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"Além de Jabez" Bruce Wilkinson

ALÉM DE

JABEZ

Alargue suas Fronteiras

 

 B R U C E

W l L K I N S O N

 

        Editora Mundo Cristão

São Paulo

 

  . Índices para catálogo sistemático:

1.  Bíblia: Orações      242.722

2.  Orações Bíblicas    242.722

 


Sumário

 

Agradecimentos

 

Introdução

Uma oração pequena e poderosa

1.  Descubra o sonho de Deus

 

Parte i

As bênçãos de Deus

Um testemunho de gente de oração

"Transformarei em regozijo a sua tristeza"

2. A oração por bênçãos: um olhar mais apurado

3. A oração por bênçãos: indo mais fundo

4. A oração por bênçãos: colocando em prática na vida

 

Parte ii

Exercendo influência em nome de Deus

Um testemunho de gente de oração

"Grandes conquistas em Ruanda"

5. A oração por território: um olhar mais apurado

6. A oração por território: indo mais fundo

7. A oração por território: colocando em prática na vida

 

Parte iii

O poder de Deus

Um testemunho de gente de oração

"Uma oferta que não podíamos recusar"

8. A mão de Deus: um olhar mais apurado

9. A mão de Deus: indo mais fundo

10. A mão de Deus: colocando em prática na vida

 

Parte iv

A proteção de Deus

Um testemunho de gente de oração

"Um vício secreto"

11. A oração por proteção: um olhar mais apurado

12. A oração por proteção: indo mais fundo

13. A oração por proteção: colocando em prática na vida

 

Parte v

Novos horizontes com Deus

14. Um alto investimento com retorno infinito

 

 

Agradecimentos

 

A todos aqueles que, assim como os cristãos do livro de Atos, olham para quem são agora e para quem nunca serão, para o que podem fazer agora e o que nunca serão capazes de fazer, mas ainda assim ousam pedir o mundo a Deus.

Que você possa experimentar pessoalmente a "suprema gran­deza do seu poder para com os que cremos" (Ef 1:19). Você descobri­rá que Deus é mais do que capaz, e está mais do que desejoso de "fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensa­mos" (Ef 3:20).

Sem as habilidades profissionais de Brian Smith e David Webb, os conhecimentos de marketing de Guy Coleman e o incentivo da equipe da Multnomah e do editor Don Jacobson, Além de Jabez Alargue suas fronteiras nunca teria sido transposto para o papel. Obrigado, meus amigos, pelo compromisso de cuidar com carinho da mensagem deste livro.

 

 

Introdução

 

Uma oração pequena

e poderosa

 

Quando A oração de Jabez foi lançado, na primavera de 2000, se você me dissesse que aquele livrinho de 104 páginas se torna­ria "o livro que vendeu mais rápido em todos os tempos"—como a revista Publishers Weekly o classificou em 2002 —, eu não acredita­ria. Mas a reação a ele foi, e continua sendo, inacreditável. Mesmo hoje, preciso de um assistente em horário integral para responder as mensagens eletrônicas e cartas de pessoas que me escrevem para contar sobre suas experiências com A oração de Jabez! E as histórias continuam a aparecer, narradas por aqueles que provaram o mila­gre da oração respondida.

Aonde quer que eu vá, onde quer que eu ensine, a pergunta é sempre a mesma: "Como você pode explicar as vendas de seu livro?" Depois de dois ou três anos, eu sentia que a resposta se tornara evidente: afinal, em praticamente todos os lugares aos quais eu ia, alguém se apressava em compartilhar a própria história: "Você pre­cisa ouvir o que Deus fez quando eu orei como Jabez...".

Lembro-me de certa vez, quando ministrava uma palestra no Centro de Treinamento Billy Graham, e uma pesquisa informal re­velou que mais de 80% da platéia havia adquirido várias cópias do meu livro para presentear familiares e amigos. Só um homem havia oferecido mais de oitenta caixas! Por quê? Ele me contou: "Por algu­ma razão, Deus está respondendo a essa oração na vida de todas as pessoas a quem dei o livro — e quero que todo mundo que conheço experimente essa verdade: Deus responde à oração!"

A frase "você precisa ouvir o que Deus fez" pode ser a chave para o sucesso sem precedentes de A oração de Jabez. Milhões de pessoas já contaram a outras tantas o que Deus lhes fez como resposta a essa oração tão simples. E quando uma pessoa conta a outra o que Deus fez, isso significa dar ao Senhor o crédito do qual ele é mais do que merecedor.

 

Jabez na África

Também estou convencido de que a oração de Jabez está diretamente ligada ao chamado para lançar um movimento global denominado Dream for África. Depois do sucesso do livro e de sua seqüência, Segredos da vinha, nossa família sentiu-se inesperadamente convo­cada a mudar-se para a África e ajudar nos esforços para controlar a epidemia da aids, provavelmente a mais grave crise que atingiu a humanidade desde o grande Dilúvio. Quando recebi a chamada, perguntei ao Senhor: "O senhor tem certeza? Afinal de contas, eu não sou mais um jovem na faixa dos vinte anos. Nem na dos trinta. Nem mesmo na dos quarenta".

Tive de sorrir diante da cutucada que Deus me deu em seguida: "Mas você não é o cara da oração de Jabez? Não é você que vem suplicando a mim nas últimas décadas, querendo cada vez mais e mais território? Será que teremos de discutir a respeito dos limites desse território?"

Nessa época, voltei a Mateus 28:18-20 e meditei sobre a Grande Comissão durante meses, pedindo ao Senhor que revelasse a mim se alguma coisa vital havia passado despercebida a respeito de meus próximos passos na obra de Deus. Ao fazer aquele estudo, descobri algo extremamente significativo — uma coisa que eu já sabia, mas não completamente — que mudaria minha vida para sempre.

Jesus ordenou a seus seguidores que fizesses discípulos em todas as "nações", ou grupos de pessoas. Não apenas pessoas, famílias ou cidades, mas nações. Pela primeira vez em meu ministério, fiz uma pergunta totalmente diferente: "Como posso obedecer à Grande Comissão e fazer discípulos em uma nação inteira, em nome de Deus?"

Quando alguém desenha um círculo em volta das fronteiras de uma nação com a intenção de fazer discípulos, não demora muito a perceber que a pessoa mais estratégica daquela nação é seu presidente ou monarca. Mas como eu poderia ter esperanças de, pelo menos, encontrar-me com tantos líderes africanos?

De fato, quando eu estava treinando 9,5 mil líderes na Nigéria, fui convidado para almoçar com o presidente do país. Ele me con­tou que viajou por vários lugares do mundo, e em todos eles apa­recia alguém para lhe dar uma cópia de A oração de Jabez. Disse também que o livro mudara sua vida.

Depois, quando eu estava na Zâmbia, treinando mais de 700 líderes, o presidente daquele país me convidou a visitá-lo em seu escritório. Ele me contou que havia acabado de ler A oração de Jabez — pela segunda vez. Em seguida, deu a volta em sua grande mesa, pedindo-me para colocar as mãos sobre seus ombros e orar por ele.

Mais tarde, eu estava prestes a falar com o presidente e a primei-ra-dama de Uganda, que iriam me contar, em primeira mão, como haviam conseguido um sucesso notável no combate à infecção da população do país pelo vírus hiv. O presidente foi inesperadamente chamado para ir ao norte por conta da eclosão de uma revolta, mas sua esposa recebeu-me da maneira mais carinhosa possível, e afir­mou: "Oh, nós adoramos A oração dejabez! Mas Segredos da vinha é o meu favorito."

Estou escrevendo logo depois de chegar da República do Malauí, onde lançamos outro ministério Dream for África. Pouco antes de pegar o vôo de volta a Joanesburgo, recebemos a notícia de que a primeira-dama de Malauí queria marcar um encontro conosco. Ao sermos apresentados, a filha adulta disse à mãe, de forma entusias­mada: "Esse é o homem de quem tenho falado com a senhora, aquele que escreveu o livro que lhe dei".

Há pouco tempo, um líder me disse: "A oração de Jabez é uma espécie de João Batista que o antecede em seu trabalho na África!"

Quem poderia imaginar?

 

Por que outro livro sobre Jabez?

Se A oração de Jabez inspirou sua vida, ou mesmo se jamais ouviu falar a respeito, minha esperança é de que Além de Jabez Alargue suas fronteiras seja um forte incentivo e capacite você a viver num nível mais elevado de significado, serviço e relevância. Tenho feito essa breve oração por mais de trinta anos, e meu coração trans­borda de tantas experiências — não apenas as que tenho vivido, mas também as que Deus tem proporcionado a milhões de outras pessoas em todo o mundo. É por isso que me senti compelido a compartilhar várias dessas histórias nas páginas deste livro.

Na verdade, Além de Jabez Alargue suas fronteiras foi escrito por três razões básicas:

• Primeiro, escrevi este livro para continuar desenvolvendo os conceitos dessa oração, e assim eles pudessem produzir ainda mais frutos em sua vida. O livro original, na verdade, lança apenar um olhar sobre a oração, e muita gente pedia por ensinamentos mais profundos a respeito do assunto. Em resposta a esta demanda, de­senvolvi uma série de vídeos para pequenos grupos, dividida em oito partes. Logo depois, escrevi este livro.

• Segundo, escrevi Além de Jabez Alargue suas fronteiras para eliminar conceitos equivocados que surgiram a partir do su­cesso do primeiro livro. Para ser franco, a quantidade de falsos ensinamentos e falsas pregações que surgiram a partir do livro foi um grande choque para mim. Por quê? Por este motivo: em 25 anos de pregação sobre a oração de Jabez, nunca ouvi um comen­tário negativo sequer. E durante esse tempo, ninguém, em mo­mento algum, sequer sugeriu que pedir a Deus para abençoar a própria vida seria teologia da prosperidade. Só mesmo depois que A oração de Jabez se tornou um enorme sucesso é que comecei a ouvir este tipo de crítica. A imprensa secular, em especial, viu-se em certa dificuldade para lidar com o sucesso impressionante de um livro sobre oração.

• Terceiro, escrevi este novo livro pelo desejo de incentivar você a reativar o hábito de fazer a oração de Jabez. Tantos têm sido toca­dos, tantas vidas têm sido transformadas; mas a experiência de Jabez ainda não foi esgotada. Na verdade, ela mal começou!

Raramente uma semana chega ao fim sem que testemunhemos inúmeras situações que evidenciam a resposta de Deus a essa oração em nossa família e no Dream for África. Meu bom amigo e editor, Don Jacobson, incentivou-me a incluir neste livro algumas dessas histórias ocorridas nos últimos meses para que os leitores pudessem ver e compreender que a oração de Jabez pode ser elemento contí­nuo de uma vida de oração efetiva.

 

Uma vida "mais ilustre"

Da mesma forma que você pede a Deus que abençoe seu alimento, meu desejo é que, após a leitura de Além de Jabez Alargue suas fronteiras, você torne hábito pedir ao Senhor que lhe abençoe a vida como um todo. Assim, conforme se conscientizar de que sua vida foi criada para exercer cada vez mais influência e impacto, espero que peça a Deus diariamente que amplie o território no qual você o serve. Isso o conduzirá ao mundo do desconhecido, onde pode se sentir subjugado e talvez até incapaz de aproveitar as oportunidades. Se isso acontecer, espero que você ore, da mes­ma forma que Jabez o fez, para que a mão do Senhor intervenha a seu favor.

No fim, quando a realidade de uma vida em outro plano fizer seu coração vacilar — tornando-o vulnerável à tentação que, se consumada, causará tristeza ao Senhor e a outros, e impedirá os milagres pelos quais espera —, minha esperança é de que você saiba pedir a Deus que mantenha o mal distante, de maneira que não prejudique ninguém.

Neste livro, você descobrirá o poder dessa ligação indestru­tível. E se fizer a oração de Jabez, vivendo de acordo com os princí­pios bíblicos que ela contém, descobrirá a alegria indescritível de experimentar a força das palavras "e Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido".

Ao dedicar-se totalmente a servir a Deus, descobrirá, para sua surpresa, que os céus o consideram, tal como Jabez, "mais ilustre". As Escrituras Sagradas e minha experiência me convenceram de que Jabez revelou um dos mais notáveis segredos de uma vida ilustre diante de Deus e dos homens. Que o seu coração possa cantar e sua vida irromper na alegria de viver a plenitude que está à sua espera.

 

 

Capítulo Um

 

Descubra o sonho de Deus

 

Não faz muito tempo, em um lugar não muito distante, um Zé-Ninguém, chamado Comum, vivia na Terra do Familiar (...) Quase sempre, nada de novo acontecia em Familiar, nada que não tivesse acontecido antes. Comum acreditava que era feliz. Achava que as rotinas eram confiáveis. Misturava-se à multidão. E, na maioria das vezes, desejava somente o que tinha. Até que um dia Comum percebeu um pequeno e desconfortável sentimento de que algo grande faltava em sua vida.'

O DOADOR DE SONHOS

 

 

"Preciso de 25 voluntários", anunciou o pastor Denny Bellesi a  sua congregação. Ele passou os olhos sobre o auditório, es­perando que alguém se manifestasse.

Os membros da Igreja da Comunidade de Coast Hills perma­neceram em um silêncio enigmático.

O que estaria passando na cabeça do pastor naquele momento? A platéia se remexia em suas cadeiras, tentando não dar bandeira.

Aos poucos, 25 curiosos puseram-se diante da congregação — alguns deles, ansiosos; outros, com alguma relutância. Então, o pas­tor entregou uma nota de cem dólares a cada um.

"Eu os convido a fazer parte desse Investimento no Reino", falou ao grupo de voluntários perplexos. "As regras são simples. Número um: esse dinheiro não é de vocês, é de Deus. Dois: devem usá-lo para ampliar o Reino de Deus além das quatro paredes desta igreja. E três: em 90 dias, deverão voltar e prestar um relatório sobre como investiram o dinheiro."

O pastor surpreendeu ainda mais a congregação quando avi­sou que a igreja não queria nem um centavo sequer do dinheiro de volta. Ele repetiu o exercício nos três cultos seguintes, distribuin­do dez mil dólares a uma centena de membros da igreja. Homens, mulheres e até mesmo crianças receberam cotas daquela "verba para investimento".

Denny Bellesi tinha acabado de pregar uma série de sermões sobre como usar o dinheiro para os propósitos de Deus. Ele sen­tiu que a igreja estava pronta — financeiramente e espiritual­mente — para assumir o desafio empolgante de investir no Reino de Deus.

Denny sabia do risco que estava correndo. Estava bem atento à responsabilidade inusitada que havia imposto à congregação. Mas as pessoas aceitaram o desafio, e o Investimento no Reino causou impacto em mais vidas do que qual­quer um poderia prever. O que come - O que começara como uma simples lição a respeito de mordomia cristã para uma igreja continua tocando vidas ao redor do mundo.

Um homem arrecadou dez mil dólares com a venda de endereços eletrônicos (e-mails) a amigos e velhos colegas de faculdade, desafiando-os a fazer o mesmo investimento original de cem dólares. Ele doou a receita a um casal cujas duas filhinhas haviam morrido por causa de uma doença sangüínea rara.

Uma mulher falou a vários amigos sobre o Investimento no Reino durante uma festa de aniversário. Eles foram contagiados pela iniciativa e, com ela, arrecadaram 1,8 mil dólares em dinheiro, doa­dos a uma mulher batalhadora, mãe solteira de três filhos, que tra­balhava durante o dia e fazia faculdade à noite.

Uma menina de nove anos de idade enviou seu dinheiro para ajudar no pagamento da cirurgia cardíaca de uma criança de qua­tro anos no Estado de Oregon, Estados Unidos.

Um quiroprático da comunidade preferiu levar, uma vez por mês, sua mesa de massagem portátil e uma centena de sanduíches King para a região mais pobre da cidade, onde tratava pessoas que viviam e dormiam nas ruas.

Outro homem sentiu-se inspirado a investir cinqüenta mil dó­lares num seminário sobre a Bíblia na China, depois de ouvir falar do Investimento no Reino.

Um jovem que crescera num lar no qual sofrerá abusos investiu seu dinheiro num programa de acompanhamento para crianças que passam pelo mesmo tipo de problema. Ele também participa do programa que o ajudou a descobrir uma parte do propósito de Deus para sua vida.

Poucas semanas depois de comprometer sua congregação com o Investimento no Reino, o pastor Bellesi leu A oração de Jabez, que o impactou profundamente. Ele distribuiu cópias do livro a todos os seus assistentes. Denny Bellesi e sua esposa, Leesa, come­çaram a orar juntos, pedindo a Deus que "alargasse suas frontei­ras". Não tinham idéia de que seu território estava prestes a ser expandido rapidamente.

Logo um jornal da região ficou sabendo das proezas que esta­vam sendo realizadas na igreja e publicou uma matéria de primeira página. Em seguida, a agência de notícias Associated Press repassou a história e vários jornais do mundo inteiro publicaram a repor­tagem a respeito daquela iniciativa tão encantadora. As revistas Womarís Day e People também fizeram artigos sobre os maravilho­sos resultados do Investimento no Reino. Denny e Leesa começaram a receber ligações de todo o mundo com pedidos para entrevistas de revistas e emissoras de rádio.

E o território deles continuou a se expandir.

Certo dia, os Bellesi receberam um telefonema de uma produ­tora do programa Dateline, da rede de televisão nbc. Ela pediu para acompanhar o trabalho deles durante um ano. Denny e Leesa con­cordaram, e então uma equipe da emissora apareceu na igreja para entrevistar Denny e vários participantes do Investimento no Reino. Os membros da igreja aproveitaram ao máximo a oportunidade para expandir o território de Deus, compartilhando o que o Senhor lhes havia feito.

No meio de tanta comoção e ati­vidade, Leesa elaborou o projeto para um livro com as crônicas dos resultados do Investimento no Reino. Leesa e Denny logo firmaram um contrato com uma grande casa publicadora cristã.

Os Bellesi ficaram tão aturdidos com a enormidade da bênção de Deus que se viram forçados a depender do Senhor. E isso foi muito bom! O Investimento no Reino tornou-se tão grande que só mesmo Deus poderia levar o crédito por seu crescimento.

Assim como a proverbial pedrinha forma ondas quando ati­rada no lago, o impacto do Investimento no Reino continua a se expandir. Suas ondas já tocaram a vida de pessoas de muitos países, inclusive Sudão, China, Vietnã e México. E, ao que parece, não perdeu a força.2

 

Nunca é tarde

Desde a primeira publicação de A oração de Jabez, em 2000, tenho recebido inúmeras cartas com narrativas de como Deus usou pes­soas que oraram com a mesma fé de Jabez. Assim como o Investi­mento no Reino, algumas histórias são grandes e formidáveis sobre milagres espetaculares realizados pela mão de Deus. Mas muitos desses milagres aconteceram de forma discreta, mas não menos significativa.

Permita-me contar sobre uma senhora muito especial, de setenta anos de idade, chamada Mamie. Sua fé em Deus sempre foi exem­plar. Porém, quando sua saúde ficou comprometida, exigindo que sua família a internasse numa casa de repouso, Mamie começou a manifestar comportamentos negativos como nunca havia feito antes — ressentimento, desconfiança, retraimento. Seus filhos ten­tavam entender o que havia acontecido com aquela mulher maravi­lhosa de antes.

Na mesma época, Joan, filha de Mamie, lera A oração de Jabez. Sentiu-se encorajada pelos ensinamentos do livro e não teve dúvi­das de que sua mãe precisava da perspectiva que o livro propunha. Ironicamente, Joan lembrava de ter ouvido, durante toda a vida, a mãe exortar a família, dizendo: "Confiem no Senhor para alargue suas fronteiras." Mas Joan nunca soubera qual a fonte da citação. Não até aquele momento, pelo menos.

Na visita seguinte que fez à mãe, Joan ficou chocada ao ver a amargura e o desespero gravados no semblante de Mamie. Aquela mulher debilitada pela doença sentia que havia perdido tudo de importante — seu lar, suas posses, sua independência —, e se con­vencera de que nada mais restava na vida.

No entanto, a expressão no rosto de Mamie começou a mudar conforme Joan trazia à lembrança da mãe a perspectiva que ela pas­sara toda a vida tentando ensinar aos filhos: Deus é fiel e doador; ele estará sempre conosco se vivermos de forma ousada, em obediência de fé.

Joan leu 1 Crônicas 4:10 para sua mãe: "Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fron­teiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido".

— Sim —, disse Mamie brandamente, como se estivesse falando consigo. — É isso que Deus faz.

— Mãe, Deus a colocou exatamente entre pessoas que precisam de sua ajuda —, disse Joan. — Depois de passar a vida inteira in­fluenciando outras pessoas positivamente, aqui está a senhora, com outras treze mulheres, todas debaixo do mesmo teto. Não vou ficar assistindo, impassível, enquanto o Diabo tenta lhe roubar a alegria e ministério durante os últimos anos de vida!

Naquele momento, Mamie sorriu possivelmente pela primeira vez depois de meses.

Joan desafiou a mãe a compartilhar com as companheiras da casa de repouso o que ela havia aprendido sobre o amor de Deus ao longo de sete décadas de vida. Oraram juntas pela direção do Se­nhor, pedindo forças a ele. Quando Joan foi embora, Mamie era uma nova mulher, com um novo propósito.

Alguns dias depois, Mamie chamou Joan e pediu que trouxes­se biscoitos e chá para um encontro que havia organizado. Ela convidara uma amiga cristã chamada Esther para falar a respeito de Deus à suas companheiras, na área social da casa de repouso.

No dia do evento, havia ares de expectativa na face de cada uma das treze mulheres que seguiam numa espécie de desfile pelo corre­dor na direção da área social, algumas delas em cadeiras de rodas. Nenhuma delas sequer lembrava da última vez que havia sido con­vidada para participar de um chá!

O ambiente na casa foi transformado. A palavra de Esther e uma série de eventos posteriores — inclusive um mini-concerto de um neto de Mamie — renovaram a fé e levaram esperança a muitas daquelas senhoras idosas.

Algum tempo depois, o estado de saúde de Mamie agravou-se por conta dos problemas no coração, mas ela tinha certeza de que estava a caminho do Céu. E quando ela melhorou, comentou com Joan: "Acho que Deus ainda tem alguma coisa para fazer comigo. Deve haver algo mais que ele quer de mim."3

Não importa se ainda restam seis dias ou seis anos de vida a você, Deus ainda tem um propósito para sua vida na Terra. Oro para que esse livro o ajude a assimilar a visão daquilo que Deus quer fazer em sua vida; que você se realize de forma inacreditável; e que essa leitura produza resultados de valor eterno.

 

Jabez, o homem

Você deve ter notado que, em ambas as histórias, as pessoas já esta­vam aprendendo a confiar em Deus para ver sua mão poderosa agindo em suas vidas mesmo antes de que A oração de Jabez chamas­se sua atenção. De fato, a oração de Jabez está presente em nossa bíblia, influenciando vidas há milhares de anos, e ela continuará fazendo isso por muito tempo depois de o livrinho que escrevi tiver virado pó e caído no esquecimento. Durante séculos, muita gente fez essa oração e viveu de acordo com seus princípios, mas aprouve a Deus que, nos últimos anos, o exemplo de Jabez transformasse milhões de vidas ao redor do mundo — até mesmo a sua.

Assim sendo, vamos parar novamente para analisar a vida do homem cujo coração cheio de fé conseguiu exercer um impacto tão grande em nosso tempo. No livro de 1 Crônicas, só encontramos dois versículos sobre Jabez, aninhados no meio de uma longa lista de nomes — dentro da genealogia de ninguém menos que o próprio rei Davi. O segundo desses versículos contém a oração de Jabez. Mas se voltarmos um pouco, um versículo antes, aprendemos mais so­bre a personagem e suas circunstâncias. "Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamou-lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz" (lCr4:9).

Em primeiro lugar, note o significado do nome. A palavra jabez significa literalmente "dor". Provavelmente sua mãe teve dificuldade em dar à luz. Ou talvez outras circunstâncias dolorosas a tenham atingido naqueles dias. Em qualquer dos dois casos, imagine o que seria crescer ouvindo o tempo todo: "Ei, Dor! Tudo bem?" Ou apre­sentar-se desta maneira: "Oi, gente, meu nome é Dor". Sem dúvida alguma, o rapaz precisou superar obstáculos consideráveis antes de se tornar um homem de fé tão poderosa! O legado de Jabez tem encorajado milhões de pessoas cuja vida também começou com dor, ensinando-as que são capazes de superar as circunstâncias, tornan­do-se gente a quem Deus chama "ilustre".

Com efeito, Jabez era conhecido como alguém "mais ilustre do que seus irmãos". A palavra "ilustre", como usada nesse versículo, significa "respeitável". Jabez vivia de tal maneira — com maturi­dade, sabedoria e senso de honra — que se destacava na multidão. Era admirado por todas as razões mais dignas. E assim serve para nós como um exemplo digno de ser seguido, mesmo em nossos dias.

Também podemos aprender, apartir dessa passagem bíblica, que Jabez "invocou o Deus de Israel". A palavra "invocou", nesse caso, quer dizer "clamou por ajuda". A oração de Jabez não era uma solicitação casual ("Ah, Deus, queria aproveitar a oportunidade para..."). Era um pedido sentido, apaixonado, que vinha do fundo do coração. Con­siderando o que sabemos a respeito de Jabez através da Bíblia, podemos inferir que sua oração representava um assunto recor­rente em sua vida — um desejo profundo e permanente.

 

Uma paixão tão grande...

Você já quis algo com intensidade? Por um momento, tente imagi­nar um desejo tão intenso que coloca todas as outras coisas num plano secundário, a ponto de nem sequer lembrar delas. Depois, imagine-se pedindo insistentemente a Deus, dia após dia, com in­tenso fervor, que realize em sua vida quatro pedidos específicos, ainda que pareçam ousados demais.

Você espera que a bênção de Deus — espiritual, material ou ambas — jorre abundantemente sobre sua vida, de acordo com as eternas riquezas e a sabedoria generosa do Senhor. E, então, quan­do ele derrama a bênção sobre sua vida, imagine-se almejando ocupar um novo território — não necessariamente para você mes­mo, mas para o próprio Senhor e para seus propósitos.

Conforme suas fronteiras são alargadas e a responsabilidade que Deus coloca sobre você cresce a ponto de se tornar esmagadora, imagine-se clamando desesperadamente pelo Senhor para capaci­tá-lo a se desincumbir dela de maneira apropriada.

Agora pense que, nessas condições, você ficará tão sensível aos efeitos demolidores do pecado que precisará pedir a Deus: "Preserve minha vida do mal!" Só assim será capaz de perseguir, sem impedi­mentos, o melhor que o Senhor tem para sua vida.

Se você pode começar a se apossar dessa paixão, dessa atitude, desse extraordinário hábito de orar cheio de fé, então já está pronto para alargue suas fronteiras até o próximo estágio da aventura de Deus para sua vida.

 

 __________________

1Bruce Wilkinson. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 15.

2Pay it Godward [Coloque na conta de Deus], por Danny e Leesa Bellesi.

3Never too late [Nunca é tarde], por JoAn Cutler.

 

   

Parte i

 

as bênçãos de Deus

 

 

Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que

me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua

mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!

E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.

I Crônicas 4:10

 

 

 

 

 

Um testemunho de gente de oração

 

"Transformarei em regozijo a sua tristeza"

por Cathy Davis

 

 

 

Não foi um ano propriamente bom. Depois de 22 anos de casamento, eu estava sozinha. Havia per­dido a minha casa e o meu carro. Meu filho parecia disposto a se destruir, abusando da bebida e das drogas. E se tudo isso já não fosse desgraça suficiente para um ano, meu cachorro de estimação morreu.

Mas juntei os cacos e batalhei para me formar na faculdade, determinada a trabalhar no emprego de meus sonhos.

Não levou muito tempo para que a ilusão desmoronasse. De­pois de entrar no mercado de trabalho, aprendi que os salários dis­poníveis para pessoas com meu nível de experiência — ou, melhor, meu nível de inexperiência — não eram suficientes para satisfazer as necessidades. Assumi um certo risco, mas comecei a trabalhar em meu próprio negócio, que faliu.

Por mais que eu tentasse acertar, sentia como se continuasse escorregando ladeira abaixo, descendo até o fundo do poço.

Já havia jejuado e orado para que Deus me desse mais dele mesmo — a maior bênção de todas. E, assim, depois de ver todos os meus planos frustrados, abri minha vida completamente para que ele a dirigisse: "Estou numa situação de desespero, Senhor. Peço que tu aquietes meu coração, de maneira que eu possa discernir teu desejo para minha vida. Meus planos não me le­varam a lugar algum. Por favor, me abençoa... da maneira que quiseres".

Durante algum tempo, chorei diante de Deus, esperando que ele escrevesse as respostas na parede, como fez para o profeta Daniel. Mas o Senhor simplesmente me fez esperar, cada vez mais desesperada, pela promessa de sua bondade.

Finalmente, enquanto eu jejuava, senti a direção de Deus: sem um tostão sequer, fiz a matrícula para completar o curso e tirar o diploma na universidade. Logo no início do processo, disseram-me que todos os subsídios já haviam sido requisitados, que não haveria empregos disponíveis na instituição e que até o orientador acadêmico que eu havia solicitado estava em período de licença.

Mas Deus me deu paz no coração. Se o plano dele para mi­nha vida era aquele, seria cumprido de alguma forma; o Senhor cuidaria dos detalhes. Assim, completei a inscrição, solicitando a admissão e requisitando ajuda financeira.

No dia seguinte — apenas dez dias depois de orar pela bên­ção e pela direção de Deus, da maneira que ele escolhesse conce­dê-las —, recebi um telefonema do deão da faculdade. "Cathy, é só para avisar que você foi aceita no programa de graduação. Acre­dito que também possamos ajudá-la com recursos financeiros."

De fato, recebi uma bolsa de estudos integral, com uma ajuda de custo para lecionar e um emprego de meio expediente. E mais: o orientador que eu tinha solicitado cancelara sua licença e esta­va disponível!

Ao longo de toda a minha vida, meu Pai celestial nunca dei­xara de ser o Deus doador e pronto para abençoar. Mas foi quan­do pedi a ele por bênçãos abundantes — de acordo com seus planos, não os meus — que o Senhor derramou sobre mim tudo que eu precisava, e infinitamente mais.

 

 

 

Capítulo Dois

 

A oração por bênçãos:

UM OLHAR MAIS APURADO

 

Meu amigo, Deus lhe reserva uma enorme quantidade de bênçãos não pedidas, todas a sua espera. Sei que isso parece impossível até mesmo um pouco suspeito nestes dias de tanto egocentrismo. Mas é justamente esta dinâmica seu anseio pela plenitude que vem de Deus que tem sido a terna vontade do pai para sua vida desde o início dos tempos.'

A oração de Jabez

 

 

O livro A oração de jabez quase fora abandonado antes mesmo que eu sonhasse em escrever a respeito dele.

A primeira vez que pensei em fazer essa breve oração aconteceu há mais de trinta anos, quando o capelão da nossa faculdade men­cionou aquele pouco conhecido herói do Antigo Testamento e desa­fiou a nós, estudantes, que aspirássemos por ser como Jabez, ou seja, "mais ilustres". Ainda lembro de como aquilo me intimidou. Até então, acreditava que não havia a mais irrisória possibilidade de me tornar uma pessoa "mais ilustre".

Aquele período devocional na capela afetou-me de tal maneira que não disparei, como de costume, na direção do refeitório para tomar meu café da manhã com rosquinhas. Ao invés disso, fui dire­to para a biblioteca. Lá chegando, vasculhei todas as prateleiras, recolhendo vários dicionários da Bíblia, comentários e livros de referência. Queria descobrir tudo o que fosse possível saber sobre aquele homem que havia tomado conta de minha imaginação.

 

Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamou-lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz. Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preser­ves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.

ICrônicas 4:9,10

 

Não tenho como descrever o quão desapontado fiquei ao descobrir que Jabez só aparecia nesses dois versículos tão breves. Como pode­ria desejar me tornar como ele se a Bíblia não revelava seus segre­dos? Prostrado naquela cadeira de madeira dura da biblioteca, vi meu coração lutando contra a frustração. "Por que Deus não fala mais a respeito de Jabez?" Continuei lendo o versículo 9, vez após outra, torcendo para que alguma coisa que eu ainda não tivesse percebido saltasse da página. Até que, depois de algum tempo, comecei a meditar sobre aquela oração, e um pensamento curioso me ocorreu: "Por que não orar da mesma maneira?" Fez sentido. Nos mais diversos cultos dos quais eu havia participado, a congre­gação fazia orações ensinadas por outras pessoas da Bíblia. Por que não a de Jabez?

Para mim, parecia tão simples. Até que tentei orar como ele.

As palavras ficaram presas em minha garganta, e eu não conse­guia pronunciá-las, por mais que tentasse. "Querido Deus, por fa­vor, abençoa... a mim"? Ninguém espera que se ore dessa maneira. Todo mundo sabe que se deve orar pelos enfermos e pelos líderes.

Mas orar por você mesmo? Nada disso! Seria a oração mais egoísta que alguém pode imaginar.

Minha mente deu voltas, tentando encontrar sentido nessa con­tradição inesperada. Como poderia uma pessoa a quem a Bíblia descrevia como "mais ilustre do que seus irmãos" fazer uma oração tão egocêntrica? Quanto mais eu sentava para estudar aquele tre­cho da Palavra, mais inquieto eu ficava.

Queria analisar a questão de forma mais profunda, por isso peguei meu bloco e escrevi separadamente as quatro partes da ora­ção de Jabez. Não apenas me senti incomodado com o primeiro pedido, como também descobri que cada demanda apresentada por ele a Deus era exatamente o oposto de tudo pelo que eu havia orado até então. Ao invés de pedir por mais território, eu sempre reclama­va porque tinha território demais e esperava que uma parte dele me fosse tirada por Deus. O território que eu tinha já me dava trabalho demais. Em vez de orar para que sua mão de poder estivesse sobre mim, eu tentava evitar quaisquer situações que pudessem me colo­car em algum apuro pelo qual eu precisasse depender da intervenção sobrenatural do Senhor. Afinal, será que Deus fazia mesmo essas coisas? Não em minha vida.

Por mais que eu lesse a oração, menos eu conseguia juntar as partes. Como Jabez era capaz de orar daquela maneira? Certamen­te estava errado. Errado, é isso que eu pensava, até que li a última parte daquele versículo: "E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido".

Deus não costuma responder orações egoístas. Tiago 4:3 afir­ma: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres". Mesmo assim, Deus concedeu a Jabez tudo que ele pediu. Será que o Senhor espera que pecamos a ele por bên­çãos? Será que uma pessoa mais ilustre diante de Deus deve orar dessa maneira?

Respirei fundo, esperando que ninguém pudesse me ouvir, e então fiz um esforço para pedir ao Senhor: "Por favor, abençoa-me muito!"

Deus respondeu à oração de Jabez por bênçãos, e contínua a responder com dádivas maravilhosas, por sua graça e sua bondade. É por isso que faço a oração até hoje.

 

Judy viu a luz

O Senhor não é apenas generoso, como também manifesta uma criatividade ilimitada nas maneiras que escolhe para derramar suas bênçãos. Judy aprendeu essa verdade na noite em que ela e seu mari­do, Jeff, voltavam de carro para casa, no fim das férias, viajando através do Estado de Montana. Enquanto Jeff tirava uma soneca no banco do carona, Judy decidiu aproveitar todo o tempo possível para conversar com seu Pai celestial.

"Senhor, se a oração de Jabez ainda vale nos dias de hoje, por favor, mostra-a a mim." Ela fez uma pausa, e então orou: "Senhor, abençoa-me muito".

Nada fora do comum aconteceu imediatamente, mas Judy co­meçou a pensar na forma como Deus responderia a sua oração. Então ela deu uma olhada no marido, ainda adormecido. "Sim, seria uma bênção", ela pensou, "se Jeff assumisse um compromisso pessoal contigo. Nada poderia ser melhor".

Foi quando ela notou pela primeira vez um brilho no céu ao norte. Judy sabia que estava longe de qualquer cidade grande, e ainda faltava muito para o alvorecer. O céu ficou mais claro, e faixas de luz vermelhas, laranjas e verdes começaram a executar uma espé­cie de dança. Judy acordou Jeff para ver o raro espetáculo da aurora boreal — as luzes do norte. Jeff insistiu para que estacionassem no acostamento da estrada, e ficaram assistindo a um show particular de luzes durante duas horas.

Quando o espetáculo acabou, Jeff tomou as mãos de Judy nas suas e disse: "Precisamos orar".

Lágrimas verteram dos olhos de Judy ao ver a reação de Jeff diante daquele panorama. "Obrigado, Senhor, por esta bênção tão linda que tu nos concedeste."

Judy uniu-se ao marido num agradecimento silencioso pela res­posta imediata de Deus a seu pedido.

Logo depois do show cósmico de luzes, Jeff passou a freqüentar a igreja com Judy. Ele contou à congregação como Deus revelara sua majestade de forma espetacular naquela noite. Passadas algu­mas semanas, ele entregou a vida totalmente a Jesus Crisso.2

Para alegria maior de Judy — e deleite do Senhor —, ela desco­briu a generosidade abundante de um Deus doador. Ela levou a sério a idéia de que Deus está pronto para atender quando alguém lhe pede por bênçãos. E, para Judy e Jeff, os resultados vão durar para toda a eternidade.

 

O PRIMEIRO PEDIDO DE JABEZ

Na época em que fez a oração registrada no Antigo Testamento, Jabez também parecia agradecido pela generosidade do Senhor. Ele conhecia o Deus doador. Por isso, reuniu toda a ousadia que tinha para pedir ao Deus de Israel: "Oh! Tomara que me abençoes" (l Cr 4:10).

A palavra em hebraico para "abençoar" significa "conceder favor ou bondade". Assim quando Jabez disse "abençoes", estava pedindo a Deus: "Por favor, derrame sua bondade sobre mim". E embora as bênçãos de Deus venham de várias formas, nem Jabez nem Deus se constrangiam pelo fato de a resposta à oração ser ma­terial ou financeira.

Mas há outro elemento no pedido de Jabez que não podemos deixar escapar. A palavra "tomara". Na língua hebraica original, na qual o Antigo Testamento foi escrito, não se encontra uma pala­vra separada para "tomara". No entanto, na gramática do hebraico, o redator tinha a opção de mudar sutilmente a forma de escrever o verbo, de maneira a adicionar o sentido de "intensamente" ou "imen­samente". O efeito é similar ao que ocorre quando pegamos uma declaração banal, como "quebrei o espelho", e a potencializamos, dizendo: "Destruí o espelho, ficou em mil pedaços!" É isso que o escritor de l Crônicas fez com o verbo equivalente a "abençoar": ele mudou a forma da palavra para fazê-la significar "tomara que aben­çoe muito". Jabez estava dizendo: "Deus, eu realmente quero que tu me abençoes — não apenas um pouquinho, mas muito mesmo!"

Se, para muitos de nós, já é difícil pedir a Deus uma bênção pes­soal, quanto mais clamar por uma bênção "muito grande". De al­guma forma, parece uma atitude egoísta. Egoísta com "E" maiúsculo.

Depois de eu ensinar este princípio, há alguns anos, um homem veio a mim, visivelmente desapontado com tal conceito — o de pe­dir a Deus por bênçãos. Ele ficou ainda mais contrariado quando enfatizei que Jabez não queria uma pequena bênção, e sim uma das grandes. O homem não conseguiu se segurar por muito tempo e gritou: "Está errado!"

Orei por sabedoria e peguei sete livros que estavam sobre um piano perto de nós. Fiz três pilhas com eles. A primeira tinha um livro; a segunda, dois; e a terceira, quatro.

"Cada uma destas pilhas representa as bênçãos do Senhor", eu disse. "O tamanho da pilha representa o tamanho da bênção. Qual delas lhe agrada mais?"

O homem ficou ruborizado de tanta frustração, e com os lábios cerrados, resmungou: "A maior."

Sorri e garanti a ele que qualquer um de nós escolheria a pilha maior. Aí eu disse: "Digamos que você participasse de um concurso, vencesse e pudesse optar entre três prêmios: uma geladeira, um car­ro e uma casa nova. Qual você escolheria?"

Ele sorriu e disse: "A casa, é claro!"

"Puxa, como o senhor é egoísta!" falei, com ironia.

Antes de sair pela porta de trás, ele deixou escapar: "Mas eu seria um idiota se escolhesse o prêmio menor!"

 

Generosidade no tempo certo

Uma mulher chamada Christine aprendeu a orar pelas bênçãos abundantes de Deus, mas só depois de muitos anos de sofrimento auto-imposto. Viciada em cocaína e fugindo de seu segundo casa­mento, ela finalmente encontrou refúgio com o irmão, Marty, e sua esposa, Tracy, que pastoreavam uma igreja em Nashville.

Marty desafiou Christine a dar a Deus uma oportunidade de operar em sua vida. Embora ela duvidasse que Deus fosse capaz de perdoar-lhe os pecados, aceitou o desafio e passou a freqüentar a igreja do irmão. Uma das primeiras bênçãos que recebeu foi a res­tauração de seu casamento. Seu marido, Mickey, mudou-se para Nashville logo depois, e eles recomeçaram a vida juntos.

Naquela época, Christine aceitou o desafio de orar como Jabez durante trinta dias para ver o que Deus faria em sua vida. Ela ela­borou um calendário e marcou cuidadosamente seu progresso. Embora soubesse que estava muito endividada por sua própria culpa, Christine e Mickey pediram a Deus especificamente que os ajudasse a se reestruturar financeiramente.

Certa tarde, um mês depois, um funcionário da FedEx bateu à porta e entregou um envelope a Christine. Ela o abriu e encontrou um cheque de 73,6 mil dólares dentro! O dinheiro era a indenização ganha numa ação trabalhista que ela havia movido seis anos antes, e da qual havia esquecido.

Suas gargalhadas de alegria fizeram com que Marty corresse para ver o que estava acontecendo. "Veja!", ela gritava, sacudindo o cheque na frente do irmão. "Não posso acreditar que, depois de todos esses anos, eles me mandariam o dinheiro."

Depois de refletir sobre o acontecimento, Christine percebeu que o momento certo da chegada da bênção de Deus era uma expressão ainda mais contundente de seu amor. Se ele tivesse pro­videnciado antes o pagamento da indenização, quando Christine ainda estava no lodaçal de sua vida antiga, ela teria gastado o di­nheiro em drogas, talvez até pagando com a própria vida.3

 

O QUE DISTINGUE A ORAÇÃO POR BÊNÇÃOS

"Oh! Tomara que me abençoes." Tem havido muitos debates ca­lorosos e um bocado de discussão nos últimos anos sobre o que exatamente essa parte da oração significa e o que não significa. Permita-me tentar trazer as questões à luz a partir de algumas dis­tinções esclarecedoras.

 

Primeiro, a oração não é impessoal, mas pessoal. Jabez não pediu: "Por favor, abençoa o mundo", e sim: "Por favor, abençoa a mim". Sem qualquer sentimento de culpa por isso. Orar pelo mundo é uma coisa boa, mas orar por si mesmo também é.

 

Segundo, a oração não é específica, mas geral. A bênção divina é, por definição, dirigida e determinada por Deus, não pelo ser huma­no. Se você limitar suas expectativas e pedir a Deus que abençoe sua vida de maneira específica, pode até estar fazendo uma oração vá­lida, mas deixou de orar com o coração aberto, como Jabez. Em última análise, só há uma pessoa que conhece a bênção mais apro­priada e enriquecedora para você, e esta pessoa é Deus. Confie nele.

 

Terceiro, a oração não é um parco pedido de provisão, mas uma petição por bênçãos abundantes. Você considera seu Pai celestial mes­quinho? Quando pedimos por bênçãos grandiosas, ele escolhe sabia­mente como e quando responder, mas não rejeita a oração mais entusiasmada. De fato, se nosso maior desejo é uma expressão de grande honestidade e fervor, então Deus o acolhe.

 

Quarto, a oração não limita o pedido a um tempo específico, como "hoje", mas permite que Deus escolha abençoar quando e como ele achar mais apropriado. Com muita freqüência, somos tentados a estabelecer um limite de tempo para que Deus opere. Com efeito, muitas orações na Bíblia são específicas quanto a prazos — por exemplo, Josafá orou pelo povo de Israel quando os exércitos da Sina se preparavam para atacar, na manhã seguinte —, mas a oração de Jabez não é assim. Ao pedir:

 

"Senhor, por favor, abençoa-me até a próxima sexta-feira", você está deixando de fazer a oração de Jabez.

Isso nos conduz à quinta distinção: a oração não é um pedido sem convicção, mas um desejo ardente. Você já se flagrou torcendo muito durante uma partida de um esporte qualquer — talvez um jogo do qual seu filho ou sua filha estivessem participando, e cujo placar fosse muito apertado? Lembra de sentir a adrenalina fazendo suas veias saltar? Talvez até tenha ficado rouco de tanto gritar, ou quem sabe cerrou os punhos de tal maneira que seus dedos deixaram marcas na palma das mãos. Esse é o grau de desejo que Jabez alcan­çou em sua oração.

Você quer tanto as bênçãos de Deus a ponto de pedi-las a ele? A ponto de pedi-las com urgência e avidez?

Admito, sem receio, que a oração por bênçãos segue na contra­mão do modelo que muitos de nós fomos ensinados a adotar — e cada parte da oração de Jabez é assim. Pelo fato de a oração por bênçãos abundantes ser tão incomum na práxis cristã moderna, várias concepções enganosas da oração de Jabez surgiram desde o lançamento do livro, no ano de 2000. Quero falar de três delas.

 

Engano n.° 1: A oração mágica

Certa vez, uma senhora aproximou-se de mim e disse: "dr. Wilkinson, muito obrigado por seu livro". Ela prosseguiu, falando com entu­siasmo. "Parei de orar de todas as outras formas. Agora só faço a oração de Jabez. Estou admirada de ver como ela funciona. Parece mágica!"

Fiz uma breve pausa e falei: "Senhora, pode fazer um favor para mim? Por gentileza, queime meu livro".

Ela, como algumas outras pessoas, sucumbiu a uma concepção equivocada muito comum a respeito da oração pelas bênçãos de Deus:

 

Engano nÚmero 1

A oração de Jabez sempre funciona é só proferir as palavras certas.

 

A verdade é que a oração de Jabez não funciona como mágica. É uma oração — uma expressão de seu coração ao coração de Deus. Não interprete as palavras específicas da oração como qualquer tipo de simpatia ou fórmula à qual Deus é obrigado a atender. Pelo con­trário, olhe para a atitude do coração de Jabez como um modelo a ser seguido.

Quando se ora como Jabez, todo o ser é mobilizado num relacionamento genuíno com Deus. Não se trata apenas de lábios que emitem meia dúzia de palavras sem sentido. Na verdade, ao fazer a oração de Jabez, raramente uso as exatas palavras dele; em vez disso, sigo os quatro temas básicos do texto original. Peço a Deus por uma grande porção de sua bênção; que alargue minhas fronteiras ou minha esfera de influência; que coloque sua mão de poder sobre minha vida; e que me mantenha longe do mal e da tentação.

Dito isso, tenho convicção de que o Senhor responde a essa oração, quaisquer que sejam as palavras empregadas. Por quê? Por ser eficaz! Inúmeros pastores de vários países já me disseram a mesma coisa sobre o que A oração de Jabez fez em suas congrega­ções: "Aquele livrinho contribuiu mais do que qualquer outra coi­sa para mobilizar minha igreja à oração. Praticamente todos em nossa igreja que fez a oração de Jabez tem um testemunho do que Deus realizou".

Por que funciona? Como veremos, cada uma das quatro par­tes da oração corresponde aos ensinamentos da Bíblia, incluindo os que foram transmitidos pelo próprio Jesus. Em outras pala­vras, a oração de Jabez funciona porque a pessoa que a faz a Deus, na verdade, pede ajuda para realizar exatamente as coisas que Cris­to nos mandou fazer.

Não é preciso ficar preocupado se a oração é certa ou não — ela expressa o desejo de Deus, revelado na pessoa de Jesus Cristo! Você verá mais adiante que, mesmo sendo uma oração do Antigo Testamento, reflete as verdades do Novo Testamento.

Toda vez que ensino isso aos jovens, uso uma ilustração ex­tremamente simples: suponho que uma mãe dissesse à filha que ela seria responsável pela limpeza da cozinha depois do jantar, durante uma semana. Mesmo assim, toda noite, ao terminar de comer a sobremesa, a filha pedisse à mãe: "Por favor, por favor, deixe-me tirar a mesa e lavar os pratos!" O que você acha que a mãe diria?

Pense nisso um instante. Jesus nos ordenou a ir e fazer "discí­pulos de todas as nações" (Mt 28:19). Jabez orou: "Alarga minhas fronteiras." Ele queria mais poder de influência, mais responsabili­dade, mais oportunidades de deixar marcos em nome do Deus de Israel.

Isso significa que, ao fazer a oração: "Deus, por favor, permita que eu faça mais por ti; expande minha influência em teu nome", a pessoa está pedindo a Deus que lhe dê os recursos necessários para fazer exatamente o que o Senhor lhe ordenou fazer.

Deus responde a orações de pessoas que fazem o possível para obedecer? Sem dúvida alguma.

Mas essa não é, em hipótese alguma, a única oração que deve­mos fazer. Na verdade, é a última coisa sobre a qual oro quando estou diante de Deus. Exorto você a seguir o exemplo de Jabez, mas nunca negligenciando uma vida dedicada ao diálogo cons­tante com o Senhor.

 

Engano numero 2: A oração egoísta

A segunda concepção equivocada é de uma natureza contra a qual lutei em meus primeiros encontros com Jabez. A princípio, como acontece com muita gente, orar por mim mesmo parecia algo evi­dentemente errado.

 

Engano nÚmero 2

Não posso fazer a oração de Jabez. Não é correto orar por mim mesmo.

 

A verdade é que a oração de Jabez não é egoísta. E orar por si mesmo é correto. Como pode ser isso?

Vamos imaginar que Deus tenha uma caixa no Paraíso, e ela contenha uma determinada cota de bênçãos que ele concede a cada dia. Sendo uma pessoa que gosta de aproveitar a manhã, acordo assim que o sol nasce e começo a orar: "Senhor, por favor, conce­de-me muitas bênçãos".

Então, Deus diz: "Por mim, tudo bem, filho. Você acordou cedo, então receberá tudo que está pedindo".

Duas horas depois, meu amigo Fred, que é notívago, acorda e faz a mesma petição: "Senhor, por favor, me abençoe muito".

Só que, desta vez, Deus responde: "Lamento, Fred. Gostaria de ajudá-lo, mas toda a cota de bênçãos de hoje eu concedi a Wilkinson".

Se fosse esse o caso, então teria sido egoísta de minha parte orar por bênçãos abundantes, já que meus pedidos privariam alguém de receber as suas. Mas, na verdade, não há limites para a capacida­de de Deus de abençoar seus filhos. Portanto, minha oração por bênçãos poderia prejudicar outras pessoas? Isso não existe.

Quando Deus me garante bênçãos abundantes, elas me for­necem mais recursos para abençoar outras pessoas. Isso se aplica a tudo o que diz respeito às dádivas do Senhor, e em especial quando se trata de bênçãos intangíveis, como amor, aceitação e segurança. Quando Deus enche meu coração até transbordar, adquiro mais recursos para encorajar aqueles os que se sentem desprezados ou inseguros.

Compartilhar a bênção de Deus era o desejo que motivava Anne e seus três filhos quando os garotos se preparavam para participar de uma viagem missionária de verão. Faltando poucas semanas para terminar o prazo para levantamento de fundos, Ashleigh, Christina e Andrew ainda precisavam de seis mil dólares no total. Enviaram cartas a amigos e familiares, pedindo apoio financeiro, mas seu sal­do em conta parou em irrisórios sessenta dólares.

Anne aproveitou aquela oportunidade para ensinar aos filhos como pedir pela bênção de Deus e confiar nele para suprir suas ne­cessidades. Os quatro começaram a orar. E foi então que o dinheiro passou a aparecer, vindo de fontes que eles jamais esperariam. Até um vendedor de café ofereceu cem dólares!

Graças à provisão divina, os garotos partiram com a fé for­talecida rumo à Flórida, à França e à República de Vanuatu, um arquipélago situado no sudoeste do Pacífico. Nesses lugares, servi­ram como vasos transbordantes das bênçãos do Senhor. Pediram para ser abençoados, mas o fizeram tendo em mente as necessidades do próximo.4

 

Engano número 3: Um método para enriquecer rápido

O terceiro conceito errôneo surgiu a partir da maneira como algu­mas pessoas (para meu espanto) usaram a oração de Jabez como apoio para a teologia da prosperidade — aquela em que se a pessoa orar de determinada maneira, Deus fará com que ela enriqueça.

 

Engano numero 3

Se você quer enriquecer rápido, faça a oração de Jabez.

 

A verdade é que A oração de Jabez não ensina o evangelho da pros­peridade. As Escrituras mostram claramente que muitos dos que são fiéis a Deus passam por dificuldades e necessidades, embora recebam bênçãos espirituais abundantes e a promessa de uma gran­de recompensa na eternidade (v. Mt 10:21-40 e Jo 16:33).

Costumo chamar isso de "a onda de choque de Jabez", pois esse engano tornou-se o mais disseminado logo que o livro ga­nhou popularidade. Se alguém me dissesse antes que deturpariam a oração de Jabez para transformá-la num método de enrique­cimento instantâneo, eu nunca acreditaria. De fato, isso nunca sequer me passara pela cabeça até ler a primeira resenha de um crítico de certa revista secular. Fiquei atordoado e deprimido. Qual­quer coisinha seria capaz de me derrubar.

Você pode se perguntar por que aquela interpretação do livro me surpreendera tanto. Há três razões. Primeiro, porque antes de escrever o livro eu fiz a oração de Jabez por mais de 25 anos em igrejas, seminários teológicos, faculdades e conferências de líderes em dezenas de países. Durante todos aqueles anos, nunca ouvira um comentário negativo sequer a respeito da mensagem. Nenhum. Na verdade, preguei sobre a oração de Jabez em meu sermão de graduação no Seminário Teológico de Dallas (minha avaliação foi "A").

Em segundo lugar, sou contra o evangelho da prosperidade e o estilo de vida extravagante que costuma acompanhar aqueles que o ensinam. Já falei dos mais variados assuntos em vários luga­res, e não consigo me lembrar de ter ensinado qualquer coisa em defesa dos fundamentos da teologia da prosperidade, ou usá-la como exemplo de valores.

Terceiro, porque repudiei qualquer ligação específica entre a doutrina da prosperidade e a oração de Jabez nas páginas 25 e 26 do livro. Leia essa passagem cuidadosamente e verá com seus pró­prios olhos. Talvez não tenha sido tão claro quanto eu gostaria:

Observe um aspecto fundamental no pedido de Jabez: ele dei­xou inteiramente nas mãos de Deus a natureza da bênção, onde, quando e como ela seria dada a Jabez.

Esse tipo de confiança radical nas boas intenções de Deus para conosco não tem nada em comum com a "doutrina da prosperidade". Ela prega que você deve pedir a Deus uma Mercedes, um salário milionário ou algum outro sinal exte­rior que possa significar que você encontrou um meio de fazer seu pé-de-meia através de uma conexão especial com Deus. Ao contrário, a bênção de Jabez é muito definida: pede a Deus que ele nos dê nada mais e nada menos do que ele tem reservado para nós.

Durante as férias de minha família na Flórida, percebi o quão longe de seu contexto original algumas pessoas haviam levado a oração de Jabez em função dos próprios interesses. Estávamos pagando a conta numa mercearia, quando nossa filha mais nova, Jessica, gritou:

— Pai, olha ali! Aquela revista tem um anúncio do Escudo da Oração de Jabez. — Ela fez uma pausa e perguntou: — Pai, o que é o Escudo da Oração de Jabez?

— Não sei, meu bem.

— Mas pensei que o senhor era o autor do livro sobre Jabez. Olhei para a direção que ela apontava, e lá estava o anúncio, bem na capa de um tablóide. Com minha curiosidade já aguçada, comprei discretamente um exemplar da revista e dei uma olhada cuidadosa quando chegamos no estacionamento. O texto da ora­ção de Jabez estava impresso no miolo da revista, dentro de um quadro em destaque em formato de escudo. Uma lista de instru­ções acompanhava o quadro, orientando os leitores a recortar o escudo e colar sobre uma base de papelão. As pessoas poderiam usar o escudo de várias maneiras, como comprar um bilhete de loteria e colocar a oração de Jabez por cima, para dar sorte e ficar com o prêmio. Ou então, se a pessoa quisesse casar, deveria escre­ver uma lista com as dez virtudes que desejaria encontrar no par­ceiro ideal. Aí bastaria colocar a lista sob o travesseiro à noite, com o escudo em cima dela, para que Deus providenciasse um par perfeito dentro de poucos dias.

Esse tipo de teologia falsificada é uma afronta ao Deus da ver­dade e aos milhões de crentes fiéis em todo o mundo que enfrentam pobreza e doenças, apesar da fé inabalável. Jabez não cria nessas coisas. Nem eu.

 

Para lidar com o mal-estar

A idéia de pedir a Deus para derramar bênçãos abundantes ainda o incomoda? Se sim, fique sabendo que você não está sozinho. Lutei com esse conceito por muito tempo. Mas no próximo capítulo vere­mos que Deus realmente nos ordena a buscar suas bênçãos.

Antes de prosseguir, porém, vamos dar uma olhada rápida na vida de um homem chamado Jacó. Segundo o relato de Gênesis 32:22-29, certa noite o Anjo do Senhor apareceu a Jacó, que não foi capaz de reconhecê-lo. Jacó literalmente lutou com Deus durante toda a noite. Quando o dia raiou, teve a audácia de declarar: "Não te deixarei ir se me não abençoares".

Qual foi a reação de Deus? Abençoou Jacó.

Ele não precisava fazê-lo. Muitos teólogos concordam que Jacó não estava vivendo de maneira particularmente santa naquela época, nem demonstrava atitudes que honrassem a Deus. Mesmo assim, o Senhor o abençoou.

Que todos nós, assim como aquele homem ousado, aprenda­mos a desejar a generosidade abundante de Deus de tal forma que sejamos capazes de superar nossa relutância e pedir com convicção.

 

 

Capítulo Três

 

A oração por bênçãos:

INDO MAIS FUNDO

 

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.

Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.

Mateus 7:7,8

 

 

Hissoplasmose. Patsy mal conseguia pronunciar essa palavra, mas finalmente descobrira que tipo de enfermidade a acometia.

O oftalmologista continuou a explicar aquela doença rara, uma doença causada por um fungo e transmitida por morcegos e aves. Patsy provavelmente a teria contraído por causa do galinheiro de uma fazenda perto da casa em que ela morava.

Na hora de diagnosticá-la, o médico titubeou. "Sua visão do olho direito está tão deteriorada que não há muito o que possamos fazer. Mas podemos examinar melhor seu olho esquerdo."

Não era o tipo de notícia que Patsy esperava receber, mas ela agradeceu a Deus pela visão que ainda restara no olho esquerdo e seguiu tocando a vida.

Muitos anos depois, seu marido, Don, recebeu o diagnóstico de que estava com câncer, e em estado terminal. Enquanto ele definhava, Patsy constatou que estava perdendo a visão do olho esquerdo. Ela entendeu que aquela provavelmente seria uma for­ma pela qual Deus a estaria mantendo em casa para cuidar do marido, e assim pudessem ficar todo o tempo possível juntos.

Depois que Don morreu, a visão de Patsy deteriorou a ponto de impedi-la de ler ou dirigir. Mais adiante, ela já não conseguia sequer reconhecer o rosto das pessoas. Patsy sentia-se como uma prisioneira dentro da própria casa.

Certo dia, um amigo que a visitava lhe presenteou com um exemplar de A oração de Jabez. Ela pegou seus óculos pesados, com lentes do tipo fundo de garrafa, e esforçou-se para ler as letrinhas impressas. Depois, parou e orou: "Pai, será que tu que­res me abençoar através da restauração de minha visão?" Para efeitos legais, Patsy já era considerada cega havia cerca de dez anos. Mesmo assim, aquela era a primeira vez que orava pela cura. Mesmo um pouco hesitante por achar que estava pedindo além do que deveria, continuou: "Vou pedir-te que restaure a visão de meu olho esquerdo, Senhor. É tudo que preciso para tocar a vida".

Ela apresentou a petição a Deus todos os dias. A princípio, a mudança era quase imperceptível. Até que, certa manhã, Patsy conseguia ver as mãos. No dia seguinte, ela já enxergava o movi­mento dos dedos. Não demorou para que fosse capaz de reco­nhecer os amigos e familiares pelo rosto, e não mais apenas pela voz.

Patsy mal conseguia conter a alegria quando o oftalmologis-ta a examinou e balançou a cabeça, admirado. "Sua visão do olho esquerdo passou de 5% para 50%", disse ele.

Ela continuou a orar, e logo conseguiu tirar de novo a car­teira de motorista. Patsy não parava de contar às outras pessoas o que Deus havia feito em sua vida.1

 

Bênçãos à nossa volta

Você percebeu que, mesmo antes da cura, Patsy reconhecera e agra decera a Deus pelas bênçãos? Quando descobriu o que havia de errado com o olho direito, ela agradeceu a Deus por preservar sua vista esquerda. Quando a visão do olho esquerdo também come­çou a se degradar, Patsy sentiu-se agradecida pela oportunidade de ficar em casa com o marido, que estava à beira da morte.

Por qualquer razão, Patsy aprendera desde cedo na vida um princípio muito importante, relacionado com a oração de Jabez: toda bênção, grande ou pequena, vem de Deus.

Em Tiago 1:16,17, lemos: "Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, des­cendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança". Em outras palavras, toda coisa boa que acontece na vida vem de Deus.

Portanto, se o Senhor é aquele que concede as coisas boas da vida — o alimento, a saúde, os amigos, o próprio ar que respi­ramos —, e se ele quer que recebamos suas boas dádivas, não seria natural buscá-lo com freqüência para agradecer por tudo que ele concede e pedir por mais bênçãos no futuro?

Você acha que soa como ingratidão pedir a Deus por mais, con­siderando que ele já nos abençoa tão abundantemente? Até poderia ser, não fosse um segundo princípio: o Senhor é um Deus doador. Quando pedimos por mais e mais bênçãos do Pai, estamos convocando-o a exercer uma das atividades das quais ele mais gosta.

Isso pode ser fácil ou difícil de acreditar, depende da idéia que se faz de Deus. Talvez você o veja como um contador cósmico que registra tudo que fazemos de bom e ruim na vida para elabo­rar um balanço final. Ou como um sujeito vingativo, cheio de rancor, que retém as bênçãos na proporção dos pecados cometi­dos pelas pessoas desde o dia do nascimento. Se a sua concepção de Deus combina com uma das imagens descritas, provavelmente não estará apto a pedir ao Senhor que abençoe sua vida.

No entanto, Deus é exatamente o contrário desses retratos.

Em Êxodo 33:18, Moisés pediu ao Senhor: "Rogo-te que me mostres a tua glória". As Escrituras dizem duas vezes, neste con­texto, que a resposta de Deus a Moisés foi nada menos que a proclamação de sua natureza, que começa assim: "Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fi­delidade" (Êx 34:6).

Ele estava dizendo o seguinte: "Quando alguém tem uma ne­cessidade, eu me alegro em agir com compaixão. Quando se sente indigno, fico feliz em oferecer minha graça. Quando minha paciên­cia é testada, eu demonstro longanimidade. Minha bondade e mi­nha fidelidade transbordam. Meu amor é capaz de romper até mesmo a barreira imposta pelo pecado dos seres humanos".

As faixas douradas e reluzentes com as quais Deus adorna suas dádivas e suas bênçãos são elaboradas com o mesmo tecido que compõe o próprio nome do Senhor. Esse aspecto do coração de Deus nunca foi demonstrado de forma tão poderosa quanto no momento em que ele entregou a vida de seu próprio Filho (v. Jo3:16).

Sendo pai e avô, acho que só consigo compreender um pouquinho da alegria que nosso Pai celestial experimenta quando concede dádivas. Se estou descansando numa praia com meus netos e um deles me aluga, pedindo: "Vôzinho, vamos construir um cas­telo de areia?"; ou: "Vovô, compra um sorvete para mim?", eu sim­plesmente não resisto. Eu os amo, e adoro cada oportunidade que tenho de dar alguma coisa que eles desejam.

Ainda assim, a bondade de Deus é, de longe, muito maior do que a do pai — ou avô — mais generoso do mundo.

 

Deus nos manda pedir

Certa vez, numa noite de sábado, um de nossos filhos pediu que encomendássemos uma pizza. Antes que eu percebesse, os três ga­rotos já estavam discutindo a respeito do sabor maravilhoso de uma pizza cheia de queijo, com a borda bem crocante. Concordei. Porém, se meus filhos não tivessem pedido, não comeriam a pizza que tanto desejavam. Se eu estava disposto a dar o que eles que­riam? Claro que sim. Mas até que eles manifestassem vontade, a realidade de minha disposição de atendê-los ainda não havia sido ativada.

Será que funciona do mesmo jeito com nosso Pai celestial?

Para quem tem dúvidas a respeito da conexão entre nossos pedidos e as realizações das bênçãos, Tiago 4:2 é um versículo muito esclarecedor: "Nada tendes, porque não pedis". Todas as coisas boas procedem de um Deus doador, que concede muitas bênçãos a to­dos os seres humanos — como a própria vida, as dádivas mate­riais, a capacidade de raciocinar e os sentimentos. Mas o Senhor achou por bem fazer de nossas petições um pré-requisito para a liberação plena de sua generosidade.

Encontramos a chave para uma vida de abundância genuína num terceiro princípio relacionado à oração de Jabez: algumas das maiores bênçãos divinas são reservadas para aqueles que as pedem.

Muitas pessoas pensam que, quando alguém se torna cristão, ganha inscrição automática no cadastro de bênçãos plenas de Deus. Mas não é bem assim. E até a pessoa descobrir que o Senhor está esperando que ela faça seus pedidos, perde tempo sem apro­veitar os resultados mais extraordinários — e, por vezes, sobrena­turais — da oração nos moldes de Jabez.

Como sabemos disso? No sermão do Monte, Jesus revelou essa realidade fundamental quando ensinou:

 

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.

Mateus 7:7,8

 

Nessa passagem, Jesus não oferece apenas uma sugestão. Leia o texto de novo. As palavras "pedi", "buscai" e "batei" são escritas no imperativo — são ordens! Colocando em outros termos, não pedir é uma maneira de desobedecer a Deus. Por acaso você tem pedido ao Senhor para lhe conceder alguma bênção?

Além de nos orientar a fazer as petições, nessa passagem bíblica Cristo usa o imperativo — na versão em inglês, usa o presente, que estudiosos das Escrituras concordam em inter­pretar como "continuar pedindo", "continuar buscando" e "con­tinuar batendo". Cristo manda que continuemos pedindo até que recebamos.

E o que somos ordenados a pedir? Por causa de conceitos equivocados sobre o Senhor, sua natureza e sua maneira de agir, há quem acredite que só podemos pedir determinadas coisas, geralmente de ordem espiritual ou religiosa. Essas mesmas pes­soas pensam que não é apropriado pedir uma dádiva a Deus — para receber alguma bênção é preciso ser merecedor, seja em fun­ção de um bom comportamento ou de um sacrifício pessoal.

Jesus já sabia que reagiríamos a sua graça infinita e a sua generosidade desta maneira. Por isso, ele propôs esta ilustração bastante útil:

 

Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?

Mateus 7:9-11

 

Dá para ver o paralelo que Jesus faz entre a palavra "dádivas" e a expressão "boas coisas"? Ele está ensinando a orar por dádivas — por coisas que ainda não obtivemos. (Em outras passagens, Jesus ensina que ele recompensará a todos de acordo com suas obras, mas essas recompensas são baseadas em nossas ações, e nunca são chamadas "dádivas")

O Pai sabe como conceder coisas boas, mas é preciso pedir! Se você costumava orar pelas bênçãos de Deus ou pelas dádivas da graça, mas por motivo resolveu parar, sem          dúvida deixou de ser grandemente abençoado. "Nada tendes porque não pedis." Está na hora de começar a orar novamente!

Foi exatamente isso que fez um pescador do Texas. James era um entre mais de dois mil concorrentes que disputavam o maior prêmio de pesca amadora do país — nada menos do que cem mil dólares. E James queria ganhar o prêmio porque precisava muito. Os negócios não andavam bem, e sua família corria o risco de perder a casa em que morava se Deus não providenciasse muito dinheiro em pouco tempo. Durante seis semanas, James buscou a bênção do Senhor em oração.

Na hora da pescaria, continuou orando.

Depois de seis horas, James puxou com seu molinete um peixão de quase três quilos — o maior fisgado até então. Mas o torneio não terminaria até às treze horas do dia seguinte. Em todas as competições anteriores, o peixe vencedor pesava, no mínimo, três quilos. Por isso, todos os outros pescadores sabiam que ainda tinham chance.

Na manhã seguinte, James continuava na liderança. Então, orou: "Não estou preocupado com o que vai acontecer hoje, Senhor, pois tu estás operando em minha vida, e só isso importa".

Conforme as horas iam passando, ele acompanhava a cober­tura do torneio pelo rádio. Ansiedade é o que não faltava. Mas quando o concurso terminou, James foi declarado o campeão! Deus proveu a necessidade de sua família de uma forma espetacular.

Será que Deus promete prover a todos da mesma maneira? Não. Mas há muitas bênçãos que o Senhor com certeza não concederá pelo simples fato de não serem pedidas. Na história relatada, o filho de Deus pediu um peixe, e o Pai deu exatamente o que ele queria.2

 

Cinco tipos de bênção

E o que você precisa fazer para receber as bênçãos ao orar como Jabez? É neste ponto que surgem muitos enganos a respeito desta oração. Há quem diga que outras passagens bíblicas do Antigo e do Novo Testamentos comprovam a necessidade imperiosa de obe­decer a Deus para que se possa receber qualquer bênção do Se­nhor. Essas pessoas garantem que todas as bênçãos divinas estão vinculadas a certas regras de comportamento.

Isso é verdade? Com certeza, não é o que a Bíblia ensina. A maior bênção de todas, na verdade, a dádiva da salvação, é conce­dida independentemente de quaisquer obras que sejamos capazes de realizar!

Se fôssemos estudar todas as situações nas quais a palavra "bên­ção" ou seu conceito é usado nos 66 livros da Bíblia, descobriríamos que pelo menos cinco tipos diferentes de bênção se destacam na Palavra de Deus. Cada uma destas cinco bênçãos está disponível através de um canal específico, e baseada num conjunto distinto de condições. Toda vez que vemos Deus concedendo uma dádiva nas Escrituras, é importante perguntar que tipo de bênção se trata.

A primeira delas é a bênção para o bem comum-, dada a todos livremente, sem qualquer pré-requisito. Jesus referiu-se a esse tipo de bênção quando disse que Deus Pai "faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos" (Mt 5:45). Essa é uma indicação clara de que Deus concede dádivas mesmo para aqueles que são maus e perversos. Essa bênção não é determinada por algum tipo de comportamento de nossa parte; nós a recebe­mos simplesmente porque estamos vivos. É interessante notar que, no mesmo sermão, Jesus instrui seus filhos a oferecer as dádivas da bondade aos próprios inimigos.

Em segundo lugar, a bênção de conduta é concedida àqueles que alcançam um determinado padrão de comportamento. Se alguém mantém um certo tipo de atitude, recebe uma bênção correspon­dente a ela; caso contrário, não a recebe. Por exemplo, Deus prome­teu a Israel: "Será, pois, que, se, ouvindo estes juízos, os guardares e cumprires [o comportamento desejável], o Senhor, teu Deus (...) também abençoará os teus filhos, e o fruto da tua terra, e o teu cereal, e o teu vinho, e o teu azeite, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas" (Dt 7:12,13). Algumas das bem-aventuranças prometem esse tipo de bênção. Por exemplo: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça [o comportamento desejável], porque serão fartos" (Mt 5:6).

Quem recebe o terceiro tipo, a bênção de conversão, são as pes­soas que atendem aos requisitos da fé. O famoso texto de João 3:16 mostra que a salvação é um dom concedido àquele que crê. "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Em Efésios 1:3, Paulo escreveu que Deus "nos tem abençoado [os que colocam sua confiança somente em Jesus] com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais". A condição para receber essa bên­ção é muito clara, e aparece ao longo de todo o Novo Testamento: é preciso depositar a fé em Jesus Cristo como Salvador. Alterar esse requisito para a salvação, como tentar substituí-lo por boas obras ao invés da fé, é uma coisa muito grave.

A quarta, a bênção de compensação, é concedida a todos a partir da maneira como conduziram suas vidas, e é recebida principal­mente depois da morte. Certa vez, Jesus falou a um grupo de pessoas abastadas durante um jantar festivo, e afirmou:

 

Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado. Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aven­turado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.

Lucas 14:12; grifo do autor

 

A bênção de compensação está relacionada à recompensa que os cris­tãos receberão no céu, depois da morte, em função da conduta na Terra. Trata-se da mesma bênção que Jesus prometeu a nós em Mateus 5:11,12: "Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos inju­riarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus."' (Leia o livro de minha autoria A vida que Deus recompensa.)

Finalmente, há a bênção pela qual Jabez orou. A bênção de com­paixão é dada unicamente àqueles que a pedem, e o critério é deter­minado pelo caráter de Deus. Em várias passagens nos evangelhos, é possível ler a respeito de curas operadas por Jesus entre as pessoas apenas porque elas pediram! Raramente Jesus pedia a uma pessoa que fizesse alguma coisa ou mudasse seu comportamento para ser curada.

No contexto de 1 Crônicas 4, não conseguimos identificar qual­quer tipo de exigência mencionada antes ou depois da oração de Jabez — apenas a própria oração. Ao passo que vários requisitos precisam ser atendidos para garantir o recebimento dos outros qua­tro tipos de bênção, a de Jabez é diferente. Quais são as exigências para ser abençoado da mesma maneira que Jabez foi? Só uma: pedir.

 

Quantas bênçãos você agüenta?

Antes de falar numa grande igreja em Houston, eu estava de pé num canto, organizando meu raciocínio, quando uma mulher chegou sem fazer alarde, tocou meu ombro e disse:

— Dr. Wilkinson, preciso de ajuda. Cometi um grande pecado. Respirei fundo e perguntei:

— Como posso ajudá-la?

— Pequei por causa de seu livro, A oração de jabez.

— Você está querendo dizer que pecou porque fez a oração de Jabez?

— Isso mesmo. Que devo fazer?

Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Já tinha ouvido muitas histórias esquisitas, mas daquele tipo, era a primeira vez. Ela continuou: "Fiz a oração de Jabez todos os dias durante quatro meses, e as bênçãos foram derramadas até que eu não con­seguia mais agüentar. Foi aí que pequei: pedi a Deus que parasse de me abençoar".

Aconteceu de novo alguns dias depois. Nossa filha estava vol­tando para casa, depois de participar de um acampamento. Minha esposa e eu esperávamos pela chegada do ônibus no estaciona­mento de um armazém. Enquanto estávamos ali, de pé, um casal aproximou-se e começou a compartilhar conosco uma série de respostas surpreendentes que haviam recebido depois de fazer a oração de Jabez. Justamente naquela hora, um homem passou e parou para ouvir durante algum tempo, até que interrompeu a con­versa. "Olha, a mesma coisa aconteceu comigo. Quando percebi, as bênçãos eram tantas que pensei que meu coração não agüentaria. Então pedi ao Senhor que deixasse de me abençoar por algum tempo. Até parei de fazer a oração de Jabez. Mas eu tinha uma dúvida: será que posso pedir a Deus que volte a me abençoar, agora que estou preparado?"

Já pensou se isso estivesse acontecendo com você? Ou ainda não conseguiu conceber a idéia de que Deus gosta de abençoar seus filhos de maneira abundante? Pense por um momento no quanto o Senhor prometeu abençoar a nação de Israel, como registrado no livro de Deuteronômio:

 

Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus [requisito para a bên­ção de conduta], virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos [literalmente: "Vocês não serão capazes de escapar das bênçãos!"]: Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo. Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. Bendito o teu cesto e a tua amassadeira. Bendito serás ao entrares e bendito, ao saíres. O Senhor determinará que a bênção esteja nos teus celeiros e em tudo o que colo­cares a mão. O Senhor te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto do teu solo (...) O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos [as bênçãos serão derramadas sobre tudo que você fizer].

Deuteronômio  28:2-6,8,1 1,12

 

O Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus do Novo Testamen­to. Seu maior prazer é nos abençoar de tal maneira que é preciso pedir a ele para cessar as bênçãos, senão será impossível adminis­trá-las! Não perca nada da bondade extraordinária de Deus, que se alegra em responder àqueles que pedem. Leia e firme I Coríntios 2:9 em seu coração para sempre: "Nem olhos viram, nem ouvidos ouvi­ram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam".

Se você se flagrar dizendo: "Não consigo sequer imaginar al­guém sendo tão abençoado a ponto de pedir a Deus para parar", saiba que está absolutamente certo — as bênçãos do Senhor nunca foram vistas, ouvidas ou imaginadas na plenitude de sua extensão. Por que não pára agora e convida Deus para cobrir sua vida amorosamente com as águas de suas grandiosas bênçãos? Ele só está esperando para ouvir você pedir.

 

 

  

Capítulo Quatro

 

A oração por bênçãos:

COLOCANDO EM PRÁTICA NA VIDA

 

Quando buscamos a bênção de Deus como valor máximo para nossa vida, estamos nos jogando de corpo inteiro no rio da vontade de Deus, de seu poder e de seu propósito para nós. Todas as demais necessidades se tornam secundárias diante daquilo que realmente queremos: ficar totalmente imersos naquilo que Deus está tentando fazer em nós, através de nós e ao nosso redor, para sua glória.'

A ORAÇÃO DE JABEZ

 

 

Lembro da primeira jornalista que me ligou para marcar uma entrevista sobre A oração de Jabez. Ela fez muitas perguntas, e já estávamos encerrando quando eu disse:

— Agora sou eu que tenho uma pergunta para fazer: que tal você fazer a oração de Jabez por trinta dias para depois escrever uma re­portagem sobre os resultados? Se nada acontecer, deixa para lá. Mas se alguma coisa mudar, você seria capaz de escrever uma matéria?

— Não — disse ela. — Eu não vou fazer isso.

— Por que não?

— Vamos combinar uma coisa diferente — ela ponderou, ten­tando encontrar um meio-termo. — Eu vou meditar sobre a oração de Jabez.

— Tudo bem — respondi. — Só que assim não funciona.

— Por que não funciona?

— Porque a oração de Jabez, como o nome diz, é uma oração. É parte integrante de um diálogo entre você e outra pessoa — uma pessoa a quem você faz pedidos e que é capar de satisfazer suas demandas.

No fim, a jornalista recusou-se terminantemente a fazer. Ela estava ansiosa por aprender mais sobre a Bíblia, mas não queria fazer da Palavra um guia para sua vida.

Até agora analisamos um bocado de informação — informa­ção valiosa — sobre a oração por bênçãos. Está na hora de ir além do simples conhecimento e partir para a ação.

A oração de Jabez por bênçãos não proporcionará qualquer coisa de bom para mim ou para você, a não ser que oremos de fato.

Assim sendo, como podemos fazer para que essa oração seja mais eficaz? Como aprender a viver em maior harmonia com o Deus doador?

 

Novas atitudes em relação às bênçãos

O primeiro parâmetro prático é simplesmente este: ore pela bênção de Deus. Todo dia. Não permita que um dia sequer termine e leve junto a sua oportunidade de receber uma dádiva dos céus só porque não a pediu. Comece hoje mesmo.

A segunda diretriz ajudará a desenvolver um coração como o de Jabez: agradeça constantemente a Deus por suas muitas bênçãos. Pegue um diário e mantenha uma lista de situações nas quais o Se­nhor expressou sua bondade a você, sejam elas respostas de oração ou resultado da generosidade transbordante do Pai. Experimente fazer isso por algumas semanas.

Deixe que seu coração cante junto com o de Davi: "Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios" (SI 103:2). Gradativamente seu coração se encherá de gratidão, ao passo que aprenderá a reinterpretar as coincidências que antes deixava passar. Em vez de tratar com negligência—"Bem, foi uma grata surpresa" —, você começará a se regozijar, dizendo para as outras pessoas: "Espera só eu contar o que Deus fez por mim!

Em terceiro lugar, aproveite as bênçãos de Deus. O apóstolo Pau­lo escreveu ao jovem pastor Timóteo que o nosso Deus "tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento" (1 Tm 6:17). Já que vivemos em fé diante do Senhor, ele quer que aproveitemos bem as dádivas que nos oferece.

— Mas Deus — você pode dizer, — eu não sou digno disso tudo.

— Você tem razão — ele responderá, — você não merece. Mas é uma dádiva. Portanto, aproveite-a.

Certa vez, um homem contou-me a respeito da bênção abun­dante que Deus estava derramando sobre sua vida.

— Ele continua me abençoando cada vez mais. É fantástico. Mas tudo vai mudar em breve.

Aquilo me surpreendeu.

— O que você quer dizer com essa história de que "tudo vai mudar em breve"?

— Um dia — ele disse — a sorte vai acabar. Só dá para ter tantas coisas boas quando se espera uma porção equivalente de mazelas para enfrentar, e logo os problemas vão aparecer.

Não tenho certeza da origem dessa idéia, mas com certeza nada tem a ver com Deus. Aquele homem estava se privando de desfrutar das bênçãos e do coração do Senhor.

 

Canais de bênção

Ao mesmo tempo, estaremos terrivelmente enganados se guar­darmos todas as dádivas graciosas de Deus somente para nós. O quarto parâmetro prático no que tange à oração por bênçãos é este: compartilhe suas bênçãos com outras pessoas.

Paulo, o apóstolo, incentivava os irmãos mais abençoados a ser "ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir" (lTm 6:18). É nesse ponto que a oração por bênçãos conecta-se de maneira mais forte com o pedido de Jabez por mais território, o qual estudaremos com maior profundidade mais adiante. É esse, também, o tema principal de meu livro O doador de sonhos. Sim, Deus quer que desfrutemos de suas bênçãos, mas ele também dese­ja que as usemos para fazer diferença no mundo que nos cerca. Quando Deus nos dá alguma coisa, devemos compartilhar!

Como escrevo muito durante o dia, gosto de usar uma caneta muito especial, que um amigo me deu — uma Mont Blanc. É meu instrumento de escrita preferido, e tem uma história impressio­nante a respeito dela.

Anos atrás, antes da publicação de A oração de Jabez, Darlene e eu passamos por um período inesperado de grande abundância de bênção financeira, e sentimos que Deus queria nos ver compar­tilhando uma parte dessa prosperidade com alguém, como um gesto de gratidão ao Senhor. Buscamos a orientação dele, mas pas­saram-se semanas sem que eu e ela tivéssemos alguma idéia clara do que fazer.

De repente, nossa geladeira pifou.

Assim que chegamos no estacionamento da loja de eletrodo­mésticos, Darlene e eu começamos a conjeturar a respeito do que Deus desejava que fizéssemos com a dádiva que ele nos concedera. Até então, nenhuma pista. Entramos na loja e o vendedor — um africano — foi muito atencioso no atendimento. Aceitamos a promoção da loja: financiamento em um ano com zero por cento de juros. Foi quando tirei minha caneta do bolso para assinar o contrato.

Os olhos do vendedor brilharam.

— É uma caneta Mont Blanc! — disse.

— Sim — respondi. — É minha caneta preferida.

Falando francamente, eu gelei por dentro. Afinal, uma das pou­cas coisas materiais da vida que me dão prazer, um prazer especial, é minha caneta Mont Blanc. Eu me sentia como se estivesse resistin­do ao inevitável.

Não deu outra. O vendedor, num tom calmo e melancólico, disse: "Um de meus objetivos na vida, antes de voltar para a África, é ter uma caneta Mont Blanc."

"Senhor, não!", pensei. "Não a minha caneta. Permita que eu possa ofertar dinheiro para esse homem!"

Olhei para Darlene. Ela fazia o possível para não rir.

Mas a mensagem de Deus era clara. Sacudi minha cabeça, cons­ternado, e disse: "Senhor, tenho carregado uma caneta que certa pessoa me deu por bastante tempo, e aproveitei muito. Mas o dono acabou de me avisar que gostaria de dá-la a você. O nome dele é Deus, e aqui está o presente que ele lhe oferece neste momento. Apro­veite bem!"

Bem, a história não termina aqui. Deus usou o episódio da caneta para ensinar-me uma lição valiosa: ele geralmente pede que abra­mos mão daquilo a que nos apegamos mais. Tempos depois, contei esse caso na igreja de meu amigo, dr. David Jeremiah, em San Diego, na Califórnia. Um ano mais tarde, quando eu participava da con­venção anual da Associação de Livrarias Cristãs U:ba), ouvi uma voz no meio da multidão chamar meu nome. Virei-me e encontrei

Tim LaHaye, um dos autores da série "Deixados para trás", que que­ria falar comigo.

— David me enviou uma gravação de seu sermão — disse ele, — aquele no qual você contou a história da caneta.

— Ah, sim — respondi. — Isso já faz muito tempo.

— Enquanto ouvia seu sermão, adivinhe o que Deus me dirigiu a fazer... — ele meteu a mão no bolso. — Ele disse: "Dê a sua caneta Mont Blanc para o Bruce."

E Tim colocou sua caneta em minha mão — a mesma que eu tenho e uso até hoje!

 

Vislumbre o potencial!

O que se pode esperar de uma oração fervorosa pelas bênçãos co­piosas de Deus? Exatamente o que ele prometeu: bênçãos copiosas.

O Senhor concedeu o pedido de Jabez porque é uma oração que gosta de atender.

Nenhum de nós pode prever a forma na qual as dádivas de Deus virão. Elas podem chegar na forma material, mas também e possível que seja espiritual ou relacionai. Ou completamente diferente. Mas elas certa­mente serão muito boas, pois virão do Rei doador. Carol e seu marido montaram uma firma de engenharia, mas enfrentaram lutas financeiras desde o primeiro dia. Durante anos eles oraram juntos, regularmente: "Senhor, queremos fazer a tua vontade". Mas não entendiam por que os negócios não decolavam.

Foi então que ficaram sabendo da oração de Jabez, incorporando-a à oração diária, ansiosos por vislumbrar as bênçãos que o Senhor tinha para oferecer.

Só que a situação financeira deles piorou.

Frustrada, Carol pediu a Deus uma explicação. Por que o Senhor não lhe respondia às orações? "Pai, por que tu abençoas outras pes­soas e nos ignoras? Estamos fazendo algo errado?"

O Senhor respondeu iluminando o entendimento deles. O casal percebeu que estava restringindo a visão da bênção de Deus apenas ao campo material, mas o Senhor tinha muito mais para lhe oferecer.

Num primeiro olhar, a oração de Jabez parecia ter tudo a ver com eles, mas o casal repentinamente descobriu que tinha tudo a ver com Deus. O mais importante era a vontade dele, a sabedoria dele, as bênçãos escolhidas por ele, o tempo dele. Lembre-se de que, quando Jabez orou pela bênção divina, não especificou que tipo de bênção queria. Ao invés disso, ele confiou na sabedoria do Senhor para selecionar a bênção e concedê-la no momento mais oportuno.

Mesmo enfrentando problemas financeiros, o casal passou a experimentar as bênçãos espirituais abundantes de Deus, fazendo com que a fé na providência divina se tornasse maior e mais forte. Inicialmente, eles tinham uma concepção da oração por bênçãos como uma espécie de fórmula mágica que lhes resolveria todos os problemas materiais. Mas Deus revelou a eles uma prioridade ainda maior — sua maturidade espiritual, que era, de longe, a maior bên­ção no escopo mais amplo da vida.2

 

Bênçãos demais?

Crer que a vida pode ser mais abundante não é uma tarefa fácil. Mas é assim que Deus quer que ela seja. Amamos e servimos a um Deus infinito e doador, que se deleita em nossa alegria. Às vezes, as bên­çãos chegam em tal profusão que é como se estivessem empilhadas. Em outras oportunidades, elas são concedidas no meio de grandes provas de fé que solidificam nossa maturidade espiritual e nos for­talecem internamente. Em qualquer situação, se você abrir seu co­ração para Deus, ele o encherá até transbordar.

E o que Deus fará quando sua bênção for abundante? Ele lhe usará a vida como fonte de bênçãos para outras pessoas. Devemos imitar sua generosidade o tempo todo, mesmo quando não dispo­mos de muitos recursos (v. 2Co 8:1-4). Mas pense bem: quanto mais você poderia doar se sua vida fosse transbordante de bênçãos?

Por que Deus nos escolhe para abençoar outras pessoas? Não seria mais fácil para ele abençoá-las diretamente, sem intermediá­rios? Certamente. Mas parte da estratégia divina para nos fazer crescer até a maturidade espiritual é nos confiar as bênçãos, e en­tão nos convidar a compartilhar. Compartilhar é uma habilida­de que se aprende, e quando o Senhor derrama mais bênçãos do que precisamos para viver, ele está nos dando uma oportunidade de aprender.

Com efeito, Jesus coloca as bênçãos compartilhadas numa cate­goria especial: "Mais bem-aventurado é dar que receber" (At 20:35). É errado receber? Não, de jeito nenhum. E alguns de nós precisamos receber com mais urgência. No entanto, ainda mais abençoado é o ato de dar.

Deus pode até nos abençoar de tal maneira que tenhamos difi­culdade de lidar com as dádivas. É quando se chega no ponto a partir do qual devemos compartilhar com o próximo. Em minha experiência, percebi que esta bênção especial só chega para aqueles que realmente a desejam e oram com fé durante meses, ou mesmo por anos a fio.

Continue orando fervorosamente a Deus: "Abençoa-me muito. Derrama suas bênçãos abundantes sobre mim". E aí, quando ele perceber que você já está preparado, começará a trazer pessoas com grandes necessidades, ou que representam grandes causas nobres. Assim, você descobrirá que ele mudou seu coração, e seu maior de­sejo passou a ser o de dar, compartilhar. Ao deitar-se à noite, perce­berá que a atividade mais importante de sua vida era dar, e não receber.

Deus gosta de nos abençoar, mas ele gosta mais ainda de ver seus filhos imitando o Pai celestial no desejo de alcançar e abençoar as outras pessoas.

 

A HONRA DE UM PEDIDO

Essas lições foram reforçadas em mim durante uma das experiên­cias mais inesperadas e importantes de minha vida. Toda a minha família estava reunida, conversando, quando, num momento de silêncio, meu filho, David, inclinou-se para a frente e perguntou:

— Pai, você faria uma coisa para mim?

— É claro que sim, Dave — respondi. — Terei o maior prazer. O que você tem em mente?

— Pai, eu quero que o senhor me abençoe. Aquele pedido me pegou de surpresa.

— Claro, meu filho, sem dúvida. Eu abençôo você.

— Não, pai — disse ele, balançando a cabeça. — Eu quero dizer me abençoar mesmo.

Depois de dizer isso, David levantou-se em silêncio, caminhou pela sala até onde eu estava sentado e ajoelhou-se a meus pés. Ele levantou os olhos para mim e disse: "Papai, por favor, eu realmente quero a sua bênção". Então ele baixou a cabeça.

Poucas vezes eu me senti tão tocado ou honrado em minha vida.

Fiquei emocionado quando coloquei as mãos sobre os ombros de nosso filho e derramei todo meu coração e tudo que havia em mim naquela oração. Eu o abençoei, e continuei abençoando. Orei a Deus, colocando diante do Pai celestial os sonhos de nosso filho e os dons e talentos que o Senhor lhe dera. Agradeci a Deus por seu passado e intercedi por seu futuro.

Dei tudo que tinha em mim até não ter mais o que dar.

Então, sem dizer uma palavra sequer, David levantou-se e ca­minhou de volta à cadeira.

Assim que ele se sentou, o Senhor me orientou: "Agora já sabe como me sinto quando você vem até mim, ajoelha-se diante de meu trono e me pede para abençoar sua vida!"

Por que deliberadamente privamos nosso Pai celestial da honra que recebe quando levamos nossas petições a ele? Ou do prazer que ele tem em nos responder? Nunca mais deixe que um dia se passe sem contemplar a face do Senhor e dizer: "Ó, Deus, por favor, abençoa-me muito".

 

 

 

 

Parte II

 

 

Exercendo influência em nome de Deus

 

 

Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh!

Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras,

que seja comigo a tua mão e me preserves do mal,

de modo que não me sobrevenha aflição!

E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.

I CrÔnicas 4:10

 

    

Um testemunho de gente de oração


"Grandes conquistas em Ruanda"

por Don Brenneman

 

 

A história de Ruanda é carregada de tragédia. Em 1994, nesse país africano menor que o Estado de Alagoas, oitocentos mil ruandeses foram massacrados numa guerra civil tribal. Do Gover­no às igrejas, a confiança desapareceu por completo. Restaurar a unidade parecia impossível.

Mas o arcebispo Kolini, responsável pela Igreja Anglicana em Ruanda, tinha fé que Deus poderia usar um simples jogo de futebol para restaurar a paz em seu país.

Foi nesse momento que eu cheguei. Sou diretor de Desenvolvi­mento do Instituto de Alcance Através do Esporte — iaae —, uma agência cristã que monta e prepara ministérios voltados para o es­porte em vários países. Quando o arcebispo Kolini pediu que nosso ministério o ajudasse a derrubar as barreiras do ódio que foram erguidas em Ruanda, aproveitamos a oportunidade para começar um período de dois anos de oração e preparação para realizar a Cruzada Esportiva de Ruanda.

Era uma tarefa tamanho gigante. Para garantir um impacto mais forte em toda a nação, o time americano — os Charlotte Eagles — precisaria jogar no estádio da capital do país. O Governo, a comunidade empresarial, as igrejas e as federações esportivas te­riam de trabalhar juntos. Muitos diziam que era algo impossível de acontecer.

Inicialmente, o Governo e a Federação de Futebol de Ruanda resistiram à idéia da cruzada. Mas quando o arcebispo Kolini con­vocou as igrejas do país, as duas instituições resolveram dar o sinal verde. Mais tarde, também apoiaram a iniciativa com entusiasmo. Aqueles eram apenas os primeiros dos inúmeros milagres que Deus operou.

Faltavam apenas dois meses para a realização do evento que marcaria a história de Ruanda. Foi então que meu pastor pregou sobre a oração de Jabez. Depois de ouvir, comecei a orar daquela maneira diariamente. Eu pedia, entre outras coisas, que o Senhor alargasse o território para o iaae e para os pastores ruandeses.

Finalmente, chegou o dia do jogo, e pela primeira vez na Histó­ria, um time de futebol americano jogaria em território ruandês. Três jogos foram realizados durante quatro dias. O segundo e o terceiro seriam jogados no estádio nacional, que até pouco tempo antes do evento era cercado com arame farpado e ocupado por tro­pas de paz das Nações Unidas.

Dezenas de milhares de pessoas assistiram às partidas, às vezes enfrentando chuvas torrenciais. No terceiro jogo, fomos honrados com a presença do presidente de Ruanda, de vários membros do Governo e do embaixador dos Estados Unidos.

Durante o intervalo de cada jogo, os atletas americanos apre­sentavam a mensagem de esperança em Cristo, e depois das partidas, continuavam no local para falar mais de Jesus para as multidões de torcedores. Muitos ruandeses ouviram o nome de Jesus pela primei­ra vez, e milhares assumiram um compromisso de transformação pessoal.

Mas o impacto daquele evento estendeu-se para muito além dos estádios. As duas últimas partidas foram transmitidas ao vivo pelo rádio — inclusive a mensagem durante o intervalo — para um público estimado em oito milhões de ouvintes por todo o território de Ruanda e até algumas nações vizinhas.

Os ruandeses, antes desunidos, deram um gigantesco passo na direção da reconciliação a longo prazo.

Nas palavras de um dos jogadores, a nação de Ruanda foi trans­formada para sempre.

 

 

 

Capítulo Cinco

 

a oração por território:

um olhar mais apurado

 

Minutos depois, Comum caminhava, deixando o centro confortável de Familiar em que quase todos os Zés-Ninguém viviam. Saiu em direção à fronteira, onde quase nenhum Zé-Ninguém tinha ido. Comum nunca ousara andar dessa maneira antes. Mas, como todos os Zés-Ninguém, ele sabia que, quanto mais distante estivesse do centro de Familiar, menos familiares as coisas se tornariam. Ele também sabia que a maioria dos Zés-Ninguém que

tentava deixar a Zona de Conforto de Familiar sentia-se desconfortável e acabava dando meia-volta e retornando para casa.'

O DOADOR DE SONHOS

 

 A primeira vez pode ser a mais marcante. Aconteceu em 1974, durante nosso primeiro ano em Portland, no Oregon, onde eu dava aulas na faculdade. Darlene ainda tentava entender como a ora­ção de Jabez funcionava e, por isso, decidi fazer um teste: nós oraría­mos pelo alargamento das fronteiras de uma maneira bem específica. Conversamos a respeito disso, e pedimos ao Senhor para nos enviar pessoas para serem discipuladas sem que precisássemos dizer uma palavra sequer a elas. Darlene passou a orar para que Deus lhe expandisse o território, trazendo três jovens universitárias para se­rem discipuladas ou mentoreadas. Comecei a fazer minha oração: pedi que Deus mandasse o representante dos alunos a meu escritório para pedir: "O senhor poderia encontrar-se comigo toda semana para me discipular?"

Nossa expectativa era grande nos primeiros dias que oramos. Mas as semanas foram passando, e nada acontecia. Começamos a perder a esperança de que Deus responderia àquele tipo de oração por um território específico.

Depois que o semestre terminou, peguei um avião até Boise, no Estado de Idaho, para pregar em uma igreja local. Lembro de deitar-me naquela noite e perguntar ao Senhor por que ele não respondia às nossas orações. Depois descobri que, em casa, Darlene apresentara o mesmo questionamento a Deus.

Na noite seguinte, quando me levantei para iniciar a men­sagem, não podia acreditar no que meus olhos viam: o represen­tante dos alunos, por quem eu vinha orando, estava sentado na platéia — a milhares de quilômetros de distância da faculdade!

Depois do culto, cerca de vinte pessoas, inclusive aquele ra­paz, reuniram-se numa pizzaria perto da igreja. Senti-me tentado a perguntar a ele, naquela hora e naquele lugar, se gostaria de se encontrar comigo regularmente, mas se eu fizesse aquilo, arruinaria o teste. Ou Deus responderia a minha oração ou nada feito.

O representante dos alunos estava sentado na ponta oposta de uma fileira de quatro mesas. De repente, em meio a um festi­val de mussarela e risadas, o rapaz levantou-se e, num rompante de emoção, falou: "Professor Wilkinson, será que o senhor pode­ria me discipular quando voltarmos para a faculdade?"

Um silêncio profundo caiu sobre as pessoas em volta da mesa, até que finalmente gaguejei: "P-por que você está me pedindo isso agora?"

Os olhos do rapaz encheram-se de lágrimas, e ele disse: "Desde o primeiro dia em que assisti à sua aula, eu sentia que precisava encontrar-me com o senhor regularmente, mas tinha muito medo de pedir. Essa noite, sabia que Deus estava me dando mais uma chance, e desta vez não deixaria escapar!"

Peguei o avião de volta, impressionado pela maneira contun­dente como Deus me respondeu à oração por mais território. Quando contei a Darlene, ela também ficou impressionada, pois, durante o tempo que fiquei fora de casa, recebeu ligações de três estudantes diferentes, uma por dia, pedindo para serem discipuladas por ela. Exatamente como ela havia orado.

 

O  SEGUNDO PEDIDO DE JABEZ

Nos próximos capítulos, analisaremos com mais profundidade o que Jabez queria dizer na segunda parte de sua oração: "Que (...) me alargues as fronteiras". Para começar, devemos considerar que era mais provável que Jabez estivesse orando por um pedaço de terra. Aparentemente, ele era um fazendeiro ou um criador de animais. Seu sustento exigia uma certa área de terreno fértil ou pasto. Colo­cando de forma bem objetiva, Jabez pedia a Deus para alargar os limites da terra que ele possuía e, com isso, ampliar o tamanho de seu negócio.

Da mesma forma, podemos ver que Jabez pediu a Deus para alargar seu território. "Alargar" significa "aumentar abundante­mente". A palavra hebraica implica não apenas um crescimento tímido, mas uma grande expansão. É a mesma palavra traduzida como "multiplicar" em Gênesis 1:28, quando Deus ordena a Adão e Eva: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra". A incum­bência que eles receberam era a de aumentar a humanidade a par­tir de duas pessoas até ocupar toda a Terra. Jabez não estava em busca de uma pequena bênção ou de apenas um pouco mais de terra. Ele pediu abundância e vastidão de território!

Há pouco tempo, eu e meu diretor de Operações procuráva­mos encontrar meios para ampliar o Dream for África até a Zâmbia, sul do continente. Realizamos reuniões com os departamentos de Educação e de Cultura do país, com líderes de igrejas e com o presidente. A cada encontro, os líderes zambienses reagiam com entusiasmo a nossas iniciativas envolvendo combate à fome e à miséria, atendimento de órfãos e assistência às vítimas da aids. Mas continuávamos sem saber com certeza qual era o problema mais grave a ser enfrentado.

Na noite anterior à de nosso encontro com o presidente, um bispo da Igreja Anglicana, que ajudava a coordenar aqueles encon­tros, veio a mim dizendo que sentia como precisaríamos do Senhor para abrir o caminho de uma forma especial em nossa audiência na manhã seguinte. Senti-me incomodado com o grande número de órfãos que encontramos no país, e comecei a orar a Deus para que expandisse muito nosso território na Zâmbia, e que o presidente fosse o veículo de sua resposta à oração. Pedi ao Senhor para mover o presidente, na manhã seguinte, a nos oferecer um terreno de 25 mil acres para nossas iniciativas de apoio aos órfãos.

Embora eu já tivesse me encontrado com muitos chefes de Estado,  nunca dá para se prever o que acontecerá na primeira audiência. Fomos encaixados na agenda do presidente da Zâmbia para uma reunião de vinte minutos, mas o encontro durou uma hora e meia. Depois de resumir nossos quatro maiores projetos, perguntei ao presidente qual deles seria o mais interes­sante para a nação. Na mesma hora ele indicou o African Dream Villages, desenvolvido para atendimento aos órfãos. Ele explicou que o país — naquela época com uma população de dez milhões de habitantes — tinha seiscentos mil órfãos, e que as estimativas indicavam que chegariam a um milhão no ano de 2010.

O objetivo do projeto African Dream Village é oferecer lar (com mãe e pai), escola de qualidade e treinamento profissionalizante para cinco por cento dos órfãos de cada país onde é instalado. Infe­lizmente, em vários países da África, a aids e a tuberculose dizima­ram as vilas e desestruturaram muitas famílias, deixando milhares de órfãos que precisam sustentar o lar. Essa era a nossa missão: cui­dar das crianças indefesas, uma tarefa que estava comprovadamente além da capacidade da Igreja, da sociedade e do governo.

Eu disse ao presidente que a visão do Dream for África era a de atender cinco por cento — ou cinqüenta mil — dos órfãos do país, todos dentro de lares, num ambiente familiar. "Mas para isso será necessário contar com uma grande propriedade", expliquei. "Tam­bém é preciso que essas terras tenham acesso a um rio para que seja plantada toda a comida que as famílias consumirão e produzirão para exportar e levantar recursos financeiros. Se isso pode ser feito, acredito que milhares de voluntários africanos, americanos, euro­peus, asiáticos e australianos virão à Zâmbia para ajudar-nos a cons­truir centenas de casas e escolas nos próximos três anos."

Depois de discutirmos outros assuntos, o presidente disse: "Se vocês precisarem para atender os cinqüenta mil órfãos, a Zâmbia doará ao Dream for África dez mil hectares para as primeiras African Dream Villages — e ainda mais."

Ao orar naquela noite, comecei agradecendo ao Senhor por aqueles dez mil hectares, e foi aí que lembrei: um hectare corresponde a 2,5 acres! Num simples encontro, Deus havia expandido nosso território em 25 mil acres. O coração de Deus se entristece pelos órfãos da África, e creio que ele alargará as fronteiras de qualquer pessoa que busque o bem-estar daqueles que se encontram em gran­de necessidade.

 

Para todas as direções

Alarga minhas fronteiras. Eu o encorajo a fazer essa oração por todas as coisas nas quais busca honrar a Deus. Muito daquilo que Deus quer que façamos envolve a expansão não apenas de territó­rio no sentido literal, mas também em termos de influência. Ele deseja usar a vida, os talentos e as habilidades que lhe confiou para alcançar cada vez mais pessoas no mundo.

Pense a respeito do território de sua vida como uma caixa com lados diferentes entre si. Um lado do território representa sua família; o outro representa seu trabalho; outro, seu ministério; outro, seus relacionamentos pessoais; e assim por diante. Num sentido bastante objetivo, Deus deseja ampliar sua influência em cada uma e em todas essas áreas, para glória dele. Assim como abordei amplamente em O doador de sonhos, quando você encon­tra o Grande Sonho para o qual nasceu, descobre que ele, de algu­ma forma, envolve ajudar outras pessoas de maneira cada vez mais significativa.

Isso nos traz para a primeira de quatro distinções esclarece­doras da oração por território: a oração não se concentra apenas em conquistar propriedades, mas em expandir o ministério (serviço).

De fato, às vezes acontece de Deus impulsionar nossos esfor­ços somente na direção do serviço, ministrando a outras pessoas mesmo quando nossos planos são completamente diferentes. Foi isso que aconteceu com John Waller e sua banda cristã, According to John (a2i).

A banda estava fazendo muito sucesso, inclusive financeiro. Realizaram uma turnê nacional, e seus cds vendiam muito bem. Acontece que a gravadora faliu e fechou as portas. A banda tentou iniciar um processo de gravação independente, mas fracassou. Os músicos viajaram para Nashville, onde fizeram testes para vários selos, mas nenhum deles se interessou.

Por aquela época, o pastor de John iniciou uma série de sermões baseados na oração de Jabez, o que levou o músico a repensar seus objetivos.

Assim, ele orou: "Tudo bem, Senhor, já tens minha atenção to­tal. Se tu não expandires nosso ministério, ele simplesmente deixará de existir. Seja feita a tua vontade".

Numa certa noite de quarta-feira, John estava preparando-se para conduzir o louvor musical num culto de jovens, quando decidiu ensi­nar a oração de Jabez à platéia através de uma música. Foi assim que compôs The songofJabez [A canção de Jabez]. Os jovens adoraram.

Depois daquilo, o a2j foi convocado para tocar a música aos diretores da igreja. Um deles reagiu com muito entusiasmo: "Vocês precisam gravar esta canção!" E ofereceu o dinheiro necessário para que entrassem em estúdio.

"Há apenas uma condição", disse o diretor. "Vocês terão que distribuí-la gratuitamente."

A banda gravou a canção e começou a distribuí-la em cds e através de seu website. Os músicos incentivavam as pessoas a copiar e repassar A canção de Jabez.

Por acaso, uma cópia foi parar na sede da Focus on thefamüy, e o dr. James Dobson incluiu a música em um de seus programas de rádio, e a disponibilizou aos ouvintes, mediante pedidos.

Com toda essa divulgação, A canção de Jabez rapidamente che­gou ao terceiro lugar na parada de música cristã do país. Não há como avaliar quantos milhões de pessoas foram estimuladas e orien­tadas a partir da mensagem.

Deus usou uma situação adversa para ajudar a banda a mudar sua visão, antes focada em evidências externas de sucesso. A fama e as conquistas financeiras não eram coisas erradas em si; Deus simples­mente tinha algo diferente em mente para John e seus amigos. Agora o objetivo deles era divulgar o nome de Cristo — ajudar a despertar corações ansiosos por servir a Deus.2

 

O TERRITÓRIO  É MEU  OU DE DEUS?

A história daqueles músicos ilustra uma segunda distinção da oração pelo alargamento de fronteiras: a escolha de um novo território geral­mente não é das pessoas, mas de Deus.

É bom fazer planos, e também é muito positivo pedir a Deus para abençoá-los. Mas a oração de Jabez pelo alargamento de fronteiras é equivalente ao pedido por mais bênçãos no qual não se especifica onde, quando ou como, mas permite que Deus nos leve além de nos­sos horizontes limitados: "Eu quero que tu conduzas a expansão de minha influência".

Quando eu ainda liderava a organização WorldTeach, pedi a Darlene que me ajudasse a orar a Deus, para que abrisse as portas e providenciasse um encontro com os presidentes do Quênia e da Zâmbia durante uma viagem que faríamos à África. Ela ficou surpresa por­que, até aquele momento, eu jamais expressei qualquer interesse nesse tipo de contato. Quando Darlene me perguntou o motivo, eu disse que não tinha muita certeza sobre o propósito de Deus, mas sentia que ele desejava alargar nossas fronteiras naquela direção.

No meio de uma semana na qual eu treinava mil líderes que pre­cisavam enfrentar a disseminação da aids, fui convidado para um encontro com o presidente do Quênia. No caminho para o palácio presidencial, perguntei ao Senhor qual era o seu propósito, mas não obtive nenhuma resposta. Os céus permaneceram em silêncio.

O presidente Moi foi um anfitrião muito gentil, e durante o en­contro, comentei: "O senhor é presidente de uma das maiores nações da África. Há alguma coisa que pesa em seu coração, ou que tira seu sono durante a noite, na qual eu possa oferecer algum tipo de ajuda?"

Seu rosto abrandou-se, e ele respondeu: "O tempo todo recebo gente aqui pedindo para fazer alguma coisa por elas, mas você está se oferecendo para me ajudar!"

Passados alguns momentos, o presidente Moi disse uma coisa que eu jamais poderia esperar. "Milhares de pessoas de meu país estão morrendo por causa da aids. Eu gostaria que Hollywood produzisse um filme — um drama, com certeza — que abordasse os conceitos errôneos a respeito dessa doença e provocasse uma mudança ampla no comportamento das pessoas. Isso poderia salvar o país." Então ele olhou para mim, e meu coração acelerou ao perceber que aquela era a verdadeira razão pela qual o Senhor havia me tocado para encon­trar-me com o presidente.

Comprometi-me a produzir aquele filme, e o resultado foi um drama de duas horas de duração sobre um rapaz zulu que, com a morte de seus pais por causa da aids, muda-se para Soweto e tenta encontrar uma saída para a vida, mas começa morando debaixo de uma ponte. Montei uma produtora de cinema, que realizou o filme Beat the drum [Toquem o tambor), vencedor de prêmios internacio­nais. O filme continua produzindo um forte impacto em toda a Áfri­ca. (Para mais informações a respeito dessa produção, visite o site www.dreamforafrica.com).

Quando você ora assim: "Senhor amado, por favor, alarga mi­nhas fronteiras em teu nome. Permita-me fazer muito mais para ti", não há como saber exatamente como Deus fará para tornar seu pedido uma realidade.

Assim chegamos ao quarto ponto de distinção: o foco da oração por território não é a sua conveniência, mas a transformação. Toda vez que você diz: "quero mais", na verdade está pedindo a Deus que o leve bem além de onde jamais esteve antes, penetrando no desco­nhecido e no imponderável. Deus reservou uma aventura fantástica a seus filhos, e isso envolve alguns riscos. Mas conforme crescemos no conhecimento pessoal do Deus que nos exorta a exercer uma influência cada vez maior em seu nome, logo aprendemos que ele nunca nos abandonará.

E quando aceitamos as mudanças, descobrimos a quarta distin­ção da oração por alargamento de fronteiras: o território de Deus para nós é ilimitado. Depois de fazer esta oração durante três déca­das, uma coisa ficou clara para mim: não há limites para o cresci­mento que o Senhor pode promover em seu território.

Embora, a princípio, você possa se sentir oprimido, lembre-se de que Deus nunca expandirá suas fronteiras além do ponto neces­sário para que seus objetivos sejam cumpridos. Por outro lado, ima­gine uma vida inteira experimentando os milagres e a aventura de ver o Senhor responder às suas orações.

 

Quem é o responsável?

Às vezes, as pessoas relutam em fazer mais para Deus. Sentem-se pressionadas além de seus limites. Mas qualquer um que anseia rom­per com os medos descobre que a vida é melhor e mais satisfatória quando a aventura divina é vivida em plenitude.

Identifiquei três equívocos básicos que obstruem o caminho das pessoas que desejam alcançar seu maior potencial.

 

Engano número 1

Deus é responsável pelos resultados, e não eu.

 

Você pode pensar que estou fazendo uma afirmação oposta e igual­mente errada, a saber, que quando uma pessoa age fora da fé, tem total responsabilidade pelos resultados de suas ações. Mas não é isso que estou dizendo. Pelo contrário, Deus quer que compartilhemos toda a responsabilidade com ele.

Quando se espera passivamente que Deus faça todo o traba­lho de alargamento de fronteiras, essa atitude representa uma omis­são diante do papel ativo que o Senhor determinou para seus filhos. Ao se dar conta e assumir sua porção de responsabilidade por tor­nar a vida mais frutífera, a pessoa descobre novas motivações para fazer a oração de Jabez!

A verdade é que Deus considera você responsável pela produti­vidade de sua vida, exatamente como Jesus ensinou a seus discípu­los. Ele explicou que logo os deixaria, mas prometeu voltar, ainda que ninguém pudesse saber quando isso aconteceria. A pergunta que surgiu naturalmente na mente dos discípulos foi: "O que deve­mos fazer enquanto tu não estiveres conosco?" Jesus respondeu com uma parábola, registrada em Lucas 19:11-27.

A história é o relato a respeito de um nobre — representando o próprio Senhor Jesus — que está prestes a viajar para reclamar a posse de um reino muito distante e voltar depois. Ele reúne dez de seus servos e confia uma mina (medida que representava três anos de salário) a cada um. O homem nobre os instrui: "Negociai até que eu volte".

Depois da viagem, já de volta, o nobre está ansioso para saber como o dinheiro foi investido por cada um, por isso chama dos dez servos. O primeiro dá um passo à frente e diz: "Senhor, a tua mina rendeu dez". A este, o homem nobre diz: "Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades".

O segundo servo afirma: "Senhor, a tua mina rendeu cinco". E o homem responde: "Terás autoridade sobre cinco cidades".

Aí chega a vez do terceiro servo ir à frente. Ele desembrulha um lenço e tira o dinheiro de dentro, entregando-o ao nobre e explican­do: "Eis aqui, senhor, a tua mina, que eu guardei embrulhada num lenço". O terceiro servo havia escondido o dinheiro, temendo per­dê-lo e, assim, contrariar o mestre. Pelo menos, essa era a desculpa que ele tinha.

O homem não poderia ter desagradado mais a seu mestre. Ele havia desobedecido diretamente às instruções do nobre, que queria ver o dinheiro investido. Contrariado, o nobre pega de volta o di­nheiro e entrega ao servo que já tinha dez — justamente aquele que havia provado ser o mais produtivo de todos.

Cada homem havia recebido a mesma oportunidade, e o mes­tre reagiu com aprovação e honra proporcional aos resultados de desempenho. O que cada homem recebeu foi conquistado através de trabalho árduo e diligente na potencialização daquilo que o nobre havia confiado.

Como Jesus ensinou, "àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido" (Lc 12:48). O que Jesus nos confiou para que investísse­mos? Ele incumbiu cada um de nós de cuidar de um tesouro valioso: uma vida inteira de oportunidades praticamente ilimitadas. E nos instruiu: "Multipliquem o potencial de vida para minha glória. Quando eu voltar, lhes perguntarei sobre o que fizeram com o que receberam de mim".

Com certeza, não podemos fazer qualquer coisa de valor eterno sem Deus. É por isso que Jesus promete estar conosco (v. Mt 28:20) c nos dar poder e sabedoria através de seu Espírito Santo (v. At 1:8; Jo 14:26). Mas ele também determina que assumamos um papel ativo: "Negociai até que eu volte". Para ser mais produtivo, peça mais território!

 

Quantidade determina espiritualidade?

Certas pessoas contestam a oração por alargamento de fronteiras com base no fato de Deus estar interessado em qualidade, não em quantidade.

 

Engano número 2

Deus está interessado em questões espirituais, não em números.

 

Mas pense com cuidado. Jesus disse: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça" (Jo 15:16). Por "fruto", Jesus estava se referindo não apenas às boas coisas que fazemos para ele, mas também às pessoas a quem ajuda­mos a estabelecer um relacionamento pessoal com o Salvador.

"Tudo bem, Senhor. Mas quanto fruto tu queres?"

"Nisso é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto" (Jo 15:8; grifo do autor).

A verdade é que o Senhor deseja que sua vida produza tanto em qualidade quanto em quantidade. Quantidade importa! Em razão disso, é absolutamente bíblico orar assim: "Senhor, alarga minhas fronteiras grandemente! Permita-me fazer muito por ti!" Pegue o que Deus confiou a você e multiplique por dez para a glória dele, pois é assim que o conhecimento a respeito do Senhor avança.

E o medo?

Tudo isso nos leva a considerar outro ponto de vista proble­mático que, admito, foi um entrave durante anos para mim. Toda vez que Deus me levava ao limite de minha zona de conforto e me convidava a dar mais um passo na direção do terreno selvagem, eu pensava: "Não sei o que encontrarei lá. Posso me machucar. Ou fa­lhar". Minha linha de raciocínio era mais ou menos esta: "Estou com medo. Por isso, esta não deve ser a vontade de Deus".

Agindo assim, eu continuava a salvo. E minhas fronteiras mantinham-se exatamente onde sempre estiveram.

 

Engano número 3

Quem faz a vontade de Deus não pode sentir medo.

 

Vamos e venhamos: de vez em quando sentimos medo, sim. Mas não importa o tamanho do problema que estivermos enfrentando, o Senhor estará conosco.

Depois que os israelitas vagaram pelo deserto durante quaren­ta anos, Moisés indicou Josué como sucessor para guiar a nação em sua conquista da Terra Prometida. Por quatro décadas, Josué havia cuidado de uma geração sem fé e decadente. Ele deve ter pensado muitas vezes: "Como posso ter certeza de que Israel se sairá melhor sob minha liderança?"

Mas quando chegou o tempo certo, Deus disse a Josué: "Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares" (Js 1:9). Não há dúvida de que Josué conheceu o medo. Mesmo assim, ele obedeceu, a despeito de seu temor, conduzindo o povo de Israel num dos períodos mais gloriosos e espiritualmente propícios da história da nação.

É natural sentir medo quando se confronta o desconhecido, em especial quando os obstáculos parecem maiores do que nós mesmos. Essa é uma questão que tentei elucidar em O doador de sonhos:

Em minha experiência, Deus raramente faz com que o nosso medo desapareça. Ao contrário, Ele pede que sejamos fortes e corajosos. O que é a coragem? Conforme Comum descobriu, a coragem não é a ausência de medo, é escolher agir apesar dele. Você pode dizer que, sem medo, você não pode ter coragem genuína.'

Aqueles que sentem medo e, mesmo assim, são capazes de obedecer são alvos de admiração e honra.

Quando se faz a obra de Deus num território novo, ele pode pedir que encaremos uma situação potencialmente embaraçosa ou de rejeição. Ele pode até dar uma tarefa que falhemos em cumprir. Alguns dos perigos a serem enfrentados serão apenas frutos de nossa imaginação. Há também a possibilidade de sermos chamados a arriscar a vida. Seja qual for a situação ou dificuldade, Deus nunca nos deixará, mesmo que nos sintamos paralisados de terror.

 

Você responderá ao chamado?

É possível que você ainda viva sob a ilusão de que não merece ou é incapaz de lidar com mais território, e por isso nada deve pedir. Nada pode estar mais longe da verdade. Peça e o Senhor decidirá a melhor forma de responder.

Há alguns anos, eu estava em Los Angeles para falar diante de centenas de diretores, produtores, redatores e outros talentos da in­dústria do cinema de Hollywood, todos ansiosos por ouvir como um livrinho sobre oração podia vender mais do que Stephen King, John Grisham e outros autores populares da atualidade. Aquela era uma platéia eclética, formada por cristãos, judeus, agnósticos, ateus, secularistas assumidos, adeptos da Nova Era, ocultistas e tudo mais que se possa imaginar!

"Nunca estive diante de um grupo tão diversificado de pessoas em minha vida", falei ao público. "Vocês oferecem entretenimento para minha família, nos fazem rir e chorar, e nos inspiram a ser tudo que nosso potencial permite. Vocês enriquecem nossa vida. Obrigado."

Fiz uma pausa e sorri. Era óbvio que não esperavam que um autor "religioso" fizesse aquele elogio. Então continuei: "E para ser honesto, vocês também produziram coisas que não ajudaram nin­guém, a não ser aqueles que lucraram com elas". Todo mundo gar­galhou, e ninguém discordou. Aquilo era Hollywood.

Continuei falando sobre as quatro partes da oração de Jabez, e comentei que Deus quase sempre respondeu àquela parte sobre alar­gamento de fronteiras. Expliquei que, de fato, a expansão dos limi­tes (Deus nos permitindo fazer mais para ele) era o assunto de mais do que 75% das cartas que eu recebia de pessoas que haviam lido o livro — gente que ficou admirada e maravilhada com as coisas espantosas que o Senhor fez ao responder àquela petição por mais território.

É evidente que muitos naquela platéia tinham muita dificulda­de em crer que Deus poderia responder uma oração daquele tipo, por isso eu perguntei: "Levantem a mão todos que já estiveram numa situação na qual sabiam, sem dúvida alguma, que Deus queria que ajudassem alguma pessoa em dificuldade — mas que, por uma razão qualquer, não o fizeram".

Quase todo mundo acenou.

Eu disse: "Agora talvez vocês possam entender por que, quando uma pessoa ora: 'Por favor, Senhor, envia-me para ajudar alguém

que precisa de ti; permita-me ser tuas mãos e teus pés", Deus quase sempre responde de uma maneira surpreendente. A todo momen­to, milhões de pessoas estão orando a ele, pedindo ajuda, mas poucos são os que se dispõem a ser a própria ajuda. Se você está ansioso por levantar sua voz e dizer: "Eis-me aqui, envia-me", não precisa ficar pensando se Deus atende à oração de Jabez. Apenas faça-a e fique atento para quem o Senhor colocar em seu caminho.

 

Deus sempre responderá a essa oração?

"Será que Deus sempre alargará minhas fronteiras, se eu pedir a ele?" Sinto-me um pouco relutante em responder a essa pergunta, mas acho que ela é muito importante.

Há duas abordagens básicas no que se refere à oração por alargamento de fronteiras. A mais comum é pedir a Deus para expandir seu território, e depois se preparar para receber as respos­tas. A outra abordagem é orar por mais território e, em seguida, comprometer-se com o próximo, pois seja quem for que estiver por perto, essa pessoa pode muito bem estar dentro de seu novo território.

Minha maneira favorita de abrir uma conversa é fazer à outra pessoa uma pergunta bem simples: "O que posso fazer por você?" Quase sempre a pessoa responde: "Hã... nada". No entanto, uma vez atrás da outra, descubro que existe uma necessidade — a de novo território — logo abaixo da superfície. Isso aconteceu, por exemplo, "uma oportunidade em que conheci uma executiva da televisão.

O avião estava lotado. Eu, muito cansado e sem disposição para falar com ninguém. A mulher sentada perto de mim também pare­cia sem vontade de conversar, por isso ficamos quietos. Quando o jantar foi servido, finalmente voltei-me para ela e fiz minha "per­gunta Jabez".

— O que posso fazer por você?

— O quê? Nada, claro.

Conversamos por alguns momentos, então perguntei a ela pela segunda vez.

— O que posso fazer por você?

— Do que você está falando —, ela protestou. — Não há nada que você possa fazer por mim.

Durante a sobremesa, respirei fundo e fiz a pergunta pela ter­ceira vez (eu nunca havia perguntado mais do que duas vezes antes, nem o fiz depois daquele dia). Dessa vez, recebi uma resposta bas­tante ríspida. Ela não queria saber de minha oferta de ajuda.

Fiquei vermelho de vergonha, como qualquer um provavel­mente ficaria. Depois de fazer a mesma pergunta centenas de vezes a pessoas de vários países, eu finalmente estava diante de uma situa­ção na qual parecia que Deus não responderia a minha oração por mais território.

Fiquei deprimido. Desapontado. Desestimulado. Envergonha­do. Orei ao Senhor: "Será esta a primeira vez que tu me dirás 'não'?" Se Deus queria mesmo negar o pedido, tudo bem para mim. Afinal, quem deseja prosseguir numa direção diferente daquela que Deus está apontando? Infelizmente, não consegui me sentir em paz na maneira como aquela conversa estava terminando.

Então, juntei toda a coragem que consegui, virei-me para a mulher e disse: "Por favor, não se sinta ofendida, mas você não está me dizendo a verdade".

Ela quase explodiu: "Como você sabia? Como você poderia saber?"

Expliquei que não queria qualquer informação sobre a situa­ção complicada que ela estava atravessando, mas sentia que eu poderia servi-la de alguma maneira.

Ela baixou os olhos e disse: "Sinto-me terrível e muito bem ao mesmo tempo. Quase consegui ficar com ele". Ela contou-me que era diretora de uma rede de televisão, e que estava voltando de uma reunião com representantes de uma empresa de comunicação com atuação em todo o país. Durante dois anos, ela e outro executivo encontravam-se secretamente durante essas reuniões, mantendo um caso. "Quase o tirei de sua mulher e de seus filhos", ela disse.

Orei por sabedoria e perguntei: "Como você acha que Deus se sente a respeito de seu plano para destruir um casamento e uma família?"

Ela baixou os olhos e ficou quieta por alguns momentos. "Não acho que ele seja a favor disso".

"Talvez seja por isso que estou aqui", falei, "talvez esta seja a forma da qual eu posso ajudá-la".

Nas duas horas seguintes, mantivemos uma conversa sensível, mas também muito franca. O avião chegou a seu destino, mas ela ainda não havia se convencido do erro que estava cometendo. Ro­guei a Deus que interviesse com sua mão poderosa e perguntei se poderíamos tomar um café no saguão antes de ela pegar o outro vôo da conexão. A mulher hesitou, mas concordou. Felizmente, o Senhor interveio, e antes que eu chegasse ao setor de desembarque para pegar as malas, ela começou a chorar, arrependida. Ela con­cordou em ligar para o homem, desculpar-se e terminar com o caso, comprometendo-se a pedir demissão da diretoria, evitando vê-lo novamente.

Quando me sentei no vagão do trem subterrâneo do aero­porto, sorri. O Senhor reina, e ele adora responder à oração sincera: "Deus, envia-me".

 

O  RESTANTE DESTE CAPÍTULO NÃO DEVERIA ESTAR NO LIVRO

Estava trabalhando neste capítulo durante um vôo para Los Angeles, onde eu falaria na Universidade de Biola. Quando ter­minei o parágrafo anterior (o restante deste capítulo não estava no manuscrito original), virei-me para a janela do avião e orei: "Senhor, tu poderias honrar mais uma vez a oração de Jabez? Poderia torná-la ainda mais clara? Não vou dizer uma palavra à pessoa ao meu lado, mas tu poderias alargar minhas fronteiras de modo que ela pudesse ser incluída em meu território?"

Alguns minutos depois, o homem sentado perto de mim per­guntou-me se eu era um sacerdote.

— Por que você pergunta? — eu disse.

— Bem — ele respondeu, — estava lendo com o canto do olho enquanto o senhor marcava o livro. É realmente interes­sante.

— Bem, acho que o senhor pode me chamar de sacerdote — falei, sorrindo.

— Eu sabia! Foi Deus quem o enviou!

Então ele começou a chorar descontroladamente. O homem tinha um monte de piercings e tatuagens. Ele estava a caminho do Hollywood Bowl, onde trabalharia num mega-concerto de rock no dia seguinte. Disse que não sabia o que ia fazer lá. Havia bebi­do tanto que a aeromoça o avisou que não daria outra garrafa a ele durante um bom tempo. Seu melhor amigo havia morrido no

dia anterior, e ele estava desesperado por respostas sobre a eterni­dade e o lugar onde seu amigo poderia estar naquele momento.

Tivemos uma conversa incrível. E mais uma vez aprendi que Deus garantiu não apenas a Jabez o que ele havia pedido, mas ainda faz o mesmo até hoje àquele que pede com o mesmo desejo no coração: "Alarga minhas fronteiras!"

 

 

Capítulo Seis

 

a oração por território:

indo mais fundo

Posso contabilizar cicatrizes e sucessos na jornada de meu Sonho.

O caminho do meu Sonho é difícil mas qualquer coisa inferior a isso não pode ser chamada de vida! Na verdade, tenho descoberto que ele é o único caminho onde posso encontrar verdadeira realização e me tornar tudo aquilo que Deus me criou para ser.'

O DOADOR DE SONHOS

 

 

Que imagem se forma em sua mente quando você imagina a figura de Moisés? Muitos de nós pensam logo em Charlton Heston de pé, majestoso, na borda de um penhasco escarpado, com sua barba branca, semblante sério e cheio de autoridade, sua túnica balançando ao vento e os braços fortes erguendo as pesadas tábuas de pedra.

Com efeito, esta imagem de Moisés deve ser bastante adequada para descrevê-lo durante as últimas décadas de sua vida de cento e vinte anos. Mas se voltarmos um pouco o filme até o ponto em que Moisés era apenas um octogenário, veremos um homem bastante diferente — um sujeito esquivando-se de tomar posse do território que Deus lhe dera, que não se dispunha a deixar a vidinha caseira ou o pastoreio no deserto.

Você deve lembrar que, durante os primeiros 40 anos de sua vida, Moisés fazia parte da realeza e vivia entre a elite influente do Egito, à época uma potência mundial. Então, depois de uma ten­tativa precipitada e violenta de ajudar seu povo oprimido, Israel, ele percebeu-se exilado na terra longínqua de Midiã. Lá ele se ca­sou e passou quatro décadas pastoreando as ovelhas de seu sogro (v. Êx 2:1-3:1 e At 7:20-30).

Todos os sonhos de Moisés haviam sido destruídos. Banido da presença tanto de seus irmãos israelitas quanto de sua família ado­tiva egípcia, ele tinha a expectativa de viver anônimo até o dia de sua morte. E embora aquele fosse um grande passo para longe da grandeza para a qual ele parecia destinado, aquela vidinha tor­nou-se conveniente e confortável.

Enquanto isso, nos bastidores, Deus estava usando aqueles anos no deserto para preparar Moisés para um papel muito mais importante até do que reinar sobre o Egito.

 

Segundo ato, cena 1

Naquele dia em especial, Moisés acordou pensando apenas em cum­prir os afazeres de sempre, aos quais ele vinha se dedicando nos últimos quarenta anos: levantar bem cedinho e encontrar pasto para as ovelhas. Ao vagar pelo deserto, notou arbustos pegando fogo ao longe, aparentemente por causa de um raio. Preocupado com a se­gurança das ovelhas, ficou de olho na fumaça e nas chamas, até perceber que apenas um arbusto estava queimando. E não estava sendo consumido pelo fogo.

Mal sabia Moisés, quando se aproximou para ver o que estava acontecendo, que Deus estava prestes a engajá-lo na obra para a qual ele havia sido destinado desde o nascimento.

Deus apresentou àquele homem debilitado, a partir do arbusto em chamas, sua próxima incumbência — seu novo território: "Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito."

Diante daquilo tudo, Moisés começou a titubear e argumentar: "Quem sou eu para confrontar um dos homens mais poderosos do mundo?"

Para cada desculpa que Moisés inventava, Deus tinha uma res­posta. "Não tem nada a ver com quem você é, mas quem eu sou. Eu estarei com você."

E assim foi aquele diálogo, indo e vindo. O Senhor teve muita paciência, tranqüilizando-o em todas as dúvidas, até que Moisés finalmente jogou a última cartada: "Envia outra pessoa. Qualquer um. Menos eu".

Naquela hora, diz a Bíblia, "se acendeu a ira do Senhor contra Moisés". Deus jogou por terra a última desculpa de Moisés, desig­nando seu irmão, Arão, como porta-voz para acompanhá-lo, e fazendo-o capitular (v. Êx 3:10—4:17).

Depois de quarenta anos vivendo num território familiar, Moisés lutou com todas as forças para não ter de deixar a zona de conforto. E o Senhor irritou-se com sua relutância. Afinal, Deus estava prometendo enviar seu poder e sua presença para que Moisés pudesse cumprir a tarefa!

A decisão de romper com aquela vidinha, assumir o risco e dar um salto de fé estava nas mãos de Moisés.

Deus nos dá a mesma opção. Ele provera todos os recursos sobre­naturais necessários para alargar nossas fronteiras, mas somos nós que devemos tomar a decisão de abrir mão de nossa zona de conforto. O Senhor constrói a ponte sobre o fosso da impossibilidade, mas acei­tar a aventura e atravessar é uma iniciativa que cabe a nós.

Deus não mudará seu coração contra a sua vontade. Ele pode dar todas as oportunidades e razões. Pode até lançar mão de uma confrontação direta, como fez com Moisés e, séculos depois, com o apóstolo Paulo (v. At 9). Mas a deci­são de agir continuará sendo apenas uma questão de você querer ou não.

Ao pensar a respeito do território desconhecido que Deus deseja que tomemos posse, não há necessidade de ficar perguntando como nos sentire­mos quando a oportunidade chegar. Provavelmente morreremos de medo. Moisés morreu de medo. Eu também. Várias vezes.

Mas Deus diz: "Tome coragem, eu estarei com você. Vamos em frente!" Ele capacita seus filhos a obedecer, apesar de todo o medo.

 

Deixando para trás os guardas de fronteiras

Não quero enganá-lo. Uma vez que você decida deixar sua zona de conforto, o pior ainda não terá passado. No limite do novo terri­tório de Deus, encontrará com freqüência o que chamo "guardas de fronteiras". São as pessoas que tentarão dissuadi-lo, conven­cendo-o a pegar o caminho de volta para sua zona de conforto e tentando levar você para a "segurança" que tinha.

— Você nunca fez isso antes.

— Não sabe como fazer isso.

— E como fica a grana?

— O que as pessoas vão dizer?

— Você está fadado a falhar.

— Apenas tente cruzar aquela linha e se arrependerá.

Como se as próprias dúvidas não fossem suficientes para rou­bar toda a disposição, ainda chegam essas mensagens desestimulantes dos inimigos, dos críticos e até de amigos e familiares bem-intencionados!

Quando uma pessoa se dispõe a fazer a vontade de Deus, ele promete acompanhar e dar poder para realizar o que é certo. Mas é preciso enfrentar os guardas da fronteira. A princípio, pode-se tentar argumentar com eles, e é possível que alguns se­jam convencidos. Em alguns casos, talvez até ajudem de alguma maneira. Mas, em geral, precisam simplesmente ser deixados para trás.

Quando Davi enfrentou Golias, seus irmãos zombaram e o rei Saul duvidou. Mas Davi lembrou da fidelidade que Deus demons­trara no passado. Na força do Senhor, Davi havia defendido suas ovelhas do ataque de leões e ursos. Então, seguiu adiante com ousa­dia para confrontar aquele último gigante, dizendo: "O Senhor me livrou das garras do leão e das do urso; ele me livrará das mãos deste filisteu"(l Sm 17:37).

Em contraste, apenas um ano depois de os israelitas saírem milagrosamente do Egito, Moisés enviou doze espiões até a Terra Prometida — uma terra que o Deus Todo-poderoso havia garan­tido que os daria —, e dez deles voltaram dizendo que seria impos­sível conquistá-la. Eles fizeram este relatório: "A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura (...) Éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos e assim tam­bém o éramos aos seus olhos" (Nm 13:32,33).

Do ponto de vista humano, aqueles homens estavam certos. Mas na ótica de Deus, eram pessoas sem fé. Ao encolherem-se de medo, a postura mental os fez sentirem-se como insetos diante de gigantes.

Sim, o povo perverso que habitava a terra era um obstáculo. Mas Deus dissera: "Não temam! Eu serei com vocês". Mesmo assim, aqueles dez espiões sem fé eram como guardas de fronteira para o restante do povo de Israel, que deu ouvidos a eles. As pessoas ha­viam criado na mente um grande inimigo e um deus pequenino, no qual não podiam confiar.

Aquela geração morreu no deserto.

A única conquista que alcançaram foi a de gerar filhos cuja fidelidade a Deus sobrepujaria a dos pais.

 

Poder à base de suor

Vamos adiantar a história em quarenta anos. De todos os homens daquela primeira geração sem fé, apenas dois sobreviveram. Quan­do os outros dez espiões verbalizaram a descrença, Josué e Calebe foram as duas vozes dissonantes e cheias de fé. Desta forma, Josué tornou-se o sucessor de Moisés para conduzir Israel, depois de tanto tempo, à Terra Prometida.

Embora Israel tivesse se decidido a deixar a zona de conforto, e embora também tivessem escolhido ignorar os guardas de frontei­ra, as coisas não haviam se tornado mais fáceis. Três dias antes do Dia D de Israel, Josué ordenou ao povo: "Provede-vos de comida, porque, dentro de três dias, passareis este Jordão, para que entreis na terra que vos dá o Senhor, vosso Deus, para a possuirdes" (Js 1:11).

"Como é que é?" eles devem ter pensado. "Deus nos deu mesmo a terra? Ou teremos de lutar para tomar posse dela?"

Deus havia prometido: "Eu lutarei por vocês." Então ele orde­nou a Israel que lutasse (v. Dt 1:30,41). Quem lutou: Deus ou Israel? A resposta é: ambos.

Apossar-se de novos territórios tem tudo a ver com Deus e tudo a ver conosco. E se deixarmos de fora qualquer uma das partes desta equação, nossos esforços serão em vão. Aqueles que pensam que devem deixar tudo na mão de Deus não alcançarão nada. E aqueles que acreditam que devem tomar conta de tudo podem jamais ver a mão de Deus em ação.

O trabalho que Deus nos dá para fazer geralmente é trabalho. Ele alargará suas fronteiras, mas você deve lutar para ocupá-la. Isso contraria o senso comum e errôneo de que, quando Deus está em alguma empreitada, ela não será difícil. Na realidade, ao aventu­rar-se sem Deus, muito provavelmente o que lhe aguarda no fim do caminho é fadiga, frustração e confusão. Deitado na cama, acorda­do, você se perguntará se deveria ter dito "sim" a Deus. De vez em quando, sentirá alegria que jamais acreditou ser possível, assim como solidão desesperadora.

Mas nunca estará sozinho. E Deus jamais será limitado. Um coração como o de Jabez abomina o vazio de uma vida "segura". Ele quer novo território, sabendo o quão difícil a jornada será, mas ansioso por ir, de qualquer maneira — com Deus.  

Como ele faz isso?

Espero que, a essa altura, você já acredite que é bom pedir a Deus que alargue suas fronteiras. Mas de que jeito são as respostas do Senhor a essa oração? O que ele faz em nós, e como saber quando nosso território está sendo expandido?

Vejo cinco maneiras básicas de Deus agir na maioria das instân­cias. Conforme as analisarmos, quero que você pense sobre sua vida, seus talentos, seus recursos e suas oportunidades. Como Deus pode agir através de você para fazer mais para ele?

Em primeiro lugar, Deus alarga suas fronteiras e aumenta o ta­manho de seu território, capacitando-o afazer algo diferente ou novo. Quando Jesus estava prestes a ascender aos céus, deixou a seguinte incumbência a seus discípulos: "Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusa­lém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra" (At 1:8). Perceba a progressão geográfica. Eles deveriam primeiro proclamar a Verdade em Jerusalém, o coração do judaísmo. De­pois, estenderiam seu alcance e fariam o mesmo em toda a Judéia, a região em volta. Mais adiante, na terra vizinha de Samaria. E, finalmente, por toda parte do globo.

Mais do mesmo em círculos cada vez mais amplos.

Suponha que você seja um voluntário que se dispõe a tutorar garotos da vizinhança em inglês como uma segunda língua. Se faz isso com uma dezena de jovens, por que não conversar com Deus, planejar uma festa e pedir a ele que envie 20 garotos para você? Se o Senhor enviar mais, você pode ter que gastar um pouco mais de tempo ou empreender algum esforço adicional. Mas é possível que provoque em muitos jovens um impacto capaz de durar a vida toda.

Deus conhece sua capacidade, e ele tanto será capaz de expandir seu território de tal maneira que sua capacidade seja suficiente quanto poderá aumentá-la.

Segundo, Deus alarga suas fronteiras e estende seu escopo, capa­citando-o a fazer algo novo. Certo dia, quando Jesus caminhava pelo mar da Galiléia, ele viu os irmãos Simão Pedro e André pes­cando. E eram bons naquilo. Afinal de contas, tinham crescido numa comunidade de pescadores. Com isso em mente, Jesus os convocou: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens" (Mt 4:19). E foi isso que eles se tornaram. Na verdade, em apenas um dia, Pedro ajudaria a promover um novo relacionamento entre três mil pessoas e Deus (v. At 2:41). Converse sobre uma mudança de atitude!

Deus não costuma causar uma mudança de 180 graus na vida de uma pessoa. Quando ele o faz, pode ser bastante desafiador. Mas se Deus está envolvido, ele segurará sua mão até o fim. Ele pode até revelar os talentos não desenvolvidos e dons que estavam adormeci­dos dentro de você o tempo todo.

O mais comum é que a nova direção que o Senhor dá tenha alguma relação com o que a pessoa já esteja fazendo. Voltando para o exemplo dos alunos, suponhamos que você ore por mais territó­rio. O que Deus deve fazer é enviar outras pessoas que dirão: "Não tenho idéia de como ensinar uma segunda língua, mas se for trei­nado, ficarei feliz de fazer parte de seu grupo." Além do tutorado em si, você passará a treinar tutores, provocando um impacto ainda maior em nome do Senhor.

 

Novas habilidades, nova abordagem

Terceiro, Deus alarga as fronteiras e apura suas habilidades, capacitando-o a fazer tudo melhor. Assista a uma aula. Leia um livro. Busque um mentor que compartilhe segredos adquiridos com a experiência. Foi assim que um músico norte-americano de origem irlandesa cha­mado Michael descobriu a oportunidade de tocar uma vida em nome de Deus.

Embora Michael tocasse muitos instrumentos, sua prática com a gaita-de-fole era limitada. Certa noite, ele tocava num bar quan­do um homem chamado Jim perguntou se Michael conhecia uma canção irlandesa em particular. Por acaso, era uma canção que ele aprendera havia pouco tempo, por isso ele começou a tocar. Ao ouvir a melodia triste, Jim começou a chorar, e procurou uma mesa num canto, em busca de mais privacidade.

Michael terminou a canção e dirigiu-se à mesa de Jim para con­versar. Descobriu que num mesmo dia, a apenas um mês antes, o homem havia perdido duas pessoas queridas: o pai, muito idoso, e seu melhor amigo, num acidente terrível. A música que Jim pedira era uma das favoritas de seu pai.

Michael percebeu que Deus estava abrindo uma porta através da habilidade musical que acabara de adquirir, e seguiu em frente, compartilhando o consolo e o amor do Senhor com aquele homem sofrido.2

O que você pode aprender a fazer ainda melhor para Deus?

Em quarto lugar, Deus alarga suas fronteiras e amplia sua estraté­gia, capacitando-o afazer alguma coisa de maneira mais eficaz. En­contramos um dos melhores exemplos disso em Êxodo 18:13-27. Logo depois de o povo de Israel ter sido libertado do Egito, o sogro de Moisés, Jetro, retribuiu uma visita. Ele foi ao deserto para ver por si mesmo a grande nação que o genro estava guiando e ouvir as histórias dos feitos poderosos do Senhor. No dia seguinte à sua chegada, Jetro ficou espantado ao ver Moisés sentado da manhã à noite, mediando uma contenda após a outra entre o povo.

Naquela noite, Jetro puxou Moisés para um canto e disse: "O que acha que está fazendo? Se você continuar cuidando disso sozi­nho, tanto você quanto essa gente toda se desgastarão."

Ele aconselhou Moisés a escolher homens sábios e dignos de confiança, a quem poderia delegar a maioria das causas mais sim­ples. Assim, cuidaria pessoalmente apenas das disputas maiores. Moisés compreendeu a sabedoria da nova estratégia e implementou as mudanças imediatamente. Agindo daquela maneira, foi capaz de atender às necessidades das pessoas com mais eficácia, além de disponibilizar mais tempo para orar pelo povo e ensinar a Lei de Deus.

Se seu método não está funcionando — ou, pelo menos, não como gostaria que estivesse —, mude-o! Não mantenha a mesma ro­tina apenas porque sempre fez tudo daquele jeito. Ore por sabedoria. Peça sugestões das outras pessoas. Troque idéias. Tente alguma coisa nova. Se não funcionar, você pode voltar à sua estratégia original ou experimentar outras diferentes. Provavelmente descobrirá que pode alcançar resultados ainda melhores com menos esforço.

 

Investimentos Estratégicos

Em quinto e último lugar, Deus alarga seu território ao proporcionar ainda mais significado, capacitando-o a fazer algo com maior poder de influência. Certa vez, perguntei a um homem o que ele fazia para servir a Deus. Ele me disse que havia sido abençoado com o dom de ajudar pessoas de maneira bem prática, nos bastidores. Mas ele tam­bém explicou como Deus havia começado a expandir seu território.

Inicialmente, ele estava bem feliz por emprestar recursos a qual­quer um que pedisse. Aí, sentiu-se inspirado a pedir a Deus que começasse a enviar outras pessoas dispostas a servir, as quais tam­bém estivessem exercendo papéis estratégicos de liderança — gente de Deus, com grande influência sobre inúmeras pessoas. Ele queria oferecer apoio a essas pessoas influentes, de maneira a torná-las ain­da mais eficientes.

E Deus as trouxe. Aquele homem ainda está vivendo seu sonho, fazendo aquilo que sempre gostou de fazer, mas agora exercendo um impacto ainda maior e eterno através de sua vida.

Ninguém é mais importante do que os outros. Mas Deus dotou algumas pessoas de maior influência (v. Gn 41:39,40). E algumas oportunidades constituem melhores investimentos do que outras. Eu o encorajo a pedir a Deus: "Por favor, mostra-me como usar minha vida para exercer o impacto mais profundo e estratégico". E depois, veja o que o que o Senhor faz.

Prometo que nunca mais se sentirá entediado novamente.

 

 

 

Capítulo Sete

 

a oração por território:

colocando em prática na vida

 

Não estou lhe pedindo que seja tolo; apenas que confie em seu Deus deforma

extraordinária e jubilosa. Ele quer que você conheça a verdade a respeito dos planos dele para você hoje: "Meus planos para você são apenas bons. O que desejo para você é maior do que qualquer coisa que já viu até agora. E pode confiar em mim completamente!'

A oração de Jabez Devocional

 

 

Sentado na cela, olhos fixos na parede, Ryan sabia que a única coisa que lhe restara era a fé em Deus. Uma condenação por incêndio criminoso poderia mantê-lo na cadeia por muitos anos. E a desculpa que ele dera para explicar porque tocara fogo no prédio de escritórios — estava bêbado, não tinha a intenção — provavel­mente não despertaria qualquer simpatia por parte do juiz.

Naquele momento, Ryan quebrantou-se e entregou a vida a Deus.

A sentença acabou sendo mais branda do que ele esperava: seis meses de tratamento por alcoolismo e depois um ano de cadeia.

Conforme o tempo no presídio passava, Ryan começou a nu­trir a esperança de que poderia fazer alguma coisa importante para Deus. Durante as primeiras semanas, dedicou boa parte do tempo ao estudo de sua Bíblia. Passado um mês, deu início a uma reunião de oração entre os detentos de seu bloco, e em seguida passou a fazer estudos bíblicos.

Certa vez, Ryan começou a orar para que o Senhor alargasse suas fronteiras. Naquele mesmo dia, ele foi o único convidado, en­tre os 160 detentos de seu bloco, para se encontrar com um pastor da região e os diretores da prisão e participar de um estudo bíblico especial. Por três horas, o pastor ensinou a Ryan e aos outros as habilidades necessárias para extrair a verdade da Palavra de Deus. A visão que o detento tinha das Escrituras foi transformada.

Com entusiasmo renovado, ele voltou à cela e começou a usar seu novo treinamento para ensinar a verdade bíblica aos compa­nheiros detentos, ao mesmo tempo que mostrava a eles como estu­dar a Palavra por conta própria. Seu ministério prosperou, e logo ele conduzia outros homens a relacionamentos novos e mais pro­fundos com Deus.:

 

Pessoas comuns, vidas extraordinárias

Não importa qual seja a sua situação ou quão tenebrosa seja a sua história, Deus quer usá-lo no cumprimento de seu grande plano. Clame por ele, e o Senhor alargará poderosamente suas frontei­ras, onde quer que você esteja, seja quem for.

O sonho que Deus nos dá pode parecer grande demais. Mas se ele realmente é dado pelo Senhor, então é realizável. Embora possivelmente nunca tenhamos nos encontrado, posso fazer es­sas declarações com segurança porque Jesus fez a promessa: "Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século' (Mt 28:20). Aonde quer que formos, sua presença poderosa e constante irá conosco.

Ao longo dos anos, tenho sido abençoado com muitos amigos maravilhosos cuja compreensão do Grande Sonho de Deus para a vida ilumina muito mais do que jamais consegui. Costumava di­zer que esses homens e mulheres pertenciam a uma categoria espe­cial, separada do restante de nós, meros mortais. Mas conforme os conhecia melhor, aprendi que eram pessoas comuns, como eu e você.

A diferença? Essas pessoas especiais tinham o hábito de pedir a Deus que as permitisse fazer mais para ele.

O pedido delas não era somente algo passageiro, fugaz. Era uma paixão contínua — uma paixão que haviam pedido a Deus para colocar no coração. Como você acha que Deus se sente quan­do seus filhos o buscam e pedem: "Por favor, faz o que quiseres para que eu te sirva melhor"? Seu coração se enche de alegria!

Portanto, é hora de começar a falar a respeito da aplicação prá­tica da oração por território. Nas próximas páginas, analisaremos seis diretrizes que nos ajudarão a fazer isso com mais eficácia.

 

Oração e diligência

Primeiro — e pode até parecer óbvio —, ore sinceramente por mais território. Faça deste um hábito diário. Você já leu a respeito, mas não pare aí. Comece a orar!

Segundo, fale de seu compromisso à sua família e seus amigos. Quando Deus começar a responder às suas orações, sua vida nunca mais será a mesma. Por isso, ajude as pessoas à sua volta a enten­der as mudanças que verão em sua vida. Além disso, consideran­do que não fomos criados para crescer em isolamento, também é necessário encontrar alguém que possa nos encorajar naqueles fomentos nos quais somos tentados a perder o sonho de Deus de vista.

Terceiro, aprenda a reconhecer os "momentos Jabez". Mantenha-se antenado o tempo todo para não deixar passar despercebidas as oportunidades divinas, através das quais poderá tocar uma vida ou fazer alguma coisa para que os propósitos de Deus se cumpram. Continue pedindo a Deus: "O que vem por aí?"

Burton, um investigador de polícia que trabalhava no Estado da Califórnia, costumava orar por oportunidades como essas. Por isso, estava sempre pronto quando elas surgiam.

Seu novo chefe organizou uma conferência de três dias para estabelecer harmonia dentro do departamento. A sessão de abertura incluía muitas despercebidas as atividades do tipo quebra-gelo, uma das quais consistia numa espécie de jogo de auditório em que os participantes deveriam adivinhar as identidades de colegas a partir de fatos pouco conhecidos de sua história pessoal.

Quando surgiu na tela a pergunta: "Qual funcionário tem for­mação teológica?", Burton pensou: "Quem poderia saber disso?" Com um pouco de ajuda, o homem sentado na berlinda respondeu cor­retamente o nome de Burton.

Naquele ponto, muitos cristãos na mesma situação que Burton poderiam tentar sumir, constrangidos por ser identificados como "religiosos". Mas não Burton. Ele se valeu da oportunidade. Bom­bardeado com perguntas durante o intervalo, ele falava com entu­siasmo para os colegas curiosos. Por todo o fim de semana, ele teve a oportunidade de falar livremente a respeito de Deus com muitas das 150 pessoas que participaram da conferência.

Atualmente, Burton é considerado o capelão informal de seu departamento, tudo por causa de uma simples dinâmica de gru­po. E porque ele estava pronto quando Deus abriu a porta.3

 

Fé flexível

Quarto, aceite as oportunidades de servir, mesmo que elas levem colo­quem sua fé à prova. Não fuja. Fique atento aos territórios que pode conquistar somente por confiar em Deus. Sente-se sem con­dições de fazer isso? É porque realmente não tem. Deus é aquele que dá as condições necessárias (v. 2Co 3:5). Você crescerá na fé quando permitir que ele demonstre, através de sua vida, como é poderoso.

Ao abordar essa questão, gostaria de falar diretamente para uma categoria especial de pessoas — àqueles que não se acham mais úteis. Refiro-me aos que estão na última estação da vida.

Amigos, ainda há muito chão pela frente. Por que jogar fora esses anos nos quais poderiam não apenas caminhar ou correr, mas também acelerar para chegar bem na reta final?

Eu já mencionei dois homens de fé que sobreviveram à incredu­lidade da primeira geração de israelitas e tiveram o privilégio de entrar na Terra Prometida. Josué era um, e Calebe era o outro.

Muitos anos depois do início do processo de conquista, quan­do Israel controlava a maior parte das novas terras, Calebe encon­trou-se com Josué, e os dois apontaram para uma fortaleza nas montanhas, ainda ocupada pelo povo perverso de Canaã. Ele dis­se: "Já agora, sou de oitenta e cinco anos (...) Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o Senhor, porventura, será comigo, para os desapossar, como pro­meteu" (Js 14:10,12).

Calebe tinha 85 anos de idade! E ele ainda queria conquistar mais para Deus!

Se você já se aposentou, pode não perceber que sua aventura continua. Pense apenas nos recursos de que dispõe! Tempo, sabedo­ria e experiência.

E um Deus poderoso.

 

Oriente seus dons e glorifique a Deus

A quinta diretriz prática na oração por território é esta: reveja as prioridades de sen tempo, de seus talentos e de seus recursos financeiros. Pegue exatamente os mesmos recursos que está usando para outros propósitos e use-os tão bem quanto possível para Deus.

Certa vez eu conversava com o vice-presidente de marketing de uma grande empresa de Atlanta, e perguntei a ele: "Você já usou suas habilidades profissionais no ministério?"

Ele não entendeu muito bem o que eu queria dizer, por isso o inquiri a respeito de sua igreja. Ele me disse que havia trezentos membros em sua congregação. Então perguntei: "Você pode usar suas habilidades em marketing para duplicar o número de pessoas de sua igreja em três meses?"

"Sem dúvida", ele respondeu, sem hesitar. "É simples. Eu pode­ria elaborar um plano de marketing para atrair trezentas pessoas para a igreja com facilidade. Onde trabalho, uma tarefa como essa seria tranqüila. Mas nunca imaginei usar meus talentos profissio­nais aqui na igreja."

E que tal os dons, os recursos e as oportunidades que Deus lhe colocou nas mãos? Como eles poderiam ser usados para os propósi­tos do coração de Deus?

Em sexto lugar, e finalmente, construa a reputação de Deus dando abertamente a ele o crédito. Quando Deus fizer alguma coisa grande em sua vida, tire o foco de você e aponte os holofotes para o Senhor. Ao contar as coisas que ele realiza, ajudará outras pessoas a encon­trar alegria e motivação para confiar ainda mais em Deus.

 

Tome posse do sonho de Deus

Lembro-me de um evento singular do ministério Promise Keepers [Guardiães da Promessa] no qual tive o privilégio de falar. O cená­rio era um enorme estádio aberto em Fresno, na Califórnia, com acomodações para 45 mil pessoas sentadas. Cheguei cedo e cami­nhei pelo estádio. Imediatamente, senti-me envolvido pela sensação do poder e da presença de Deus, e disse a mim mesmo: "O Senhor vai fazer um milagre de verdade hoje."

Mas eu não tinha certeza do que aconteceria. Então vi um gru­po de pessoas sentadas, orando juntas na arquibancada. Fui até lá e sentei-me atrás deles até que terminassem, e disse ao homem mais perto de mim:

— Amigo, senti a presença de Deus aqui. E você?

— Sim — ele disse, — todos nós sentimos.

— Você sabe por que foi tão forte? — perguntei.

—  Bem — ele disse, — quando soubemos que os Promise Keepers viriam a Fresno, pessoas de 75 igrejas diferentes começaram a se encontrar todas as sextas-feiras à noite por uma hora e meia, durante um ano. Orávamos para que Deus movesse as pessoas de nossa região e muitos homens pudessem experimentar mudança de vida revolucionária.

Naquela noite, as reações foram tais que nenhum esforço huma­no poderia explicar. Quando desafiados a renovar seu compromisso com Deus, milhares e milhares de homens lotaram completamente o campo no meio do estádio, e eles continuavam chegando, a ponto de encher todos os corredores até o topo. Deus operou de forma grandiosa porque seu povo orou: "Senhor, alarga nossas fronteiras." Agora me acompanhe e tenha um breve vislumbre de outro encontro bem maior. Na eternidade. O estádio de Fresno, lotado com dezenas de milhares de homens, será apenas uma gota no ocea­no de pessoas que veremos no Paraíso:

 

Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.

Apocalipse 7:9,10

 

Deus nos mostrou como nossa história termina: com uma multidão incontável, vinda de todas as nações da Terra, clamando alegremen­te ao Senhor. Que parte dessa grande massa estará lá por sua causa? Que parte do sonho de Deus está diretamente relacionado com o seu destino?

Pense só na diferença que você poderia fazer em muitas e muitas vidas se você orasse apaixonadamente e com fervor por fronteiras alargadas por Deus e para Deus. Imagine a parceria milagrosamen­te divina que surgiria de sua petição. "Permita-me realizar mais por ti." Com o poder infinito do Senhor e sua disposição, Deus pode literalmente fazer qualquer coisa (v. I Co 6:19,20 e Ef 2:8-10).

Ao olhar para os eventos narrados na Bíblia e em certos perío­dos da História, vemos grandes façanhas realizadas para Deus atra­vés das mãos de pessoas que podem ser chamadas "gigantes da fé". Mas o único gigante em cada episódio era Deus, e ele não mudou.

Em cada uma daquelas oportunidades, o Senhor usou gente absolu­tamente comum, e ainda faz o mesmo hoje, em nossa geração.

Depois que sua jornada chegar ao fim, você se apresentará diante do trono de Deus com tudo que ele confiou aos seus cuidados. Na­quele dia, por ter orado com ousadia por um ministério com maior poder de impacto, e por ter dado um passo corajoso, a despeito de seus medos, experimentará uma alegria eterna, intensificada pelo conhecimento de que as pessoas estão lá por causa de sua oração. Então, receberá uma recompensa que sequer podemos começar a compreender.

E o Senhor sorrirá para você, dizendo: "Bom trabalho."

 

 

Parte iii

 

o poder de Deus

 

 

Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Ohl Tomara que me

abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e

me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!

E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.

I Crônicas 4:10

 

 

Um testemunho de gente de oração


"Uma oferta que não podíamos recusar"

POR JIM  E  CaROL  SMITH

 

 Nosso amigo Larry George é um banqueiro aposentado — um homem de grande compaixão e de fé ainda maior. Em 1993, seguiu a direção do Senhor e comprou um imóvel em Port Moresby, na Papua Nova Guiné. Lá ele fundou a Missão Port Moresby, ofere­cendo assistência emergencial para crianças de rua.

Quando deixamos nosso lar na Austrália para trabalhar com Larry, encontramos cerca de 120 jovens vivendo no pequeno pré­dio. Aqueles garotos recebiam temporariamente da missão comida e abrigo, mas comparado com as reais necessidades, sabíamos que era como colocar um esparadrapo numa artéria aberta.

A equipe da missão orou por sabedoria. O Senhor deu a Larry a visão de criar uma escola profissionalizante e de agricultura, e conseguimos comprar um sítio fora de Port Morsby. Não apenas oferecíamos comida e abrigo, como também ensinávamos algu­mas habilidades aos jovens — como leitura, redação, agricultura e criação de animais — que pudessem mantê-los fora das ruas.

Na primavera de 2001, nos deparamos com A oração dejabez. Ficamos perplexos com a simplicidade e começamos a pedir ao Senhor por uma expansão de nosso trabalho em Port Moresby, algo de que precisávamos muito. No espaço de alguns dias, um benfeitor anônimo doou à escola o dinheiro necessário para der­rubar o prédio antigo e construir um novo que atendesse à demanda.

O Senhor também colocou em nosso coração o desejo de co­meçar um abrigo para moças. Oramos ainda pela abertura de uma clínica para crianças vítimas de abuso.

Nosso benfeitor soube de nossas necessidades e nos orientou a começar a procurar um imóvel adequado a nossos propósitos. O único que conseguimos encontrar foi um prédio na área mais no­bre da cidade, avaliado em um milhão de dólares — o dobro do que nosso benfeitor nos havia oferecido.

A equipe se uniu em oração.

— Acho que devemos fazer uma oferta de 491 mil dólares — informou Larry, de forma bem objetiva.

— De onde você tirou esta conclusão? — perguntou um mem­bro da equipe, sem entender.

— Do capítulo e do versículo que são as referências da oração de Jabez: l Crônicas 4:9,10 — respondeu Larry. — Sinto que esta é a quantia que o Senhor quer que ofereçamos.

Então, Larry fez a oferta, e nós continuamos orando.

Pela intervenção milagrosa de Deus, nós conseguimos! Nosso benfeitor deu o dinheiro, e a missão mais uma vez alargou suas fronteiras.

Assim, contratamos um carpinteiro experiente que hoje trei­na nossos meninos na arte da carpintaria. Eles estão produzindo toda a mobília dos novos centros de atendimento para mulheres e para moças.

Os rapazes estão muito entusiasmados com as novas habili­dades que estão aprendendo. Há mais deles deixando a Missão porque conseguiram emprego do que os que estão voltando para as ruas! Estamos alimentando o corpo e a mente daqueles jovens, e eles saem de lá com uma paixão por Deus no coração.

Embora Papua Nova Guiné esteja enfrentando um grande tu­multo político, nós da Missão Port Moresby continuamos a expe­rimentar a mão do Senhor sobre nosso trabalho. Continuamos orando a oração de Jabez, e temos sido abençoados além do que podemos medir.

 

 

Capítulo Oito

 

A mão de Deus:

UM OLHAR MAIS APURADO

 

Os Sonhadores que conheço e que estão mudando o mundo conhecem um segredo: Deus anseia por se mostrar forte para os Sonhadores que assumem riscos de fazer o que Ele quer que seja feito.'

O DOADOR DE SONHOS

 

 

Imagine-se escalando uma montanha que está muito além do seu nível de experiência.

E você trava.

Agarrando-se desesperadamente a míseros grampos e fendas, descobre que não é capaz de seguir adiante ou descer. Seus braços e pernas começam a tremer sem controle. Você não sabe quanto tem­po mais vai conseguir agüentar.

Aí seu guia — um alpinista bastante experiente — alcança e agarra a sua mão. Sua coragem é renovada ao ouvir a voz tranqüilizadora: "Está tudo bem. Eu o peguei. Basta segurar aqui. Faça uma forcinha para subir. Muito bem".

Ainda agarrado à mão do guia, você consegue alcançar uma base segura.

Puxado pela força do alpinista experiente, finalmente alcança o cume, sabendo que, sem a ajuda de seu guia, nunca teria conseguido.

É dessa forma que experimentamos o auxílio da mão de Deus em nossa vida. Mas preste atenção: a mão de Deus geralmente entra em ação somente para aqueles que escalam montanhas.

Depois que alguém começa a pedir pelo alargamento de suas fronteiras, verá que as oportunidades para o ministério se multipli­carão, e o sonho começará a se transformar em realidade. Seu terri­tório (sua esfera de influência) será expandido para bem além de sua zona de conforto, derrubando os guardas de fronteira. De re­pente, essa pessoa se surpreenderá enfrentando um desafio que sabe ser humanamente impossível.

É neste momento que ela está preparada para a parte 3 da ora­ção de Jabez: "Que seja comigo a tua mão" (l Cr 4:10). Em essência, essa passagem bíblica está dizendo: "Senhor, não sou capaz de fazer isso. Se tu não colocares tua mão sobre mim, eu fracassarei."

Já se sentiu assim? Deus já levou você a uma situação em que seus maiores esforços estão fadados a fracassar, a não ser que ele o ajude? Infelizmente, muita gente nunca' chegou nesse ponto por­que jamais se aventurou a ir além de sua área de segurança. Pessoas assim raramente vêem Deus operando com poder em suas vidas. Isso quando vêem.

A mão de Deus entra em ação quando ousamos dar um passo além de nossa zona de conforto para servi-lo. É por isso que sua mão de poder surge para aqueles que aprenderam a orar: "Senhor, permita-me fazer mais por ti — muito mais! Mostra-me teu gran­de sonho para minha vida."

Quando nos lançamos nessa aventura de fé, descobrimos a liberdade de amar e servir a Deus. Nesse momento, não estamos apenas lendo a respeito da vida extraordinária de outra pessoa, ou assistindo ao cumprimento de suas promessas. Estamos viven­do essa realidade!

 

O TERCEIRO PEDIDO DE JABEZ

O que Jabez queria dizer quando pediu: "Que seja comigo a tua mão"? Vamos olhar mais de perto os dois componentes desta petição.

Primeiro, a "mão" de Deus significa o poder de Deus. Quando a mão do Senhor é mencionada na Bíblia, nós o vemos realizando algo muito poderoso. Por exemplo, foi a mão de Deus que dividiu o mar Vermelho e, mais tarde, o rio Jordão para que os filhos de Israel os cruzassem (v. Js 4:23,24). Quando os filisteus roubaram a Arca da Aliança de Deus, a mão do Senhor trouxe julgamento sobre eles na forma de enfermidade e destruição terríveis (v. l Sm 5:9-11).

No hebraico do Antigo Testamento, há duas palavras diferen­tes para "mão". Uma se refere à mão fechada., e a outra à mão aberta — esta, significando que o poder de Deus não é retido, mas liberado, geralmente de forma imediata. Em sua oração, Jabez pronunciou a palavra usada para a mão aberta. Ele estava pedindo ao Senhor: "Por favor, libera teu poder grandioso aqui e agora".

Como segundo componente de seu pedido, Jabez pediu que a mão de Deus fosse com ele. Em outras palavras, queria que o Se­nhor agisse em seu benefício — não em qualquer direção ou com um propósito qualquer, mas em favor do próprio Jabez, com o propósito de capacitá-lo a administrar seu novo território.

Tendo essa compreensão em mente, vamos analisar com mais profundidade os cinco elementos distintivos deste conceito: ter a mão de Deus conosco.

 

Milagres com o coração

Primeiro, a mão de Deus não é simplesmente seu poder, mas também sua pessoa. Quando oramos por poder, devemos lembrar que não estamos conversando com uma máquina ou alguma força impes­soal. Ele é o nosso pai. E quando Deus age em nosso benefício, não faz isso à distância. Ele se faz presente em pessoa, envolvendo-se bem de perto conosco e interessando-se por nossas preocupações.

Segundo, a mão de Deus não é apenas resultado da ingenuidade humana, mas a própria intervenção divina. A mão do Senhor surge em nosso mundo — em nosso tempo e nosso espaço — e realiza sua vontade de tal forma que só nos resta sacudir a cabeça admira­dos e dizer: "Olha só o que Deus fez!"

Terceiro, a mão de Deus não é natural, mas sobrenatural, e por isso faz o que apenas o Senhor pode fazer: o milagre.

Permita-me esclarecer o que quero dizer com a palavra "mila­gre". Algumas pessoas acreditam que milagres ocorrem quando Deus realiza uma ação que quebra as leis da natureza. Mas as Escrituras Sagradas mostram que o Senhor operou muitos de seus milagres comandando poderosamente as forças naturais, e não as anulando. Por exemplo, quando Jesus ordenou à tempestade que acalmasse (v. Mt 8:23-27), ele acelerou sobrenaturalmente o tempo até o mo­mento em que a calmaria aconteceria, de qualquer forma. Nenhu­ma lei natural foi quebrada, e mesmo assim foi algo que só Deus poderia fazer. Um milagre.

Alguns milagres realmente quebram as leis da natureza. Mas Deus opera com mais freqüência em harmonia com ela. Reconhecemos essas ações como milagres porque elas por acaso acontecem como resposta às nossas orações, no tempo perfeito do Senhor.

 

Milagres com propósito

Quarto, a mão de Deus não é orientada por nossos desejos, mas por sua vontade. O Senhor sempre faz o que escolhe fazer. Ele é bom, nossos desejos e sua vontade geralmente coincidem, e por isso ele realiza com freqüência o que pedimos.

Por outro lado, às vezes descobrimos que nossos desejos — mesmo os mais puros — podem estar em desacordo com a vontade de Deus. Ele não se importa que expressemos tais desejos, pois quer sempre ouvir a expressão mais honesta de nossos corações, Mas sem­pre fará o que quer, porque a vontade de Deus é a melhor e mais sábia. E ele sempre é bom.

 

Milagres com impacto

A quinta e última distinção: a mão de Deus não pode ser percebida por sensações, mas por ações. Há quem ore pelo poder do Senhor e não creia que ele esteja em ação porque não consegue sentir alguma coi­sa. Pessoas assim esperam sentir alguma emoção especial ou algum tipo de sensação física, e quando isso não acontece, perdem a fé e acham que Deus não está agindo.

Quando o Senhor atua, às vezes, sua presença é quase palpável. Em outras, ele age com poder, mas não conseguimos notar nada fora do comum.

A única constante líquida e certa quando a mão de Deus age são as ações. O movimento de sua mão sempre resulta em uma trans­formação miraculosa. Seja operando na dimensão pessoal ou nas circunstâncias, a mão do Senhor gera mudança no jeito que as coi­sas são, não necessariamente no que sentimos.

 

Milagres modernos

Em páginas anteriores, analisamos alguns conceitos errados que surgiram sobre a oração por bênçãos desde o lançamento de A ora­ção de Jabez. Agora quero abordar três equívocos sobre a oração por poder. Ao fazermos esta análise, note como é sutil, mas signifi­cativa, a diferença entre o erro e a verdade.

 

Engano número 1

Apenas as pessoas da Bíblia puderam experimentar a ação da mão de Deus.

 

Lembro de, anos atrás, ler as histórias da Bíblia e biografias espiri­tuais de grandes homens e mulheres de Deus, ansiando por passar pela experiência de ver a mão de Deus em ação! Eu orava continua­mente: "Senhor, por que tu não me permites ver teu grande poder sendo liberado? Por que não posso vivenciar isso, e não apenas ler a respeito?"

Fico feliz por dizer que minhas dúvidas não impediram que Deus respondesse à minha oração.

Há alguns meses, encontrei-me com um grupo de centenas de alunos universitários de doze países. A reunião ocorreu na noite da última terça-feira de um longo trabalho na Suazilândia que durou um mês, período em que aqueles jovens passaram uma semana in­teira visitando cada escola secundária para ensinar o princípio da abstinência sexual como método básico para a prevenção do hiv. Era impressionante ouvir os estudantes enquanto contavam com entusiasmo ardente as histórias notáveis e até milagrosas daquilo que Deus fez durante aqueles dias.

Quando chegou minha vez de falar, compartilhei uma grave pre­ocupação que afligia nossa organização humanitária de orientação religiosa, a Dream for África. Nos concentramos no recrutamento de dez mil voluntários que iriam dos Estados Unidos para a África no ano seguinte, mas ficamos sabendo pelas companhias aéreas que a organização dessa viagem seria problemática. Por isso pedi aos universitários que se unissem a nós e orassem para que Deus provi­denciasse um jato 747 (o Jumbo) para a Dream for África.

Gargalhadas ecoaram pela sala quando os estudantes balança­ram a cabeça, incrédulos.

"Permitam que eu lhes faça uma pergunta", eu disse àquele gru­po, assim que o riso cessou. "Digamos que vocês ficassem sem di­nheiro e precisassem de recursos para comprar comida. Aí vocês oram e pedem a Deus que lhes supra a necessidade, como ele prome­teu. Ou então, que vocês ficassem sem reservas de avião e precisas­sem de um 747 para trazer milhares de voluntários até a África. Aí vocês oram e pedem a Deus que lhes supram a necessidade, como ele prometeu. Qual das duas coisas seria mais difícil para Deus? A comi­da ou o avião. Será que ele diria: 'Quanto à comida, não tem proble­ma, e talvez eu consiga um carrinho popular de quatro ou cinco lugares. Mas um Jumbo, vocês devem estar brincando.'?"

O silêncio na sala denunciou aos universitários a raiz de sua incredulidade. Uma coisa não era mais difícil do que outra para Deus. O Senhor simplesmente desconhece a palavra difíciíl

Dois dias depois, à meia-noite, meu telefone tocou. Era um amigo ligando dos Estados Unidos. Ele disse que uma empresa que queria permanecer incógnita decidira arranjar um 747 para o Dream for África.

A verdade é que a mão de Deus ainda está disponível para nós. Mesmo assim, muita gente na Bíblia pensava que o poder do Senhor não podia ser mais invocado em seus dias. Gideão, por exemplo, viveu num período sombrio e confuso da história de Israel — uma época durante a qual o povo escolhido de Deus havia se desviado de sua fé. De fato, a mão poderosa do Senhor estava em ação no meio deles, punindo-os ativamente ao permitir que os midianitas os opri­missem. Deus queria despertar seu povo da desobediência e trazê-lo de volta à sua presença.

Certo dia, o anjo do Senhor apareceu a Gideão e disse: "O Se­nhor é contigo, homem valente" (Jz 6:12).

Gideão teve que disfarçar uma risada cínica ao ouvir aquilo. Ele respondeu: "Se o Senhor é conosco, por que nos sobreveio tudo isso? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram?" (v. 13).

E assim Deus convenceu aquele jovem desiludido, através de uma série de milagres, de que ele ainda estava presente e era podero­so no meio de seu povo. Gideão liderou um reavivamento em Israel, e, com sua fé renovada, as pessoas começaram a clamar pelo Senhor. O resultado disso foi o privilégio de, mais uma vez, ver a poderosa mão de Deus intervindo na História ao resgatar milagrosamente o povo do inimigo que o oprimia.

Assim como Gideão, muitos hoje dizem: "Por que não vemos os milagres? Tudo que temos são histórias doassado." Essas pessoas nunca experimentaram a mão poderosa de Deus na vida de cada um. Talvez jamais tenham se aventurado a ir além de sua zona de conforto em nome do Senhor.

Viciados em sua própria segurança, não vêem necessidade de pedir a Deus que opere com mão de poder.

Assuma o risco e dê uma chance a Deus. Peça a ele que coloque a mão sobre sua vida e dê um passo de fé. Ele responderá. Mesmo em nossos dias.

 

Fique no caminho

Quando eu explicar o próximo conceito equivocado, você pode ficar na dúvida se estamos lendo a mesma Bíblia. Mas acompanhe meu raciocínio.

 

 

 

Engano número 2

Você precisa entregar o controle completo a Deus para experimentar a ação da mão poderosa dele.

 

Sim, você leu corretamente. Esse é um engano, uma meia-verdade. Vou explicar o que quero dizer.

Uma escola de pensamento, à qual muitos cristãos genuínos aderem, está embasada num desejo ardente de ser usada por Deus (o que é bom) e no reconhecimento de que não podemos alcançar nada significativo sem que o Senhor esteja junto (o que é verdade). "Sou limitado e pecador", é o argumento. "O melhor é eu sair do caminho para não impedir que Deus trabalhe em minha vida."

Assim, esses discípulos sinceros de Cristo concluem que, se ren­derem a mente e corpo ao controle completo do Espírito Santo, Deus operará mais de seu poder. Soa interessante, mas alguns erros sutilmente penetram em nosso pensamento e nosso comportamen­to por conta disso.

A Bíblia ensina de forma clara que devemos submeter tudo à vontade de Deus, mas em lugar algum afirma que devemos renegar o discernimento e o autocontrole. O discernimento nos foi dado exatamente com o propósito de determinar quais mensagens e ações têm origem divina e quais não. Quanto ao autocontrole, Gaiatas 5:23 diz que o domínio próprio é um dos frutos da obra do Espírito Santo em nossa vida. Em outras palavras, o autocontrole é uma evidência da presença do Espírito! Nunca busque o poder do Senhor renunciando seu autocontrole, seja ele físico ou mental, pois a mão de Deus demonstra seu poder através da obra do Espírito Santo, que por sua vez se evidencia no autocontrole.

Por mais que sua mente seja dominada pelas preocupações, Paulo explica que nossa responsabilidade é levar "cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (2Cr 10:5). Isso não quer dizer que se deva esvaziar a mente ou renunciar ao controle sobre o que se pensa. Ao contrário, significa exercer o autocontrole sobre cada pensamento que passa pela mente.

A verdade é que, para a mão de Deus operar através de sua vida, você precisa exercer controle sobre seu corpo e sua mente com a força que ele dá. Somos instrumentos inteligentes na mão do Senhor. Ele deliberadamente dotou-nos de personalidade, uma mente e vontades, de modo que possa usar essas características para realizar sua obra.

Continue pensando. Mantenha o discernimento. Não deixe de /ar decisões tão sábias quanto possível, sempre sob a dependen­te Deus, e ele usará sua vida através de seus pensamentos e de seu auto-controle.

 

ELE É A FONTE

Digamos que você tenha experimentado a mão de Deus operando (maneira poderosa em sua vida durante determinado período.Mal consegue acreditar em tantos milagres! Essa é a situação na qual nos tornamos especialmente vulneráveis a um terceiro conceito equi­pado a respeito da mão do Senhor.

Em algum momento, podemos ser intimidados pelo contraste entre as conquistas que vemos agora e o quão pouco foi realizado nos primeiros dias de nossa fé. O erro se manifesta quando se começa a pensar: "Sou mais poderoso hoje do que costumava ser". Neste pon­to, sucumbimos ao terceiro engano.

 

 

 

Engano número 3

Quanto mais Deus o usa, mais você obtém poder espiritual.

 

Simão Pedro teve de confrontar esse mesmo erro certo dia em Jeru­salém, quando ele e João encontraram um homem coxo imploran­do esmolas no portão do Templo. Em resposta à fé, a mão de Deus operou através deles para curar as pernas do mendigo. A notícia do milagre espalhou-se com rapidez, e as pessoas vieram correndo de todas as partes.

A multidão estava maravilhada. Atônita. Cheia de admiração.

Mas eles não entenderam direito o que estava acontecendo. Os espectadores pensavam que eram Pedro e João que haviam realizado aquele grande feito.

Assim que percebeu o problema, Pedro falou à multidão: "Israelitas, por que vos maravilhais disso ou por que fitais os olhos em nós" — preste atenção nisso — "como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? Pela fé em o nome de Jesus, é que esse mesmo nome fortaleceu a este homem" (At 3:12,16).

Pedro estava dizendo, em primeiro lugar, que ele, por si mes­mo, não possuía qualquer poder para curar. Nenhum poder! Pedro, o apóstolo de Cristo, não tinha mais habilidades sobrenaturais do que Pedro, o pescador.

O mesmo vale para nós. Certamente acontecem algumas mu­danças surpreendentes quando começamos nossa nova vida em Cristo. Nos é dado um novo coração por Deus, e o Espírito Santo passa a viver dentro de nós. Incrível! Mas continuamos a ser apenas humanos, não sobre-humanos. Quando os milagres acontecem em sua vida, a diferença não tem a ver com quem somos, mas com quem está conosco e em nós (v. At 15:12).

E não deixe escapar o segundo elemento que Pedro mencionou. Certas pessoas pensam que, quanto mais piedosas elas se tornam, mais poder terão. Pedro sabia que o grau de piedade não determi­nava se ele teria mais ou menos poder. Sendo piedosos ou não, seu poder continua sendo o mesmo. A mão de Deus pode operar, e o faz, através do piedoso, do ímpio e até do carnal. Uma passada de olhos nas Escrituras Sagradas é o suficiente para chegar a essa constatação.

A verdade é que a mão de Deus, não a nossa piedade, gera poder em nossa vida.

O que a piedade faz por nós? Faz com que nosso caráter se pare­ça mais com o de Cristo. E isso nos leva para mais perto do Deus dos milagres.

O Senhor certamente pode fazer qualquer coisa que deseja, usan­do qualquer pessoa, sendo ela piedosa ou não. Mas como veremos no próximo capítulo, o que Deus gosta mais é de colocar a mão sobre seus filhos — em especial aqueles que anseiam por ser instru­mentos piedosos de seu poder.

 

  

Capítulo Nove

 

A mão de Deus:

INDO MAIS FUNDO

 

Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes (...) para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.

I Coríntios 1:27,3 1

 

 Uma chicotada mental. Que maneira melhor de descrever a experiência dos discípu­los de Jesus ao ver aquele acontecimento revolucionário que se descortinava diante deles? Uma hora antes, estavam lamentando a morte do Messias. Com ele, havia morrido o sonho que prometera realizar.

Agora, de repente, ele estava de pé, entre seus seguidores, em carne e osso!

"Toque-me", ele disse. "Sou real. Arranjem alguma coisa para eu comer."

Aquele grupo estava.chocado e cheio de medo, relutante para crer com seus sentidos. Mas a alegria foi penetrando aos poucos quando Jesus começou a ensinar.

Ele dirigiu a atenção dos discípulos para o futuro, e descre­veu a missão à qual deveriam dedicar o restante de seus dias: "Que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém" (Lc 24:47).

Agora o medo voltava como uma brisa gelada de inverno. Aquele bando desunido de proscritos? Ensinar a verdade sobre Deus ao mundo todo? Eles trocaram olhares nervosos, divididos entre o desejo de crer e a vontade de fugir dali.

O Mestre compreendeu o que estava acontecendo. "Não se preocupem", ele disse. "Não quero que vocês comecem imediata­mente, pois não estão prontos ainda. Esperem mais um pouco."

A tensão foi aliviada. Um pouquinho.

Então Jesus continuou: "Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder" (v. 49).

A promessa? Poder do alto?

Pouco tempo depois eles entenderiam o que Jesus queria di­zer. Naqueles dias, o pequeno grupo de pessoas desajustadas e oprimidas começou a fazer o impossível, levando milhares de uma só vez à nova fé em Deus.

Porque a mão de Deus, manifestada na presença pessoal de seu Espírito Santo, era com eles.

Mas, por enquanto, no cenáculo onde se reuniram, os discí­pulos de Jesus eram incapazes de cumprir a visão do Mestre até que ele providenciasse os meios para tal. Cumprir o grande so­nho de Deus era uma tarefa divina; só o Senhor poderia fazer aquilo acontecer.

E assim, a igreja inexperiente aprendeu que a operação da mão do Senhor é requisito para a obra de Deus (v. tb. At 1:8; 11:21).

 

Onde ele quer operar?

"É maravilhoso!", alguns podem dizer. "Vou começar a orar pela mão de Deus, e então me sentarei e esperarei que o Senhor faça a obra. Deve ser interessante."

Mas há um problema com esse tipo de pensamento. A vida com Deus não é um espetáculo para se assistir na arquibancada. Se você ora pela mão do Senhor, deve ter a expectativa de ver o seu poder operar através de sua vida e de seu serviço.

Em Colossenses 1:29, o apóstolo Paulo, conhecido pelo im­pacto que provocou em milhares de vidas por todo o mundo en­tão conhecido, explicou como era capaz de realizar tantas coisas: "Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim." Percebe a mistura da responsabilidade humana e o poder divino? "Trabalho e me esforço enquanto Deus opera poderosamente em mim."

Esse princípio se aplica a todos que buscam impactar o mun­do para Deus. Fomos criados para viver sempre em seu poder sobrenatural. Se não o fizermos, agiremos sem surtir um efeito real, como se a mão do Senhor não estivesse disponível para nós. Nossos esforços não promoverão o conhecimento a respeito de Deus. Nunca experimentaremos a emoção de assistir a Deus surgir den­tre as nuvens e descer para fazer uma obra que só poderia ser dele.

E você pode nunca perceber o que está perdendo.

 

A FÉ E A MÃO DE DEUS

Certa oportunidade, eu dirigia uma conferência com cinqüenta líderes que supervisionavam milhares de obreiros cristãos em vá­rios países. Agrupei-os à volta de sete mesas e pedi que pensassem nas três maiores razões pelas quais podemos deixar de ver o poder de Deus sendo liberado.

Depois de dez minutos, perguntei às pessoas que ocupavam a primeira mesa: "Qual é a sua razão número 1?"

A resposta foi: "Falta de fé".

Quando pedi que esclarecessem, explicaram assim: "Podemos até orar, mas não cremos realmente que Deus vai intervir, que ele quer intervir ou mesmo que ele tenha o poder".

Interessante. Fui até a mesa dois e fiz a mesma pergunta.

Eles responderam: "Falta de fé."

A sala ficou em silêncio. Aquilo era chocante porque ainda não havíamos começado a discutir o tema.

Mesa número 3: "Falta de fé".

Mesa número 4: "Falta de fé".

Mesa número 5: "Falta de fé".

A mesa número 6 citou a falta de fé em segundo lugar. A sétima, porém, seguiu a maioria e colocou esta razão no topo da lista.

Aquele encontro de líderes, todos muito experientes em ações de alto impacto para Deus, concordaram que a mão de Deus é impe­dida de operar por causa do pecado da falta de fé.

A incredulidade estabelece um clima de derrota antes mesmo de se começar a agir. É isso também que afirma a Palavra de Deus. Em Mateus 13:54-58 encontramos Jesus voltando à sua cidade, Nazaré, depois de um período de ministério bem-sucedido por toda a região da Galiléia. A primeira coisa que se poderia pensar é uma recepção calorosa para o Mestre, depois de realizar tantas coisas maravilhosas. No entanto, seus concidadãos o ofendiam. Mateus relata: "E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles".

Mais tarde, os discípulos tentaram, em vão, expulsar o demô­nio de um menino, como Jesus dera autoridade a eles para fazer.

Quando perguntaram ao Senhor sobre o motivo de terem fracas­sado, ele respondeu que não expulsaram o espírito imundo por causa da "pequenez" de sua fé (Mt 17:20).

Então Jesus continuou: "Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível' (grifo do autor).

Você pode crer nisso? Se sim, verá a mão de Deus operando através de sua vida, pois o poder do Senhor não tem limites.

Como se pode saber quando realmente estamos exercendo nossa fé?

Não espere por uma sensação. Ore por orientação e poder, e então obedeça. É assim que mostrará que realmente crê.

 

Escolha uma necessidade, qualquer uma

Tudo bem, digamos que a pessoa esteja orando e dando um passo de fé, e a mão de Deus começa a operar através de sua vida. O que exa­tamente ela pode esperar que aconteça? Na Bíblia, descobrimos que a mão de Deus intervém em nossa vida basicamente de cinco maneiras.

Primeiro, a mão do Senhor intervém para dar provisão. Já aconte­ceu de você se encontrar numa situação difícil, na qual pensou que Deus talvez não pudesse — ou não quisesse — aparecer com alguma solução à sua necessidade — dinheiro, pessoas ou socorro básico para sobrevivência?

Esse é um de nossos medos mais comuns: "Talvez Deus não seja suficientemente poderoso, ou não se importe tanto em resolver problemas do tamanho do meu".

Até Moisés, um homem de grande fé, lutou com seus medos. Is­rael estava no deserto por cerca de um ano, e o povo já estava ficando cansado da dieta à base de maná. De qualquer forma, o problema não era nutricional, mas de atitude. Moisés temeu por uma insurreição, caso Deus não providenciasse uma mudança no cardápio.

Deus mandou Moisés transmitir uma mensagem a eles. "Santificai-vos para amanhã e comereis carne", ele disse. "Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco, nem dez, nem ainda vinte; mas um mês inteiro" (Nm 11:18-20).

Diante disso, Moisés reagiu com incredulidade. Ele viu Deus realizar muitas coisas maravilhosas — as dez pragas, a divisão das águas do mar Vermelho, a provisão diária de maná. Mas ali estava uma promessa que nem mesmo Deus poderia cumprir! Então Moisés diz ao Senhor:

 

Seiscentos mil homens de pé [talvez dois milhões de pessoas no total, incluindo mulheres e crianças] é este povo no meio do qual estou; e tu disseste: Dar-lhes-ei carne, e a comerão um mês inteiro. Matar-se-ão para eles rebanhos de ovelhas e de gado que lhes bastem? Ou se ajuntarão para eles todos os peixes do mar que lhes bastem?

(v. 21,22)

 

Adoro ler a resposta do Senhor.

"Ter-se-ia encurtado a mão do Senhor?", ele pergunta (v. 23). "Você acha que meu poder diminuiu? Sou aquele que chamou os pássaros e os peixes à existência em um só dia. E você pensa que eu não poderia fazer aquilo de novo? O quê? Você acha que fiquei velho e inútil?"

Deus manteve sua promessa, é claro.

Não é impressionante como — não importa quantas vezes tenhamos visto a provisão de Deus no passado — duvidamos da suficiência do Senhor quando confrontamos cada grande desafio?

Vi a mão de Deus operando na vida de um velho amigo meu em Amélia Island, na Flórida, numa conferência cristã, tarde da noite. Um pouco antes, eu havia tentado confortá-lo e incentivá-lo, mas sem sucesso. Ele era um patriarca, servindo a Deus de todo o cora­ção, apesar dos seus 80 e tantos anos. Quando o encontro terminou, tentei encontrá-lo, mas ele já havia ido embora.

Depois da programação, dois rapazes queriam falar comigo, por isso sentei à uma pequena mesa no hall do hotel. Estava ficando tarde e estávamos terminando a conversa, quando vi meu velho amigo caminhando devagar pelo corredor em nossa direção, cabe­ça baixa, ombros curvados. Convidei-o a juntar-se a nós.

— Por que está aborrecido, Doe? — perguntei.

— Ah, sei lá. Nada de mais.

Senti que Deus o havia trazido até nós porque estava para fazer alguma coisa especial por aquele homem.

— Conheço você há muito tempo — falei, — e é claro que tem alguma coisa pesando muito em seu coração.

Ele levantou os olhos lentamente, e com um suspiro resignado, começou a falar.

—Você conhece o centro de conferências para a juventude que eu estava construindo ao lado daquela montanha? Bem, o dinheiro aca­bou há seis meses, e parece que meu sonho não se tornará realidade.

— Doe, você fundou um monte de organizações cristãs de gran­de porte durante sua vida longa e frutífera, e elas ainda exercem um grande impacto depois de todos esses anos. E o centro de confe­rência para a juventude não será diferente. Por que Deus não iria querer vê-lo pronto também? De quanto você precisa?

— Muito.

— Mais de dez mil dólares? Mais de cinqüenta mil?

— Preciso de cento e cinqüenta mil dólares.

Aquele foi um dos raros momentos em que nenhum de nós po­deria deixaria de sentir a presença de Deus. Procurei por um de meus cartões de apresentação, escrevi alguma coisa atrás dele e co­loquei dentro do bolso de minha camisa. Deus estava pronto para fazer alguma coisa. Sua mão estava operando.

No espaço de dois minutos, mais um homem veio caminhando pelo outro corredor, completamente deserto. Eram 22h30, e não havia motivo para ele estar ali. Eu o chamei: "Bill, venha até aqui e junte-se a nós!" Meu encontro com Bill (nome fictício) havia acon­tecido durante uma viagem à Rússia, e eu sabia que era um empresá­rio de coração generoso. "Você sabe que Doe está construindo um centro de conferências para jovens, não é?" Bill balançou a cabeça afirmativamente. "Pois bem, ele precisa de um bom dinheiro, e eu estava orando para que Deus o enviasse aqui para dar o dinheiro. São cento e cinqüenta mil dólares."

Bill esticou-se para trás na cadeira e dobrou os braços. "Puxa, 150 mil dólares. É muito dinheiro. Sem chance."

Com calma, coloquei a mão no bolso, puxei meu cartão de apresentação e entreguei-o a Bill. Sorri e disse: "O Senhor sabia que você ia precisar disso. Vire e leia o que está escrito do outro lado".

Ele leu em voz alta: "São 22h25. Querido Deus, por favor, envia-nos o Bill de volta para que ele doe cento e cinqüenta mil dólares".

Os outros dois homens conosco vibraram — é assim que nos sentimos quando a mão de Deus opera.

"Bem, então o Senhor deixou tudo bem claro", disse Bill. Ele olhou para Doe, sorriu e disse: "Você terá os cento e cinqüenta mil dólares de que precisa na semana que vem".

A Bíblia declara: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em gló­ria, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades" (Fp4:19).

Não há necessidade sua que o Senhor não possa suprir.

 

Quem é o chefe?

Segundo, a mão de Deus intervém para mover o coração daqueles que exercem alguma autoridade. Reis? Presidentes? Ditadores? Impera­dores? Todos estão sob o governo soberano de Deus. Provérbios 21:1 nos assegura: "Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina".

Deus fez isso com Neemias quando, ao fim do exílio de Israel, o profeta dirigiu-se ao rei da Pérsia — o homem mais poderoso da Terra, que não tinha o menor interesse na prosperidade de Israel — e pediu a ele para redigir autorizações e arranjar muito dinheiro para reconstruir a cidade de Jerusalém. Neemias orou para que Deus movesse o coração do rei, e de fato o rei honrou todos os pedidos do profeta (v. Ne 2:1-8).

Esse é o tipo de coisa que Deus pode fazer quando todos os outros detalhes e recursos estão disponíveis, mas a pessoa que tem autoridade diz "não".

De volta ao início da década de 1990, depois que a União So­viética entrou em crise e a Cortina de Ferro caiu, um total de 87 grupos cristãos uniram forças num esforço maciço para enviar pro­fessores cristãos para ensinar valores éticos e morais por toda aque­la região vasta. Muitas portas se abriram de forma espetacular, mas no meio de uma grande conferência de pastores em Phoenix, nos Estados Unidos, chegaram notícias de que um grupo hostil havia convencido o líder nacional da Rússia a banir nossas iniciativas. Ficamos arrasados.

Um homem me disse: "Acabou. E pensávamos que este seria um grande movimento em nome de Deus!" Outros choraram sem cons­trangimento. Havíamos investido tanto de nossa vida naquilo, e agora a oportunidade se fora.

Nosso único recurso era orar. Colocamo-nos de joelhos e im­ploramos a Deus que mudasse a mente daqueles que estavam no poder. Por duas horas, clamamos a Deus em favor do povo da Rússia.

Então chegou uma notícia, bem ali, no mesmo evento: "Estamos de volta! A liderança russa ignorou o pedido daqueles grupos que se opunham e renovaram nossa permissão para entrar no país".

Com freqüência nos vemos numa situação em que lutar contra os que estão investidos de autoridade não é uma boa idéia. Nesses casos, vá direto a alguém que está acima deles: o Juiz do universo.

Terceiro, a mão de Deus intervém junto com sua presença. Uma das minhas histórias favoritas da Bíblia encontra-se em 2 Reis 6, quan­do Eliseu e seu servo se viram cercados por um exército enorme e hostil. O servo de Eliseu entrou em pânico, mas o profeta disse, calmamente: "Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles". Então Eliseu levantou o olhar para aque­le que comanda os exércitos de anjos e disse: "Senhor, peço-te que lhe abras os olhos para que veja".

A Bíblia relata: "O Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu" (2Rs 6:15-17).

Deus apareceu e fez uma demonstração especial de seu poder para lembrar ao servo: "Eu nunca os deixarei ou rejeitarei".

Um dos maiores avivamentos espirituais da História aconteceu no Grande Despertamento do século XVIII, na região da Nova In­glaterra. Inúmeros eventos milagrosos estão documentados com fidelidade nos registros históricos deste período. Deus manifestou sua presença de forma tão poderosa em algumas cidades que as pes­soas só precisavam chegar para sentirem-se irresistivelmente compelidas a sair das carruagens, ajoelhar-se na estrada e clamar por uma transformação na vida. Um navio inglês passou a 2,5 qui­lômetros da costa, quando de repente todos que estavam a bordo ajoelharam-se e imploraram o perdão de Deus. Quando Deus surge, tudo muda.

 

A salvo nas mãos de Deus

Quarto, a mão de Deus intervém para defender e proteger. Na noite anterior à da sua crucificação, Jesus foi levado à presença de Pilatos, mas recusou-se a responder a qualquer pergunta do dirigente ro­mano. Por fim, Pilatos, frustrado, disse: "Não sabes que tenho auto­ridade para te soltar e autoridade para te crucificar?"

Repare na resposta de Jesus, diante dele, de pé, espancado e banhado de sangue: "Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada" (Jo 19:10,11).

Embora estivesse se entregando à morte voluntariamente, Jesus sabia que seu Pai tinha o poder de protegê-lo.

Há alguns anos, eu estava nas Filipinas com minha filha, Jennifer, ensinando numa conferência para líderes. Quando termi­nei, nos foi oferecida uma estadia de uma noite num belo resort nas montanhas, como gratidão. Eu estava exausto, e Jennifer também, por isso ficamos ansiosos pela oportunidade de ficar juntos, pai e filha.

Mas, à última hora, pediram-me para adiar nossa volta e ensi­nar mais um dia. Jennifer e eu oramos a respeito, e com o coração fortalecido, chegamos à conclusão de que Deus queria que ficásse­mos. Naquele momento, éramos dois viajantes frustrados.

No dia seguinte, quando eu estava ensinando a líderes de 54 diferentes países no sexto andar de um hotel no centro de Manila, aconteceu um forte terremoto. O prédio sacudiu violentamente, o reboco das paredes rachou e despencou, e o grupo na sala gritava de terror. Pensei que o hotel fosse desabar sobre nós, pois o terremoto parecia não acabar nunca.

Finalmente, o tremor foi diminuindo e agradecemos a Deus por sua proteção.

Mas eu não tinha idéia de quão maravilhosamente o Senhor nos protegera até o fim da tarde daquele dia. O líder da conferên­cia veio até mim e disse: "Sabe onde foi o epicentro do terremoto? Na cidade onde fica o mesmo resort no qual vocês deveriam estar hoje. Na verdade, acabamos de receber a notícia de que todos na ala do hotel onde vocês tinham a reserva de quarto morreram tragicamente".

Ore por proteção e confie na mão de Deus.

 

Capacitação do alto

Quinto, a mão de Deus intervém para ajudá-lo a superar as limitações pessoais. A qualquer momento que uma grande tarefa se apresenta — especialmente alguma coisa que parece impossível —, você se vê diante da realidade de que é um ser limitado. Mas tome cuidado para não projetar suas limitações sobre Deus. O fato de você não poder fazer alguma coisa não significa que ele não possa.

Paulo escreveu sobre a lição que aprendeu quando uma enfer­midade o deixou frágil e fraco:

 

Então, ele [Deus] me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de

Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Crisso. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.

2 Coríntios 12:9,10

 

Esse é o mesmo homem que escreveu mais tarde: "Tudo posso" — não porque sou capaz, mas porque Jesus é — "naquele que me fortalece" (Fp4:13).

Deus não espera que façamos demonstrações de força ou des­treza; estes recursos vêm dele. O que ele espera de nós é fidelidade.

Durante a maior parte da minha vida, pensei que meu anseio pela intervenção de Deus fosse maior do que suas ações. De alguma maneira, acreditava que ele estava ocupado demais no céu, e que era minha incumbência convencê-lo a vir e fazer alguma coisa. Quase como se o Senhor tivesse poder ilimitado, mas precisasse de bons argumentos meus para que o usasse.

Então esbarrei numa passagem bíblica que mudou toda a mi­nha perspectiva: "Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele" (2Cr 16:9).

Deus quer muito operar em nossa vida aqui na Terra, muito mais do que queremos que ele o faça! Ele está sempre procurando, do leste ao oeste, do norte ao sul, em busca de corações fiéis. Por quê? Para apresentar-se forte na medida em que trabalha em nossa vida.

Você pode descansar na certeza de que é o desejo do Senhor liberar sua mão de poder. E também pode confiar que ele quer fazer isso através de você. Está pronto?

 

 

  

Capítulo Dez

 

A mão de Deus:

COLOCANDO EM PRÁTICA NA VIDA

 

O seu Sonho está na direção de um obstáculo aterrador. Se você seguir nesta direção hoje, trará honra a Deus. E experimentará uma vida marcada por milagres, enquanto Deus intervém a seu favor.'

O DOADOR DE SONHOS

 

 

Em 11 de setembro de 2001, Barbara assistiu chocada enquanto as torres gêmeas do World Trade Center desapareciam do ho­rizonte de Nova York. No lado oposto do continente, sentia-se distante e incapaz de ajudar. Deus começou a mover o coração de Barbara em relação aos familiares das vítimas.

Ela orou, pedindo ao Senhor que confortasse as pessoas que haviam perdido entes queridos na tragédia. Imediatamente, o livro que havia escrito, A passage through grief [Uma passagem através do sofrimento], veio-lhe à mente. Ela tinha visto em primeira mão a cura e a esperança que o livro oferecia a pessoas em dor. Esperança era exatamente o que as pessoas de Nova York mais precisavam naquele momento.

Infelizmente, o livro de Barbara havia acabado de esgotar.

Ela continuou orando, e antes que o dia terminasse, tinha cer­teza de que Deus a orientara a doar dez mil cópias de Uma passagem através do sofrimento às famílias das vítimas em Nova York.

Era uma tarefa que apenas a mão do Senhor poderia cumprir.

Assim que possível, ela procurou seu pastor e compartilhou seu esquema meio louco. Ele pensou num fator complicador. "Como você distribuirá os livros quando eles chegarem a Nova York?"

Barbara continuava confiante: "Se Deus é poderoso o suficiente para imprimi-los e enviá-los a Nova York, dará um jeito para que eles cheguem às mãos de quem mais precisa".

Na manhã seguinte, Barbara ligou para seu editor e falou sobre sua visão. Eles concordaram em imprimir os livros, num custo esti­mado de trinta mil dólares.

Ela mentalmente calculou seus recursos pessoais. Se usasse a pequena herança deixada por sua mãe e vendesse o trailer do qual gostava tanto — no qual adorava viajar pelo país — poderia cobrir quase todo o custo.

Enquanto isso, seu pastor enviou mensagens eletrônicas a dois conselheiros profissionais que conhecera em Nova York, pedindo que eles ajudassem na distribuição. No outro dia, recebeu respostas afirmativas — mas de pessoas completamente diferentes.

Ao procurar saber o que acontecera, descobriu que, por enga­no, tinha mandado seu pedido a todas as igrejas de sua denomi­nação! Conforme o dia seguia, recebeu consultas e mensagens de incentivo de todos os Estados Unidos.

Como ele diria a Barbara mais tarde, "Deu usa erros humanos, mas nunca comete erros".

O movimento seguinte aconteceu quando o editor de Barbara decidiu que faturaria apenas 8.350,00 mil dólares. Mas o pedido de impressão teria de ser pago antecipadamente.

Ela pagou com cartão de crédito, confiando que Deus a reem­bolsaria. Nos dias que se seguiram, toda a quantia foi chegando aos poucos na forma de contribuições vindas de todo o país.

Quanto à questão da distribuição, um pastor de Nova Jersey— cuja igreja estava localizada a apenas 24 quilômetros do World Trade Center — recebeu um dos e-mails "extraviados" do pastor de Barbara. Respondeu, pedindo que os livros fossem enviados direta­mente a ele, pois sabia exatamente como fazer para que chegassem às pessoas certas.

No dia 29 de outubro, dez mil livros, totalmente pagos, eram enviados à Costa Leste e colocados nas mãos de pessoas sofridas, através de muitas igrejas e do Exército de Salvação.2

 

Passos práticos para uma vida de PODER

A história de Barbara ilustra o tipo de estilo de vida através do qual a mão de Deus opera — sob a dependência proativa de Deus. Ela não se sentou e esperou para ver o que Deus faria; tomou a iniciativa de perseguir a vontade do Senhor em relação àquela necessidade. Mas em nenhum momento passou a frente de Deus ou tentou fazer as coisas por conta própria. Continuou em oração, dependendo do Pai o tempo todo.

Deus honrou a fé, a obediência e a confiança de Barbara.

Jesus descreveu uma vida frutífera em fé desta maneira:

 

Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

João 15:4,5

 

Quem permanece em Cristo — ou seja, investe tempo no apro­fundamento de sua relação com ele — pode passar pela expectativa de ver sua fé crescer.

Eu o incentivo a orar continuamente por uma nova visão do poder da mão do Senhor, assim como Paulo orou para que seus contemporâneos conhecessem "qual a suprema grandeza do seu po­der para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mor­tos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais" (Ef 1:19,20).

Esse mesmo poder que conquistou a morte está disponível para nós. Deus não conhece limites. Ele é "poderoso para fazer infinita­mente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós" (Ef 3:20).

É esta a maneira da qual você deseja viver? Quer sonhar grandes sonhos e acordar para descobrir que Deus respondeu às orações muito além de suas mais ousadas expectativas?

Se a resposta é "sim", então considere duas condições fundamen­tais que ajudarão a tornar sua vida um canal apropriado para a ação do poder divino. O primeiro é humildade. Pedro escreveu: "Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte" (I Pe 5:6). Vasculhe seu coração em busca de vestígios de orgulho. Convide o Espírito Santo para ajudar neste pro­cesso. Mas não espere até se sentir humilde. Aja em obediência e de­pendência, na expectativa de que Deus operará, e não tente fazer tudo sozinho. Ao ver a mão do Senhor operar milagres que surpreenderão você, naturalmente reagirá em adoração humilde.

Uma segunda condição que o capacitará a ser usado podero­samente por Deus é manter um foco. Geralmente, ao vermos uma situação que exige a mão do Senhor para resolver o problema, fazemos a pergunta: "O que posso fazer se trabalho bastante e se Deus abençoa meus esforços?" Ao invés disso, deveríamos sempre ques­tionar: "O que Deus quer que seja feito?" A diferença pode parecer insignincante, mas e crucial para que o poder de Deus seja liberado sobre nossas vidas.

Ao continuar pedindo a Deus que alargue nossas fronteiras, nos veremos em situações que pare­cerão estar muito além de nossos recursos ou habilidades. A rea­ção humana a essas oportunidades é tanto de evitá-las e tentar esquecê-las quanto de limitar nossa resposta com base naquilo que pensamos ser possível fazer sob tais circunstâncias. Quando se coloca a vida sob esta perspectiva, raramente se testemunha a ope­ração da mão do Senhor. Na verdade, a tendência será a de buscar formas de reduzir o jugo inicial — até o momento em que se des­cobre que é possível carregá-lo.

A mão de Deus raramente intervém quando a nossa toma conta do problema.

Permita-me contar como a mão do Senhor operou durante uma semana na pequena nação africana da Suazilândia.

Anunciei numa reunião naquele país que 122 voluntários do Dream for África, vindos dos Estados Unidos e da África do Sul, viriam para ser parceiros na implantação de dez mil Never Ending Gardens (Pomares Sem Fim) para famílias sem alimento. Todos em uma semana — era o único tempo de que dispúnhamos.

Todos sorriram. Aquela era, sem dúvida alguma, uma meta impossível de ser atingida.

Um líder da Suazilândia gargalhou e disse que, se pudéssemos fazer o plantio de mil pomares em uma semana, já seria um milagre, e ele me pagaria um jantar numa churrascaria. Com toda a confian­ça que eu podia juntar, respondi: "Se não plantarmos dez mil em uma semana, eu é quem pago o jantar".

Ele sorriu e disse: "Tudo bem, eu gosto de meu bife ao ponto".

A segunda-feira chegou, e contei à nossa equipe que ninguém jamais havia feito algo parecido antes, mas eu cria que tínhamos condições de plantar dez mil pomares em uma semana. Para garan­tir a precisão na contagem, tiraríamos fotos digitais de cada pomar plantado, com a família respectiva posando ao lado.

Ao fim do dia, havíamos plantado 300 e já estávamos cansados.

Na terça-feira, chegamos a 600 e estávamos muito cansados.

Na quarta-feira, já eram 1,2 mil pomares plantados, mas está­vamos exaustos.

Na quinta-feira, pedi à equipe que voltasse mais cedo para prepararmos uma nova estratégia. Afinal, a não ser que Deus inter-viesse diretamente, não nos haveria chance de chegar à meta de dez mil a tempo. Alguns de nós permaneceram mais atrás, orando, jejuando e implorando ao Senhor para nos mostrar o que fazer. Nossas equipes chegaram exaustas e sem ânimo. Havíamos plan­tado mais 1,1 mil.

Já eram 3,2 mil pomares plantados em quatro dias.

Ainda faltavam 6,8 mil, e só nos restava mais um dia.

Ninguém tinha mais energia para continuar, nem acredita­va que seria possível cumprir o objetivo. O mais difícil para mim nem era levantar a pá, mas lutar contra os receios e as dúvidas de meu coração.

Durante todo o dia, rogamos a Deus que manifestasse sua mão forte a nosso favor e mostrasse seu coração cheio de amor para as pessoas famintas. Eu não tinha idéia de como o faríamos, mas sabia que não havia limites para a mão poderosa do Senhor, e não pecaría­mos por causa de nossa incredulidade. Se Deus podia alimentar dois milhões de pessoas com maná e água no deserto todos os dias, então aquela tarefa não seria tão difícil para ele.

Quando o sol se pôs na sexta-feira, pus-me de pé no portão com um bloco na mão, enquanto os voluntários chegavam. Perguntei a cada pessoa: "Quantos pomares você plantou hoje?"

Uma celebração foi realizada naquela noite, com discursos do ministro de Obras, o embaixador americano na Suazilândia, o em­baixador da África do Sul e, para completar, um membro da família real. Mas antes que aqueles dignatários falassem, tive a oportunida­de de anunciar que havíamos plantado um total de 12874 pomares!

A propósito: meu contrafilé mal passado estava uma delícia.

O maior obstáculo para muitas metas como aquela não é a falta de território ou oportunidade, ou que o poder de Deus esteja ausen­te, ou mesmo que não haja disposição ou desejo da parte do Senhor para fazer as coisas acontecer. A principal barreira é a falta de fé: olhamos para nossos recursos e pensamos: "Não posso." Em segui­da, olhamos para o céu e dizemos: "Ele não fará".

Nossa meta para o projeto Pomares Sem Fim no ano que vem é plantar um milhão de pomares, que fornecerão vegetais para algo entre seis milhões e oito milhões de pessoas em seis países. Uma vez mais, o território é tão vasto que intimida, parece impossível ou mes­mo ridículo. Mas será que o braço de Deus encurtou-se? Será que o Senhor providenciará as pessoas para ajudar?

Há pouco tempo, tive o privilégio de falar na Igreja Shadow Mountain Community, na Califórnia, pastoreada por meu bom amigo dr. David Jeremiah. A mão do Senhor operou, e antes do fim da noite, centenas de pessoas foram à frente e se comprometeram a lotar um jato 747 e voar para a Suazilândia para plantar pomares. O dr. Jeremiah a sua esposa foram os primeiros a se inscrever!

Cremos que Deus levantará um total de dez mil voluntários como aqueles para colaborar com aquele povo maravilhoso da Áfri­ca no plantio de 1 milhão de pomares no ano que vem.

 

Vendo a mão de Deus em ação

O que se pode esperar quando a mão de Deus opera em nossa vida? Vemos respostas diretas, notáveis, miraculosas mesmo, às nossas orações. Ninguém pode prever se os milagres em nossa vida serão grandes e profundos ou mais sutis e particulares. Mas se nos mantivermos atentos, a intervenção de Deus será inequívoca. Seja o rece­bimento de uma indenização milionária que sua empresa estava aguardando, seja um transplante delicado de coração num ente querido — Deus fará, diante de nossos olhos, o que jamais faríamos sem sua intervenção.

Deana pulou de alegria quando o ministério Shepherd's Gate [Portão do Pastor] abriu um centro de apoio em sua comunidade. O Shepherd's Gate oferece alojamento e cursos profissionalizantes para mulheres que saem de relacionamentos violentos, enfrentam a mi­séria ou lutam contra a dependência de drogas ou de bebida. Em sua nova função, Deana era tutora dos filhos das pessoas atendidas pela instituição. E adorava fazer aquilo!

No entanto, muitos anos antes, Deana havia recebido o diag­nóstico de uma doença degenerativa que ataca gradativamente o sis­tema nervoso. De vez em quando, ela sofria espasmos de dor, e o cansaço do dia de trabalho só servia para agravar as crises. Se não bastasse tudo isso, as crianças só podiam ser tutoradas na parte da tarde e à noite, justamente os períodos em que Deana se sentia pior.

Certo dia, ela chegou em casa em prantos, sabendo que estava trabalhando além de seus limites, mesmo sendo voluntária apenas dois dias por semana. A agonia e a fadiga eram maiores do que ela podia suportar.

Então Deana começou a orar para que o Senhor ampliasse seu território, apesar de sua condição. Passadas algumas horas, ela viu a mão do Senhor começando a operar. Deana recebeu uma ligação de uma das mães voluntárias do centro de apoio. "Deana, se você não se importasse, eu gostaria de ajudá-la em seu trabalho como tutora".

"Uau, Senhor!", ela pensou. "Tu não perdestes tempo para res­ponder às minhas orações!"

Com a ajuda que acabara de receber, Deana informou à insti­tuição que passaria a trabalhar como voluntária apenas uma vez na semana. Sua supervisora, então, publicou um anúncio recrutando mais voluntários, e mais quatro pessoas responderam no espaço de algumas semanas. Deana logo estaria em condições de deixar de vez o cargo de tutora.

Fracasso? Tudo, menos isso.

Foi exatamente neste momento que Deus escancarou as portas para Deana iniciar um ministério novo e mais amplo. Ela começou a coordenar e organizar o programa integral de tutores da casa de apoio. Treinou professores e até desenvolveu o currículo de algumas das crianças. Deana era capaz de fazer aquele trabalho com desenvol­tura, dentro de seus limites físicos. E as crianças começaram a rece­ber ajuda cada vez maior de professores treinados e capacitados3.

Não permita que suas limitações e a falta de experiência reduza as expectativas a respeito da capacidade que Deus tem de realizar muitas coisas através de sua vida. Na verdade, o sucesso só serve para exaltar o poder sobrenatural do Senhor, a despeito de nossos limites humanos.

Deana temia estar fracassando diante de Deus, mas ele usou as limitações que ela receava para realizar cada vez mais.

Ele fará o mesmo por você.

 

Quando a mão de Deus parece a sua

Você realmente acredita que o poder de Deus está disponível? An­seia pela oportunidade de experimentar a alegria e a admiração incríveis de ver os céus abrirem os portões para liberar o poder sobre sua vida, fazendo-o receber o que está pedindo ao Senhor?

Lembre-se: a mão de Deus começa a entrar em ação a partir do coração dele. Quando o que o Senhor quer realizar está de acordo com o que desejamos que ele faça, o que acha que vai acontecer? Ele não pedirá que caminhemos sem parar num limbo, só pelo prazer de ver tudo desmoronar, sob seus pés. E quando ele pede a nós um salto pela fé em direção a seus braços, não nos deixará cair para ficar rindo e dizendo: "Seu bobão!"

No último dia de nossa primeira missão para plantio de poma­res na Suazilândia, encontramos uma mulher que não apenas havia caminhado à beira do limbo, como também havia saltado e estava literalmente solta no ar quando chegamos, confiando totalmente na fidelidade da mão de seu Senhor para agarrar a sua. Deixe-me contar o que aconteceu.

Um pequeno grupo de nossa equipe do Dream for África fazia plantios nas vilas quando depararam com uma cabana de barro isolada, cercada por dezenas de crianças. Então eles perceberam que muitos pequenos pomares haviam sido preparados em volta da ca­bana, mas nada parecia ter germinado neles.

Eles descobriram que a cabana era o lar de uma mulher muito idosa que tomava conta de 56 órfãos. Naquela manhã, ela tinha mandado as crianças cavar muitos pomares. Quando os meninos e meninas perguntaram o motivo — afinal, não tinham sementes ou dinheiro —, ela disse: "Ontem à noite, pedi a Deus que enviasse alguém para plantar pomares para nós. Precisamos estar prepa­rados quando essa pessoa chegar". Naquela manhã, a crianças pre­pararam o solo pela fé, enquanto olhavam na direção dos céus, esperando as sementes.

Nossa equipe ficou de boca aberta, admirada. Lá estavam eles, com centenas de sementes, chegando exatamente no lugar, e na hora certa, em que os filhos de Deus haviam clamado pela intervenção da mão de Deus. E ele fez isso mesmo! Enviou corretores de ações de Nova York, contadores de Connecticut, professores de Joanesburgo e donas de casa de Bryanston (África do Sul).

Aquela senhora pediu a operação da mão de Deus, e o Senhor enviou as mãos dos voluntários.

Da última vez que tive informações, os pomares estavam produ­zindo uma quantidade considerável de alimentos, e aquela mulher tão idosa agora cuida de 76 crianças.

 

 

Parte iv


 

a proteção de Deus

 Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me

abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e

me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!

E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.

I Crônicas 4:10

 

 

Um testemunho de gente de oração

 

"Um vício secreto"

por David King

 

David, o que você está fazendo de pé a esta hora? — mi­nha mãe me repreendia, quando me flagrava colado no computador. — Só estou jogando, mãe. Nada demais — res­munguei, sem tirar os olhos da tela.

— David, pare de brincar e olhe para mim — ela disse, e eu sabia que aquilo significava encrenca, por isso obedeci. — Desde que começou a jogar esses games violentos, vejo Satanás lhe influen­ciar cada vez mais o coração. Você costumava ter um coração vol­tado para Deus. Mas esses jogos lhe drenaram a vida. Sinto como se nem conhecesse mais meu filho.

— Ah, mãe, dá um tempo! — respondi, voltando para o com­putador; já ouvira aquela ladainha antes. — Você sabe que não passa de um game. Não machuca ninguém.

Minha mãe sacudiu a cabeça e voltou para a cama, deixando minha vida cibernética e sangrenta em paz.

Desde que fora apresentado àquele jogo interativo de alto nível para computador, eu estava sendo gradativamente sugado por seu mundo violento de fantasia. Juntei-me a um grupo de jogadores on Line, e treinava todos os dias com meus colegas da Internet. Não demorou muito para que minhas notas na escola começassem a cair. Minhas amizades foram desaparecendo. Eu passava cada minuto de meu tempo livre no computador. Algumas vezes, nem sequer ia para a cama. O jogo era a minha vida.

O pastor de jovens de minha igreja notou minha falta de orien­tação. Sabia que eu tinha vontade de ser pastor também, e estava tentando dirigir meu foco novamente para Deus. Ele me dera uma cópia de A oração de Jabez, e, um dia, depois da escola, senti-me estranhamente inclinado a ler o livro. Assim, em vez de correr para o computador, sentei-me para ler.

Logo cheguei à declaração: "A única coisa que pode quebrar o ciclo da vida abundante é o pecado, pois o pecado impede o fluir do poder de Deus".

De repente, eu sabia por que Deus parecia tão distante e a igre­ja, tão chata e sem sentido. O jogo do computador deixou de ser apenas entretenimento; para mim, havia se transformado num ídolo, num vício. A paixão que antes sentira por Deus tinha sido substituída por uma obsessão por aquele game que entorpecia mi­nha mente.

Fechei o livro e me pus de joelhos.

"Senhor", orei, sentindo aquela chama que estava morta há tanto tempo, "quero confessar este pecado de idolatria e pedir teu perdão. Como pude permitir que uma coisa tão vil ocupasse o lugar de meu amor por ti? Quero que sejas o primeiro em minha vida outra vez".

Com a confissão veio uma sensação de paz e liberdade. Mas eu sabia que o arrependimento genuíno significa ação, não apenas pa­lavras. Fui na direção de meu computador e deletei cada traço do jogo do disco rígido.

Percebi que tinha desperdiçado quase três anos de minha vida — um tempo que poderia ser melhor aproveitado, servindo a Deus. Mas graças à intervenção do Senhor, dei os primeiros passos na en­trega total de minha vida de volta para ele.

A partir de então, uso o tempo que recuperei para aprender a tocar violão, e toco numa banda de louvor agora. Estou voltando a procurar amizades saudáveis. E, o melhor de tudo, estou buscan­do a Deus, perguntando como posso fazer e ser o melhor para ele.

 

Capítulo Onze

 

a oração por proteção:

um olhar mais apurado

 

Fomos redimidos e convocados para a linha de frente da batalha.

É por isso que orar para ser preservado do mal é parte tão importante de uma vida abençoada.'

A oração de Jabez Devocional

 

 

"Mantenha a posição!" As ordens do comandante estalam no receptor de rádio.

Naquele momento, um míssil explode perto de você, chacoalhan­do o chão e provocando uma chuva de fragmentos. As perdas tinham sido numerosas durante o último estágio da batalha, especialmente entre aqueles que não usaram a inteligência ou que perderam o contato com o Alto Comando. E o índice de deserção era muito elevado.

Você mesmo tem alguns ferimentos. Ainda está em condições de lutar, mas o moral está em declínio. Sua unidade está desfalcada e mal equipada para enfrentar o oponente — um inimigo que o despreza e está determinado a destruí-lo.

Mesmo assim, você conseguiu avançar consideravelmente, re­conquistando um território antes ocupado injustamente por seu adversário. Ele o quer de volta, e está usando todos os recursos de que dispõe para derrotá-lo.

— Senhor — você grita em seu rádio, — precisamos de apoio aéreo e reforços. Imediatamente!

— Eu sabia que você ia pedir isso —, chega a resposta. — Eles devem estar chegando aí exatamente... agora!

Quando você dá uma espiada pela borda de sua trincheira, uma imensa tropa chega para ajudá-lo. Fileiras e fileiras de tanques blin­dados passam por sua posição, fazendo estrondo. No alto, centenas de aviões bombardeiros rugem. Diante de forças tão poderosas, o inimigo bate em retirada para salvar a própria pele, abandonando as fortalezas.

Pouco depois, você emerge da trincheira, a salvo. Passa o olhar sobre o cenário devastado pela guerra. Aqui e ali, seus companhei­ros aparecem e começam a se juntar. Há um bom número de rema­nescentes, mas todos sabem que muitos outros morreram.

Apesar de tudo, seus espíritos foram elevados. Mais uma vez, o Exército da Luz alcançou a vitória quando a derrota parecia inevi­tável. Juntos, os soldados avançam para levar liberdade a mais uma cidade que vivia em trevas.

Boa parte do povo de Deus se levanta para enfrentar o desafio de conquistar novos territórios, mas quando descobre que está sob ataque espiritual — e, algumas vezes, físico também —, muita gente desiste de perseguir o exemplo de vida dado por Jabez.

Mas o que significa essa vida — esse presente que recebemos do Doador de Sonhos?

Novo território é a razão pela qual estamos aqui. Nossas ordens estão registradas em Mateus 28:18-20. A Grande Comissão, dada por Jesus, para irmos por todo o mundo apresentando a vida em Deus não era uma sugestão, mas uma ordem!

E seja qual for a ordem do Senhor, ele sempre a faz possível de ser realizada. Se ele nos quer na batalha, então podemos obedecer, pois Deus é fiel para nos proteger.

O objetivo dos próximos capítulos é reforçar suas defesas, de modo que você possa avançar confiante e ser bem-sucedido na con­quista de novos territórios para o Senhor.

 

O ÚLTIMO PEDIDO DE JABEZ

"Me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!" (lCr 4:10) é o pedido final de Jabez. Mas o que ele queria dizer com isso?

Nessa passagem, "mal" é a mesma palavra hebraica usada em Gênesis 6:5 para descrever o mundo antes que o Deus enviasse o Grande Dilúvio. Neste caso, é traduzida como "maldade": "Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração".

A mesma palavra do hebraico pode também, em certos con­textos, ser traduzida como "dor". É por isso que alguns textos, inclu­sive em inglês, trazem: "Me preserves da dor". As duas traduções são corretas, mas a primeira é usada na maioria das vezes.

Embora "dor" tenha um papel interessante no nome Jabez (que significa "dor"), creio que ele pedia fundamentalmente a proteção de todos os tipos de mal. Quando Jabez orou: "Me preserves", ele pedia a Deus que agisse para protegê-lo.

Ele também revela o motivo pelo qual não queria que o mal tocasse sua vida: "De modo que não me sobrevenha aflição." Essa parte também pode ser apropriadamente traduzida como "livra-me de qualquer coisa que possa me causar dor" (ntlh). A gramá­tica hebraica usada aqui pode ser interpretada com o significado "causar dor a alguém ou a si mesmo". Quando agimos com maldade, causamos dor e sofrimento tanto a nós mesmos quanto a outras pessoas, incluindo Deus.

Por isso ouvimos Jabez pedir ao Senhor: "Por favor, protege-me de praticar o mal, que só pode causar tristeza a ti, ao próximo e a mim".

 

O QUE   SIGNIFICA   ORAR   POR   PROTEÇÃO

Vamos colocar a oração de Jabez por proteção num contexto mais amplo da Bíblia, e assim seremos capazes de compreendê-la mais cla­ramente.

 

1) A oração é por proteção não apenas contra o sofrimento, mas também contra o pecado. É errado pedir a Deus para mitigar nosso sofrimento? Claro que não. Mas quando Deus se importa com a dor pela qual passamos, ele fica ainda mais preocupado com as condi­ções de nosso relacionamento com ele. O Senhor sabe que o pecado causa muito mais danos do que a dor física ou a fadiga. Oramos com mais eficácia quando reconhecemos isso também.

 

2) A oração é por proteção não apenas contra o pecado, mas tam­bém contra Satanás. Como veremos mais adiante, há diversas fontes de tentação. Mas uma bastante significativa é Satanás, um ser real e vivo, com suas hordas de anjos caídos. Se orarmos sobre o mal pensando se tratar somente de uma influência impessoal, provavel­mente baixaremos a guarda conta os seres malévolos que procuram causar nossa queda.

 

3) A oração é por proteção não apenas para o futuro, mas também para o presente. Orar sobre a maldade nos mantém alertas em rela­ção à batalha espiritual travada à nossa volta e dentro de nós. Um dos truques favoritos de Satanás é criar um senso falso de segurança para que baixemos nossas defesas.

 

4) Refrear o mal é uma conquista não somente sua, mas resultado da intervenção de Deus. Pedimos a Deus para agir a nosso favor, e não apenas para ele enviar votos de sucesso para quem vai enfrentar a batalha. A Bíblia revela dois caminhos básicos para lidar com a tentação. Primeiro, resistir ativamente à tentação por si mesmo; depois, pedir constantemente que o Senhor nos livre dela.

 

Mesmo quando ele sabe

As pessoas costumam se confundir sobre como lidar com a tentação e o pecado. Alguns reconhecem que a tentação é algo a ser evitado ou ao qual devemos resistir, mas a partir daí sua teologia pega um caminho completamente diferente da verdade.

Por exemplo, digamos que comecem com a doutrina da onisciência de Deus, que o Senhor sabe tudo. "Se isso é verdade", argu­mentam, "então Deus com certeza sabe como serei tentado. E se ele não quer que eu peque, então por que não posso presumir que simplesmente me protegerá, pedindo eu ou não?"

Esse é o...

 

 

Engano nÚmero 1

Deus sabe quando sou tentado, é desnecessário orar por isso.

 

A verdade é que orar por proteção influenciará muito se seremos tentados ou não.

Certo dia, os discípulos de Jesus pediram a ele que os ensinasse a orar. Já o haviam visto em oração e observaram os resultados em sua vida, e queriam aprender a fazer o mesmo. Em resposta, Jesus mostrou um modelo de oração simples, a qual chamamos "Pai Nosso". É muito curta, talvez porque o Senhor queria nos ajudar a concentrar o foco naquelas questões mais importantes. Um de seus poucos pedidos é: "Não nos deixes cair em tentação" (Lc 11:4).

Em outras palavras, Jesus ensinou que um dos componentes indispensáveis para uma vida de oração é o pedido para que seja­mos preservados do mal. Uma vez mais, o próprio Filho de Deus afirma os conceitos verbalizados na oração de Jabez.

Mais tarde, na noite anterior à crucificação, Jesus foi orar com seus discípulos no jardim do Getsêmani. A tensão da ansiedade pe­los eventos do dia seguinte o angustiou muito, e o Mestre buscou conforto no Pai. Ele também precisava do apoio e das orações de seus melhores amigos, mas quando os encontrou dormindo, ao invés de se manter acordados a seu lado, declarou sua decepção: "Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação" (Mt 26:40,41). Essa passagem bíblica nos ensina com clareza a vigiar e orar, associando diretamente nossas orações aos efeitos que a tentação pode ou não provocar.

Você notou a estratégia que Jesus ensinou em ambos os trechos da Bíblia? Não nos deixes cair em tentação (...) Orai, para que não entreis em tentação também! Hoje, você já pediu ao Senhor maneira de evitar o pecado é evitar a tentação também!

Hoje, você já pediu ao Senhor para protegê-lo da tentação? Se a resposta é "não", talvez você enfrente muito mais tentações do que enfrentaria se tivesse orado como Jesus ensinou.

Esse é o único pedido da oração de Jabez que é difícil provar objetivamente que o Senhor tenha respondido. Por quê? Às vezes, Deus conduz seus filhos para longe da tentação e eles jamais saberão disso. Não vemos sempre sua proteção em ação. Orar por proteção é um ato de fé. Você pode confiar que o Pai ouve e atende seu pedido porque está orando de acordo com a vontade dele. O Senhor não quer que você peque.

Por outro lado, alguma tentação na vida é inevitável. A respei­to disso, tenha apenas em mente que devemos orar e vigiar para evitar a tentação tanto quanto possível. É a nossa melhor defesa contra o mal.

 

Mesmo quando ele ouve

Outras pessoas fazem uma abordagem diferente à questão da tenta­ção em geral. Elas concordam que é bom evitá-la, e até acreditam que orar pela proteção de Deus é essencial. No entanto, elas pen­sam: "Com que freqüência devo orar, de fato? Uma vez por semana deve dar conta. Deus não esquecerá o que pedi a ele no domingo, quando estava na igreja. Afinal de constas, não quero aborrecer o Senhor com o mesmo pedido o tempo todo". Isso nos leva ao...

 

Engano número 2

Não preciso vigiar para evitar a tentação. Já orei sobre isso.

 

Acontece que a simples oração por proteção não é garantia de que não pecaremos. Precisamos ter bem claro em nossa mente o alerta divino: "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (ICo 10:12).

Assim como o lutador de boxe não pode baixar a guarda um segundo sequer, sob o risco de seu oponente aproveitar a abertura e desferir um soco capaz de nocauteá-lo, também precisamos nos manter em dependência constante de Deus para que ele nos proteja continuamente de nosso adversário implacável. Essa é uma das ra­zões pelas quais Paulo nos instruiu: "Orai sem cessar" (1 Ts 5:17).

 

Mesmo quando você serve

Já contei várias vezes esta história de meu primeiro ano de faculdade, e volto a repeti-la aqui. Certo dia, seis ou sete de nós permaneceram depois da aula para falar com um de nossos profes­sores favoritos, dr. Howard Hendricks. Durante a conversa, um amigo à minha frente disse: "Sabe, dr. Hendricks, quando cheguei neste seminário, minha vida era cheia de tentações e lutas. Mas agora, depois de estudar Grego, Hebreu e Teologia, minha vida é muito tranqüila."

Lembro-me de pensar na hora: "Puxa, eu daria meu braço direito para ter uma vida assim." Me encolhi discretamente e dei alguns passos para trás. "É melhor eu não aborrecer o professor com minhas perguntas."

Mas, de repente, o dr. Hendricks lançou um olhar grave sobre meu amigo. "Rapaz", disse ele, "esta é a pior coisa que poderia ter dito a mim. Antes de chegar aqui, você estava, pelo menos, na bata­lha. Mas agora acabou de me mostrar que o inimigo sequer acha que você merece ser fustigado."

Sem graça, meu amigo havia sucumbido ao...

 

Engano número 3

Deus protege-me especialmente quando estou a seu serviço.

 

É uma presunção achar que, quando servimos a Deus, ele automa­ticamente coloca uma roda de anjos ou uma cerca de proteção à nossa volta para nos guardar da tentação. "Enquanto eu estiver mi­nistrando", pensamos, "não preciso me preocupar com o pecado."

Na verdade, orar por proteção é muito mais crucial quando você está servindo a Deus ativamente!

Você não muda sua tendência hu­mana ao pecado quando sobe a umpúlpito, divide uma refeição com uma pessoa necessitada ou fala sobre Deus a um amigo. Geralmente, as maiores tentações e dificuldades atingem a pessoa que vive como Jabez. Ela está ti­rando território da mão do inimigo, portanto é provável que ele considere esta pessoa uma ameaça e a torne um alvo.

Mantenha em sua mente que Deus nunca prometeu manter toda tentação longe. Tome cuidado, em especial, com a tentação em duas ocasiões específicas: 1) pouco antes de um esforço signifi­cativo para servir a Deus e 2) logo depois deste esforço, quando você está física e espiritualmente exausto. Nesses momentos, man­tenha seu coração bem perto de Deus e peça o tempo todo por proteção contra a tentação.

Um curso de ação bastante sábio é prevenir-se contra a tenta­ção antes que ela tenha a chance de atacar, instalando proteções práticas contra os pecados que exigem maior resistência. Ligue para uma pessoa confiável. Escolha um caminho que evite as armadilhas morais. Remova de sua vida quaisquer tentações que você sabe que podem conduzi-lo a outras ainda mais fortes e ao pecado.

Um amigo contou-me certa vez que ele não conseguia livrar-se do hábito de ver pornografia num canal específico de tv a cabo. Perguntei se levava mesmo a sério o desejo de se ver livre de um hábito tão prejudicial. Ele respondeu: "Estou muito, muito ansioso por uma vitória".

Sorri e disse que havia uma solução garantida que poderia eliminar o problema instantaneamente. Meu amigo sentou-se na cadeira, olhando com apreensão. Não sei o que ele estava esperan­do, mas com certeza não era bem o que ouviu de mim: "Simples­mente cancele a tv a cabo, e a tentação vai desaparecer de uma só vez!"

Absolutamente chocado, ele respondeu: "Não posso fazer isso! Tem muitos filmes excelentes".

Sorri e falei: "Bem, achei que tínhamos identificado o nível ver­dadeiro de seu desejo de se livrar da pornografia".

Duas semanas depois, nos encontramos numa loja nas redon­dezas. Ele se aproximou, sorriu e disse: "Cancelei a tv a cabo naquela noite mesmo, e desde então estou livre daquele hábito!"

 

O  PERIGO É REAL

Jesus nunca alimentou qualquer ilusão entre seus seguidores. É um mundo perigoso, como ele disse, mas Deus é maior que tudo no mundo (v. Jo 16:20-22,33). As barreiras são grandes, mas vale a pena todo esforço para vencer a batalha contra o pecado.

Em nome de tudo que você ama — pelo amor a seu Pai celestial —, mantenha-se o tempo todo sob o abrigo do abraço protetor do Senhor. E qualquer coisa que fizer, faça diariamente a oração de proteção, tal como Jesus e Jabez ensinaram.

 

 

Capítulo Doze

 

a oração por proteção:indo mais fundo

 

Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos provera livramento, de sorte que a possais suportar.

I Coríntios 10:13

 

 

A tentação era inesperada e intensa, e eu estava totalmente despreparado.

Aconteceu em Maryland, depois de eu ensinar no seminário Wal thru the Old Testament [Caminhando pelo Antigo Testamento] durante o dia todo na igreja de um amigo. O templo estava lotado e a platéia, ansiosa. Derramei meu coração naquele ensino. Tivemos um período tremendo, e voltei para meu quarto de hotel sentindo-me realizado. Tinha dado tudo de mim na ministração, e quase não tinha energia suficiente para atravessar o corredor até a porta.

Larguei minha maleta de transparências para retroprojetor no chão, sentei na beira da cama e comecei a tirar a gravata. Um chuveiro quente seria muito bom. Foi quando ouvi alguém bater suavemente na porta. Jamais poderia imaginar quem poderia ser.

Talvez fosse meu amigo da igreja para entregar alguma coisa que eu tivesse esquecido.

Sem pensar, abri a porta e lá estava uma mulher extremamente atraente. Ela olhou direto nos meus olhos e disse: "Vamos nos diver­tir esta noite — só eu e você". Ela baixou a voz e completou: "Nin­guém vai ficar sabendo".

Lembro-me de que as palavras me faltaram na hora de respon­der. Então um pensamento passou pela minha cabeça: "Talvez você devesse convidá-la para entrar e testemunhar de Jesus para ela".

Meu coração batia tão forte e tão rápido que comecei a suar. Sabia que estava correndo um perigo dos grandes e era melhor sair daquela situação o mais rápido possível. As palavras mal saíram de minha garganta quando respondi: "Não, obrigado". E fechei a porta.

Sentei na beira da cama, tremendo. Literalmente. Aquela ten­tação chegara até mim de maneira repentina e forte, sem qualquer tipo de aviso. Embora aquele episódio levasse menos de um minuto, eu sentia como se tivesse passado uma eternidade.

Sou muito grato ao Senhor por sua mão para me sustentar diante da tentação que poderia arruinar meu ministério e meu casa­mento. Quase trinta anos se passaram desde aquele dia, mas sou grato eternamente pelo poder da oração: "Me preserves do mal!"

 

A  CARNE E O MUNDO

A carne é a primeira de três fontes de tentação sobre as quais as Escrituras nos alertam. Na Bíblia, "a carne" é descrita simplesmente como nosso próprio desejo de pecar. De acordo com Gaiatas 5:19,20, "as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades..."

A lista continua por mais de dois versículos.

Tenha em mente que Paulo escreveu essa passagem aos crentes! O tempo que se anda com Deus não importa, sua carne sempre estará com você até a morte, e sempre lutará contra o que o Senhor quer fazer em sua vida. Paulo nos afirma que o Espírito luta contra a carne, e que essas coisas são opostas uma à outra (v. Gl 5:17).

Nossa carne nunca se torna melhor; jamais se aproxima da aparência do Espírito com o tempo. É por isso que somos orienta­dos a crucificar a carne e caminhar com os recursos fornecidos pelo Espírito Santo.

Neste momento, você pode perguntar: se a carne nunca se torna melhor, como é possível a uma pessoa se parecer mais com Cristo? Apenas pela graça e pelo poder de Deus. Conforme crescemos na dependência do Espírito Santo, ele sobrepuja a carne de tal maneira que nossa vida é livre para carregar o fruto do Espírito (v. Gl 5:22,23). Paulo chamou isso de "andar no Espírito", e todas as vezes que ora­mos "livra-me da tentação de minha carne", estamos escolhendo depender do Espírito.

Uma segunda fonte de tentação é o mundo. O apóstolo João escreveu: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que ha no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mun­do" (l Jo 2:15,16).

O mundo é um sistema de valores e crenças, muitos dos quais guerreiam contra o amor de Deus porque estão enganosamente in­fluenciados e controlados por nosso inimigo (v. Ef 2:2; 6:12). Essa é a razão pela qual Paulo nos adverte, em Romanos 12:2, a não permi­tir que sejamos moldados de acordo com o padrão do mundo.

Mesmo assim, somos bombardeados constantemente pelas men­sagens mundanas — nas escolas, na imprensa, no trabalho. Anúncios tentam gerar descontentamento, seduzindo-nos a uma ambição obsessiva. O mundo dos negócios incentiva as pessoas a garantir seus interesses, mesmo que isso exija passar por cima dos outros.

Mas Deus diz: "Desvie suas afeições das coisas do mundo e apon­te-as para o que é eterno — as riquezas sem fim que fazem deste mundo perderem qualquer valor". Como afirmou o apóstolo, o amor pelo mundo e o amor por Deus não podem coexistir.

Como você guarda seu coração para Deus, protegendo-o do mundo? Apenas dando a Deus a soberania em todas as áreas de sua vida o tempo todo. Por isso, ore sempre assim: "Livra-me da tenta­ção deste mundo".

 

AS FORÇAS DAS TREVAS

A terceira fonte de tentação é também externa. Mas enquanto o mundo é um sistema impessoal, esta é perniciosamente pessoal, e é chamada "o Diabo", ou seja, o próprio Satanás. E tem um exército de anjos decaídos — chamados "demônios" com freqüência nos evan­gelhos — trabalhando para ele.

Paulo descreve nossa luta contra Satanás e suas falanges desta maneira:

 

Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.

Efésios 6:12,13

 

Muita gente — até mesmo cristãos — não acredita que Satanás é uma entidade real. Mas a Bíblia nos afirma que ele existe, já foi chamado Lúcifer e foi o mais forte e resplandecente de todos os anjos (v. Is 14:12-15). Ele se rebelou contra Deus e sofreu uma derrota eterna. Por isso, agora ele odeia a Deus e quer atacá-lo atingindo aqueles que servem ao Senhor. A intenção de Satanás é manter o maior número possível de pessoas em trevas espirituais ou, pelo menos, cativas ao pecado, de maneira que não sejam ca­pazes de servir a Deus.

Se você vive dentro de sua zona de conforto, não é um alvo para o inimigo. Mas quando se esforça para Deus além daquilo que parece "seguro"; quando percebe a iminência do medo, mas escolhe não fugir dele; quando caminha na força de Deus e ultra­passa seus guardas de fronteira; e quando a mão de Deus o capaci­ta a conquistar novos territórios — é aí que Satanás começa a se opor mais ativamente à sua vida.

Por favor, compreenda: não estou dizendo que Satanás está esperando pelos filhos de Deus escondido atrás de cada muro ou no meio dos arbustos. Ele não é a causa de todas as coisas ruins que acontecem com você, pois há outras fontes de tentação e dificulda­de. A obsessão por Satanás é tão perigosa quanto ignorá-lo.

Mas ele existe de verdade. E é perverso. Quando se vive como Jabez, é prudente esperar a oposição do Diabo.

De qualquer forma, ele não precisa necessariamente prevalecer contra você "porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1 )o 4:4). Satanás é um ser limitado — uma das criações de Deus. É por isso que Paulo nos orienta a ser fortes no Senhor, usar todo o equipamento espiritual que ele nos oferece para enfrentar a batalha e garantir a vitória, invocando o poder e a pro­teção de Deus através da oração (v. Ef 6:13-18).

Tiago escreveu: "Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4:7). Quando você ora, verbaliza a Deus sua dependência nele. E quando pede: "Livra-me da tentação", exercendo o autocontrole que o Espírito Santo o habilita a fazer, está resistindo a Satanás e se revestindo do poder de Deus contra o inimigo.

 

O  PREÇO DO PECADO

Deus nos colocou num mundo de causas e efeitos. E ele nos alerta que todo pecado gera uma conseqüência. Às vezes, a conseqüência chega como resultado natural de nossas ações. Em outras, Deus atua diretamente e disciplina seus filhos.

Alguns pecados são mais graves do que outros (Deus classifica alguns pecados como "mais abomináveis" em Ez 16:52) e geram con­seqüências mais pesadas, especialmente para aqueles que conhecem a Deus há muito tempo ou exercem funções de autoridade espiritual — a estes, Deus atribui um nível mais elevado de responsabilidade (v.Tg3:l;lTm 1:2-12).

Veja o que aconteceu com a vida do rei Davi quando, num mo­mento de independência egoísta, cometeu adultério com Bate-Seba. Depois que ele a engravidou, assassinou o marido dela numa tenta­tiva de esconder o pecado que cometera. Mas Deus tinha investido Davi de uma grande responsabilidade — a liderança civil e espiri­tual de seu povo. Assim o Senhor trouxe um juízo severo sobre a casa de Davi:

 

Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, por­quanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher (...) Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol (...) Mas, posto que com isso deste motivo a que blas­femassem os inimigos do Senhor, também o filho que te nas­ceu morrerá.

2 Samuel   12:10,11,14

 

Essa história demonstra, com bastante clareza, a seriedade do peca­do, especialmente os mais graves ou em estágios mais avançados. E também ilustra o fato de que as conseqüências de nossos pecados costumam produzir traumas graves em outras pessoas.

Deus nos alerta sobre os resultados potenciais do pecado, de forma que devemos buscar proteção contínua contra o mal.

 

Sempre fora do comum

Considerando que evitar a tentação é a melhor maneira de se livrar do pecado, o que Deus fará quando você se descobrir frente a frente com ela? Às vezes, a isca pode parecer difícil de resistir, muito pode­rosa, implacável mesmo. O pecado parece inevitável. Deus pensa de forma diferente. Veja sua promessa:

 

Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos provera livra­mento, de sorte que a possais suportar.

I CorÍntios 10:13

 

Você não precisa desistir nunca da esperança da santidade. Quan­do perceber que está no meio de qualquer tipo de tentação, Deus diz: "Estou bem aqui com você, pois não quero que você peque".

Nesse versículo, o Senhor promete fazer duas coisas. Primeiro, ele limitará a força da tentação — isso é, ele não permitirá "que sejais tentados além das vossas forças". Se sua carne, o mundo ou o Diabo lhe ataca a vida com uma tentação opressora, Deus ergue seu filtro soberano e permite apenas aquelas experiências que você está pronto, pelo poder do Espírito, para suportar.

Em segundo lugar, quando parece que você está no fundo de um precipício, cercado por penhascos intransponíveis, Deus pro­mete mostrar um caminho de escape. No meio de qualquer ten­tação, clame: "Senhor, onde fica a porta de saída?", e ele indicará o caminho.

 

Perigos sobre os quais devemos orar

Quem pode enumerar as muitas tentações que podemos enfrentar durante nossa vida, e contra as quais devemos pedir a proteção di­vina? Selecionei, para analisar aqui, quatro tipos de tentação que podem representar um perigo especial ao homem ou à mulher que pretende alcançar um estilo de vida de oração como o de Jabez.

Primeiro, ore por proteção contra a tentação do orgulho. Tiago 4:6 afirma: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes".

Quando o Senhor opera através de sua vida, trata-se de um esforço de equipe: o poder de Deus trabalhando a partir de seu cora­ção ansioso por servir, de sua sabedoria e sua disposição. É natural você aceitar uma manifestação de agradecimento por sua dedica­ção, mas nunca pelo que é fruto do poder de Deus. Às vezes, quando a mão de Deus começa a realizar obras cada vez maiores através de uma pessoa, ela pode ser seduzida pelo orgulho, que sutilmente a faz acreditar merecer o crédito do qual somente o Senhor é digno.

Isso aconteceu com Moisés, e foi esta a razão pela qual ele foi proibido de entrar na Terra Prometida. Certo dia, quando o povo estava sedento e não encontrava água, Deus instruiu Moisés a falar a uma rocha, prometendo a ele que ela produziria água. Porém, ao invés de falar à rocha, Moisés a golpeou com seu cajado, como fizera numa ocasião anterior. A água jorrou da pedra, e a sede do povo foi saciada (v.Nm 20:2-12).

Mas Deus disse a Moisés que, por causa daquele único ato, ele morreria no deserto. Por que ato? Por ter golpeado a rocha, ao invés de falar a ela? Não parece muito justo — a não ser que você analise de forma mais apurada o que realmente aconteceu.

Note, no versículo 10, as palavras que Moisés usou pouco antes de golpear a rocha: "Ouvi, agora, rebeldes: porventura, faremos sair água desta rocha para vós outrosV (grifo do autor). Percebeu o pronome oculto no que Moisés falou? Nós. Ele havia passado dos limites e tomado para si parte da glória que era somente de Deus. Orgulho, não a raiva, foi o pecado pelo qual Moisés foi disciplina­do. O julgamento de Deus foi este: "Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que lhe dei."

Peça sempre a Deus que guarde seu coração do perigo do orgulho.

 

Quando uma coisa boa fica ruim

Em segundo lugar, ore por proteção contra a tentação do poder. Poder não é necessariamente a mesma coisa que autoridade, ainda que acompanhe a posição que uma pessoa ocupa. Podemos ter poder em função da fama, de nosso círculo de relacionamentos, de nosso dinheiro, de nossas habilidades ou de nossa cultura. Ou ele pode vir com a poderosa influência da mão de Deus operando em sua vida.

Ao estudar o Novo Testamento, a impressão que temos é a de que o poder era uma tentação muito comum entre os discípulos. Em mais de uma ocasião, eles se perguntavam qual seria o maior de todos (v. Mc 9:33,34; 10:35-37; Lc 22:24). Jesus achou necessário orientá-los a parar com aquela disputa (Mc 10:42-45).

Em qualquer de nossos relacionamentos — em especial aqueles em que exercermos influência sobre outras pessoas —, é importante estarmos atentos à maneira como tratamos quem está à nossa volta. Devemos ouvir nosso tom de voz, perceber os momentos em que nos tornamos inconvenientes e avaliar o quanto somos capazes de ouvir a opinião dos outros. É preciso cuidado no uso da autoridade de que fomos investidos. Deus a concedeu (v. Rm 13:1), e ele pode tomá-la de volta. Ore para que ele o guarde da tentação sutil do poder.

Terceiro, ore por proteção contra a tentação das posses. O di­nheiro, por si, não é mau, posto que se trata apenas de um pedaço de metal ou papel. Mas ele pode ser uma ferramenta usada tanto para o bem quanto para o mal. A diferença está em sua atitude e em suas ações. Quando você ler esta passagem bíblica, preste atenção nas pa­lavras que descrevem uma atitude perigosa em relação às riquezas.

 

Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afo­gam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinhei­ro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.

I Timóteo 6:9,10

 

Desejo de se tornar rico. Concupiscência. Amor ao dinheiro. Cobi­ça. Esses são os pecados do coração contra os quais precisamos da proteção divina. Que retrato trágico e poderoso do mundo para descrever aqueles que caem vítimas desses pecados: "A si mesmos se atormentaram com muitas dores".

Depois de fazer o discurso principal numa convenção nacional, minha mulher e eu fomos abordados por um pastor emocionado que me convidou a pregar em sua igreja. "Meu povo precisa dessa mensagem. O senhor tem de ir e pregar a eles", disse ele.

Sorri e dei a ele minha resposta de sempre: "Escreva uma carta para mim", pois preciso de tempo para orar e analisar cada oportu­nidade. Mas o pastor insistiu, e a cada vez que eu dizia a ele que escrevesse para mim, o valor do honorário que ele me oferecia era mais alto.

Por fim, ele falou: "Pagaremos ao senhor um honorário de cin­co mil dólares e daremos ao senhor e a sua mulher uma estadia de uma semana no Havaí".

Interrompi-o e disse: "Senhor, sabe o que está me dizendo? Está presumindo que, se me pagar o suficiente, eu irei à sua igreja. Mas se esta fosse a minha motivação verdadeira, iria querer que eu fosse? Por favor, não me escreva".

Muitos meses depois eu soube que aquele homem, infelizmente, estava na cadeia por improbidade financeira. Ele queria me moti­var com a mesma coisa que o motivava; tentou me cooptar com uma abordagem financeira nada apropriada.

Em seu coração, mantenha o dinheiro no devido lugar—como uma ferramenta para ajudar a alcançar a eternidade, não como um ídolo.

Quando se trata de posses, ore para que Deus o guarde da ambição.

 

O perigo do impulso

E quarto, ore por proteção contra a tentação do prazer pecaminoso. E importante entender que a experiência do prazer é uma dádiva maravilhosa do próprio Deus "que tudo nos proporciona rica­mente para nosso aprazimento" (lTm 6:17). Quando pensamos nisso, vemos que a maioria das tentações são desejos normais, da­dos pelo Senhor — que, por si, são bons —, só que manifestados de maneira errada.

Vejamos a questão da sexualidade. De acordo com Hebreus 13:4, o prazer sexual no âmbito do casamento é "digno de honra". Mas quando permitimos que nosso desejo por prazer sexual nos leve além dos limites claramente bíblicos, sucumbimos à tentação da imoralidade sexual. Em l Coríntios 6:18, Paulo nos adverte: "Fugi da impureza".

Por que incluo essa questão em minha pequena lista de tenta­ções? Porque, em'nossos dias, o pecado sexual pode causar o maior índice de fracassos entre crentes e líderes cristãos.

Quanto mais Deus nos usa, mais devemos orar para que ele nos guarde o coração da luxúria. As tentações podem acontecer com qualquer um, e nunca anunciam antecipadamente que estão chegando. Por isso, devemos nos manter fortalecidos sob a prote­ção de Deus o tempo todo.

Em Gênesis 39:7-12, quando a mulher de Potifar tentou se­duzir José, por que ele foi capaz de dizer "não" e fugir sem hesi­tar? Por causa de sua caminhada com Deus, que nos protege do mal.

A partir de agora, e pelo restante de sua vida, eu o incentivo a seguir rigorosamente o exemplo de José. Esteja sempre atento, pois não dá para vencer a batalha espiritual sozinho. Mantenha-se perto de Deus e se sairá muito bem.

 

Vai apertar minha mão?

Antes de encerrar este capítulo, gostaria de convidá-lo a juntar-se às fileiras dos que entraram no Rito do Aperto de Mão.

Há muitos anos, quando desco­bri que as tentações sexuais eram tão fortes e dominantes, especialmente para aqueles que viajavam muito (co­mo professores da organização Walk thru the Bible Caminhando pela Bí­blia), busquei uma abordagem ao tema que pudesse fortalecer a todos nós.

Numa conferência de treinamen­to do corpo docente da faculdade, no início dos anos 1980, instituí o que fi­cou carinhosamente conhecido como o Rito do Aperto de Mão. Antes de par­tirmos, pedi aos professores que me acompanhassem num compromisso mútuo e com o Senhor de nos manter sexualmente puros até que nos reuníssemos novamente, den­tro de um ano. "Se você tem este mesmo propósito", eu disse, "então assuma diante de todos este compromisso, venha até aqui e aperte a minha mão". O Rito do Aperto de Mão foi um momento muito significativo para todos nós.

Contudo, eu não sabia quão importante tinha sido até certa noite, anos depois, quando um de nossos professores de maior des­taque compartilhou com alguns de nós e nossas esposas um inciden­te quando ele viajava para ensinar num fim de semana. Foi assim que ele nos contou:

"Eu estava voando de volta para casa, depois de ensinar numa cidadezinha no meio-oeste, quando uma forte nevasca interditou a área. Estava num grande aeroporto, aonde havia chegado num avião de pequeno porte, mas a neve continuava a cair em tanta quantidade que cancelaram todos os vôos durante a noite.

 

 

As tentações podem acontecer com qualquer

um, e nunca anunciam antecipadamente que

estão chegando. Por isso, devemos nos

manter fortalecidos sob a proteção de Deus

o tempo todo.

 

"Apenas uns oito de nosso grupo de viajantes aborrecidos fo­ram convidados a entrar numa van para passar a noite em um hotel das redondezas. Notei que havia uma mulher muito atraente que viajava sozinha como eu, mas tentei não trocar olhares.

Quando abriram a porta da van, fui direto para a última fila, perto da janela. A mulher subiu logo depois, e sentou-se exatamen­te ao meu lado. Juntinha. Não havia como sair dali, então tentei olhar pela janela.

Ela continuou a conversar comigo num tom muito pessoal, conforme a van se dirigia ao hotel. Estava na cara que ela queria companhia para passar aquela noite. 'Mas não comigo!', pensei. Quando saímos da van, já no hotel, imediatamente fui ao toalete, de modo que ela não conseguisse descobrir qual era meu quarto. Olhei em volta e vi que ninguém mais estava lá. Aí fui ao balcão fazer o check in.

Quando peguei minha chave, ela apareceu de repente no lobby e começou a caminhar comigo até o meu quarto. Na metade do caminho do corredor, pegou meu braço e apertou-o contra seu corpo. Eu estava carregando malas nas duas mãos, e não sabia o que fazer.

Ela começou a me contar o quanto estava solitária, que seu marido a maltratava, que eles estavam separados há meses e que precisava desesperadamente de alguma companhia para passar a noite.

Meu amigo interrompeu o relato por um momento e olhou para sua esposa, que já sabia da história. Ele respirou fundo e continuou.

"Ela era uma mulher muito bonita. Parei na porta e disse a ela que eu era casado e não queria ser infiel à minha mulher. Assim que entrei no meu quarto, tranquei a porta e passei o trinco.

"O hotel não tinha serviço de quarto, e eu não havia comido nada desde cedo, mas não queria encontrá-la de novo. Já passava das 21h quando me aventurei a sair do quarto e arranjar alguma coisa para comer. Ela estava lá, completamente sozinha, e respirei um pouco aliviado ao constatar que, de sua posição, não conse­guiria me ver. Entrei de fininho numa baia e comecei a olhar o cardápio. Antes que eu percebesse o que estava acontecendo, ela escorregou pelo banco até ficar bem colada comigo. Pegou meu braço e começou a olhar o cardápio também.

"Eu não sabia o que fazer, mas quanto mais ela falava e quanto mais eu olhava em seus olhos, mais difícil era resistir. Minha con­vicção se esvaía a cada momento. Não demorou muito e eu já estava acreditando de fato que tinha todas as razões do mundo para ficar com ela naquela noite."

Ele engoliu em seco por um momento e baixou os olhos para a mesa.

"Nunca pensei que aquilo poderia acontecer comigo. Mas acon­teceu. Quando dei por mim, estávamos juntos do lado de fora de meu quarto".

"Sinto-me envergonhado por ter de admitir isso, mas, a certa altura, eu já não ligava mais para meu ministério. Não me impor­tava mais com meu casamento. Nem sequer me preocupava com o que aconteceria com nossos filhos. Naquele momento, nada mais importava, pois eu queria aquela mulher.

"Quando levantei minha mão e coloquei a chave na porta, uma imagem muito vivida interrompeu meu gesto. Era a daquela noite em que apertei sua mão, Bruce, no Rito do Aperto de Mão.

De repente, a memória daquele compromisso me deu forças que eu sabia que, por mim mesmo, não tinha. De alguma forma, o Senhor me ajudou a dizer "não". "Abri a porta, corri para dentro e sentei na beira da cama, tremendo".

Com lágrimas nos olhos, ele pegou a mão da esposa e disse: "Não tenho como agradecê-lo o suficiente. O Rito do Aperto de Mão salvou meu ministério, meu casamento, meus filhos e minha própria vida!"

E quanto a você? Se juntará a mim e assumirá o compromisso de manter-se forte diante da tentação sexual? Vai apertar minha mão mentalmente? Talvez, quando nossos caminhos se cruzarem, você possa apertar minha mão pessoalmente e confirmar: "Sou um membro do Rito do Aperto de Mão".

Até lá, ore como Jabez: "Me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!"

 

 

 

Capítulo Treze

 

a oração por proteção:

colocando em prática na vida

 

Senhor, afasta-me de cometer os erros aos quais estou mais propenso no momento em que chega a tentação. Confesso que aquilo que julgo ser necessário, inteligente ou pessoalmente benéfico em geral é apenas um belo disfarce para o pecado. Assim, peço-te que me preserves do mal.'

A ORAÇÃO DE JaBEZ

 

 

Externamente, Steven cuidava para manter um comporta­mento feliz, brincando com várias pessoas. Mas, por dentro, era constantemente atormentado por uma mistura paradoxal de culpa e ressentimento. Culpa, porque achava que tinha mata­do seu pai. Ressentimento, porque culpou a Deus por tudo que acontecera.

Dois anos antes, Steven esperava no hospital enquanto seu pai era submetido a um transplante de medula óssea.

Quando o estado dele se complicou e uma cirurgia a mais se tornou inevitável, Steven viu-se forçado a ter de tomar uma de­cisão difícil quanto ao tipo de anestésico que deveria ser usado. Preocupado com o conforto de seu pai, ele escolheu a anestesia geral, em vez da local.

Enquanto caminhava pelos corredores do hospital, Steven ora­va: "Deus, faça com que tudo corra bem. Papai só tem 55 anos. Não o tire de mim agora".

Mas o pai de Steven reagiu inesperadamente mal ao anestésico e morreu durante a cirurgia.

Steven afastou-se de Deus. Por dois anos, sepultou a si mesmo no trabalho e no materialismo, vagando pela vida em trevas espi­rituais. Sua família sofreu muito, embora ele negasse que alguma coisa pudesse estar errada.

Mas Steven não conseguia enganar sua mãe. Certo dia, parou na casa dela para uma visita. A mãe descartou logo a tentativa de conversa fiada e foi direto ao assunto: "Steven, estou preocupada com você. É quase como se alguém tivesse roubado sua alma".

As barreiras que ele havia construído dentro de si ruíram de repente, e durante uma hora Steven derramou seu coração. Contou à mãe a respeito de sua culpa constante e sua decisão de rejeitar a Deus — a própria dor que vinha sentindo havia dois anos, desde que o pai morrera.

Antes que ele fosse embora, ela o aconselhou: "Steven, você precisa confiar em Deus. Seja qual for o motivo pelo qual o Senhor nos cha­ma, não podemos seguir sozinhos. Você precisa dele agora, mais do que nunca". E entregou a ele um livrinho chamado A oração de Jabez.

No dia seguinte, Steven leu o livro e, pela primeira vez desde a morte de seu pai, começou a acreditar que Deus não o havia esque­cido. Aprendeu que o Senhor tinha um plano para sua vida — um plano que nem sempre poderia entender, mas um bom plano, ape­sar de tudo. Percebeu que precisava depender de Deus. Mas não podia dar um passo de humildade tão grande sem a ajuda de Deus para protegê-lo de seu orgulho — o lado complicado de sua personalidade.

Steven também precisava de uma defesa sobrenatural contra as mensagens falsas de culpa — mensagens provavelmente criadas pela própria mente, mas certamente reforçadas pelo inimigo acusador. Então começou a orar por proteção contra o Diabo.

Com o tempo, a dor foi substituída pela paz. Steven acertou as contas com a memória da morte de seu pai e passou a viver na feliz expectativa de vê-lo no céu. Descobriu uma sensação renovada de propósito para sua vida ao dar os primeiros passos no novo territó­rio que Deus havia determinado justamente para ele.2

 

OS PASSOS PARA A DEFESA ESPIRITUAL

Cada um de nós, assim como Steven, encontrará seu próprio e úni­co pacote personalizado de tentações. Mas como as metas definitivas de cristãos Deus para seus filhos são as mesmas — caráter reto, ser­viço em obediência e comunhão sem barreiras com ele —, os passos práticos para se proteger do mal são os mesmos para todos os cris­tãos. Vamos examinar quatro passos básicos.

Primeiro, previna-se contra as tentações, em especial quando seu território for ampliado. Você já parou para pensar por que Jesus chamou Simão Pedro à parte quando, na noite anterior à sua crucificação, disse: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo!" (Lc 22:31)? Satanás sabia do papel estratégico de Pedro como líder dos discípulos, prestes a se tornar líder também da Igreja judia. Cairia nas mãos de Pedro, depois da morte de Jesus, a responsabilidade de fortalecer seus irmãos, por isso o Mestre orou especialmente pela proteção do apóstolo con­tra o mal.

Pedro reagiu ao alerta de Jesus com uma negação: "Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte".

Foi quando Jesus previu que Pedro o negaria três vezes antes que a noite chegasse ao fim (v. 33,34).

Jesus estava certo. Pedro estava despreparado quando as tenta­ções chegaram (v. 54-62), e o remorso que se seguiu poderia fazer sua fé descarrilar com facilidade, se não fosse a mão protetora de Deus.

Mantenha os olhos abertos. Você será tentado.

 

Sem barreiras para servir

Segundo, livre-se daquele pecado que sempre vence você. A Palavra de Deus nos exorta: "...desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia" (Hb 12:1, grifo do autor). Assim como um corredor não pode competir com roupas ou calçados pesados que atrapalhem seus pés ou suas pernas, não é possível cumprir os propósitos do Senhor em nossa vida se estamos enredados no pecado.

Paulo escreve: "Aparte-se da injus­tiça todo aquele que professa o nome do Senhor (...) Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra  (2Tm 2:19,21).

Você pode encontrar liberdade completa "olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus" (Hb l2:2). Em sua força, será capaz de deixar de lado o pecado que embaraça sua vida, e a mão de Deus operará através de você. "Me preserves do mal" é uma oração por liberdade. Toda vez que penso nessa oração, lembro-me de quando rece­bi uma resposta imediata e contundente a este pedido poderoso.

Eu tinha terminado uma semana de intensa ministração numa gran­de faculdade, muitas vezes fazendo aconselhamento até tarde da noite. Quando estava no táxi, a caminho do aeroporto, falei com o Senhor: "Estou espiritual e fisicamente exausto. Por favor, mantém todo tipo de tentação longe de mim".

Quando recebi minha passagem para Atlanta, meu coração ficou angustiado. Minha reserva de assento era para a poltrona central. Não só tinha certeza de que ficaria espremido, como também não tinha idéia de quem sentaria de cada lado. Tinha acabado de me aco­modar na poltrona quando ouvi uma gargalhada rouca vindo da parte da frente do avião. Dois homens muito grandes caminhavam na minha direção, rindo alto demais. "Ah! não, Senhor, por favor..."

Um dos homens ficou com a poltrona da janela, abriu sua ma­leta e pegou uma revista pornográfica. O outro sentou junto ao corredor, abriu sua maleta e tirou uma revista igual.

Não havia por onde fugir.

Tentei criar coragem e dizer alguma coisa, mas minhas reservas de energia já tinham esgotado havia muito tempo. Então continuei olhando para a luz acima de mim e orei: "Senhor, pensei que tínha­mos um trato. Sirvo-te de todo o meu coração, e olha agora o que acontece. Não quero pecar. Por favor, ajuda-me. Faze com que estes homens fechem suas revistas".

Em questão de segundos, um deles falou um palavrão, fechou a revista violentamente e colocou-a em sua maleta. O outro fez a mes­ma coisa. E comecei a gargalhar muito alto. Um dos homens pergun­tou o motivo de eu estar rindo tanto, e respondi: "Se eu contasse, você não acreditaria".

Algum tempo depois, preguei sobre a oração de Jabez na Pri­meira Igreja Batista de Atlanta, na Geórgia, pastoreada pelo dr. Charles Stanley, e contei esse episódio.

Duas semanas se passaram quando uma de nossas funcioná­rias na Walk Thru the Bible me parou no corredor com uma histó­ria que "eu precisava ouvir". Aconteceu de seu filho de doze anos de idade estar num vôo para ver os avós quando o homem ao lado dele abriu uma revista pornográfica. Ele falou para a mãe: "Pensei que, se Deus podia fazer isso pelo dr. Wilkinson, talvez pudesse fazer por mim também". Então ele contou que tentava lembrar das palavras exatas que eu havia dito e orou: "Senhor, como fizeste com o dr. Wilkinson, fecha esta revista suja". E Deus fez o que ele pediu!

Nunca subestime o poder da oração: "Me preserves do mal". Peça a Deus que mantenha você longe da tentação — mesmo quan­do estiver no meio dela!

 

Força para resistir

Terceiro, esteja continuamente cheio do poder do Espírito Santo. Sa­bemos que, no momento da salvação, o Espírito de Deus passa a habitar no cristão. Mas cabe a nós escolher entre conter ou liberar o Espírito Santo para operar através de nós com sua presença e seu poder.

Efésios 5:18 diz: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". A gramática grega usada neste vefsículo implica um hábito contínuo de se deixar encher e completar. Precisamos optar por dar ao Espírito de Deus mais controle sobre nossa vida. Isso é que significa ser cheio do Espírito — um compromisso que deve ser renovado continuamente.

E quarto, mantenha-se sob o poder de Deus. Como se aprende a fazer isso? Apenas lutando na batalha até chegar à vitória. O poder do Senhor, somado à sua escolha pela obediência e por se manter na luta, sempre conduz a uma vitória inequívoca e duradoura.

Sempre mantenha em primeiro lugar no seu pensamento que Cristo é mais forte do que qualquer coisa que possa surgir contra você. Em seu poder, torne-se um po­deroso guerreiro. Todos os dias, vista sua armadura: a verdade, a justiça, o Evangelho da paz, a fé e a salvação. E tome suas armas: a Palavra de Deus...  e a oração (v. Ef 6:10-18).                            

Lute, lute para manter seu território!

E se ficar aborrecido ou alguma coisa o ferir e derrubar, chame um amigo e diga: "Preciso de ajuda! Ore por mim!"

Deus quer que você fique firme. E ele provera tudo que você precisa para resistir.

 

Esteja pronto para a liberdade!

Como será sua vida quando tiver aprendido a orar "me preserves do mal" com o mesmo coração de Jabez? Pode ter certeza de que se tornará mais sensível ao mal e crescerá em santidade.

Pedro aprendeu da maneira mais difícil o poder da tentação e do mal, assim como o grande poder de Deus. No fim de sua vida, ele instruiu os cristãos: "Por isso, cingindo o vosso entendi­mento, sede sóbrios (...) Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorân­cia; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedi­mento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo" (iPe 1:13-16; grifo do autor).

No passado éramos ignorantes — não sabíamos. Mas orar por proteção intensifica sua atenção ao que é certo ou errado. Uma das ferramentas que Deus usa para responder à oração de seus filhos é desenvolver a capacidade de discernimento que deu a eles.

Como seres humanos, temos uma capacidade impressionante de não discernir o mal quando o vemos. Ou mesmo quando estamos bem no meio dele! Orando sempre para que Deus nos guarde do mal, ficamos mais alertas quanto ao mal e à tentação, de uma forma que jamais experimentamos antes.

Uma mulher chamada Virgínia cresceu aprofundando-se no ocultismo desde a infância. Sua mãe até a incentivava, não per­cebendo quão prejudicial era aquilo. Virgínia achava divertido tentar se comunicar com os mortos e brincar de mesa branca com suas amigas. Mas a diversão acabou logo que ela começou a ver aparições, portas fechando e abrindo sozinhas e todos os tipos de manifestações malignas que ocorriam.

Apesar de seus medos, Virgínia era incapaz de abandonar a feitiçaria, porque nela tinha conquistado uma forte sensação de poder. Não tinha idéia do grau de maldade com a qual estava envolvida, mesmo depois que seu namorado a contestou.

Secretamente, ela continuou suas atividades ocultistas depois de casada. Mas quando seu primeiro filho nasceu, ela percebeu que precisava reavaliar seus valores. Certa noite, "por acaso", ela sintonizou um programa cristão na tv, no qual o apresentador entrevistava um ex-satanista. Conforme aquele homem descrevia como o Senhor havia cativado seu coração e libertado sua vida da opressão demoníaca, Virgínia ficou ainda mais alerta quanto ao perigo, e cresceu também sua esperança de ser resgatada. Naquela noite, ela se tornou uma cidadã do Reino da Luz.

Virgínia começou sua nova vida destruindo todos os utensílios relacionados com o ocultismo que tinha em casa, e até hoje ela é muito sensível a qualquer coisa que represente aquele reino perverso.

Não demorou muito para que, em função da nova liberdade de Virgínia, Deus alargasse suas fronteiras, dando a ela uma opor­tunidade de compartilhar seu testemunho impressionante com o grupo de jovens de sua igreja. Ela orou para que saísse de sua zona de conforto, enfrentasse os guardas de fronteira e contasse sua his­tória no dia do encontro. Oito garotos colocaram sua fé em Cristo naquela noite.

Alguns dias depois, um amigo que servia na marinha como capelão pediu uma fita com a gravação do testemunho de Virgínia para usar em seu ministério.

Hoje ela não tem idéia de quantas pessoas foram impactadas pela história da operação de Deus em sua vida. Mas sabe que os milagres nunca teriam começado se o Senhor não tivesse desper­tado sua sensibilidade para o mal e se não a houvesse colocado no caminho da santidade.3

 

A PROVA ESTÁ NOS ATOS

Digo o tempo todo que Deus pode guardar você do pecado, mas não há como saber como isso funciona enquanto não se começa a orar pela proteção do Senhor e experimentá-la na própria vida. Quando alguém faz isso, algumas de suas tentações mais comuns começam a diminuir a freqüência à medida que Deus protege esta pessoa. Enquanto isso, outras tentações podem se tornar mais in­tensas, pois o inimigo vai aumentar a pressão.

Mas estamos ainda a salvo (v. Jd 1:24,25). Deus fortalecerá nos­so autocontrole, de maneira que sejamos capazes de fazer escolhas mais sábias que conduzam para longe da tentação. Quando não houver como evitar, o Senhor dará forças para fugir ou resistir. E se o pecado parece inevitável, descobrimos as portas de saída que Deus sempre abre.

Pense também na dor que o mal causou em seu passado — a você, a pessoas a sua volta e a Deus. Quando se fica ao alcance do abraço protetor do Senhor, logo a dor é substituída pela alegria! A vida se torna uma fonte de grandes bênçãos para todos que estão por perto.

E aquele "bom trabalho!" que você está esperando ouvir? Se optar por viver em santidade na força de Deus, garanto que sentirá o gosto da aprovação de Deus agora mesmo, e ele abrirá um sorriso ao ver como você o serviu.

 

Sim, mesmo agora

Quero falar de mais um cenário que pode descrever sua situação atual. Você pode estar pensando neste momento: "Esse estilo de vida Jabez parece maravilhoso!" No entanto, mesmo lendo este livro, continua acreditando que jamais será capaz de viver do mesmo jeito porque algum pecado ainda mantém sua vida cativa.

Agora é hora de falar com honestidade sobre isso.

A verdade é que, a não ser que rompamos o laço do pecado, tudo neste livro será apenas palavreado vazio. À distância, assistire­mos a outras pessoas experimentando bênçãos abundantes, alar­gando seus territórios e sua influência, contando com o poder de Deus sempre disponível e sentindo-se guardadas contra o mal. Para nós, no entanto, tudo ficará apenas na teoria.

Garanto que, não importa qual seja o pecado que aprisiona sua vida, ou quão forte ele é, seu poder e seu castigo foram quebrados quando Jesus Cristo morreu na cruz. O mesmo poder que levan­tou Jesus dos mortos está disponível para erguer você de sua cova particular.

Se esta é uma boa descrição de sua situação, por favor, busque orientação de um líder de sua igreja ou de um conselheiro cristão. Eles o ajudarão a encontrar a liberdade.

Você não precisa continuar sob o domínio do pecado.

 

Rompa com o pecado

Algumas vezes é preciso uma grande coragem para romper com o pecado que mantém a pessoa presa. Há muitos anos, no noroeste dos Estados Unidos, falei num retiro de fim de semana do qual só participavam homens — oitocentos, ao todo. Na noite de sábado, pedi que os líderes confrontassem aquilo que sentiam estar es­cravizando muitos homens em nossa sociedade: a imoralidade sexual.

No fim de minha mensagem, eu disse: "Sei que alguns de vocês, homens casados, estão envolvidos neste momento em casos de adul­tério. E outros estão tendo relações sexuais antes do casamento".

O salão ficou em silêncio. Profundo.

"Há um telefone naquele poste de luz do lado de fora deste prédio", falei, apontando através da saída lateral do edifício rús­tico, na direção de um telefone público. "Essa é sua oportunidade de se libertar. Esta noite, eu os desafio a pôr um fim à imoralida­de sexual. Peguem um cartão telefônico, liguem para a mulher com quem estão tendo o caso e acabem com isso agora. Digam o quanto feriram a ela, a vocês, a suas famílias e a Deus. Peçam per­dão e deixem claro que nunca mais farão contato novamente."

Todos pareciam ter parado de respirar.

Continuei: "Quero que caminhem por este corredor até a mi­nha frente, apertem minha mão, me olhem nos olhos, digam que estão terminando com isso e sigam até o telefone para fazer a liga­ção. Para alguns, este pode ser o telefonema mais difícil de toda vida. Mas, por sua escolha e pela graça de Deus, você pode e será libertado".

Esperei, meu coração disparado, e orei: "Senhor, ajuda esses homens!"

Uma eternidade se passou. Finalmente, um homem enorme e rústico levantou-se na parte de trás do salão. O silêncio era tal que dava para ouvir seus joelhos tremerem. Suas grandes botinas sa­cudiram o chão do corredor enquanto ele avançava, lançando um olhar rude para mim. Pensei comigo: "Esse sujeito vai me dar um soco".

Quando ele chegou perto de mim, parou e disse: "Sou cami­nhoneiro".

Concordei imediatamente: "Sim, senhor, posso ver que é".

Ele disse: "Há nove anos tenho mantido um desses casos de adul­tério dos quais o senhor estava falando a respeito. Não sabia que Deus fosse tão contra isso, mas agora eu vejo. Vou acabar com este pecado esta noite".

Aliviado, saí do meu lugar para apertar sua mão. Ele ignorou meu gesto, e em vez disso me deu um grande e forte abraço, levantando-me do chão. Todos vimos quando ele foi até o telefone, com suas botinas triturando ruidosamente o cascalho. Quando ele li­gou, chegamos a ouvir o final da conversa.

Depois daquilo, a represa arrebentou e uma corrente humana foi à frente, e depois na direção do telefone. Mais tarde, às duas horas da madrugada, olhei pela janela de meu quarto. Vários ho­mens ainda estavam na fila para fazer suas ligações.

Se Deus podia capacitar todos aqueles homens a fazer algo tão difícil e humilhante para romper com um pecado tão poderoso e escravizador, então é capaz de resgatar você também.

Faça qualquer chamada que precisa.

Ponha um ponto final nisso.

Não apenas faça a oração de Jabez: viva a vitória que temos em Jesus.

 

 

 

Parte v

 

 

novos horizontes com Deus

 

 

Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh!

Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras,

que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não

me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.

I Crônicas 4:10

 

 

 

 

 

Capítulo Catorze

 

Um alto investimento com retorno infinito

 

Muito bem, Comum!, disse o Doador de Sonhos. Você é um Sonhador bom e fiel. Agora deixe-me mostrar-lhe mais. "Mais?", perguntou Comum.

Mais, disse o Doador de Sonhos. Há muito mais de meu Grande Sonho esperando por você.'

O DOADOR DE SONHOS

 

 

Isaías tinha certeza de que ia morrer. Em sua visão, ele estava de pé no templo de Deus no céu. O pró­prio Senhor Altíssimo estava sentado em seu trono, alto e exaltado, sua majestade e sua glória ofuscando o mais brilhante Sol. Serafins voavam à sua volta — entre os mais impressionantes seres criados — e clamavam: "Santo, santo, santo!" numa voz que fazia a terra tremer.

Aterrorizado, Isaías sentiu o impacto de seu pecado na presença da Perfeição personificada.

"Ai de mim!", ele lamentou. "Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros (...) e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!"

Mas um dos serafins trouxe uma brasa viva do altar e voou até Isaías. Ele tocou os lábios do profeta com a brasa, tirando seu pecado e purificando-o diante do Senhor Deus. Ele estava limpo!

Foi então que o Senhor Todo-Poderoso falou de seu trono: "A quem enviarei, e quem há de ir por nós?"

Num instante, Isaías compreendeu a situação. Ao longo de sua vida, ele sonhava em servir a seu Deus de uma forma significativa. Ali, na presença extraordinária do Senhor, não tinha dúvidas de que o poder estava disponível para realizar o que Deus desejasse. E o profeta que acabara de ser purificado sabia que o mal não poderia mais impedir a obra do Pai celestial em sua vida.

O Deus do Universo estava esperando por um voluntário. Era a melhor chance da vida de Isaías.

"Eis-me aqui", clamou o profeta,"envia-me a mim."

E foi isso que Deus fez (v. Is 6:1-10).

 

Você é a pessoa escolhida

O Senhor ainda está à procura de voluntários.

Ele quer pessoas comuns, que confiam na bondade de seu cora­ção doador. Gente que pedirá pelas bênçãos que ele deseja derramar.

Ele quer homens e mulheres que sabem que nada são, mas que imploram: "Senhor, permite-me fazer mais por ti!" Homens e mu­lheres que servirão a ele fielmente quando tiverem suas fronteiras alargadas.

Ele quer servos que conhecem suas próprias limitações. Que dia após dia lançam-se nas mãos poderosas do Senhor, sabendo que, através deles, ele realizará sonhos que jamais seriam alcançados de outra forma.

Ele quer corações contritos, implorando: "Tira de mim toda treva! Guarda-me do mal, e que eu possa servir-te livremente!"

Deus está convocando você.

Sua resposta começa com um passo simples.

Eu sei, parece um passo imenso.

Mas respire fundo, derrube a barreira invisível do medo e res­ponda: "Envia-me a mim."

Não espere por uma emoção. Tome uma decisão.

Você estará optando por uma nova maneira de viver. Sim, sen­tirá medo. E terá um preço a pagar. Mas se entregar sua vida a Deus, se aquecerá sob o prazer infinito da aprovação do Senhor por toda a eternidade. "Bom trabalho!"

E mais: sua vida na Terra jamais será insípida. Comece a orar com o mesmo coração de Jabez. Não há nada de mágico nas pala­vras que ele proferiu, mas há algo especial no caráter digno que elas representam. Comprometa-se a orar fervorosamente dia após dia, até que Deus se revele.

E ele o fará, pois sua oração irá ao encontro da vontade do Senhor. Ele quer abençoar você. Ele quer alargar suas fronteiras. Ele quer liberar poder em seu benefício. Ele quer guardar sua  vida do mal.

Não precisa se preocupar em tentar convencê-lo.

 

Um novo "você" e uma nova vida

Todo ser humano na Terra — admita ou não — carrega em sua alma um sonho, uma sensação de destino, um desejo por algo maior que ele mesmo. Deus é o Doador de Sonhos, e apenas ele pode reali­zar seu desejo mais profundo.

Você pode responder, com tristeza: "Quero fazer alguma coisa grande para Deus, mas em algum lugar do caminho, meu grande sonho virou pó".

Deixe o passado no passado! Paulo fez isso. Ele parou de se la­mentar pelo que tinha ficado para trás, porque não tinha como consertá-lo. E fixou seu olhar firmemente no objetivo que Deus co­locou a sua frente. Desistiu de tudo que tinha, reputando como coisas sem valor, porque eram sem valor mesmo, se comparadas com Jesus Crisso e a vida abundante (v. Fp 3:7-14).

Faça isso e embarcará numa aventura inimaginável.

Ao longo dos meses e dos anos, você será transformado. Cresce­rá, confiará ainda mais nas promessas de Deus e reconhecerá sua verdade. Você se tornará uma pessoa de caráter mais santo. Apren­derá a manter seu território e lutar com a mão do Senhor guiando sua vida.

Descobrirá que seus antigos valores não são mais tão impor­tantes, e começará a querer o que Deus quer. Ao desistir da vida que pensava precisar, você se descobrirá recebendo coisas ainda melhores do próprio Senhor. E ele satisfará seu coração de tal for­ma que todas as outras paixões serão consumidas em seu anseio por Deus.

Quanto mais se caminha com Deus, mais ele pede de nós. Mais de nosso dinheiro, mais de nosso serviço, mais de nosso tempo. Ele até pede que lhe entreguemos nosso grande sonho.

Depois de tudo, o que resta é uma pessoa: Jesus Cristo. Um dia você despertará para o fato de que escolheu a ele como supremo propósito na vida, e perceberá que ele mesmo passou a ser seu maior sonho, seu anseio, seu desejo mais intenso de todos.

Isso custará tudo que você tem. Mas o retorno é infinito.

Ofereça sua vida e receberá vida abundante, a qual pode gozar aqui e agora, e por toda a eternidade.

O começo da realização verdadeira virá com a oração: "Senhor, usa-me. Por favor, envia a mim alguém que precise de ti. Ou envia-me ao lugar onde eu possa servir." E logo verá a resposta de Deus. Tocará uma vida ou fará uma diferença eterna. Verá frutos de va­lor eterno se acumular e multiplicar diante de seus olhos.

E se você já se perguntou se sua vida era importante ou se seria capaz de um dia fazer diferença, estas perguntas nunca mais passa­rão por sua cabeça. Sua vida será prazerosa quando souber que ela é prazerosa para Deus.

Foi para isso que ele criou você!

 

 

1Bruce Wilkinson. O doador doador de sonhos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 65.

 

CONTRACAPA

 

 

"Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes..."

 

Um fenômeno. Em apenas alguns meses, um pequeno livro de um tema pouco pretensioso — pelo menos, para a maioria das pessoas — já aparecia em várias listas de best-sellers em publicações de grande prestígio.

 

"... e me alargues as fronteiras..."

 

O sucesso abriu as portas para a expansão do ministério de Bruce Wilkinson.

Uma das organizações que dirige, Dream for África, realiza um trabalho grandioso com milhões de pessoas que enfrentam a miséria, a fome e a Aids.

 

"... que seja comigo a tua mão..."

 

Cinco anos depois do lançamento, as vendas de A oração de Jabez já ultrapassam 10 milhões de exemplares em todo o mundo. Testemunhos de vários países dão conta de inúmeras vidas abençoadas a partir de sua leitura.

 

"... e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!"

 

Além de Jabez Alargue suas fronteiras esquadrinha toda a mensagem, revela a profundidade e desfaz os enganos a respeito de uma das preces m< breves e poderosas registradas nas Escrituras Sagradas.

 

"E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido."

 




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