em Israel, o noivado era ato seriíssimo. E de fato o é. Os noivos tinham responsabi­lidade como se fossem casados! Em suma: Em Israel, o noivado era o primeiro ato do casamento. Nessa oca­sião, o noivo entregava à noiva o contrato de casamen­to, ou uma moeda inscrita: "Consagrada a mim."

8. Mateus 25.1-13 - Um casamento oriental

As núpcias duravam 7 ou mais dias. A união definitiva do casal somente tinha lugar no último dia. Nesse dia, o noivo dirigia-se à casa da noiva, à noite, e a conduzia para sua casa. Às vezes, o ato ocorria também de dia. A lua-de-mel durava um ano! (Dt 24.C).

9. Mateus 27.48 - O vinho oferecido a Jesus na cruz Tal praxe era usada então para tornar as vítimas in­sensíveis antes da morte. Jesus recusou. Sofreu a morte em estado de plena consciência.

10. Lucas 5.19- ü teto (eirado) da casa, aberto com tanta facilidade

As casas da Palestina não tinham telhado, e sim eira­do. Isto é, uma espécie de lage, feita de vigas de madei­ra, recobertas de pedra e barro. O eirado recebia trata­mento especial, a fim de recolher águas pluviais, dada a carência de água potável na citada região. Num teto assim, era fácil preparar uma abertura.

11. Lc 10.4 - A ordem de Jesus: "A ninguém saudeis pelo caminho"

Não se tratava de indelicadeza. O tempo que restava para Jesus era pouco, muito pouco, e as saudações orientais tomavam muito tempo, não somente devido à troca de expressões formais, mas também por causa das poses que o corpo assumia. Se os enviados por Je­sus cumprimentassem o povo segundo a maneira da­quela época, Ele não cumpriria sua missão redentora no devido tempo. Ele sempre se referia ao "meu tem-po".

12. Atos 1.12 - O caminho de um sábado

Isto é, o caminho permitido no dia de sábado. Era a distância que ia da extremidade do arraial das tribos, ao tabernáculo, quando no deserto. Essa distância era de 2.000 cúbitos, equivalente a 1.200 metros (Js 3.4).

13. Romanos 12.20 - Brasas sobre a cabeça do inimigo (Pv 25.21,22)

O fato refere-se às leis levíticas de Levítico 16.12, quan­do o sumo sacerdote fazia expiação pelo povo, incluin­do o incensário cheio de brasas. A expiação satisfazia à justiça de Deus, promovendo a reconciliação do ho­mem com Ele.

Os poucos casos aqui citados servem para dar uma idéia do valor que há na compreensão da vida, das leis, e dos usos e costumes antigos, orientais, conforme ve­mos na Bíblia. Há inúmeros casos. Citamos aqui ape­nas alguns como exemplo. Eles estão na revelação divi­na, elucidando muitos de seus aspectos.

 

10

Dificuldades da Bíblia

 

I. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

1. As dificuldades da Bíblia situam-se no campo da Her­menêutica Sagrada.

2. Hermenêutica é o estudo das leis e princípios de inter­pretação das Sagradas Escrituras, para se chegar ao sentido do texto bíblico.

3.  O termo "hermenêutica" significa literalmente "inter­pretar" e deriva do vocábulo grego "Hermes", um dos chamados deuses da antiga mitologia grega, porta-voz dos deuses e protetor dos viajantes. Era o deus do co­mércio e dos comerciantes.

4. O termo grego "Hermes", corresponde ao latino "Mer­cúrio", palavra esta derivada de "merx", mercado, co­mércio, e aparece em Atos 14.12, ligado ao evento ocor­rido em Listra, na Ásia Menor, quando os habitantes dessa cidade, vendo um milagre operado por meio de Paulo, julgaram-no um deus, chamando-o de Mercú­rio.

5. No paganismo romano, Mercúrio era filho de Júpiter, também mencionado em Atos 14.12. Júpiter era chefe dos deuses no Panteão Romano. (Júpiter, corresponde ao falso deus grego, Zeus).

6.  Passagens históricas da Bíblia, como Atos 14.12, preci­sam ser encaradas no contexto histórico da sua época.

7.  A Bíblia foi tecida no tear da História, e não pode ser realmente compreendida se o leitor ignorar os aconteci­mentos e as circunstâncias que a cercam, como por exemplo, a igreja primitiva e seu lugar no mundo gre-co-romano.

 

II. REQUISITOS PARA O PROGRESSO NO CONHECI­MENTO DAS SAGRADAS ESCRITURAS

Antes de abordarmos o campo das dificuldades bíbli­cas, vejamos alguns assuntos prioritários que devem prece­der à abordagem de dificuldades bíblicas. Um deles é o dos requisitos para o progresso no conhecimento das Sagradas Escrituras.

O plano de Deus para o cristão é que uma vez salvo prossiga até o pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.4 ARA). A tragédia é que milhões de cristãos estacionam após o primeiro passo na vida cristã, o que infalivelmente resulta no seu nanismo espiritual. Alguns requisitos ou fa­tores de progresso no conhecimento da Palavra de Deus, são os que passamos a considerar. 1.^4 espiritualidade do cristão (1 Co 2.15) É o cultivo da vida espiritual profunda. Essa  espiritualidade fundamenta-se  num  profundo amor à Palavra de Deus (Dt 6.6b). Considerar, aí, o ter­mo afetivo "coração".

2. A operação do Espírito Santo no cristão (Jo 14.26; 16.13)

3. A oração constante do cristão (Tg 1.5)

4.  O ministério de ensino de mestres cristãos (Ef 4.11) Deus tem na sua Igreja pessoas com o dom e o ministé­rio de ensinar a sua Palavra.

5. Livros apropriados (2 Tm 4.13) Livros de cultura bíblica e secular.

6. Domínio da língua materna

- Como poderá o leitor entender o sentido bíblico do texto, se não entender antes, o que diz o texto na su? língua materna?

7.  Conhecimento das línguas originais da Bíblia.

8.  Conhecimento de Hermenêutica Sagrada.

 

III. REGRAS PARA ELIMINAÇÃO DE DIFICULDADES BÍBLICAS

Este é outro assunto prioritário em relação a dificulda­des da Bíblia. Seguem-se algumas regras simples, postas em prática pelo autor, no estudo da Bíblia, anos a fio.

1. Leitura simples, mas contínua da Bíblia toda

A leitura seguida e completa de toda a Bíblia é a única maneira de conhecermos toda a verdade sobre um as­sunto que se quer conhecer.

- Por que é preciso ler toda a Bíblia, nesse caso? - Por­que a revelação divina através da Bíblia é progressiva. Isto é, nada é dito de uma vez, nem uma vez por todas. Um assunto inicia em Gênesis e termina no Apocalip­se, por exemplo.

2.  0 contexto bíblico. Deve-se considerar sempre o con­texto do que se estiver lendo. Destacar textos bíblicos, isolar idéias, enquadrar num tema geral ensinos de uma só parte da Bíblia, é cair em grave erro.

1)   0 contexto geral da Bíblia. Isto é, a analogia geral da Bíblia é um fato. Noutras palavras: nela não há contradições.

2)  0 contexto imediato da Bíblia. Este pode ser ante­rior ou posterior ao texto que se lê ou estuda.

3)  0 contexto remoto da Bíblia é o que fica a longa dis­tância do texto em consideração, mas que com ele faz liame.

3.  Comparar Escritura com Escritura (2 Pe 1.20)

Aqui o estudante precisa ter um prévio e geral conheci­mento geral da Bíblia e dispor, pelo menos, de uma concordância bíblica completa. Isto é, deixar a Bíblia falar por si mesma!

4.  Qualificações intelectuais do estudante

5.  Qualificações espirituais do estudante Especialmente humildade e piedade.

6.  Os sentidos da Escritura

O estudante da Palavra de Deus deve ter sempre em mente durante o estudo, os dois grandes sentidos do texto bíblico:

• O sentido literal do texto.

• O sentido figurado do texto.

 

IV.  O PERIGO DO INTELECTUALISMO

1.  O nosso século é caracterizado pela busca incessante do saber por parte de todos, e também pela oferta do sa­ber, considerada a multiplicação e a modernização dos meios de comunicação de massa e instituições de ensi­no. Essa busca e oferta podem ser do saber legítimo ou do falso (1 Tm 6.20).

2.  Na área da Bíblia há uma tendência atual do estudan­te de depender primeiramente do seu intelecto, de cur­sos, de saber acumulado, de livros de consulta, sem de­pender primeiramente dos meios divinos, caindo, as­sim, infalivelmente, no modernismo teológico, no ra-cionalismo e no humanismo, no liberalismo teológico.

3.  Os livros, escolas e cursos podem ser bons, mas jamais serão substitutos da Bíblia mesma.

4.  Devemos, sim, examinar livros, mas não para sermos um mero eco ou reflexo deles. Há divergência entre au­tores de livros, mas na Bíblia, jamais!

Não devemos levar mais tempo com os livros, do que com a própria Bíblia!

 

V.  DIFICULDADES DA BÍBLIA

• Referências a considerar, ao se estudar este assunto (Dt 29.29; SI 145.3; Ez 14.23; Rm 11.33,34; 1 Co 13.12; 2 Pe 3.16).

• Há, é certo, dificuldades na Bíblia, mas não contradi­ções.

Não há nela contradições históricas, nem científicas, nem doutrinárias.

• As dificuldades da Bíblia são todas do lado humano, co­mo: tradução mal feita, estudo superficial, má com­preensão, incapacidade humana, idéias preconcebidas, falsa aplicação do texto, falhas de editoração, interpreta­ção forçada.

• Os inimigos da Bíblia, ou aqueles que a encaram apenas como literatura comum, sustentam haver erros nela, mas é claro que um espírito ceticista, farisaico, precon-ceituoso e orgulhoso, sempre achará falhas na Bíblia, porque dela se aproxima querendo "importar" suas fal­sas idéias, quando a atitude correta, devia ser "expor­tar" as idéias dela.

• Se alguma falha for encontrada na Bíblia, será sempre do lado humano.

Portanto, ao encontrarmos na Bíblia um trecho discre-pante, não pensemos logo que é erro! Saibamos refletir como Agostinho, que disse: "Num caso desses, deve ha­ver erro do copista, ou tradução mal feita do original, ou então sou eu mesmo que não consigo entender!" Passemos agora a considerar as dificuldades da Bíblia

1. DIFICULDADES LINGÜÍSTICAS

a. Línguas originais antigas

Línguas essas  que  evoluíram  tremendamente.  As duas principais línguas originais são o hebraico e o grego.

Uma dessas línguas é semítica: o hebraico; outra é helênica: o grego.

b. Linguagem figurada em abundância Isto é um fato comum na Bíblia.

c. Diferentes gêneros literários

Isto, por serem muitos os escritores, como por exem­plo:

Epístola Biografia Poesia História Drama Tragédia

d. Má tradução das línguas originais Isto constitui séria dificuldade.

e. Língua materna do falante

(Alguns exemplos na Bíblia, de dificuldades lingüísti­cas. 1) Gênesis 10.25

 

"E a Éber nasceram dois filhos: o nome dum foi Pele-que, porquanto em seus dias se repartiu a terra..." Aqui, se trata de repartir no sentido de fissura, separa­ção, divisão.

Há muitos verbos hebraicos que significam dividir, re­partir, havendo pequena diferença entre eles. Dois desses verbos têm significado bem diferente: "cha-lak", dividir, aquinhoar, partilhar. O outro verbo é "palag", dividir fazendo pressão ou força sobre o obje­to a ser dividido. É este o verbo usado em Gênesis 10.25.

Trata-se, pois, aqui, na terra sendo dividida em conti­nentes.

Em Gênesis 1.9, temos a terra formando um só bloco. No mesmo livro, 10.25, temos a terra sendo dividida em continentes. Ainda hoje os continentes continuam se separando, conforme afirma e comprova a ciência.

2)  Esdras 4.6

"E sob o reino de Assuero, no princípio do seu reinado, escreveram uma acusação contra os habitantes de Ju-dá e de Jerusalém".

Esse "Assuero" é o mesmo "Xerxes" da História secu­lar.

"Assuero" é vocábulo hebraico; "Xerxes" é vocábulo grego.

3)  Isaías 45.1

"Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro." Ciro, chamado por Deus de "meu ungido", sendo ele um homem não-crente.

O termo "ungido", em hebraico é "messias". Este ter­mo não se refere apenas a Jesus. Nalgumas passagens, refere-se a reis, profetas, e sacerdotes de Israel. No caso de Ciro, refere-se à sua designação por Deus, para uma missão especial. O termo, nesse caso, nada tem a ver com a santificação ou caráter de Ciro.

4)  Isaías 45.7

"Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor faço todas essas coisas". "Mal" aqui, não é mal no sentido moral, mas no senti­do de contratempos.

5)  Mateus 12.40-ARC

"Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ven­tre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra".

"Baleia" na ARC, é má tradução. No grego é "ketos", peixe. No hebraico é "daggadol", peixe grande. Ora, todos sabem que baleia não é peixe! A versão ARA traduziu corretamente: "peixe".

6)  Mateus 23.35 + 2 Crônicas 24.20

Mateus 23.35 diz que o homem morto no templo foi Zacarias, filho de Baraquias.

2 Crônicas 24.20,21 afirma que o homem morto no templo foi Zacarias, filho de Jeoiada. É que o termo hebraico Jeoiada corresponde ao grego Baraquias. 2. DIFICULDADES GEOGRÁFICAS

a. A Bíblia foi escrita em lugares de três continentes (Europa, Ásia e África), contendo portanto expres­sões, imagens mentais e pensamentos bem diferentes entre si.

b.  A Bíblia cita lugares com mais de um nome cada um, como veremos no exemplário adiante.

c.  A Bíblia dá um mesmo nome a diversos lugares.

d.  A Bíblia trata de lugares que há muito trocaram de nome: (países, cidades, rios, montanhas, mares, etc).

e.  Exemplos de dificuldades bíblicas geográficas

1)  Diferentes lugares com um mesmo nome: Cesaréia de Filipo, no Norte da Galiléia, cidade inte-riorana.

Cesaréia, porto marítimo, capital política da Palesti­na, nos dias de Jesus, na província da Judéia (Mt 16.13; At 8.40). Antioquia da Síria (At 13.1) Antioquia da Pisídia (At 13.14)

2)  Um mesmo lugar com mais de um nome:

Mar da Galiléia

Mar de Genezaré

Mar de Tiberíades

3)  Lugares que trocaram de nome:

Pérsia (Irã)

Babilônia (Iraque)

Ilírico (Iugoslávia)

Sevene (Ez 29.10) corresponde à moderna Assuam, no

Egito.

3. DIFICULDADES ANTROPOLÓGICAS

a. Toda dificuldade bíblica é basicamente antropológi­ca.

b.  Incapacidade de compreensão da revelação divina.

c. Incompetência do leitor.

d. Ignorância de fatos que esclarecem o assunto.

e. Nanismo espiritual.

f.  Exame superficial do texto bíblico.

g. Culturas orientais dos tempos bíblicos, totalmente di­ferentes das nossas ocidentais atuais. São usos e cos­tumes que já não existem, nem mesmo lá no Oriente, quanto mais aqui.

h. Desqualificação do estudante, por incompetência de cultura geral, cultura bíblica, e crítica textual cientí­fica (Hermenêutica).

i. Diferentes personagens com o mesmo nome.

j. Nomes diferentes dados a uma mesma pessoa.

1. Exemplário de dificuldades antropológicas

1)  Herodes. Há sete deles na Bíblia. Como diferençá-los.

2)  César, o imperador. Há três mencionados no NT. É preciso determinar qual deles é o do texto em trata­mento.

3)  Diferentes nomes para uma pessoa:

Jetro, o sogro de Moisés aparece na Bíblia com quatro antropônimos:

• Jetro (Êx 3.1)

• Reuel (Êx 2.18)

Raguel (Nm 10.29) (FIG)

• Hobabe (Jz 4.11)

(Não confundir com Hobabe, filho do próprio Jetro, Nm 10.29).

O rei Jeoiaquim, de Judá, aparece com três nomes:

• Jeoiaquim (2 Rs 23.36 ARC) (Jeoaquim, ARA)

• Jeconias (1 Cr 3.16,17)

Conias (Jr 22.24 ARC)

4)  Dificuldades de compreensão.

Êxodo 29.37 - "...e o altar será santíssimo: tudo o que tocar o altar será santo".

O sentido é que tudo o que tocar o altar deverá santifi-car-se antes disso. Mateus 18.18; 16.19

"Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus". O sentido, é que, aquilo que a Igreja desligar ou ligar aqui na terra, deverá ser o que já foi desligado ou liga­do nos céus. Os modismos do grego, em tais casos, são de difícil tradução para as línguas neolatinas. Outro caso: 1 João 3.9. Temos aí o presente infinitivo ativo, no grego, de difícil precisão em português a não ser que se adote paráfrase.

5)  Contexto histórico:

Por exemplo: Filipenses 3.20: "a nossa cidade está nos céus".

"Nossa cidade" significa nossa cidadania. O leitor precisa conhecer o sentido especial de "cida­de" entre os romanos, naquela parte do mundo, e co­nhecer a história de Filipos, para entender de fato es­ses versículos.

4. DIFICULDADES CRONOLÓGICAS

a.  A Bíblia, quando menciona datas, fá-lo com base em eventos importantes, mas particulares. Os escritores da Bíblia não dispunham de um sistema de datas, como os temos no mundo ocidental. Daí, toda cronolo­gia bíblica ser incerta.

b. Dificuldades nas eras. As eras atuais entraram em uso há pouco tempo, em comparação com a extensão da história bíblica. A Era Grega vem de 776 a.C. (data da primeira Olimpíada); a Era Romana vem de 753 a.C. (data da fundação de Roma); a Era Maometana vem de 662 d.C. (data em que Maomé fugiu de Me­ca); a Era Cristã vem de 5 a.C. (data do nascimento de Cristo), etc.

Essa pluralidade de eras choca o leitor comum ou lei­go, que só tem noções do nosso calendário...

c. Dificuldades no texto bíblico. Há, especialmente no período dos juizes de Israel, no período do reino dividi­do, e no dos profetas, muitos períodos coincidentes em parte, reinados associados, intervalos de anarquia política, frações de anos tomadas por anos inteiros, parte tomada pelo todo, e arredondamento de núme­ros.

d.  O erro do nosso calendário. O nosso próprio calendá­rio (chamado Calendário Gregoriano) está atrasado em quase 5 anos devido a um erro de cálculo de Dioní-sio, o monge que o organizou.

É ainda digno de nota que, em 1582 d.C, o Papa Gre-gório XIII alterou o calendário cristão, aumentando-lhe 10 dias, para corrigir uma diferença de minutos que se vinha acumulando desde o ano 46 a.C, quando César reformou o calendário de então.

e.  O dia civil. Entre os judeus era contado de um pôr-do-sol a outro. Entre os romanos ia de uma meia-noite a outra. O evangelista João emprega o calendário roma­no, de modo que parece haver choque de horário nos eventos da paixão de Cristo, entre ele e os demais evangelistas, mas não há.

f.  O ano. O ano judeu era lunar, causando desencontro entre ele e as estações agrícolas. Para corrigir isto, os judeus tinham, cada três anos, um ano com 13 meses. Isto forçou os israelitas a adotarem o ano do ciclo so­lar, mais tarde.

g.  A Bíblia foi escrita num extenso período de 16 séculos. Isto implica uma evidente dificuldade cronológica.

h. Exemplos de dificuldades cronológicas da Bíblia 1) Gênesis 15.13 e Êxodo 12.40

Gênesis 15.13 afirma que a peregrinação de Israel se­ria de 400 anos em terra estranha. Êxodo 12.40 e Gálatas 3.17 falam de 430 anos. Gênesis 15.13 trata, sem dúvida, de arredondamento de números, porque o somatório dos dados fornecidos pelo livro de Gênesis perfaz 430 anos, a saber: • 75? ano de Abraão (Gn 12.14), o nascimento de Isa-que, quando Abraão tinha 100 anos (Gn 21.5) 25 anos

• Do nascimento de Isaque (Gn 21.5) ao nascimento de Jacó (Gn 25.26)...   60 anos

• Do nascimento de Jacó (Gn 25.26), à sua morte (Gn 47.28)...             147 anos

• Da morte de Jacó (Gn 47.28) à morte de José (Gn 37.2 + Gn 41.46 + Gn 47.28 + Gn 50.22)...   54 anos

• Da morte de José (Gn 50.22) ao Êxodo dos israelitas

(Êxodo 12.17)............................................... 144 anos

2) Gênesis 2.2,3 -  .......................................430 anos

Os seis dias da criação adâmica, foram ou não dias de 24 horas?

Foram dias de 24 horas. É somente comparar Gênesis 2.2,3 com Êxodo 20.11 e 31.17, com o devido cuidado, e isenção de preconceitos.

5. DIFICULDADES IMAGINÁRIAS E PRECONCEITUOSAS

Essas dificuldades advêm do nosso modo humano de pensar, de julgar, e de ver as coisas, e, nessa situação, queremos interpretar a revelação divina, a. Exemplos de dificuldades imaginárias e preconceituo-sas

1)  Gênesis 6.2

"Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram".

Um estudo acurado dos textos bíblicos pertinentes mostrará que "filhos de Deus" eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete, e que as "filhas dos ho­mens" eram as descendentes da linhagem ímpia cai-nita. (Ver Deuteronômio 14.1; Mateus 22.30.) Os "filhos de Deus" não poderiam jamais ser anjos de­caídos, porque estando eles decaídos, jamais pode­riam ser chamados "filhos de Deus". Por outro lado, anjos não se casam, porque pertencem a outra esfera de vida, posição e trabalho. (Ver Mateus 22.30.)

2)  João 20.12 e Marcos 16.5

João 20.12 fala de dois anjos na manhã da ressurreição de Jesus. Marcos 16.5 fala de um anjo. Não há aqui qualquer dificuldade, porque onde há dois, há um.

3) Atos 20.35 - Aqui há menção de palavras de Jesus, que não são encontradas nos Evangelhos. Não há qualquer dificuldade aqui. Muitas palavras que Jesus falou não foram registradas. Com inúmeros milagres, ocorreu a mesma coisa (Jo 21.25).

4)  Romanos 4.3 com Tiago 2.21: Abraão justificado pela fé e pelas obras ao mesmo tempo. - Como? Pela fé, diante de Deus, porque Deus vê fé, e não obras, para a salvação. Pelas obras, diante dos homens, por­que o homem vê obras, mudança de vida, e não fé.

6. APARENTES CONTRADIÇÕES São aparentes contradições, apenas. Exemplos:

a.  Gênesis 46.27 e Atos 7.14

Gênesis 46.27 afirma que todos os descendentes de Ja-có que foram ao Egito, somaram 70 pessoas. Atos 7.14 afirma que eram 75 pessoas. A casa de Jacó era de 70 pessoas (Êx 1.5). A esse nú­mero precisamos somar 5 netos de José (que já esta­vam no Egito).

Dois eram filhos de Manasses: Maquir e Gileade (Nm 26.29).

Três eram filhos de Efraim: Sutela, Bequer, Taã (Nm 26.35).

b. Números 25.9 e 1 Coríntios 10.8

Aqui se trata de um juízo divino que ceifou milhares de israelitas.

1 Coríntios 10.8 afirma que morreram 23.000 pessoas. Números 25.9 fala de todos os que morreram daquela praga - 24.000

c.  1 Reis 8.12 versus 1 João 1.5

1 Reis 8.12 declara: "O Senhor disse que habitaria nas trevas".

1 João 1.5 declara que "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma".

1 Reis 8.12 fala de trevas no sentido de inescrutabilidade, mistério, infinitude.

1 João 1.5 fala de trevas no sentido moral.

d.  1 João 2.15 e João 3.16

1 João 2.15. (gr "kosmos") Aqui a Bíblia adverte: "Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se al­guém ama o mundo o amor do Pai não está nele". João 3.16. (gr "kosmos") Aqui a Bíblia afirma que "Deus amou o mundo".

1 João 2.15 fala de "mundo" como um sistema de vi­da, sob a influência diabólica.

João 3.16 fala do "mundo" no sentido de "humanida­de".

e. Ezequiel 20.25

Aqui se nos diz que Deus deu a Israel estatutos que não eram bons.

O sentido é que Deus permitiu que os captores de Is­rael, durante o cativeiro baixassem leis para Israel que não eram boas para eles. Essas leis não eram a lei de Jeová, como a vemos na Bíblia.

f. Mateus 27.9

Aqui está escrito: "Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de pra­ta, preço do que foi avaliado, preço que certos filhos de Israel avaliaram".

Ocorre que a profecia acima, encontra-se em Zacarias 11.12,13 e não em Jeremias.

Certamente Jeremias profetizou, e Zacarias escreveu. Ou então Zacarias recebeu profecia idêntica.

7. DIFICULDADES REAIS DA PRÓPRIA ESCRITURA

a. Lucas 16.9. Esta é de fato uma dificuldade bíblica, que, pelo menos o autor não sabe explicar. A leitura em grego leva para a forma interrogativa. Tsso pode ajudar a resolver a dificuldade.

b. 2 Tessalonicenses 2.6-8. - Quem, nesta passagem, é o elemento inibidor, repressor, quanto à manifestação aberta do Anticristo aqui no mundo?

- Se consultarmos Gênesis 19, concluiremos que esse elemento é a Igreja do Deus vivo, habitada pelo Espí­rito Santo.

Os anjos executores do juízo sobre as cidades da cam­pina nada puderam fazer enquanto Ló, o justo, não saiu de Sodoma.

 

 

De igual modo, o juízo do Dilúvio só ocorreu após Enoque ter saído deste mundo. O mesmo acontece agora, enquanto a Igreja do Deus vivo, habitada pelo Espírito Santo, permanecer na terra.

c. 1 Pedro 3.18,19

Texto realmente difícil!

'"Pregou", no v.18, é "kerusso", proclamar, anunciar (como em Ef 2.17).

A passagem, sem dúvida está ligada a Atos 2.31 e Efésios 4.8,9.

8.  DIFICULDADES CIENTÍFICAS DA BÍBLIA

A Bíblia não é um manual de ciência, mas o manual da salvação.

Quando ela aborda fatos científicos, fá-lo não na lingua­gem técnica, especializada da ciência, mas na lingua­gem do povo comum. Isto, tem se constituído numa das dificuldades da Bíblia.

a.  A esfericidade da Terra (Is 40.22)

b.  As estrelas são incontáveis (Jr 33.22)

c.  O movimento sistemático do sol (SI 19.5)

d.  O Universo envelhecendo (SI 102.25-27)

e.  Fogo na crosta interior da terra (Jó 28.5)

f.  O frio vem do Norte (Jó 37.9)

g.  A luz tem "caminho", não "morada"permanente (Jó 38.19).

h.  A terra suspensa no espaço (Jó 26.7)

i.  O ar tem peso (Jó 28.25)

j.  Os elementos físicos do Cosmos são mais antigos do que os biológicos (Gn 1.1,24) 1. O vento vem do Sul (Ec 1.6)

9.  DECLARAÇÕES E ENSINOS SOBRE DEUS, EX­PRESSOS EM LINGUAGEM HUMANA

São os antropomorfismos e os antropopatismos, tão co­muns na Escritura.

Um caso de antropopatismo: 1 Samuel 15.11 versus 1 Samuel 15.29 - (Deus "arrepender-se").

10. DECLARAÇÕES E ENSINOS DA BÍBLIA, SOBRE O CÉU E A VIDA FUTURA, EXPRESSOS EM LIN­GUAGEM HUMANA

É o caso das visões das coisas celestiais de Ezequiel, como temos no capítulo 1 do seu livro (os desconhecidos seres viventes).

É também o caso das visões de João, o apóstolo, descri­tas no livro de Apocalipse, quando João procura compa­rar as coisas celestiais com as terrenas, para poder ex­pressar-se sobre o que viu no Céu.

11. DECLARAÇÕES E ENSINOS CALCADOS NO MUNDO FÍSICO, PORÉM, EM REFERÊNCIA AO MUNDO ESPIRITUAL Tanto o Antigo, como o Novo Testamento se enquadram aqui.

12. FATOS ABORDADOS E TRATADOS PELA BÍBLIA, QUE SÓ SERÃO CONHECIDOS NO FUTURO

E evidente que isto constitui uma dificuldade.

 




Heróis da Fé

Vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo

 

Orlando S. Boyer

 

Biografias cristãs

CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus

Rio de Janeiro, RJ

15ª Edição - 1999



Sumário

Apresentação

O Salvador espera e o mundo carece

O soluço de um bilhão de almas

Jerônimo Savonarola

Martinho Lutero

João Bunyan

Jônatas Edwards

João Wesley

Jorge Whitefield

Davi Brainerd

Guilherme Carey

Christmas Evans

Henrique Martyn

Adoniram Judson

Carlos Finney

Jorge Müller

Davi Livingstone

João Paton

Hudson Taylor

Carlos Spurgeon

Pastor Hsi

Dwight Lyman Moody

Jônatas Goforth

 


Apresentação

"Visitei o velho templo de Nova Inglaterra onde Jôna­tas Edwards pregou o comovente sermão: ''Pecadores nas mãos de um Deus irado". Edwards segurava o manuscrito tão perto dos olhos, que os ouvintes não podiam ver-lhe o rosto. Porém, com a continuação da leitura, o grande audi­tório ficou abalado. Um homem correu para a frente, cla­mando: Sr. Edwards, tenha compaixão! Outros se agarra­ram aos bancos, pensando que iam cair no Inferno. Vi as colunas que eles abraçaram para se firmarem, pensando que o Juízo Final havia chegado.

"O poder daquele sermão não cessa de operar no mun­do inteiro. Mas convém saber algo mais da parte da histó­ria geralmente suprimida. Imediatamente antes desse ser­mão, por três dias Edwards não se alimentara; durante três noites não dormira. Rogara a Deus sem cessar: 'Dá-me a Nova Inglaterra!' Ao levantar-se da oração, dirigindo-se para o púlpito, alguém disse que tinha o semblante de quem fitara, por algum tempo, o rosto de Deus. Antes de abrir a boca para proferir a primeira palavra, a convicção caiu sobre o auditório."

Assim escreveu J. Wilbur Chapman acerca de Jônatas Edwards. Esse célebre pregador, contudo, não foi o único que lutou com Deus em oração. Ao contrário, depois de ler cuidadosamente as biografias de alguns dos maiores vultos da Igreja de Cristo, concluímos que nunca se pode atribuir o êxito de qualquer deles unicamente a seus próprios talen­tos e força de vontade. Certamente um biógrafo que não crê no valor da oração, nem conhece o poder do Espírito Santo que opera nos corações, não mencionaria a oração como sendo o verdadeiro mistério da grandeza dos heróis da fé.

Lemos, por exemplo, dois livros, bem escritos, da vida de Adoniram Judson. Quando estávamos quase a concluir que houvesse alguns verdadeiros heróis da Igreja, realmen­te grandes em si mesmos, encontramos outra biografia de­le, escrita por um de seus filhos, Eduardo Judson. Nessa preciosa obra descobre-se que esse talentoso missionário passava diariamente horas a fio, de noite e de madrugada, em íntima comunhão com Deus, em oração.

- Qual é, então, o mistério do incrível êxito dos heróis da fé, da Igreja de Cristo? - Esse mistério foi a profunda comunhão com Deus que esses homens observaram.

Confessamos que a bibliografia abaixo muito nos inspi­rou ao escrever este livro:

Jerônimo Savonarola: Lawson.

Martinho Lutero: Lindsay, Lima, Olson, Stwart, Ca­nuto, Saussure, Knight-Anglin e Frodsham.

João Bunyan: Gulliver e Lawson.

Jônatas Edwards: Allen, Hickman e Howard.

João Wesley: Beltaz, Lawson, Telford, Miller, Fitchett, Winchester, Joy e Buyers.

Jorge Whitefield: Gledstone, Lawson e Olson.

Davi Brainerd: Smith, Harrison, Lawson e Edwards.

Guilherme Carey: Harrison, Dalton, Olson e Marsh­man.

Christmas Evans: Davis e Lawson.

Henrique Martyn: Harrison e Page.Adoniram Judson: Harrison e Judson. Carlos Finney: Day, Beltz e Finney.

 

Também nos inspiraram obras sobre a vida de outros homens de Deus (heróis também) que figuram neste livro:

Jorge Muller

Davi Livingstone

João Paton

Hudson Taylor

Carlos Spurgeon

Pastor Hsi

Dwight Lyman Moody

Jônatas Goforth

 

Não empregamos aqui a palavra "herói" no sentido pagão, isto é, grandes vultos humanos divinizados. A Bíblia fala de "homens ilustres em valor", "os valentes", "os fiéis", "os vencedores" ...A vida desses homens foi que nos inspirou, com seus sermões ardentes e empolgantes.

Muitos crentes ficam satisfeitíssimos por, apenas, esca­par da perdição! Eles ignoram "a plenitude do Evangelho de Cristo" (Romanos 15.29). "A vida em abundância" (João 10.10) é muito mais do que ser salvo, como se vê ao ler as biografias referidas.

Que o exemplo dos Heróis da Fé nos incite a procurar as bênçãos sem medida, citadas em Malaquias 3.10!

O autor

 

O Salvador espera e o mundo carece

"Foi quando Stanley Smith e Carlos Studd se hospeda­ram em nossa casa, que iniciei o maior período de bênçãos da minha vida. Antes eu era crente precipitado e incons­tante: às vezes ardia de entusiasmo, para depois passar dias inteiros triste e desanimado. Percebi que esses dois jo­vens possuíam uma coisa que eu não tinha: algo que lhes era uma fonte perene de sossego, força e gozo. Nunca me esquecerei de uma manhã, no mês de novembro, ao nascer o sol, quando a luz entrava pela janela a dentro do quarto, onde eu meditava sobre as Escrituras desde a madrugada. A palestra que tive, então, com os dois moços, influenciou o resto da minha vida. - Não devia eu fazer o que eles ti­nham feito?

"— Não devia eu ser, também, um vaso (apesar de ser barro) para o uso do Mestre?"

Assim escreveu o amado e santo pregador F. B. Meyer, sobre a mudança da sua vida que resultou em tanta glória para Cristo, na Terra.Iniciamos a leitura das biografias de alguns dos maiores servos de Deus. - Não devemos reler e meditar sobre a fiel vida de Savonarola, a estupenda obra de Lutero, o zelo incansável de Wesley, o grande avivamento de Edwards... enfim, sobre cada história? Não devemos dei­xar cada herói hospedar-se conosco, como Stanley Smith e Carlos Studd hospedaram-se na casa de F. B. Meyer, para nos falarem e influenciarem, transformando-nos profunda­mente para todo o resto da vida?

Isso é o que o Salvador espera e que o mundo carece.

 

O soluço de um bilhão de almas

Diz-se que Martinho Lutero tinha um amigo íntimo, cujo nome era Miconio. Ao ver Lutero sentado dias a fio trabalhando no serviço do Mestre, Miconio ficou penaliza­do e disse-lhe: "Posso ajudar mais onde estou; permanece­rei aqui orando enquanto tu perseveras incansavelmente na luta." Miconio orou dias seguidos por Martinho. Mas enquanto perseverava em oração, começou a sentir o peso da própria culpa. Certa noite sonhou com o Salvador, que lhe mostrou as mãos e os pés. Mostrou-lhe também a fonte na qual o purificara de todo o pecado. "Segue-me!" disse-lhe o Senhor, levando-o para um alto monte de onde apon­tou para o nascente. Miconio viu uma planície que se es­tendia até o longínquo horizonte. Essa vasta planície esta­va coberta de ovelhas, de muitos milhares de ovelhas brancas. Somente havia um homem, Martinho Lutero, que se esforçava para apascentar a todas. Então o Salvador disse a Miconio que olhasse para o poente; olhou e viu vas­tos campos de trigo brancos para a ceifa. O único ceifador,que lidava para segá-los, estava quase exausto, contudo persistia na sua tarefa. Nessa altura, Miconio reconheceu o solitário ceifeiro, seu bom amigo, Martinho Lutero! Ao despertar do sono, tomou esta resolução: "Não posso ficar aqui orando enquanto Martinho se afadiga na obra do Se­nhor. As ovelhas devem ser pastoreadas; os campos têm de ser ceifados. Eis-me aqui, Senhor; envia-me a mim!" Foi assim que Miconio saiu para compartilhar do labor de seu fiel amigo.

Jesus nos chama para trabalhar e orar. É de joelhos que a Igreja de Cristo avança. Foi Lionel Fletcher quem escre­veu:

"Todos os grandes ganhadores de almas através dos sé­culos foram homens e mulheres incansáveis na oração. Co­nheço como homens de oração quase todos os pregadores de êxito da geração atual, tanto como os da geração próxi­ma passada, e sei que, igualmente, foram homens de in­tensa oração.

"Certo evangelista tocou-me profundamente a alma quando eu era ainda jovem repórter dum diário. Esse evangelista estava hospedado em casa de um pastor pres­biteriano. Bati à porta e pedi para falar com o evangelista. O pastor, com voz trêmula e com o rosto iluminado por es­tranha luz, respondeu:

"Nunca se hospedou um homem como ele em nossa ca­sa. Não sei quando ele dorme. Se entro no seu quarto du­rante a noite para saber se precisa de alguma coisa, encon­tro-o orando. Vi-o entrar no templo cedo de manhã e não voltou para as refeições.

"Fui à igreja... Entrei furtivamente para não perturbá-lo. Achei-o sem paletó e sem colarinho. Estava caído de bruços diante do púlpito. Ouvi a sua voz como que agoni­zante e comovente instando com Deus em favor daquela cidade de garimpeiros, para que dirigisse almas ao Salva­dor. Tinha orado toda a noite; tinha orado e jejuado o dia inteiro.

"Aproximei-me furtivamente do lugar onde ele orava prostrado, ajoelhei-me e pus a mão sobre seu ombro. O suor caía-lhe pelo corpo. Ele nunca me tinha visto, mas fi­tou-me por um momento e então rogou: 'Ore comigo, ir-mão! Não posso viver se esta cidade não se chegar a Deus.' Pregara ali vinte dias sem haver conversões. Ajoelhei-me ao seu lado e oramos juntos. Nunca ouvira alguém insistir tanto como ele. Voltei de lá assombrado, humilhado e es­tremecendo.

"Aquela noite assisti ao culto no grande templo onde ele pregou. Ninguém sabia que ele não comera durante o dia inteiro, que não dormira durante a noite anterior. Mas, ao levantar-se para pregar, ouvi diversos ouvintes dizerem: 'A luz do seu rosto não é da terra!' E não era mesmo. Ele era conceituado instrutor bíblico, mas não tinha o dom de pregar. Porém, nessa noite, enquanto pregava, o auditório inteiro foi tomado pelo poder de Deus. Foi a primeira gran­de colheita de almas que presenciei."

Há muitas testemunhas oculares do fato de Deus conti­nuar a responder às orações como no tempo de Lutero, Edwards e Judson. Transcrevemos aqui o seguinte comentá­rio publicado em certo jornal:

"A irmã Dabney é uma crente humilde que se dedica a orar... Seu marido, pastor de uma grande igreja, foi cha­mado para abrir a obra em um subúrbio habitado por pobres. No primeiro culto não havia nenhum ouvinte: so­mente ele e ela assistiram. Ficaram desenganados. Era um campo dificílimo: o povo não era somente pobre, mas de­pravado também. A irmã Dabney viu que não havia espe­rança a não ser clamar ao Senhor, e resolveu dedicar-se persistentemente à oração. Fez um voto a Deus que, se Ele atraísse os pecadores aos cultos e os salvasse, ela se entre­garia à oração e jejuaria três dias e três noites, no templo, todas as semanas, durante um período de três anos.

"Logo, que essa esposa de um pastor angustiado come­çou a orar, sozinha, no salão de cultos, Deus começou a operar, enviando pecadores, a ponto de o salão ficar super­lotado de ouvintes. Seu marido pediu que orasse ao Senhor e pedisse um salão maior. Deus moveu o coração de um co­merciante para desocupar o prédio fronteiro ao salão, cedendo-o para os cultos. Continuou a orar e a jejuar três ve­zes por semana, e aconteceu que o salão maior também não comportava os auditórios. Seu marido rogou-lhe nova­mente que orasse e pedisse um edifício onde todos quantos desejassem assistir aos cultos pudessem entrar. Ela orou e Deus lhes deu um grande templo situado na rua principal desse subúrbio. No novo templo, também a assistência au­mentou a ponto de muitos dos ouvintes serem obrigados a assistir às pregações de pé, na rua. Muitos foram libertos do pecado e batizados."

Quando os crentes sentem dores em oração, é que re­nascem almas. "Aqueles que semeiam em lágrimas, com júbilo ceifarão."

"O soluço de um bilhão de almas na terra me soa aos ouvidos e comove o coração; esforço-me, pelo auxílio de Deus, para avaliar, ao menos em parte, as densas trevas, a extrema miséria e o indescritível desespero desses mil mi­lhões de almas sem Cristo. Medita, irmão, sobre o amor do Mestre, amor profundo como o mar; contempla o horripi­lante espetáculo do desespero dos povos perdidos, até não poderes censurar, até não poderes descansar, até não pode­res dormir."

Sentindo as necessidades dos homens que perecem sem Cristo, foi que Carlos Inwood escreveu o que lemos acima, e é por essa razão que se abrasa a alma dos heróis da igreja de Cristo através dos séculos.

Na campanha de Piemonte, Napoleão dirigiu-se aos seus soldados com as seguintes palavras: "Ganhastes san­grentas batalhas, sem canhões, atravessastes caudalosos rios sem pontes, marchastes incríveis distâncias descalços, acampastes inúmeras vezes sem coisa alguma para comer, tudo graças à vossa audaciosa perseverança! Mas, guerrei­ros, é como se não tivéssemos feito coisa alguma, pois resta ainda muito para alcançarmos!"

Guerreiros da causa santa, nós podemos dizer o mes­mo: é como se não tivéssemos feito coisa alguma. A auda­ciosa perseverança é-nos ainda indispensável; há mais al­mas para salvar atualmente do que no tempo de Müller, de Livingstone, de Paton, de Spurgeon e de Moody.

"Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!" (1 Coríntios 9.16).

Não podemos tapar os ouvidos espirituais para não ou­vir o choro e os suspiros de mais de um bilhão de almas na terra que não conhecem o caminho para o lar celestial.

 

Jerônimo Savonarola

Precursor da Grande Reforma

(1452-1498)

O povo de toda a Itália afluía, em número sempre cres­cente, a Florença. A famosa Duomo não mais comportava as enormes multidões. O pregador, Jerônimo Savonarola, abrasado com o fogo do Espírito Santo e sentindo a imi­nência do julgamento de Deus, trovejava contra o vício, o crime e a corrupção desenfreada na própria igreja. O povo abandonou a leitura das publicações torpes e mundanas, para ler os sermões do ardente pregador: deixou os cânticos das ruas, para cantar os hinos de Deus. Em Florença, as crianças fizeram procissões, coletando as máscaras carna­valescas, os livros obscenos e todos os objetos supérfluos que serviam à vaidade. Com isso formaram em praça pública uma pirâmide de vinte metros de altura e atea­ram-lhe fogo. Enquanto o monte ardia, o povo cantava hi­nos e os sinos da cidade dobravam em sinal de vitória.

Se o ambiente político fosse o mesmo que depois veio a ser na Alemanha, o intrépido e devoto Jerônimo Savonaro­la teria sido o instrumento usado para iniciar a Grande Reforma, em vez de Martinho Lutero. Apesar de tudo, Savonarola tornou-se um dos ousados e fiéis arautos para con­duzir o povo à fonte pura e às verdades apostólicas regis­tradas nas Sagradas Escrituras.

Jerônimo era o terceiro dos sete filhos da família. Nas­ceu de pais cultos e mundanos, mas de grande influência. Seu avô paterno era um famoso médico na corte do duque de Ferrara e os pais de Jerônimo planejavam que o filho ocupasse o lugar do avô. No colégio, era aluno esmerado. Mas os estudos da filosofia de Platão e de Aristóteles, dei­xaram-lhe a alma sequiosa. Foram, sem dúvida, os escritos de Tomaz de Aquino que mais o influenciaram (a não ser as próprias Escrituras) a entregar inteiramente o coração e a vida a Deus. Quando ainda menino, tinha o costume de orar e, ao crescer, o seu ardor em orar e jejuar aumentou. Passava horas seguidas em oração. A decadência da igreja, cheia de toda a qualidade de vício e pecado, o luxo e a os­tentação dos ricos em contraste com a profunda pobreza dos pobres, magoavam-lhe o coração. Passava muito tem­po sozinho, nos campos e à beira do rio Pó, em contempla­ção perante Deus, ora cantando, ora chorando, conforme os sentimentos que lhe ardiam no peito. Quando ainda jo­vem, Deus começou a falar-lhe em visões. A oração era a sua grande consolação; os degraus do altar, onde se prostrava horas a fio, ficavam repetidamente molhados de suas lágrimas.

Houve um tempo em que Jerônimo começou a namorar certa moça florentina. Mas quando ela mostrou ser despre­zo alguém da sua orgulhosa família Strozzi, unir-se a al­guém da família de Savonarola, Jerônimo abandonou para sempre a idéia de casar-se. Voltou a orar com crescente ar­dor. Enojado do mundo, desapontado acerca dos seus pró­prios anelos, sem achar uma pessoa compassiva a quem pudesse pedir conselhos, e cansado de presenciar injusti­ças e perversidades que o cercavam, coisas que não podia remediar, resolveu abraçar a vida monástica.

Ao apresentar-se no convento, não pediu o privilégio de se tornar monge, mas rogou que o aceitassem para fazer os serviços mais vis, da cozinha, da horta e do mosteiro.Na vida do claustro, Savonarola passava ainda mais tempo em oração, jejum e contemplação perante Deus. Sobrepujava todos os outros monges em humildade, since­ridade e obediência, sendo apontado para lecionar filoso­fia, posição que ocupou até sair do convento.

Depois de passar sete anos no mosteiro de Bolongna, frei (irmão) Jerônimo foi para o convento de São Marcos, em Florença. Grande foi o seu desapontamento ao ver que o povo florentino era tão depravado como o dos demais lu­gares. (Até então ainda não reconhecia que somente a fé em Deus salva o pecador.)

Ao completar um ano no convento de São Marcos, foi apontado instrutor dos noviciados e, por fim, designado pregador do mosteiro. Apesar de ter ao seu dispor uma ex­celente biblioteca, Savonarola utilizava-se mais e mais da Bíblia como seu livro de instrução.

Sentia cada vez mais o terror e a vingança do Dia do Senhor que se aproxima e, às vezes, entregava-se a trovejar do púlpito contra a impiedade do povo. Eram tão poucos os que assistiam às suas pregações, que Savonarola resol­veu dedicar-se inteiramente à instrução dos noviciados. Contudo, como Moisés, não podia escapar à chamada de Deus!

Certo dia, ao dirigir-se a uma feira, viu, repentinamen­te, em visão, os céus abertos e passando perante seus olhos todas as calamidades que sobrevirão à igreja. Então lhe pareceu ouvir uma voz do Céu ordenando-lhe anunciar es­tas coisas ao povo.

Convicto de que a visão era do Senhor, começou nova­mente a pregar com voz de trovão. Sob a nova unção do Espírito Santo a sua condenação ao pecado era feita com tanto ímpeto, que muitos dos ouvintes depois andavam atordoados sem falar, nas ruas. Era coisa comum, durante seus sermões, homens e mulheres de todas as idades e de todas as classes romperem em veemente choro.

O ardor de Savonarola na oração aumentava dia após dia e sua fé crescia na mesma proporção. Freqüentemente, ao orar, caía em êxtase. Certa vez, enquanto sentado no púlpito, sobreveio-lhe uma visão, durante a qual ficou imóvel por cinco horas, quando o seu rosto brilhava, e os ouvintes na igreja o contemplavam.

Em toda a parte onde Savonarola pregava, seus ser­mões contra o pecado produziam profundo terror. Os ho­mens mais cultos começaram então a assistir às pregações em Florença; foi necessário realizar as reuniões na Duomo, famosa catedral, onde continuou a pregar durante oito anos. O povo se levantava à meia-noite e esperava na rua até a hora de abrir a catedral.

O corrupto regente de Florença, Lorenzo Medici, expe­rimentou todas as formas: a bajulação, as peitas, as amea­ças, e os rogos, para induzir Savonarola a desistir de pregar contra o pecado, e especialmente contra a perversidade do regente. Por fim, vendo que tudo era debalde, contratou o famoso pregador, Frei Mariano, para pregar contra Savo­narola. Frei Mariano pregou um sermão, mas o povo não prestou atenção à sua eloqüência e astúcia, e ele não ousou mais pregar.

Nessa altura, Savonarola profetizou que Lorenzo, o Papa e o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e as­sim sucedeu.

Depois da morte de Lorenzo, Carlos VIII, da França, invadiu a Itália e a influência de Savonarola aumentou ainda mais. O povo abandonou a literatura torpe e munda­na para ler os sermões do famoso pregador. Os ricos socor­riam os pobres em vez de oprimi-los. Foi neste tempo que o povo fez a grande fogueira, na "piazza" de Florença e quei­mou grande quantidade de artigos usados para alimentar vícios e vaidade. Não cabia mais, na grande Duomo, o seu imenso auditório.

Contudo, o sucesso de Savonarola foi muito curto. O pregador foi ameaçado, excomungado e, por fim, no ano de 1498, por ordem do Papa, foi queimado em praça pública. Com as palavras: "O Senhor sofreu tanto por mim!", ter­minou a vida terrestre de um dos maiores e mais dedicados mártires de todos os tempos.

Apesar de ele continuar até a morte a sustentar muitos dos erros da Igreja Romana, ensinava que todos os que são realmente crentes estão na verdadeira Igreja. Alimentava continuamente a alma com a Palavra de Deus. As margens das páginas da sua Bíblia estão cheias de notas escritas en­quanto meditava nas Escrituras. Conhecia uma grande parte da Bíblia de cor e podia abrir o livro instantanea­mente e achar qualquer texto. Passava noites inteiras em oração e foram-lhe dadas revelações quando em êxtase, ou por visões. Seus livros sobre "A Humildade", "A Oração", "O Amor", etc., continuam a exercer grande influência sobre os homens. Destruíram o corpo desse precursor da Grande Reforma, mas não puderam apagar as verdades que Deus, por seu intermédio, gravou no coração do povo.

 

Martinho Lutero

O grande reformador

(1483-1546)

No cárcere, sentenciado pelo Papa a ser queimado vivo, João Huss disse: "Podem matar o ganso (na sua língua, 'huss' é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar".

Enquanto caía a neve, e o vento frio uivava como fera em redor da casa, nasceu esse "cisne", em Eisleben, Ale­manha. No dia seguinte, o recém-nascido era batizado na Igreja de São Pedro e São Paulo. Sendo o dia de São Martinho, recebeu o nome de Martinho Lutero.

Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fo­gueira, o "cisne" afixou, na porta da Igreja em Wittenberg, as suas noventa e cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma. João Huss enganara-se em apenas dois anos, na sua predição.

Para dar o valor devido à obra de Martinho Lutero, é necessário notar algo das trevas e confusão dos tempos em que nasceu.

Calcula-se que, pelo menos, um milhão de albigenses foram mortos na França, a fim de cumprir a ordem do Pa­pa, para que esses "hereges" fossem cruelmente extermi­nados. Wyclif, "a Estrela da Alva da Reforma", traduzira a Bíblia para a língua inglesa. João Huss, discípulo de Wy­clif, morrera na fogueira, na Boêmia, suplicando ao Senhor que perdoasse aos seus perseguidores. Jerônimo de Praga, companheiro de Huss e também erudito, sofrera o mesmo suplício, cantando hinos, nas chamas, até o último suspi­ro. João Wessália, notável pregador de Erfurt, fora preso por ensinar que a salvação é pela graça; seu frágil corpo fora metido entre ferros, onde morreu quatro anos antes do nascimento de Lutero. Na Itália, quinze anos depois de Lutero nascer, Savonarola, homem dedicado a Deus e fiel pregador da Palavra, foi enforcado e seu corpo reduzido a cinzas, por ordem da Igreja Romana.

Em tempos assim, nasceu Martinho Lutero. Como muitos dos mais célebres entre os homens, era de família pobre. Dizia ele: "Sou filho de camponeses; meu pai, meu avô e meu bisavô eram verdadeiros camponeses". A isso acrescentava: "Há tanta razão para vangloriarmo-nos de nossa ascendência, quanto há para o Diabo se orgulhar da sua linhagem angélica".

Os pais de Martinho, para vestir, alimentar e educar seus sete filhos, esforçavam-se incansavelmente. O pai tra­balhava nas minas de cobre; a mãe, além do serviço do­méstico, trazia lenha às costas, da floresta.

Os pais, não somente se interessavam pelo desenvolvi­mento físico e intelectual dos filhos, mas também do espi­ritual. O pai, quando Martinho chegou à idade de com­preender, ensinou-o a ajoelhar-se ao lado da sua cama, à noite, e rogava a Deus que fizesse o menino lembrar-se do nome de seu Criador (Eclesiastes 12.1)..

A sua mãe era sincera e devota; ensinou seus filhos a considerarem todos os monges como homens santos, e a sentirem todas as transgressões dos regulamentos da igreja como transgressões das leis de Deus. Martinho aprendeu os Dez Mandamentos, o "Pai Nosso", a respeitar a Santa Sé na distante e sagrada Roma, e a olhar, tremendo, para qualquer osso ou fragmento de roupa que tivesse pertencido a algum santo. A base da sua religião formava-se mais em que Deus é um juiz vingativo, do que um amigo de crianças (Mateus 19.13-15). Quando já era adulto, Lutero escreveu: "Estremecia e tornava-me pálido ao ouvir al­guém mencionar o nome de Cristo, porque fui ensinado a considerá-lo como um juiz encolerizado. Fomos ensinados que devíamos, nós mesmos, fazer propiciação por nossos pecados; que não podemos fazer compensação suficiente por nossa culpa, que é necessário recorrer aos santos nos céus, e clamar a Maria para desviar de nós a ira de Cristo."

O pai de Martinho, satisfeitíssimo pelos trabalhos esco­lares do filho, na vila onde morava, mandou-o, aos treze anos, para a escola franciscana na cidade de Magdeburgo.

O moço apresentava-se freqüentemente no confessio­nário, onde o padre lhe impunha penitências e o obrigava a praticar boas obras, para obter a absolvição. Esforçava-se incessantemente para adquirir o favor de Deus, pela pieda­de, desejo esse que o levou mais tarde à vida de convento.

Para conseguir a sua subsistência em Magdeburgo, Martinho era obrigado a esmolar pelas ruas, cantando can­ções de porta em porta. Seus pais, achando que em Eisenach passaria melhor, mandaram-no para estudar nessa cidade, onde moravam parentes de sua mãe. Porém esses parentes não o auxiliaram, e o moço continuou a mendigar o pão.

Quando estava a ponto de abandonar os estudos, j)ara trabalhar com as mãos, certa senhora de recursos, D. Ursula Cota, atraída por suas orações na igreja e comovida pela humilde maneira de receber quaisquer restos de comida, na porta, acolheu-o entre a família. Pela primeira vez Lu­tero sentira fartura. Mais tarde, ele referia-se à cidade de Eisenach como a "cidade bem amada". Quando Lutero se tornou famoso, um dos filhos da família Cota cursava em Wittenberg, onde Lutero o recebeu na sua casa.

Domiciliado na casa da sua extremosa mãe adotiva, D. Ursula, Martinho desenvolveu-se rapidamente, recebendo uma sólida educação. Seu mestre, João Trebunius, era ho­mem culto e de métodos esmerados. Não maltratava os alunos como os demais mestres. Conta-se que, ao encon­trar os moços da sua escola, cumprimentava-os tirando o chapéu, porque "ninguém sabia quais seriam dentre eles os doutores, regentes, chanceleres e reis..." O ambiente da escola e no lar era-lhe favorável para produzir um caráter forte e inquebrantáve




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